Reproduzo excelente artigo do professor Marcos Dantas, publicado no sítio Carta Maior:
Nascido por volta de 1870 para dar voz ao crescente movimento republicano das oligarquias cafeeiras paulistas, o Estado (então Província) de São Paulo somente iria aderir ao movimento abolicionista quando a Abolição já se tornara inevitável.
Nascida por volta de 1950, da iniciativa de um imigrante ítalo-americano ligado aos interesses de Walt Disney (e sabe-se lá a que outros interesses), a Editora Abril (irmã da Editorial Abril que o irmão daquele imigrante, na mesma época iria criar em Buenos Aires), depois de fomentar o american way of life entre nós, através de revistas como Pato Donald e Claudia, iria praticamente conquistar, com Veja, o monopólio do mercado das revistas semanais de informação, não por acaso durante o auge da ditadura militar.
Nascida nos agitados anos 1920, com o jornal O Globo, as Organizações de mesmo nome, aliadas de primeiríssima hora do golpe de 1964, conquistariam, também durante a ditadura, tanto o monopólio da televisão em todo o país, quanto o da imprensa escrita na cidade do Rio de Janeiro, na medida em que os ditadores deram decisiva contribuição para a decadência e morte de muitos outros importantes órgãos de imprensa escrita que então disputavam leitores na ex-capital federal, entre eles, os Correio da Manhã, Última Hora, Diário de Notícias e, por fim, recentemente mas depois de longa agonia que teve início naqueles tempos, o Jornal do Brasil.
Se a imprensa (hoje, em dia, chamada “mídia”) chegou dividida à Revolução de 1930, apoiada por Marinho e Chateaubriand mas encarniçadamente combatida pelo Estadão, desde então tem agido como bloco único, no Brasil. Derrubou Vargas duas vezes, na segunda levando-o ao suicídio. Opôs-se, como pôde, aos governos JK e João Goulart. Apoiou e estimulou todos os golpistas de ocasião. Colocou-se contra a última ditadura – depois de ter a ela servido, inclusive fornecendo caminhões para a Oban – só quando o conjunto da burguesia achou que era chegada a hora de mudar para, lampedusamente, tudo continuar como sempre esteve...
Agora, coerente com a sua história, quer derrubar o governo altamente popular do presidente Lula. Como explicar a atual posição da imprensa?, perguntou outro dia o professor Venicio Lima.
Certamente, muitas pesquisas precisarão ser feitas para explicar o atual comportamento dos meios de comunicação no Brasil. Se toda unanimidade é burra, como dizia Nelson Rodrigues, estamos diante de um caso que já se configura paradigmático. Somente idiossincrasias e preconceitos não explicam a posição da imprensa nesta campanha, posição que não é somente a dos “donos dos jornais”, nem apenas a de alguns e algumas importantes e hiper bem remunerados colunistas, mas a de ampla maioria dos profissionais que se dizem “jornalistas” – todos diplomados. Servem com denodo, dedicação e até alegria aos seus patrões assim com os soldados SS serviam a Hitler... É mais do que meramente “cumprir ordens”. É acreditar nelas. É se querer reconhecido e recompensado por cotidiana, diária, contumaz demonstração de absoluta fidelidade a elas. Nas palavras de Serge Halimi, são os novos “cães de guarda”.
Diante da pergunta, arrisquemos alguma hipótese. Não é possível dissociar o papel político-ideológico da “mídia”, de sua organização enquanto empreendimento capitalista e do seu lugar na reprodução do sistema do capital. E, considerando a condição periférica do capitalismo brasileiro, qualquer reflexão nos obriga a tentar entender o papel dessa “mídia” na reprodução de 500 anos de periferia.
A partir dos anos 1950, em parte devido a forças sociais endógenas mas em boa parte devido à configuração internacional do capitalismo sob liderança econômica, cultural e militar dos Estados Unidos, o Brasil, como muitos outros países, ingressou na época de sua industrialização e urbanização desenvolvimentista. Tratava-se de expandir aqui dentro uma sociedade de consumo similar à estadunidense. No entanto, como as forças econômicas que comandavam essa expansão nos eram externas, a concentração de renda era uma condição sine qua non de exportação de parte do excedente internamente gerado pelo próprio desenvolvimento, daí havendo-se que bloquear as possibilidades de sua melhor distribuição social.
A sociedade do consumo a brasileira, ao contrário do que acontecia no “fordismo” estadunidense, não poderia estender-se para todos. Foi essa a natureza do debate, nos anos 1950. Para Celso Furtado e os desenvolvimentistas isebianos de esquerda, nacionalistas por obrigação e opção, a industrialização precisaria, principalmente, servir para a oferta e consumo de bens de salário. Para Roberto Campos e os desenvolvimentistas de direita, entreguistas por opção, a industrialização somente deveria servir para a oferta e consumo de bens “supérfluos”.
Para a “mídia” brasileira periférica, a segunda opção seria natural. Vendendo marcas, estilo de vida, valores consumistas, ascensão social, status, isto é, sustentada pela indústria automobilística, eletro-eletrônica, cosmética e similares estrangeiras, a imprensa se colocaria contra o projeto de desenvolvimento que, nas condições da época, exigiria reter a expansão acelerada do consumo conspícuo, de modo a favorecer, em primeiro lugar, a expansão do consumo básico, daí permitindo a inclusão social da maioria menos favorecida.
Ela só podia falar para a classe média consumista, não para os pobres – ou, para estes, somente falava de crimes, através dos famosos jornais “espreme/sai sangue”. Falava para a Zona Sul do Rio de Janeiro; para o Morumbi, em São Paulo. Precisava identificar-se com os temores, preconceitos, senso comum, arrogância, identidade elitista dessa classe média, para conquistar os números de circulação que lhe permitiria angariar anunciantes. Por isso, expressando a maneira de pensar desse seu público, colocava-se radicalmente contra qualquer proposta que pudesse cheirar a “populismo”. E para escrever seus editoriais, suas colunas, suas reportagens podia contar com bons jornalistas egressos cultural e intelectualmente do mesmo meio social. Logo, com os mesmos preconceitos e as mesmas ambições.
Para enfrentar tal fogo de barragem, Getulio Vargas pensou em usar a mesma artilharia. Capitalizou Samuel Wainer para que criasse um jornal de alta qualidade que, na forma, na linguagem, nas seções editoriais se mostrasse similar ao que melhor se poderia fazer na “mídia” de então (inclusive com coluna de “mulher boa”), mas politicamente engajado, seja pelos editoriais, seja por opções na pauta e nos lides, com o seu projeto nacionalista popular.
A Última Hora de Wainer obteve um estrondoso sucesso. Em poucos meses, superou a circulação individual dos seus principais concorrentes. Em princípio, pela lógica da audiência, deveria atrair copioso faturamento publicitário. Não atraiu. Foi sempre um empreendimento deficitário apesar do sucesso de público. É que sua fachada de indústria cultural não conseguia disfarçar a sua condição de imprensa política, ao não submeter também o seu conteúdo noticioso e editorial àquilo que a “mídia” (e, no caso, a “mídia” periférica), bem como as agências de publicidade, considerariam “objetivo”, “neutro”, “independente”.
O golpe de 1964 iria consolidar, de vez, essa relação entre uma sociedade de consumo excludente para uma “mídia” exclusiva, e uma “mídia” exclusiva para uma sociedade de consumo excludente. A estreita classe média consumista, encurralada por trás dos muros de seus condomínios de elite apartada, confirmou-se como base econômica, cultural e ideológica de uma “mídia” também estreita, aglomerada em seus poucos e imponentes canais oligopolistas de veiculação. É um mercado onde só cabe uma grande revista semanal de grande circulação; um ou dois jornais importantes nas grandes capitais, quaisquer deles com circulação, convenhamos, ridícula; não mais que 400 livrarias em todo o país vendendo best-sellers e auto-ajuda (o mesmo que existe apenas em Buenos Aires, vendendo livros da melhor qualidade); principalmente, duas ou três grandes redes nacionais de televisão.
E assim deveria seguir o mundo. Pelo menos, o Brasil.
Mas o Brasil decidiu diferente. Por um conjunto grande de fatores, não apenas devido aos dois mandatos de Lula, mas também a eles, o país realmente mudou. Aquela classe média estreita e elitista viu-se superada quantitativa e qualitativamente por uma nova classe média, mais popular pelas suas origens, consumista também, mas desconectada e desinteressada da opinião publicada da grande “mídia”. Finalmente, uma grande massa da população foi incorporada à sociedade de consumo. Mas, talvez até pelos seus defeitos, sobretudo o seu baixo nível educacional e cultural, não foi incorporada à leitura semanal de Veja, nem à diária de O Globo.
Ao mesmo tempo, neste preciso instante, emergem novos meios de comunicação, todos eles audiovisuais, como a TV por assinatura, a internet, o “celular”, que atraem essa audiência neoconsumidora para novas formas de produção e consumo de cultura industrial e publicidade. A realidade fabricada por aquela “mídia” parece nada dizer a esta audiência. Sobretudo quando ela insiste em denunciar supostos arrivistas da política, já que, de muitos modos, arrivistas são todos esses neoconsumidores.
A velocidade com que essas mudanças estão se dando na sociedade brasileira pode, realmente, estar ameaçando todo o modelo de negócios de oligopólios que se pretendiam eternos, logo também as relações, carreiras e ambições profissionais a eles endógenas. Parece que foram surpreendidos, tanto as empresas, quanto os seus cães de guarda, sejam os assalariados, sejam os PJs, paridos e educados, todos e todas, na mesma arrogante elite social. Daí o desespero...
Se a hipótese estiver correta, ainda testemunharemos, nos próximos anos, grandes mudanças econômicas e políticas nesta centenária “mídia” nativa. No entanto, a vitória de Dilma Rousseff ou a de José Serra será decisiva no encaminhamento de medidas legais e regulatórias, a esta altura inadiáveis, que definirão o tempo e condições de sobre-vida dos dinossauros mediáticos brasileiros. A “mídia” brasileira parece apostar que Serra será o seu Capitão Spurgeon “Fish” Tanner (Robert Duvall) de “Impacto Profundo”, jogando sua nave contra o meteoro econômico-cultural que lhe ameaça a própria sobrevivência... Só que a história é um processo real, não um roteiro hollywoodiano.
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domingo, 26 de setembro de 2010
Twitter X Folha: O pio do passarinho azul
Reproduzo artigo do escritor Washington Araújo, publicado no Observatório da Imprensa:
No domingo (5/9), o jornal Folha de S.Paulo estampou em sua capa a manchete "Consumidor de luz pagou R$ 1 bi por falha de Dilma". A reportagem atribuiu à candidata Dilma Rousseff um erro na cobrança da tarifa social de energia elétrica quando era ministra das Minas e Energia. Segundo o Tribunal de Contas da União, o desperdício foi de R$ 989 milhões no tempo em que Dilma era ministra de Minas e Energia (2003-2005).
