sexta-feira, 3 de abril de 2026

A PF prejudica os furos de O Globo

Por Luís Nassif, no Jornal GGN:

Dois fatos mostram um recuo na Lava Jato 2.

O primeiro, o fato da Polícia Federal estar impedindo o livre exercício do jornalismo fácil.

Analisem o nível das informações passadas para o jornal O Globo de hoje:

“Peritos envolvidos na análise dos celulares apreendidos com o dono do Banco Master, Daniel Vorcaro, encontraram mais de 8 mil vídeos nos aparelhos. O material foi extraído de nove smartphones ligados ao banqueiro, obtidos ao longo das diferentes fases da investigação. Além desses vídeos, há grande quantidade de outros tipos de arquivos digitais sob análise.

O volume de dados inclui registros pessoais e profissionais, com arquivos que vão desde registros antigos até conteúdos mais recentes. Os peritos estão separando conteúdos pessoais e interações corriqueiras do que realmente importa para a investigação. Diante da quantidade de dados, a análise demanda tempo e cautela para evitar conclusões precipitadas, dizem pessoas com acesso ao processo.

Imagens de Vorcaro ao lado de políticos e autoridades, por exemplo, vêm sendo selecionadas e analisadas. A avaliação, no entanto, é que registros de presença em eventos e encontros sociais, por si só, não configuram indícios de irregularidades.

Por isso, o material tem sido tratado com cautela pelos investigadores, sendo necessário cruzá-lo com outros elementos de prova para verificar eventual relevância para a apuração.”


Como assim? Por que essa seriedade? Por que esse profissionalismo? Tiraram a escada do jornalismo irresponsável, que ficou sem o manancial de furos fáceis e manipulações combinadas.

Ironia à parte, os dados trazem duas informações e uma lacuna:

Hipótese 1 – Finalmente, o delegado geral Andrei Rodrigues enquadrou a banda lavajatista da Polícia Federal.

Hipótese 2 – Os próprios peritos se deram conta dos vazamentos – da parte deles ou de terceiros – e cessaram o jogo.

Fato oculto – não se sabe o que ocorreu com os vazadores. O que aconteceu com os que pediram a quebra de sigilo de Fábio Luiz, sem nenhuma evidência de participação no caso Master? Como fica o Estado de Direito quando um Ministro do Supremo Tribunal Federal autoriza essa quebra, com claro intuito político.

O segundo fato é o efeito do PowerPoint de Andréia Sadi. O contorcionismo para tirar o peso das costas de Andrea, promoveu um álibi e duas consequências funestas.

O álibi foi a informação de que houve duas demissões de técnicos.

Há duas hipóteses para a informação.

Se for verdade, é o máximo da covardia. Em qualquer redação, jogar a responsabilidade nos ombros do piso mais baixo é covardia. Se não for verdade – o que é mais provável – há uma perda adicional de credibilidade.

Seja qual for a conclusão, o fato é que, nos últimos dias, houve um desafogo na Operação Lava Jato 2 por parte de O Globo e da GloboNews.

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