Por Altamiro Borges
A rádio CBN, pertencente ao Grupo Globo, informou nesta terça-feira (31) que a Comissão Parlamentar de Inquérito do Crime Organizado aprovou as convocações do ex-governadores bolsonaristas Claudio Castro (PL-RJ) e Ibaneis Rocha (MDB-DF) para prestarem depoimentos sobre seus crimes. “Ambos renunciaram aos mandatos recentemente para concorrer a cadeiras no Senado nas eleições de outubro. O entendimento é de que, enquanto estavam no cargo, não poderiam ser convocados pela CPI, mas agora, após deixarem os governos, tornaram-se alvos do colegiado no Senado”.
No caso de Ibaneis Rocha, a CPI pretende investigar as operações do seu escritório de advocacia em Brasília e as negociatas do Banco de Brasília (BRB) com o corrupto Master – uma operação sinistra que resultou em mais R$ 15 bilhões de prejuízo para os cofres públicos. Já em relação a Cláudio Castro, a convocação tem o objetivo de esclarecer a situação do crime organizado no Rio de Janeiro, com foco no financiamento e na lavagem de dinheiro – uma investigação que envolve várias figuras bolsonaristas do Estado, inclusive o ex-presidente da Assembleia Legislativa (Alerj), Rodrigo Bacellar, que foi novamente preso nessa semana.
Roberto Campos Neto escapa da CPI
Em entrevista ao site g1, também do Grupo Globo, o senador Alessandro Vieira (MDB-SE), relator da CPI do Crime Organizado, explicou que a convocação do seu companheiro de partido, Ibaneis Rocha, decorre da existência de “indícios de que decisões administrativas e políticas [do governo do DF] possam ter favorecido a atuação do grupo investigado [Master]. A convocação busca esclarecer se houve interferência ou omissão de autoridades na fiscalização dessas operações. No caso de Castro, o argumento do relator é que o Rio de Janeiro tem sido ‘laboratório das mais sofisticadas dinâmicas de crime organizado no país’, por isso, a oitiva do ex-governador é ‘absolutamente indispensável’ para os trabalhos da comissão”.
Quando uma CPI autoriza a convocação, a presença é obrigatória. Muitos dos convocados, porém, obtêm decisões judiciais para não prestarem depoimentos nas comissões. Nesta terça-feira (31), a CPI do Crime Organizado iria ouvir o ex-presidente do Banco Central, Roberto Campos Neto, vulgo Bob Fields Neto, mas ele obteve um habeas corpus no Supremo Tribunal Federal (STF), que o desobrigou a comparecer. Um dos principais responsáveis pelas falcatruas do Banco Master, que liberou geral a máfia rentista, está escapando ileso das investigações sobre o crime organizado no país.
0 comentários:
Postar um comentário