A notícia vem se contrapor à propaganda eleitoral que tem apresentado a candidata à Presidência pelo PT como uma eficiente gestora e, para os (e)leitores pouco versados no assunto - aliás, bastante técnico - este erro cometido à frente do Ministério de Minas e Energia coloca em xeque essa imagem. A propósito, informe-se que a tarifa social foi criada em 2002, ainda durante o governo de Fernando Henrique Cardoso. As mudanças solicitadas pelo TCU ocorreram em 2007, dois anos depois da saída de Dilma da pasta. A lei que regula a tarifa social foi alterada em 2010.
Ante a inusitada manchete reunindo em poucos caracteres acusação explosiva de erro monumental (falha), cifra impressionante (R$ 1 bi) e ainda o nome bem estampado da candidata-líder (Dilma) em pesquisas de opinião na atual corrida para o Palácio do Planalto, tinha tudo para chamar a atenção de qualquer observador da mídia minimamente comprometido com o embate petistas versus demotucanos.
Asas do pássaro azul
Ironicamente, surgiu exatamente de uma plataforma de relacionamentos sociais na internet - o Twitter - a principal e mais vigorosa resposta à manchete do jornal paulista. Irônico por quê? Porque é território absolutamente livre de censura. E de filtros. O que ali é publicado começa diante do teclado e em poucos segundos ganha o mundo, vai de Mogi Mirim a Londres, de Campina Grande e a Xangai, passando pelo Vaticano e dando a volta por Kiev. E não tem moderadores.
No Twitter, se existe uma coisa que não dá certo é esse negócio de publicar apenas o que nos agrada e nos louva, como fazem os donos de tantos blogues internet afora. O pássaro azul, de inocente e desatento não tem nada e foi o ambiente utilizado por milhares de internautas para fazerem piada com as críticas diárias da Folha de S.Paulo a Dilma Rousseff. Do 11 de setembro ao caso dos mineiros soterrados nas minas chilenas, usuários da rede de microblogs dizem que jornal vê candidata como culpada de tudo.
O assunto foi tão instigante e convidativo à postagem imediata que logo se criou o "#DilmaFactsbyFolha" (também conhecida como hashtag) com o objetivo de propor novas abordagens ao jornal, atribuindo todo tipo de mazela à ex-ministra-chefe da Casa Civil. Da derrota da seleção brasileira na Copa do Mundo de 1998 à Guerra do Iraque, passando por tramas de novela, os simpatizantes da candidata governista levaram o tema a um dos mais citados da tarde de domingo (5/9). E não tardou para que, segundo o ranking Trending Topics Brazil, a brincadeira alcançasse a terceira posição entre os temas mais comentados na rede. Não apenas na cena tupiniquim, mas antes na cena internacional.
Foi exercício de puro humor ler centenas de mensagens, todas delimitadas por 140 caracteres, e então poder destacar 130 delas agrupadas em nove temas centrais [veja abaixo]. Chama a atenção quão antenado é o seleto público que viaja nas asas do pássaro azul e, como ele, não deixa de emitir seus piados sobre qualquer coisa que tenha a ver com a experiência humana, sua luta contínua por liberdade de opinião, seu pendor para o exagero e o nonsense e, acima de tudo, sua capacidade de rir de sua história particular e também de nossa história como parte do extenso coletivo que atende pelo nome de humanidade.
Por trás da brincadeira
A tag (#DilmaFactsbyFolha), utilizada no twitter para atribuir à candidata, de forma sempre irônica, feitos absurdos e impossíveis, chegou a ser citada na coluna "Gadgets & Tech" da página do The Independent, que expõe as tags mais comentadas do mundo. Segundo o jornal londrino, os 10 tópicos mais comentados no twitter no dia 6/9/2010 foram:
1. #hoesoutherebuiltlike
2. #rememberwhenjustin
3. #dilmafactsbyfolha
4. Ana Pau
5. Jouvert
6. Peggy
7. Hipertensão
8. Tropa
9. Kardashians
10. #DevilMovie
No domingo (12/9), a ombudsman da Folha de S. Paulo, Susana Singer, foi direto ao ponto e escreveu com tanta clareza e objetividade que muitos internautas começaram a pensar seriamente em abraçar a profissão de... ombudsman. O importante é que Singer questionava a imparcialidade do veículo no tratamento dado à candidata à Presidência, Dilma Rousseff (PT) e criticava o jornal por ignorar a campanha #Dilmafactsbyfolha. E anotava:
"Não dá para desprezar essa reação e a Folha fez isso. Não respondeu aos internautas no Twitter e não noticiou o fenômeno. O ‘Cala Boca Galvão’ durante a Copa virou notícia. No primeiro debate eleitoral online, feito por Folha/UOL em agosto, publicou-se com orgulho que o evento tinha sido um trending topic. Não dá para olhar para as redes sociais apenas quando interessa".
Afinal, em poucos dias não menos que 45 mil mensagens críticas ao jornal circulavam na esfera pública do twitter. O texto é equilibrado como se poderia esperar de algo da lavra de Susana Singer e, por oportuno, vale conferir o texto completo.
Por trás da brincadeira, há muito de verdade. Os piados mexeram fundo no quesito credibilidade do jornal da Barão de Limeira. E depois sempre que um assunto (sério) chegar às raias do mais absoluto nonsense é sinal que para alguns milhares a luz amarela foi acesa e outro tanto o que acendeu mesmo foi a luz avermelhada, piscando como a nos indagar: será que a busca da objetividade no jornalismo da Folha de S. Paulo deixou de ser requisito para a publicação de reportagens?
Imagens gravadas na memória
Longe de ser uma "falta do que fazer" dos internautas ou a maquinação de "zumbis governistas incitados pelo partido", sinto ser honesto dar a Flávio Gomes o que é de Flávio Gomes. Foi ele que - especialista em automobilismo, atualmente na ESPN, Rádio Eldorado e iG, e que, por muitos anos, foi o setorista do assunto na Folha S. Paulo (antecessor de Fábio Seixas) - emitiu o piado mais potente e dirigido ao coração do jornal e a "certidão de nascimento" do piado está aqui: "Vamos criar o #DilmaFactsByFolha. ‘Dilma serviu o café de Ronaldo no dia da final da Copa de 1998’ via @eduu27".
E se me perguntarem por uma imagem que ficará em alto relevo em minha memória sobre estas eleições 2010, não acessarei outra imagem na mente que as contundentes mensagens de 140 caracteres enfeixadas sob o tópico #Dilmafactsbyfolha. Da mesma forma como, decorridos 25 anos, ao pensar nas eleições de 1989, o que me vem à memória são as cenas da famigerada edição do debate Collor x Lula na TV Globo e seu destaque ao caso Lurian.
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Escândalos e catástrofes relacionados com Dilma
** Guarda pretoriana prende assassinos de Júlio César com sestércios na tanga. Mandante foi Dilma
** Dilma serviu o café de Ronaldo no dia da final da Copa de 1998
** Se eleita, Dilma vai salgar o Pão de Açúcar
** Dilma, a terrorista, comprou o Fiat Elba para o Collor
** Dilma, a guerrilheira, explodiu a P-36 sabotando FHC
** Sabia, não? Não foi Barbosa o culpado pela derrota para o Uruguai na copa de 50, foi ela, a guerrilheira! Sabia não?
** Dilma estava em Portugal quando a pequena Maddie desapareceu
** Padre voador caiu porque Dilma mandou ‘vazar’ os balões!
** Dilma a padre no Sul: ‘Enche os balõezinhos que dá’
** Dilma trabalhava de olheira do Flamengo quando descobriu um garoto chamado Felipe Melo
** Daniel Dantas tira ‘D’ de sobrenome em homenagem à justiça brasileira
** Empresa de Dilma forneceu a antena para o iPhone 4
** A Folha tem provas de que Dilma foi a responsável pela derrocada do Império Romano
** Iceberg da Dilma afundou o Titanic
** Deu na Folha: Viram Dilma derretendo o gelo polar com secador de cabelos
** Por falha de Dilma, PAC do Muro de Berlim atrasou e ele acabou caindo
** Erro de Dilma soterra mineiros no Chile
** Dilma é a principal pedra que impede a saída dos mineiros chilenos da mina
** Dilma joga moeda de um real na pista de Congonhas e derruba avião da TAM
** Dilma e o PT proibiram chuvas por Emenda Parlamentar, o que piorou a situação das queimadas e ar seco nas cidades
** A Folha investiga: Dilma foi a responsável pela queda do avião onde estavam os Mamonas Assassinas
** Em 2000, Dilma aconselhou o FHC: não precisa investir em energia. O risco de racionamento é zero
** A Folha suspeita que Dilma esteja envolvida também no caso da queda de outras aeronaves
** Dilma disse a Bush: "Em seis meses você resolve esse negócio no Iraque"
** A Folha denuncia: Dilma foi responsável pelo último terremoto no Chile. O que fará ela como presidente do Brasil?
** Falhas em obras do PAC de Dilma resultaram no soterramento de mineiros no Chile.
** Erro de Dilma nos cálculos provocou inclinação da Torre de Pisa
** Dilma incendiou 52 favelas em São Paulo, só no mês de agosto de 2010, para economizar obras do PAC
** Deu na Folha: Dilma cruza DNA de Tucano com de Araponga pra gerar Urubu
** Nota fiscal com nome da Dilma prova que ela vendeu Rottweiler a goleiro Bruno
** Marina Silva está indignada: Dilma e Lula estão levando os tucanos à extinção
** Dilma é a verdadeira culpada pelas enchentes de São Paulo
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Dilma e Serra
** Fim do mistério: Foi Dilma quem indicou Índio da Costa para vice de Serra
** Foi Dilma que fez a cratera no metrô do Serra
** Trololó de Serra foi violado pela campanha da Dilma
** Marqueteiro do Serra é filiado ao PT
** Nhem-nhem de FHC é violado pela campanha de Dilma
** Dilma manda Serra para a ilha de Lost em 4 de outubro
** Comitê Central da campanha do Serra funciona na sede da Folha
** Folha: Dilma será a culpada pelas olheiras de milhões de brasileiros. Serra já foi afetado
** Serra lamenta: a Dilma me indicou o xampu Esperança
** Dilma escondeu o diploma do Serra
** Serra diz que o governo deixou o Brasil ser queimado. Manchete da Folha amanhã: Dilma usou pré-sal para queimar o país
** Dilma incluirá picolé de chuchu na cesta básica e na merenda escolar
** Guru indiano disse a Serra que teria a maioria dos internautas falando mal da Dilma dias antes da eleição, um Bidu
** Dilma é mãe de Fernandinho Beira-mar... Serra afirma: Lula é o pai
** Exclusivo! As trapalhadas de Serra e sua campanha foi combinado com Dilma que garantiu a chefia da Casa Civil pra ele
** Dilma jura de pé junto que Aécio não odeia Serra!
** Foi Dilma que mandou a cegonha entregar o bebê Serra lá na casa do verdureiro da Mooca em 1942
** Tiririca se une a FHC na inveja, os posts aqui são de morrer de rir, e planeja pacto suicida no bunker de Higienópolis
** De tanto apanhar da Dilma, o Serra quer criar a lei "Zé dá Pena"
** Depois de derrubar árvore centenária, Dilma foge e deixa Serra pra trás
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Biografia e ações imputadas a Dilma
** Dilma foi o primeiro bebê Johnson
** Folha: Dilma foi secretária de Minas e Energia em Chernobyl
** A Folha investiga e descobre: foi Dilma que inventou o crack quando era ministra das Minas e Energia
** Folha, noticiário policial: Quem atirou o pau no gato foi Dilma
** Dilma gostava de apertar campainha e sair correndo. ‘Ela fez isso duas vezes na minha casa’, revela ex-vizinha indignada
** Depois de ser aconselhado por Dilma, Luís XIV, filiado ao PT, proclama: ‘L’État c´est moi!’
** Folha informa: Dilma é a verdadeira mãe do bebê de Rosemary
** Dilma inseriu o "gerundismo" no telemarketing
** Morre Ícaro. Serra culpa Dilma por não revogar a lei da gravidade
** Dilma sabia da extinção dos dinossauros e não fez nada
** Manchete da Folha: Candidata mentiu, está provado. Dilma nomeou canhota como seu "braço-direito"
** A candidatura do Tiririca foi ideia da Dilma
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Dilma e o terrorismo
** Dilma é prima de terceiro grau da tia do cunhado do embaixador do Afeganistão. Ou seja, tem ligação com Bin Laden
** Folha: Dilma produziu crateras lunares em seu treinamento de guerrilha
** Por ser masoquista, Dilma se autotorturou, diz militar na Folha de hoje
** Folha kids: boi da cara preta, filiado ao PT desde 1980 revela: quem mandou pegar criança foi a Dilma
** Folha kids: Soldado com cabeça de papel denuncia: Dilma terrorista mandou botar fogo no quartel
** A Al-Qaida era só um grupo de árabes nerds, fãs de RPG e aeromodelismo. Até conhecerem a Dilma.
** A Folha tem provas cabais: Dilma é neta do primo do tataraneto da irmã do filho da costureira de Hitler
** Folha de S.Paulo: "Descoberto plano de Dilma para secar o Aquífero Guarani"
** Plutão se une ao sinal de Trema e culpa Dilma por não ser mais planeta
** Vejamos: Bomba>guerrilha>Dilma=>OK Terrorismo>Irã>Lula>OK Paris> turismo> brasileiro> petista> OK Não percam a Folha amanhã!
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Dilma e celebridades
** Dilma para John: "Querido, deixa eu te apresentar uma amiga, esta é a Yoko..."
** Elvis não morreu. Foi sequestrado por Dilma
** Che Guevara usava uma camiseta com Dilma estampada
** Einstein estava confuso. Dilma lhe disse: "Calma, tudo é relativo"
** Dilma venceu Usain Bolt nos cem metros rasos. Pulando numa perna só.
** Mike Tyson tem medo de Dilma
** Dilma recusou uma cantada de José Mayer
** Che Guevara aprendeu tudo com a Dilma!
** Dilma ensinou Michael Jackson a dançar
** Frank Sinatra teve aulas de canto com Dilma
** Quando Neil Armstrong chegou à lua, Dilma estava lá para recebê-lo
** Eu já sabia: quem fez as cirurgias plásticas na Danuza Leão foi a Dilma. Parece o coringa brasileiro
** Dilma ordenou que Massa desse a vitória a Alonso no GP da Alemanha
** Dilma é quem escolhe as camisas do Faustão
** Dilma faltou a uma reunião com João Gilberto, Tim Maia e Rubem Fonseca
** Confirmado que Dilma é a autora das receitas médicas de Vanusa
** Dilma disse ao Ronaldo: "Aquela ali é mulher mesmo"
** Folha Ilustrada: Fã de Raul Seixas, Dilma quer promulgar constituição da sociedade alternativa
** Dilma disse para Paulo Coelho, há 20 anos: "Continue a escrever, rapaz, você tem talento!"
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Dilma e a saúde pública
** A Folha adverte: Dilma é mais nociva que o cigarro. Afirma ter provas científicas disso.
** O Ministério da Saúde adverte: camisinhas da marca Dilma arrebentam!
** Fotografamos usuários da Cracolândia com camisetas do PT, os malucos insistiram que a Dilma, sim, é Crack
** Dilma alimenta milhões e é a total responsável pela obesidade de brasileiros que eram felizes sendo subnutridos
** Dilma proibiu o prato "Feijoada Baiana, com fato, mocotó, linguiça de maragojipe, feita de um dia pra outro!"
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Dilma e as religiões
** Deus ia fazer o mundo em quatro dias, mas houve atraso na obra do PAC
** Deus criou o mundo em seis dias. No sétimo, Dilma deu uma retocada
** Foi a Dilma que mostrou o fruto proibido a Eva
** Apóstolo que traiu Jesus tinha suposta ligação com o PT
** Folha de S.Paulo: "Dilma lava as mãos. Cristo é crucificado"
** Deu na Folha: Dilma organizou a boca de urna pró-Barrabás!
** Moisés rodou 40 anos no deserto do Sinai porque Dilma escondeu o mapa
** Buda tinha uma pequena estátua de Dilma em casa
** Dilma esconde o quarto segredo de Fátima
** Dilma quis doar Corcovado; Serra, ao menos, queria privatizar o Cristo, ainda que barato
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Dilma e o folclore
** Lobo Mau comeu Chapeuzinho Vermelho a mando de Dilma
** Na verdade, o Sapo queria lavar o pé, mas Dilma não deixou!!!
** Dilma cortou a perna do Saci Perêrê
** Dilma obrigou escravos de Jó a jogar caxangá
** O sargento Garcia nunca prendeu o Zorro porque Dilma não deixava
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Dilma e a mídia
** Voz que sai da boca de Boris Casoy e ofende garis na virada de ano é de Dilma
** Dilma é ligada a jornalista que atirou sapato em Bush
** Hoje a Folha de SP se superou na luta pela eleição de Serra. Uma página inteira com o BOLETIM da faculdade. Jenial.
** Folha: Dilma contrata humoristas para ridicularizar jornal a serviço do Brasil S.A.
** Exclusivo: Dilma é quem escreve as colunas do Merval Pereira no Globo
** Sou jornalista... acho que nunca vou poder pedir emprego na FSP
** Sucesso de Dilma deixa Globo, Folha, Estadão e Veja em desespero - http://t.co/p7SmUg8
** Exclusivo! Folha descobre acordo secreto de Dilma: Dona Judith da ANJ vai ser ministra das Comunicações
** Como a Folha nos acusa de bullying? ela quem fez o bullying essa eleição toda e agora toma o que merece
** Folha aconselha aos seus funcionários a omitir que trabalharam no período eleitoral 2010 pra empregos no ano que vem
** Exclusivo! Dilma determinou aos Twitteiros que parem com #Dilmafactsbyfolha, que está destruindo internacionalmente a Folha de S.Paulo
** Errar é humano. Colocar a culpa na Dilma está no Manual de Redação da Folha
** Bem que eu avisei que os jornalões iriam aproveitar as manchetes do #Dilmafactsbyfolha como se fossem suas mesmo. Todos fizeram isso hoje
** Se preparem, ainda veremos os três maiores impérios da comunicação no Brasil contra o Twitter
** #DilmaFactsByFolha é a nova Revolução Francesa, reconhece Marat
** Folha (*) é um sucesso no twitter mundial! Parabéns, Otavinho!
** Será que a Veja vai levar o fenômeno #DilmaFactsbyFolha pra sua capa como o #calabocagalvao?
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No domingo (5/9), o jornal Folha de S.Paulo estampou em sua capa a manchete "Consumidor de luz pagou R$ 1 bi por falha de Dilma". A reportagem atribuiu à candidata Dilma Rousseff um erro na cobrança da tarifa social de energia elétrica quando era ministra das Minas e Energia. Segundo o Tribunal de Contas da União, o desperdício foi de R$ 989 milhões no tempo em que Dilma era ministra de Minas e Energia (2003-2005).
A notícia vem se contrapor à propaganda eleitoral que tem apresentado a candidata à Presidência pelo PT como uma eficiente gestora e, para os (e)leitores pouco versados no assunto - aliás, bastante técnico - este erro cometido à frente do Ministério de Minas e Energia coloca em xeque essa imagem. A propósito, informe-se que a tarifa social foi criada em 2002, ainda durante o governo de Fernando Henrique Cardoso. As mudanças solicitadas pelo TCU ocorreram em 2007, dois anos depois da saída de Dilma da pasta. A lei que regula a tarifa social foi alterada em 2010.
Ante a inusitada manchete reunindo em poucos caracteres acusação explosiva de erro monumental (falha), cifra impressionante (R$ 1 bi) e ainda o nome bem estampado da candidata-líder (Dilma) em pesquisas de opinião na atual corrida para o Palácio do Planalto, tinha tudo para chamar a atenção de qualquer observador da mídia minimamente comprometido com o embate petistas versus demotucanos.
Asas do pássaro azul
Ironicamente, surgiu exatamente de uma plataforma de relacionamentos sociais na internet - o Twitter - a principal e mais vigorosa resposta à manchete do jornal paulista. Irônico por quê? Porque é território absolutamente livre de censura. E de filtros. O que ali é publicado começa diante do teclado e em poucos segundos ganha o mundo, vai de Mogi Mirim a Londres, de Campina Grande e a Xangai, passando pelo Vaticano e dando a volta por Kiev. E não tem moderadores.
No Twitter, se existe uma coisa que não dá certo é esse negócio de publicar apenas o que nos agrada e nos louva, como fazem os donos de tantos blogues internet afora. O pássaro azul, de inocente e desatento não tem nada e foi o ambiente utilizado por milhares de internautas para fazerem piada com as críticas diárias da Folha de S.Paulo a Dilma Rousseff. Do 11 de setembro ao caso dos mineiros soterrados nas minas chilenas, usuários da rede de microblogs dizem que jornal vê candidata como culpada de tudo.
O assunto foi tão instigante e convidativo à postagem imediata que logo se criou o "#DilmaFactsbyFolha" (também conhecida como hashtag) com o objetivo de propor novas abordagens ao jornal, atribuindo todo tipo de mazela à ex-ministra-chefe da Casa Civil. Da derrota da seleção brasileira na Copa do Mundo de 1998 à Guerra do Iraque, passando por tramas de novela, os simpatizantes da candidata governista levaram o tema a um dos mais citados da tarde de domingo (5/9). E não tardou para que, segundo o ranking Trending Topics Brazil, a brincadeira alcançasse a terceira posição entre os temas mais comentados na rede. Não apenas na cena tupiniquim, mas antes na cena internacional.
Foi exercício de puro humor ler centenas de mensagens, todas delimitadas por 140 caracteres, e então poder destacar 130 delas agrupadas em nove temas centrais [veja abaixo]. Chama a atenção quão antenado é o seleto público que viaja nas asas do pássaro azul e, como ele, não deixa de emitir seus piados sobre qualquer coisa que tenha a ver com a experiência humana, sua luta contínua por liberdade de opinião, seu pendor para o exagero e o nonsense e, acima de tudo, sua capacidade de rir de sua história particular e também de nossa história como parte do extenso coletivo que atende pelo nome de humanidade.
Por trás da brincadeira
A tag (#DilmaFactsbyFolha), utilizada no twitter para atribuir à candidata, de forma sempre irônica, feitos absurdos e impossíveis, chegou a ser citada na coluna "Gadgets & Tech" da página do The Independent, que expõe as tags mais comentadas do mundo. Segundo o jornal londrino, os 10 tópicos mais comentados no twitter no dia 6/9/2010 foram:
1. #hoesoutherebuiltlike
2. #rememberwhenjustin
3. #dilmafactsbyfolha
4. Ana Pau
5. Jouvert
6. Peggy
7. Hipertensão
8. Tropa
9. Kardashians
10. #DevilMovie
No domingo (12/9), a ombudsman da Folha de S. Paulo, Susana Singer, foi direto ao ponto e escreveu com tanta clareza e objetividade que muitos internautas começaram a pensar seriamente em abraçar a profissão de... ombudsman. O importante é que Singer questionava a imparcialidade do veículo no tratamento dado à candidata à Presidência, Dilma Rousseff (PT) e criticava o jornal por ignorar a campanha #Dilmafactsbyfolha. E anotava:
"Não dá para desprezar essa reação e a Folha fez isso. Não respondeu aos internautas no Twitter e não noticiou o fenômeno. O ‘Cala Boca Galvão’ durante a Copa virou notícia. No primeiro debate eleitoral online, feito por Folha/UOL em agosto, publicou-se com orgulho que o evento tinha sido um trending topic. Não dá para olhar para as redes sociais apenas quando interessa".
Afinal, em poucos dias não menos que 45 mil mensagens críticas ao jornal circulavam na esfera pública do twitter. O texto é equilibrado como se poderia esperar de algo da lavra de Susana Singer e, por oportuno, vale conferir o texto completo.
Por trás da brincadeira, há muito de verdade. Os piados mexeram fundo no quesito credibilidade do jornal da Barão de Limeira. E depois sempre que um assunto (sério) chegar às raias do mais absoluto nonsense é sinal que para alguns milhares a luz amarela foi acesa e outro tanto o que acendeu mesmo foi a luz avermelhada, piscando como a nos indagar: será que a busca da objetividade no jornalismo da Folha de S. Paulo deixou de ser requisito para a publicação de reportagens?
Imagens gravadas na memória
Longe de ser uma "falta do que fazer" dos internautas ou a maquinação de "zumbis governistas incitados pelo partido", sinto ser honesto dar a Flávio Gomes o que é de Flávio Gomes. Foi ele que - especialista em automobilismo, atualmente na ESPN, Rádio Eldorado e iG, e que, por muitos anos, foi o setorista do assunto na Folha S. Paulo (antecessor de Fábio Seixas) - emitiu o piado mais potente e dirigido ao coração do jornal e a "certidão de nascimento" do piado está aqui: "Vamos criar o #DilmaFactsByFolha. ‘Dilma serviu o café de Ronaldo no dia da final da Copa de 1998’ via @eduu27".
E se me perguntarem por uma imagem que ficará em alto relevo em minha memória sobre estas eleições 2010, não acessarei outra imagem na mente que as contundentes mensagens de 140 caracteres enfeixadas sob o tópico #Dilmafactsbyfolha. Da mesma forma como, decorridos 25 anos, ao pensar nas eleições de 1989, o que me vem à memória são as cenas da famigerada edição do debate Collor x Lula na TV Globo e seu destaque ao caso Lurian.
*****
Escândalos e catástrofes relacionados com Dilma
** Guarda pretoriana prende assassinos de Júlio César com sestércios na tanga. Mandante foi Dilma
** Dilma serviu o café de Ronaldo no dia da final da Copa de 1998
** Se eleita, Dilma vai salgar o Pão de Açúcar
** Dilma, a terrorista, comprou o Fiat Elba para o Collor
** Dilma, a guerrilheira, explodiu a P-36 sabotando FHC
** Sabia, não? Não foi Barbosa o culpado pela derrota para o Uruguai na copa de 50, foi ela, a guerrilheira! Sabia não?
** Dilma estava em Portugal quando a pequena Maddie desapareceu
** Padre voador caiu porque Dilma mandou ‘vazar’ os balões!
** Dilma a padre no Sul: ‘Enche os balõezinhos que dá’
** Dilma trabalhava de olheira do Flamengo quando descobriu um garoto chamado Felipe Melo
** Daniel Dantas tira ‘D’ de sobrenome em homenagem à justiça brasileira
** Empresa de Dilma forneceu a antena para o iPhone 4
** A Folha tem provas de que Dilma foi a responsável pela derrocada do Império Romano
** Iceberg da Dilma afundou o Titanic
** Deu na Folha: Viram Dilma derretendo o gelo polar com secador de cabelos
** Por falha de Dilma, PAC do Muro de Berlim atrasou e ele acabou caindo
** Erro de Dilma soterra mineiros no Chile
** Dilma é a principal pedra que impede a saída dos mineiros chilenos da mina
** Dilma joga moeda de um real na pista de Congonhas e derruba avião da TAM
** Dilma e o PT proibiram chuvas por Emenda Parlamentar, o que piorou a situação das queimadas e ar seco nas cidades
** A Folha investiga: Dilma foi a responsável pela queda do avião onde estavam os Mamonas Assassinas
** Em 2000, Dilma aconselhou o FHC: não precisa investir em energia. O risco de racionamento é zero
** A Folha suspeita que Dilma esteja envolvida também no caso da queda de outras aeronaves
** Dilma disse a Bush: "Em seis meses você resolve esse negócio no Iraque"
** A Folha denuncia: Dilma foi responsável pelo último terremoto no Chile. O que fará ela como presidente do Brasil?
** Falhas em obras do PAC de Dilma resultaram no soterramento de mineiros no Chile.
** Erro de Dilma nos cálculos provocou inclinação da Torre de Pisa
** Dilma incendiou 52 favelas em São Paulo, só no mês de agosto de 2010, para economizar obras do PAC
** Deu na Folha: Dilma cruza DNA de Tucano com de Araponga pra gerar Urubu
** Nota fiscal com nome da Dilma prova que ela vendeu Rottweiler a goleiro Bruno
** Marina Silva está indignada: Dilma e Lula estão levando os tucanos à extinção
** Dilma é a verdadeira culpada pelas enchentes de São Paulo
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Dilma e Serra
** Fim do mistério: Foi Dilma quem indicou Índio da Costa para vice de Serra
** Foi Dilma que fez a cratera no metrô do Serra
** Trololó de Serra foi violado pela campanha da Dilma
** Marqueteiro do Serra é filiado ao PT
** Nhem-nhem de FHC é violado pela campanha de Dilma
** Dilma manda Serra para a ilha de Lost em 4 de outubro
** Comitê Central da campanha do Serra funciona na sede da Folha
** Folha: Dilma será a culpada pelas olheiras de milhões de brasileiros. Serra já foi afetado
** Serra lamenta: a Dilma me indicou o xampu Esperança
** Dilma escondeu o diploma do Serra
** Serra diz que o governo deixou o Brasil ser queimado. Manchete da Folha amanhã: Dilma usou pré-sal para queimar o país
** Dilma incluirá picolé de chuchu na cesta básica e na merenda escolar
** Guru indiano disse a Serra que teria a maioria dos internautas falando mal da Dilma dias antes da eleição, um Bidu
** Dilma é mãe de Fernandinho Beira-mar... Serra afirma: Lula é o pai
** Exclusivo! As trapalhadas de Serra e sua campanha foi combinado com Dilma que garantiu a chefia da Casa Civil pra ele
** Dilma jura de pé junto que Aécio não odeia Serra!
** Foi Dilma que mandou a cegonha entregar o bebê Serra lá na casa do verdureiro da Mooca em 1942
** Tiririca se une a FHC na inveja, os posts aqui são de morrer de rir, e planeja pacto suicida no bunker de Higienópolis
** De tanto apanhar da Dilma, o Serra quer criar a lei "Zé dá Pena"
** Depois de derrubar árvore centenária, Dilma foge e deixa Serra pra trás
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Biografia e ações imputadas a Dilma
** Dilma foi o primeiro bebê Johnson
** Folha: Dilma foi secretária de Minas e Energia em Chernobyl
** A Folha investiga e descobre: foi Dilma que inventou o crack quando era ministra das Minas e Energia
** Folha, noticiário policial: Quem atirou o pau no gato foi Dilma
** Dilma gostava de apertar campainha e sair correndo. ‘Ela fez isso duas vezes na minha casa’, revela ex-vizinha indignada
** Depois de ser aconselhado por Dilma, Luís XIV, filiado ao PT, proclama: ‘L’État c´est moi!’
** Folha informa: Dilma é a verdadeira mãe do bebê de Rosemary
** Dilma inseriu o "gerundismo" no telemarketing
** Morre Ícaro. Serra culpa Dilma por não revogar a lei da gravidade
** Dilma sabia da extinção dos dinossauros e não fez nada
** Manchete da Folha: Candidata mentiu, está provado. Dilma nomeou canhota como seu "braço-direito"
** A candidatura do Tiririca foi ideia da Dilma
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Dilma e o terrorismo
** Dilma é prima de terceiro grau da tia do cunhado do embaixador do Afeganistão. Ou seja, tem ligação com Bin Laden
** Folha: Dilma produziu crateras lunares em seu treinamento de guerrilha
** Por ser masoquista, Dilma se autotorturou, diz militar na Folha de hoje
** Folha kids: boi da cara preta, filiado ao PT desde 1980 revela: quem mandou pegar criança foi a Dilma
** Folha kids: Soldado com cabeça de papel denuncia: Dilma terrorista mandou botar fogo no quartel
** A Al-Qaida era só um grupo de árabes nerds, fãs de RPG e aeromodelismo. Até conhecerem a Dilma.
** A Folha tem provas cabais: Dilma é neta do primo do tataraneto da irmã do filho da costureira de Hitler
** Folha de S.Paulo: "Descoberto plano de Dilma para secar o Aquífero Guarani"
** Plutão se une ao sinal de Trema e culpa Dilma por não ser mais planeta
** Vejamos: Bomba>guerrilha>Dilma=>OK Terrorismo>Irã>Lula>OK Paris> turismo> brasileiro> petista> OK Não percam a Folha amanhã!
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Dilma e celebridades
** Dilma para John: "Querido, deixa eu te apresentar uma amiga, esta é a Yoko..."
** Elvis não morreu. Foi sequestrado por Dilma
** Che Guevara usava uma camiseta com Dilma estampada
** Einstein estava confuso. Dilma lhe disse: "Calma, tudo é relativo"
** Dilma venceu Usain Bolt nos cem metros rasos. Pulando numa perna só.
** Mike Tyson tem medo de Dilma
** Dilma recusou uma cantada de José Mayer
** Che Guevara aprendeu tudo com a Dilma!
** Dilma ensinou Michael Jackson a dançar
** Frank Sinatra teve aulas de canto com Dilma
** Quando Neil Armstrong chegou à lua, Dilma estava lá para recebê-lo
** Eu já sabia: quem fez as cirurgias plásticas na Danuza Leão foi a Dilma. Parece o coringa brasileiro
** Dilma ordenou que Massa desse a vitória a Alonso no GP da Alemanha
** Dilma é quem escolhe as camisas do Faustão
** Dilma faltou a uma reunião com João Gilberto, Tim Maia e Rubem Fonseca
** Confirmado que Dilma é a autora das receitas médicas de Vanusa
** Dilma disse ao Ronaldo: "Aquela ali é mulher mesmo"
** Folha Ilustrada: Fã de Raul Seixas, Dilma quer promulgar constituição da sociedade alternativa
** Dilma disse para Paulo Coelho, há 20 anos: "Continue a escrever, rapaz, você tem talento!"
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Dilma e a saúde pública
** A Folha adverte: Dilma é mais nociva que o cigarro. Afirma ter provas científicas disso.
** O Ministério da Saúde adverte: camisinhas da marca Dilma arrebentam!
** Fotografamos usuários da Cracolândia com camisetas do PT, os malucos insistiram que a Dilma, sim, é Crack
** Dilma alimenta milhões e é a total responsável pela obesidade de brasileiros que eram felizes sendo subnutridos
** Dilma proibiu o prato "Feijoada Baiana, com fato, mocotó, linguiça de maragojipe, feita de um dia pra outro!"
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Dilma e as religiões
** Deus ia fazer o mundo em quatro dias, mas houve atraso na obra do PAC
** Deus criou o mundo em seis dias. No sétimo, Dilma deu uma retocada
** Foi a Dilma que mostrou o fruto proibido a Eva
** Apóstolo que traiu Jesus tinha suposta ligação com o PT
** Folha de S.Paulo: "Dilma lava as mãos. Cristo é crucificado"
** Deu na Folha: Dilma organizou a boca de urna pró-Barrabás!
** Moisés rodou 40 anos no deserto do Sinai porque Dilma escondeu o mapa
** Buda tinha uma pequena estátua de Dilma em casa
** Dilma esconde o quarto segredo de Fátima
** Dilma quis doar Corcovado; Serra, ao menos, queria privatizar o Cristo, ainda que barato
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Dilma e o folclore
** Lobo Mau comeu Chapeuzinho Vermelho a mando de Dilma
** Na verdade, o Sapo queria lavar o pé, mas Dilma não deixou!!!
** Dilma cortou a perna do Saci Perêrê
** Dilma obrigou escravos de Jó a jogar caxangá
** O sargento Garcia nunca prendeu o Zorro porque Dilma não deixava
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Dilma e a mídia
** Voz que sai da boca de Boris Casoy e ofende garis na virada de ano é de Dilma
** Dilma é ligada a jornalista que atirou sapato em Bush
** Hoje a Folha de SP se superou na luta pela eleição de Serra. Uma página inteira com o BOLETIM da faculdade. Jenial.
** Folha: Dilma contrata humoristas para ridicularizar jornal a serviço do Brasil S.A.
** Exclusivo: Dilma é quem escreve as colunas do Merval Pereira no Globo
** Sou jornalista... acho que nunca vou poder pedir emprego na FSP
** Sucesso de Dilma deixa Globo, Folha, Estadão e Veja em desespero - http://t.co/p7SmUg8
** Exclusivo! Folha descobre acordo secreto de Dilma: Dona Judith da ANJ vai ser ministra das Comunicações
** Como a Folha nos acusa de bullying? ela quem fez o bullying essa eleição toda e agora toma o que merece
** Folha aconselha aos seus funcionários a omitir que trabalharam no período eleitoral 2010 pra empregos no ano que vem
** Exclusivo! Dilma determinou aos Twitteiros que parem com #Dilmafactsbyfolha, que está destruindo internacionalmente a Folha de S.Paulo
** Errar é humano. Colocar a culpa na Dilma está no Manual de Redação da Folha
** Bem que eu avisei que os jornalões iriam aproveitar as manchetes do #Dilmafactsbyfolha como se fossem suas mesmo. Todos fizeram isso hoje
** Se preparem, ainda veremos os três maiores impérios da comunicação no Brasil contra o Twitter
** #DilmaFactsByFolha é a nova Revolução Francesa, reconhece Marat
** Folha (*) é um sucesso no twitter mundial! Parabéns, Otavinho!
** Será que a Veja vai levar o fenômeno #DilmaFactsbyFolha pra sua capa como o #calabocagalvao?
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Dom Demétrio e a manipulação midiática
Reproduzo artigo de Dom Demétrio Valentini, bispo de Jales (SP), publicado no sítio da Adital:
Nestas eleições um fato novo está acontecendo. Fato verdadeiramente relevante. Mas, que não precisa ser publicado na grande imprensa. Aliás, o fato relevante consiste exatamente nisto: o povo já não se guia pelos "fatos relevantes" publicados pela mídia. A grande imprensa perdeu o poder de criar a "opinião pública".
A "opinião pública" não coincide mais com a "opinião publicada".
O povo encontrou outros caminhos para chegar às suas próprias opiniões, e traduzi-las em suas opções eleitorais.
Já houve eleições que mudaram de rumo por causa do impacto produzido pela divulgação de "fatos relevantes", tidos assim porque assim divulgados pela grande imprensa.
Agora, a grande imprensa fica falando sozinha, enquanto o povo vai tomando suas decisões.
Bem que ela insiste em lançar fatos novos, na evidente tentativa de influenciar os eleitores, e mudar o rumo das eleições. Mas não encontram mais eco. São como foguetes pífios, que explodem sem produzir ruído.
A reiterada publicação de fatos, que ainda continua, já não encontra sua justificativa nas reações suscitadas, que inexistem. Assim, as publicações necessitam se apoiar mutuamente, uma confirmando o que divulga a outra, mostrando-se interdependentes mais que duas irmãs siamesas, tal a impressão que deixam, por exemplo, determinado jornal e determinada revista.
Esta autonomia frente à grande imprensa se traduz também em liberdade diante das recomendações de ordem autoritária. Elas também já não influenciam. Ao contrário, parecem produzir efeito contrário. Quando mais o bispo insiste, mais o povo vota contra a opinião do bispo.
Este também é um "fato relevante", às avessas. Não pela intervenção da Igreja no processo eleitoral. Mas pela constatação de que o povo dispensa suas recomendações, e faz questão de usar sua liberdade.
Este "fato relevante" antecede o próprio resultado eleitoral, e pode se tornar ponto de partida para um processo político muito promissor. O povo brasileiro mostra que já aprendeu a formar sua opinião a partir de "fatos concretos", que ele experimenta no dia a dia, dos quais ele próprio é sujeito. Já passou o tempo das falácias divulgadas pela imprensa, onde o povo era reduzido a mero expectador.
Em tempos de eleições, como agora, fica mais fácil o povo identificar em determinadas candidaturas a concretização da nova situação que passou a viver nos últimos anos. Mas para consolidar esta mudança, e atingir um patamar de maior responsabilidade política, certamente será necessário trabalhar estes espaços novos de autonomia e de participação, que o povo começou a experimentar.
Temos aí o ponto de partida para engatar bem a proposta de uma urgente reforma política, e também de outras reformas estruturais, indispensáveis para superar os gargalos que impedem a implementação de um processo democrático amplo e eficaz.
O fato novo, a boa notícia, não consiste só em saber quem estará na Presidência da República, nos Governos Estaduais, e nos parlamentos nacionais e estaduais. A boa notícia é que o povo se mostra disposto a tomar posição e assumir o seu destino de maneira soberana e responsável.
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Nestas eleições um fato novo está acontecendo. Fato verdadeiramente relevante. Mas, que não precisa ser publicado na grande imprensa. Aliás, o fato relevante consiste exatamente nisto: o povo já não se guia pelos "fatos relevantes" publicados pela mídia. A grande imprensa perdeu o poder de criar a "opinião pública".
A "opinião pública" não coincide mais com a "opinião publicada".
O povo encontrou outros caminhos para chegar às suas próprias opiniões, e traduzi-las em suas opções eleitorais.
Já houve eleições que mudaram de rumo por causa do impacto produzido pela divulgação de "fatos relevantes", tidos assim porque assim divulgados pela grande imprensa.
Agora, a grande imprensa fica falando sozinha, enquanto o povo vai tomando suas decisões.
Bem que ela insiste em lançar fatos novos, na evidente tentativa de influenciar os eleitores, e mudar o rumo das eleições. Mas não encontram mais eco. São como foguetes pífios, que explodem sem produzir ruído.
A reiterada publicação de fatos, que ainda continua, já não encontra sua justificativa nas reações suscitadas, que inexistem. Assim, as publicações necessitam se apoiar mutuamente, uma confirmando o que divulga a outra, mostrando-se interdependentes mais que duas irmãs siamesas, tal a impressão que deixam, por exemplo, determinado jornal e determinada revista.
Esta autonomia frente à grande imprensa se traduz também em liberdade diante das recomendações de ordem autoritária. Elas também já não influenciam. Ao contrário, parecem produzir efeito contrário. Quando mais o bispo insiste, mais o povo vota contra a opinião do bispo.
Este também é um "fato relevante", às avessas. Não pela intervenção da Igreja no processo eleitoral. Mas pela constatação de que o povo dispensa suas recomendações, e faz questão de usar sua liberdade.
Este "fato relevante" antecede o próprio resultado eleitoral, e pode se tornar ponto de partida para um processo político muito promissor. O povo brasileiro mostra que já aprendeu a formar sua opinião a partir de "fatos concretos", que ele experimenta no dia a dia, dos quais ele próprio é sujeito. Já passou o tempo das falácias divulgadas pela imprensa, onde o povo era reduzido a mero expectador.
Em tempos de eleições, como agora, fica mais fácil o povo identificar em determinadas candidaturas a concretização da nova situação que passou a viver nos últimos anos. Mas para consolidar esta mudança, e atingir um patamar de maior responsabilidade política, certamente será necessário trabalhar estes espaços novos de autonomia e de participação, que o povo começou a experimentar.
Temos aí o ponto de partida para engatar bem a proposta de uma urgente reforma política, e também de outras reformas estruturais, indispensáveis para superar os gargalos que impedem a implementação de um processo democrático amplo e eficaz.
O fato novo, a boa notícia, não consiste só em saber quem estará na Presidência da República, nos Governos Estaduais, e nos parlamentos nacionais e estaduais. A boa notícia é que o povo se mostra disposto a tomar posição e assumir o seu destino de maneira soberana e responsável.
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sábado, 25 de setembro de 2010
Ato vibrante pela liberdade de imprensa

Reproduzo artigo de João Franzin, publicado no sítio da Agência Sindical:
Desde os eventos de resistência à ditadura, o auditório Vladimir Herzog, no Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo, não recebia tanta gente. O ato contra “o golpismo da mídia e por mais liberdade de imprensa”, na noite da quinta (23), lotou todas as cadeiras, todas as laterais, todos os espaços do auditório, o corredor de acesso ao plenário e as escadarias.
Muita gente teve de ficar do lado de fora, ocupando as duas calçadas da rua Rego Freitas, em frente ao Sindicato, no Centro de São Paulo. O responsável pela iniciativa, o Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé calcula em mais de 300 pessoas presentes ao evento.
O ato contou com um grande número de jornalistas, quatro Centrais Sindicais (CUT, CTB, Nova Central e CGTB), vários Sindicatos, partidos (PCdoB, PSB e PDT), além de entidades do movimento social, como o MST, e ligadas à democratização da mídia, como a Altercom, que reúne os pequenos empreendedores da comunicação.
Altamiro Borges, jornalista, escritor e coordenador do Barão de Itararé, conduziu os trabalhos, ao lado de José Augusto Camargo, presidente do Sindicato dos Jornalistas. Foi Altamiro quem leu o documento “Pela mais ampla liberdade de expressão”, com a tomada de posição das entidades e quatro pontos estratégicos, aprovado por aclamação.
Lágrimas
O clima no auditório Vladimir Herzog, palco de grandes lutas por liberdade e contra a repressão, era de otimismo e muita emoção. Emoção que encheu de lágrimas os olhos de várias pessoas no momento da fala de deputada e ex-prefeita de São Paulo, Luiza Erundina. Para a parlamentar socialista, “os donos da mídia estão tentando uma reação macartista e histérica”. E justificou: “Eles sabem que a sociedade não aceita mais uma mídia que só reflete a voz do dono; eles não se conformam que o governo do primeiro presidente operário esteja dando certo”.
Hino
Alguém da platéia iniciou o canto e o auditório, em peso, entoou, com firmeza e muita emoção, o Hino Nacional Brasileiro, encerrando o ato.
Sindicato
Com o evento da noite de quinta (23), o Sindicato dos Jornalistas do Estado de São Paulo reafirma a própria história e se recoloca no centro do palco das grandes lutas democráticas da sociedade brasileira.
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Marina Silva e as novas florestas
Reproduzo artigo de Gilson Caroni, publicado no blog Viomundo:
O verdadeiro mestre não é somente o professor que sabe dar a aula com a lição na ponta da língua – é, sobretudo, aquele que sabe fazer discípulos. Quanto ao discípulo, é este mais do que o aluno que aproveita a lição na sala de aula. Na verdade, corresponde ao prolongamento do mestre, retendo-lhe o fascínio pelo resto da vida, como se o saber do professor continuasse a acompanhá-lo além do curso, alongando-lhe a presença.
Cortejada pela grande imprensa como possibilidade de levar a eleição para o segundo turno, Marina parece bailar nas decisões hamletianas: faz que vai e volta do meio para trás como cantilena do Grande Sertão. Já não convida mais seu coração para dar batalha. Quando está madura a oportunidade de colocar o Brasil na trilha das aspirações populares, a “cabocla de tantas malárias e alergias” coloca-se como linha auxiliar de uma elite desprovida de projeto de consenso para o país.
Rifando sua biografia, tergiversa sobre questões caras ao campo democrático-popular do qual, até bem pouco tempo, foi militante expressiva. A mulher que apostava na organização do povo como único agente capaz de resolver seus próprios problemas, elegendo suas prioridades e lutando para atingi-las, deu lugar a uma “celebridade” que, pretextando buscar um novo espaço político, reproduz o discurso dos editoriais reacionários. Deixou de dar valor ao partido político, ao sindicato, aos movimentos populacionais, às ações associativas. Esqueceu que são essas as instâncias capazes de superar um modo de vida que não corresponde às expectativas reais dos seres humanos de verdade.
Sua candidatura busca cobrir um vazio que não existe. Hoje, todos reconhecem que o crescimento econômico deve ser visto como condição necessária, mas não suficiente, do desenvolvimento social. O governo petista criou as condições políticas para o surgimento de uma nação que efetivamente combate a miséria e a pobreza extremas, implementando princípios econômicos que aumentaram a oferta de emprego e a remuneração condigna de trabalho.
Há oito anos, a visão progressista contempla valores ambientais imprescindíveis à saúde e ao bem-estar do ser humano, não isentando, como muitos querem crer, as elites regiamente capitalizadas nos tempos do consórcio demo-tucano. Sendo assim, onde estaria a novidade, e até mesmo a necessidade da agenda de Marina Silva?
Equilíbrio ambiental e desenvolvimento sustentável são elementos indispensáveis ao futuro do país. Exigem do movimento ecológico uma reformulação radical que o torne matriz de uma nova esquerda. A Amazônia é um exemplo. Seu desmatamento é obra conjunta de latifundiários, grandes empresários e empresas mineradoras. São os inimigos a serem confrontados prontamente. É essa a perspectiva da “doce” Marina e seus aliados recentes?
Quando em entrevista a uma revista semanal, a ex-ministra do Meio Ambiente disse: “Tenho um sentimento que mistura gratidão e perda em relação ao PT. Sair do partido foi, para mim, um processo muito doloroso. Perdi quase 3 quilos. Foi difícil explicar até para meus filhos. No álbum de fotografias, cada um deles está sempre com uma estrelinha do partido. É como se eu tivesse dividido uma casa por muito tempo com um grupo de pessoas que me deram muitas alegrias e alguns constrangimentos. Mudei de casa, mas continuo na mesma rua, na mesma vizinhança“. Marina mistura oportunismo e desorientação espacial.
A senadora do PV sabe que, uma vez derrubada, a floresta não se recompõe. Que tipo de “empates” se propõe travar com as alianças escolhidas? O partido que a convidou para bailar sobrevive de parcerias antagônicas a sua antiga história de combatividade, coerência e superação. Como nas matas degradadas, a política tem fios de navalha onde tudo perde a cor e dificilmente se refaz. A rua e a vizinhança são decorrências geográficas de escolhas caras. No caso de Marina, tudo mudou.
Chico Mendes reafirmava que “se descesse um enviado dos Céus e me garantisse que minha morte iria fortalecer nossa luta, até que valeria a pena. Mas a experiência nos ensina o contrário. Então eu quero viver”.
Por sua discípula isso está cada vez mais improvável.
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O verdadeiro mestre não é somente o professor que sabe dar a aula com a lição na ponta da língua – é, sobretudo, aquele que sabe fazer discípulos. Quanto ao discípulo, é este mais do que o aluno que aproveita a lição na sala de aula. Na verdade, corresponde ao prolongamento do mestre, retendo-lhe o fascínio pelo resto da vida, como se o saber do professor continuasse a acompanhá-lo além do curso, alongando-lhe a presença.
Cortejada pela grande imprensa como possibilidade de levar a eleição para o segundo turno, Marina parece bailar nas decisões hamletianas: faz que vai e volta do meio para trás como cantilena do Grande Sertão. Já não convida mais seu coração para dar batalha. Quando está madura a oportunidade de colocar o Brasil na trilha das aspirações populares, a “cabocla de tantas malárias e alergias” coloca-se como linha auxiliar de uma elite desprovida de projeto de consenso para o país.
Rifando sua biografia, tergiversa sobre questões caras ao campo democrático-popular do qual, até bem pouco tempo, foi militante expressiva. A mulher que apostava na organização do povo como único agente capaz de resolver seus próprios problemas, elegendo suas prioridades e lutando para atingi-las, deu lugar a uma “celebridade” que, pretextando buscar um novo espaço político, reproduz o discurso dos editoriais reacionários. Deixou de dar valor ao partido político, ao sindicato, aos movimentos populacionais, às ações associativas. Esqueceu que são essas as instâncias capazes de superar um modo de vida que não corresponde às expectativas reais dos seres humanos de verdade.
Sua candidatura busca cobrir um vazio que não existe. Hoje, todos reconhecem que o crescimento econômico deve ser visto como condição necessária, mas não suficiente, do desenvolvimento social. O governo petista criou as condições políticas para o surgimento de uma nação que efetivamente combate a miséria e a pobreza extremas, implementando princípios econômicos que aumentaram a oferta de emprego e a remuneração condigna de trabalho.
Há oito anos, a visão progressista contempla valores ambientais imprescindíveis à saúde e ao bem-estar do ser humano, não isentando, como muitos querem crer, as elites regiamente capitalizadas nos tempos do consórcio demo-tucano. Sendo assim, onde estaria a novidade, e até mesmo a necessidade da agenda de Marina Silva?
Equilíbrio ambiental e desenvolvimento sustentável são elementos indispensáveis ao futuro do país. Exigem do movimento ecológico uma reformulação radical que o torne matriz de uma nova esquerda. A Amazônia é um exemplo. Seu desmatamento é obra conjunta de latifundiários, grandes empresários e empresas mineradoras. São os inimigos a serem confrontados prontamente. É essa a perspectiva da “doce” Marina e seus aliados recentes?
Quando em entrevista a uma revista semanal, a ex-ministra do Meio Ambiente disse: “Tenho um sentimento que mistura gratidão e perda em relação ao PT. Sair do partido foi, para mim, um processo muito doloroso. Perdi quase 3 quilos. Foi difícil explicar até para meus filhos. No álbum de fotografias, cada um deles está sempre com uma estrelinha do partido. É como se eu tivesse dividido uma casa por muito tempo com um grupo de pessoas que me deram muitas alegrias e alguns constrangimentos. Mudei de casa, mas continuo na mesma rua, na mesma vizinhança“. Marina mistura oportunismo e desorientação espacial.
A senadora do PV sabe que, uma vez derrubada, a floresta não se recompõe. Que tipo de “empates” se propõe travar com as alianças escolhidas? O partido que a convidou para bailar sobrevive de parcerias antagônicas a sua antiga história de combatividade, coerência e superação. Como nas matas degradadas, a política tem fios de navalha onde tudo perde a cor e dificilmente se refaz. A rua e a vizinhança são decorrências geográficas de escolhas caras. No caso de Marina, tudo mudou.
Chico Mendes reafirmava que “se descesse um enviado dos Céus e me garantisse que minha morte iria fortalecer nossa luta, até que valeria a pena. Mas a experiência nos ensina o contrário. Então eu quero viver”.
Por sua discípula isso está cada vez mais improvável.
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Direita lança “Manifesto” pró-1964
Reproduzo artigo de Osvaldo Bertolino, publicado no sítio da Fundação Maurício Grabois:
No mundo da mídia brasileira — ao contrário do jogo do bicho em que vale mesmo o que está escrito —, não vale nem o que está escrito e nem o que é falado. Nada mais arriscado do que tomar ao pé da letra o que se ouve e se lê nas principais manchetes.
Os jornais de hoje, por exemplo, carregam tanto nas manchetes catastróficas que fica difícil selecionar alguma para provar a desfaçatez do jogo política da direita nessa reta de chegada da campanha eleitoral. Escolhi, por ser emblemática, a manchete que anuncia que “personalidades” lançaram um “Manifesto em defesa da democracia”.
Entre os que já assinaram o documento, informa o jornal O Estado de S. Paulo, estão Hélio Bicudo, Carlos Velloso, José Arthur Gianotti, Ferreira Gullar e Carlos Vereza. Talvez com exceção de Bicudo, todos são figurinhas carimbadas das hostes tucanas, gente de direita que, mais ou menos raivosa, tem dedicado seus dias à pregação golpista. O jornal carrega na tinta ao anunciar que o “Manifesto” sai “num momento em que o governo do presidente Lula se dedica a investidas quase diárias contra a liberdade de informação e de expressão e critica a imprensa”.
Alguns democratas
Ainda segundo o vetusto jornal das oligarquias paulistanas, estão no grupo que protagoniza a farsa “personalidades de diferentes setores — entre eles juristas, intelectuais e artistas”. A meta, diz a matéria, é “brecar a marcha para o autoritarismo”. O ato público ocorreu nesta quarta-feira (22), ao meio dia, na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, em São Paulo. O jornal também informa outros nomes como signatários — os dos tucanos Marco Antonio Villa, Bóris Fausto, Celso Lafer e Leôncio Martins Rodrigues, além dos de José Álvaro Moisés, Lourdes Sola, Mauro Mendonça, Rosamaria Murtinho e do respeitadíssimo democrata d. Paulo Evaristo Arns.
A presença de alguns democratas entre o grupo não invalida a sua essência rancorosa, reacionária, golpista. A pregação fascista aparece já no início, quando o “Manifesto” diz: “Hoje, no Brasil, os inconformados com a democracia representativa se organizam para solapar o regime democrático.” Mais adiante, considera “inconcebível” que “uma das mais importantes democracias do mundo seja assombrada por uma forma de autoritarismo hipócrita”. O terrorismo eleitoral é indisfarçável.
Apelo dramático
Marco Antônio Villa garante na matéria que existe “uma ameaça concreta” à democracia. “É uma preocupação geral com o que está ocorrendo no país, e hoje (ontem) o Lula mais uma vez reforçou”, disse o tucano. Para o golpista, caso um eventual governo Dilma consiga eleger três quintos do Congresso “eles conseguirão fazer mudanças constitucionais a seu bel-prazer”. “E se você tiver uma parte da legislatura formada por ‘Tiriricas’, corremos sério risco”, pregou, verbalizando o asqueroso preconceito social da elite brasileira. Villa faz um apelo dramático e patético a favor do seu candidato, o direitista José Serra. “É preciso de um grito de alerta”, pregou. E foi corroborado por dois outros tucanos, Leôncio Martins Rodrigues e Arthur Gianotti.
O “Manifesto” está eivado de golpismo. “É intolerável assistir ao uso de órgãos do Estado como extensão de um partido político, máquina de violação de sigilos e de agressão a direitos individuais”, diz o documento farsesco. “É inaceitável que a militância partidária tenha convertido os órgãos da administração direta, empresas estatais e fundos de pensão em centros de produção de dossiês contra adversários políticos”, falsifica novamente o “Manifesto”.
O texto tucano é um emaranhado de falsidades e proselitismos. E de uma mediocridade de dar dó. Por meio de um festival de é isso, é aquilo, o documento tece um retrato desfigurado da realidade política do país e não esconde a verdadeira intenção dos seus idealizadores — abastecer a mídia com pronunciamentos que serão transformados em factóides e servirão de manchetes que serão exploradas na propaganda eleitoral de José Serra. “Brasileiros erguem sua voz em defesa da Constituição, das instituições e da legalidade. Não precisamos de soberanos com pretensões paternas, mas de democratas convictos”, brada o patético documento.
Comentários dos leitores
Como era de esperar, a notícia pegou fogo nos “comentários” do site do jornal. E muitos comentários — além da média, uma vez que esta publicação é amplamente dominada pela direita — surpreenderam pela sagacidade. Reproduzo dois, que são emblemáticos: “Qual será o próximo passo? Marcha da família com Deus pela liberdade, com a TFP a frente? Já assisti esse filme. Muitos, mas muitos mesmos, morrem no fim”, disse Ricardo Malta
Pedro Pinto de Arruda comentou: “É o movimento Cansei, em sua vertente pseudo-intelectual! Juntando essa trupe toda, nao dá meio grama de credibilidade! Ferreira Gular, o farsante maranhense que envergonha seus admiradores do grande poeta que foi um dia… Marco Antonio Villa, o intelectual da tucanalha… Gianotti, o filósofo da amoralidade de FHC… tutti buona gente… Nao valem o que o gato enterra…”
Conceito de mídia
Na maioria das nações com um grau razoável de civilização, faz parte das regras do jogo acreditar no que a mídia diz. Não no Brasil, e menos ainda no Brasil de hoje. Antes de prosseguir, é preciso definir o conceito de mídia. Parece razoável pensá-lo, resumidamente, como o espectro de informações que circulam nos veículos de comunicação majoritários de um país e a sua reprodução como senso comum.
Nada a ver com uma das manchetes de hoje do jornal O Globo, que anunciou: Centrais e movimentos sociais organizam ato contra imprensa. O ato é contra a mídia, não contra a imprensa — uma conquista civilizatória. O que a mídia pratica hoje em dia no Brasil está muito distante dos nobres ideais da imprensa. Analisar a postura da mídia brasileira em relação ao governo Lula tendo como pano de fundo esta definição é ter a certeza de que algo muito grave está ocorrendo.
Ódio de classe
O exame clínico do passado recente desta relação revela que se existe algo que o Brasil tem de sobra — como petróleo, minério de ferro e água — são pregações golpistas. Vale tudo para tentar transformar um governo com identificação com o povo, e que aparece bem na foto, numa administração de segunda classe. Talvez a mídia não tenha tempo ou capacidade para cometer todos os desatinos que pretende até as eleições, mas com certeza está empenhada em aproveitar ao máximo todas as oportunidades que aparecerem pela frente para vituperar contra o governo Lula.
Há um indisfarçável ódio de classe — tecla na qual tenho batido desde a primeira campanha de Lula à Presidência da República, em 1989. Hoje, depois de oito anos de práticas políticas voltadas para os interesses do povo, vivemos uma realidade tão complexa que a construção de uma simples rede de esgoto em alguma periferia ou de uma estrada asfaltada que rasga os sertões rompe ao mesmo tempo o véu das relações sociais obsoletas que temos no Brasil.
E olha que são medidas meia-sola, que nem de longe ameaçam o satus quo. O problema é que um eventual governo Dilma Rousseff se propõe a ir além e, com essas ações sociais, granjear imenso apoio popular para temas como política externa independente, desenvolvimento econômico, planejamento, papel do Estado na economia e integração progressista da América Latina — assuntos que, pouco a pouco, ganham espaços no panorama político e no debate ideológico.
Vazio de propostas
Com estes dados, fica fácil entender por que o vazio de propostas da direita é preenchido com adjetivos fortes e factóides esdrúxulos no julgamento paralelo dos justiceiros da mídia. A verdade é que um mínimo de seriedade ao analisar o papel da mídia mostra que ele é ágil em lançar “suspeitas” sobre quem quer que seja do campo governista e cágada — a sílaba tônica, outra vez, fica a seu critério — no cumprimento do papel que cabe à imprensa.
O problema é que a tendência humana é a de acreditar muito mais no que se vê do que no que se lê — ou se ouve. Daí a repetição e a renovação da roupagem das “denúncias” numa velocidade estonteante. Para encobrir a realidade, quanto mais manchetes funéreas, melhor. A idéia da mídia é fazer com que, como no jogo do bicho, se está escrito deve valer — e assim vai se dando como verdade qualquer coisa que apareça contra o governo. Pouco importa se o dito tem ou não tem nexo. Desde que indique a existência de uma calamidade extrema, a coisa em questão passa a ser repetida, vai se alimentando da própria repetição e acaba por se transformar em uma embolada sobre a qual ninguém entende mais nada. Fica aquela fumaça no ar, como a que sobe depois de um tiroteio.
O caso da corrupção é um dos clássicos do gênero. Em matéria de bobagem em estado puro, é o que há. As denúncias que vieram à tona nos últimos tempos deram ensejo a debates acalorados, como é legítimo e saudável que aconteça. Mas esse calor não nos exime da tarefa de analisá-las com certa frieza, numa perspectiva temporal mais ampla, como um capítulo da história que estamos tentando construir no Brasil. São denúncias que nunca dão em nada. Elas não prosperam por falta de qualidade.
Episódios farsescos
Não deveria ser assim. Se há denúncias, é preciso investigá-las com rigor e lupa de precisão. Isso é bem diferente deste encontro do estardalhaço com a inutilidade. O fato é que os escândalos que se vão sucedendo parecem produzir efeitos cada vez menores no que se refere à mobilização cívica e ao aperfeiçoamento institucional. Quais seriam as causas desse declínio? A questão é complexa — e mais ainda quando se tem em vista o que está por trás desta inusitada sucessão de acusações.
Nenhum dos episódios farsescos contra o governo Lula teve desfecho explosivo, como pretendia a mídia. Ao contrário: a impressão que se tem é que o teor radioativo da série se reduz à medida que as denúncias se multiplicam. Minha hipótese é que esse festival de besteira que assola o país perde cada vez mais credibilidade em decorrência da falta de seriedade, de responsabilidade e de compromisso público da direita. Isso está em seu DNA de classe.
Um exemplo evidente disso é o grau de repercussão das denúncias sobre os cartões corporativos federais e paulistas. De nariz torto, a mídia foi obrigada a registrar práticas semelhantes e justificativas idênticas — sem se dar ao trabalho de verificar se havia ou não fundamento nas denúncias sobre os dois casos.
Maior vitória de Lula
Para que uma denúncia se transforme em indignação social viva e pública, ela precisa de um ingrediente básico: credibilidade. Quando a denúncia não se sustenta, um ou outro cidadão pode até ter os seus motivos de indignação, mas abstém-se de comunicá-los a outras pessoas — e, mais ainda, de participar em demonstrações coletivas. Na verdade, as causas principais do esmaecimento das reações sociais diante de tantas denúncias são a própria consolidação do governo Lula e a sensação de melhora que o país passou a desfrutar.
Ultrapassado o momento mais agudo da transição do regime abertamente neoliberal ao de maior atenção ao papel do Estado, observou-se uma redução da carga dramática da política em todos os seus aspectos — inclusive no tocante a denúncias de irregularidades. O governo Lula optou pelo exercício do poder político cimentado por ingredientes como transigência, negociação, composição de interesses e o estímulo à cooperação.
A sua principal vitória não foi propriamente a reeleição em 2006 — obviamente contra a vontade da mídia e de outros menos votados. A maior vitória do governo Lula é a capacidade de resistir ao desgaste e de continuar persuadindo a maioria da sociedade de que ela precisa desse poder que vem se formando no país.
Comitê central
Estamos entrando numa fase em que a direita tenta reerguer a sua agenda e cabe aos setores populares impedir que isso aconteça. Em outras palavras: não é papel do presidente da República dar resposta agudas aos ataques da mídia. O movimento social precisa entrar em campo.
Movidos por objetivos politiqueiros ou por interesses próprios, o fato é que os protagonistas do regime neoliberal — a mídia no fundo é o comitê central dessa gente — passaram a investir muito nessas sucessivas cruzadas de purificação moral, tentando dizer que elas, por si só, podem solucionar os problemas do país.
Essa é uma visão abertamente golpista. O recurso demasiado freqüente a tais cruzadas tem o perverso efeito de desvalorizar a própria cruzada como instrumento cívico e político. Se tudo é escândalo, nada mais é escândalo. Aí aparecem os redentores, como apareceram em 1964.
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No mundo da mídia brasileira — ao contrário do jogo do bicho em que vale mesmo o que está escrito —, não vale nem o que está escrito e nem o que é falado. Nada mais arriscado do que tomar ao pé da letra o que se ouve e se lê nas principais manchetes.
Os jornais de hoje, por exemplo, carregam tanto nas manchetes catastróficas que fica difícil selecionar alguma para provar a desfaçatez do jogo política da direita nessa reta de chegada da campanha eleitoral. Escolhi, por ser emblemática, a manchete que anuncia que “personalidades” lançaram um “Manifesto em defesa da democracia”.
Entre os que já assinaram o documento, informa o jornal O Estado de S. Paulo, estão Hélio Bicudo, Carlos Velloso, José Arthur Gianotti, Ferreira Gullar e Carlos Vereza. Talvez com exceção de Bicudo, todos são figurinhas carimbadas das hostes tucanas, gente de direita que, mais ou menos raivosa, tem dedicado seus dias à pregação golpista. O jornal carrega na tinta ao anunciar que o “Manifesto” sai “num momento em que o governo do presidente Lula se dedica a investidas quase diárias contra a liberdade de informação e de expressão e critica a imprensa”.
Alguns democratas
Ainda segundo o vetusto jornal das oligarquias paulistanas, estão no grupo que protagoniza a farsa “personalidades de diferentes setores — entre eles juristas, intelectuais e artistas”. A meta, diz a matéria, é “brecar a marcha para o autoritarismo”. O ato público ocorreu nesta quarta-feira (22), ao meio dia, na Faculdade de Direito do Largo de São Francisco, em São Paulo. O jornal também informa outros nomes como signatários — os dos tucanos Marco Antonio Villa, Bóris Fausto, Celso Lafer e Leôncio Martins Rodrigues, além dos de José Álvaro Moisés, Lourdes Sola, Mauro Mendonça, Rosamaria Murtinho e do respeitadíssimo democrata d. Paulo Evaristo Arns.
A presença de alguns democratas entre o grupo não invalida a sua essência rancorosa, reacionária, golpista. A pregação fascista aparece já no início, quando o “Manifesto” diz: “Hoje, no Brasil, os inconformados com a democracia representativa se organizam para solapar o regime democrático.” Mais adiante, considera “inconcebível” que “uma das mais importantes democracias do mundo seja assombrada por uma forma de autoritarismo hipócrita”. O terrorismo eleitoral é indisfarçável.
Apelo dramático
Marco Antônio Villa garante na matéria que existe “uma ameaça concreta” à democracia. “É uma preocupação geral com o que está ocorrendo no país, e hoje (ontem) o Lula mais uma vez reforçou”, disse o tucano. Para o golpista, caso um eventual governo Dilma consiga eleger três quintos do Congresso “eles conseguirão fazer mudanças constitucionais a seu bel-prazer”. “E se você tiver uma parte da legislatura formada por ‘Tiriricas’, corremos sério risco”, pregou, verbalizando o asqueroso preconceito social da elite brasileira. Villa faz um apelo dramático e patético a favor do seu candidato, o direitista José Serra. “É preciso de um grito de alerta”, pregou. E foi corroborado por dois outros tucanos, Leôncio Martins Rodrigues e Arthur Gianotti.
O “Manifesto” está eivado de golpismo. “É intolerável assistir ao uso de órgãos do Estado como extensão de um partido político, máquina de violação de sigilos e de agressão a direitos individuais”, diz o documento farsesco. “É inaceitável que a militância partidária tenha convertido os órgãos da administração direta, empresas estatais e fundos de pensão em centros de produção de dossiês contra adversários políticos”, falsifica novamente o “Manifesto”.
O texto tucano é um emaranhado de falsidades e proselitismos. E de uma mediocridade de dar dó. Por meio de um festival de é isso, é aquilo, o documento tece um retrato desfigurado da realidade política do país e não esconde a verdadeira intenção dos seus idealizadores — abastecer a mídia com pronunciamentos que serão transformados em factóides e servirão de manchetes que serão exploradas na propaganda eleitoral de José Serra. “Brasileiros erguem sua voz em defesa da Constituição, das instituições e da legalidade. Não precisamos de soberanos com pretensões paternas, mas de democratas convictos”, brada o patético documento.
Comentários dos leitores
Como era de esperar, a notícia pegou fogo nos “comentários” do site do jornal. E muitos comentários — além da média, uma vez que esta publicação é amplamente dominada pela direita — surpreenderam pela sagacidade. Reproduzo dois, que são emblemáticos: “Qual será o próximo passo? Marcha da família com Deus pela liberdade, com a TFP a frente? Já assisti esse filme. Muitos, mas muitos mesmos, morrem no fim”, disse Ricardo Malta
Pedro Pinto de Arruda comentou: “É o movimento Cansei, em sua vertente pseudo-intelectual! Juntando essa trupe toda, nao dá meio grama de credibilidade! Ferreira Gular, o farsante maranhense que envergonha seus admiradores do grande poeta que foi um dia… Marco Antonio Villa, o intelectual da tucanalha… Gianotti, o filósofo da amoralidade de FHC… tutti buona gente… Nao valem o que o gato enterra…”
Conceito de mídia
Na maioria das nações com um grau razoável de civilização, faz parte das regras do jogo acreditar no que a mídia diz. Não no Brasil, e menos ainda no Brasil de hoje. Antes de prosseguir, é preciso definir o conceito de mídia. Parece razoável pensá-lo, resumidamente, como o espectro de informações que circulam nos veículos de comunicação majoritários de um país e a sua reprodução como senso comum.
Nada a ver com uma das manchetes de hoje do jornal O Globo, que anunciou: Centrais e movimentos sociais organizam ato contra imprensa. O ato é contra a mídia, não contra a imprensa — uma conquista civilizatória. O que a mídia pratica hoje em dia no Brasil está muito distante dos nobres ideais da imprensa. Analisar a postura da mídia brasileira em relação ao governo Lula tendo como pano de fundo esta definição é ter a certeza de que algo muito grave está ocorrendo.
Ódio de classe
O exame clínico do passado recente desta relação revela que se existe algo que o Brasil tem de sobra — como petróleo, minério de ferro e água — são pregações golpistas. Vale tudo para tentar transformar um governo com identificação com o povo, e que aparece bem na foto, numa administração de segunda classe. Talvez a mídia não tenha tempo ou capacidade para cometer todos os desatinos que pretende até as eleições, mas com certeza está empenhada em aproveitar ao máximo todas as oportunidades que aparecerem pela frente para vituperar contra o governo Lula.
Há um indisfarçável ódio de classe — tecla na qual tenho batido desde a primeira campanha de Lula à Presidência da República, em 1989. Hoje, depois de oito anos de práticas políticas voltadas para os interesses do povo, vivemos uma realidade tão complexa que a construção de uma simples rede de esgoto em alguma periferia ou de uma estrada asfaltada que rasga os sertões rompe ao mesmo tempo o véu das relações sociais obsoletas que temos no Brasil.
E olha que são medidas meia-sola, que nem de longe ameaçam o satus quo. O problema é que um eventual governo Dilma Rousseff se propõe a ir além e, com essas ações sociais, granjear imenso apoio popular para temas como política externa independente, desenvolvimento econômico, planejamento, papel do Estado na economia e integração progressista da América Latina — assuntos que, pouco a pouco, ganham espaços no panorama político e no debate ideológico.
Vazio de propostas
Com estes dados, fica fácil entender por que o vazio de propostas da direita é preenchido com adjetivos fortes e factóides esdrúxulos no julgamento paralelo dos justiceiros da mídia. A verdade é que um mínimo de seriedade ao analisar o papel da mídia mostra que ele é ágil em lançar “suspeitas” sobre quem quer que seja do campo governista e cágada — a sílaba tônica, outra vez, fica a seu critério — no cumprimento do papel que cabe à imprensa.
O problema é que a tendência humana é a de acreditar muito mais no que se vê do que no que se lê — ou se ouve. Daí a repetição e a renovação da roupagem das “denúncias” numa velocidade estonteante. Para encobrir a realidade, quanto mais manchetes funéreas, melhor. A idéia da mídia é fazer com que, como no jogo do bicho, se está escrito deve valer — e assim vai se dando como verdade qualquer coisa que apareça contra o governo. Pouco importa se o dito tem ou não tem nexo. Desde que indique a existência de uma calamidade extrema, a coisa em questão passa a ser repetida, vai se alimentando da própria repetição e acaba por se transformar em uma embolada sobre a qual ninguém entende mais nada. Fica aquela fumaça no ar, como a que sobe depois de um tiroteio.
O caso da corrupção é um dos clássicos do gênero. Em matéria de bobagem em estado puro, é o que há. As denúncias que vieram à tona nos últimos tempos deram ensejo a debates acalorados, como é legítimo e saudável que aconteça. Mas esse calor não nos exime da tarefa de analisá-las com certa frieza, numa perspectiva temporal mais ampla, como um capítulo da história que estamos tentando construir no Brasil. São denúncias que nunca dão em nada. Elas não prosperam por falta de qualidade.
Episódios farsescos
Não deveria ser assim. Se há denúncias, é preciso investigá-las com rigor e lupa de precisão. Isso é bem diferente deste encontro do estardalhaço com a inutilidade. O fato é que os escândalos que se vão sucedendo parecem produzir efeitos cada vez menores no que se refere à mobilização cívica e ao aperfeiçoamento institucional. Quais seriam as causas desse declínio? A questão é complexa — e mais ainda quando se tem em vista o que está por trás desta inusitada sucessão de acusações.
Nenhum dos episódios farsescos contra o governo Lula teve desfecho explosivo, como pretendia a mídia. Ao contrário: a impressão que se tem é que o teor radioativo da série se reduz à medida que as denúncias se multiplicam. Minha hipótese é que esse festival de besteira que assola o país perde cada vez mais credibilidade em decorrência da falta de seriedade, de responsabilidade e de compromisso público da direita. Isso está em seu DNA de classe.
Um exemplo evidente disso é o grau de repercussão das denúncias sobre os cartões corporativos federais e paulistas. De nariz torto, a mídia foi obrigada a registrar práticas semelhantes e justificativas idênticas — sem se dar ao trabalho de verificar se havia ou não fundamento nas denúncias sobre os dois casos.
Maior vitória de Lula
Para que uma denúncia se transforme em indignação social viva e pública, ela precisa de um ingrediente básico: credibilidade. Quando a denúncia não se sustenta, um ou outro cidadão pode até ter os seus motivos de indignação, mas abstém-se de comunicá-los a outras pessoas — e, mais ainda, de participar em demonstrações coletivas. Na verdade, as causas principais do esmaecimento das reações sociais diante de tantas denúncias são a própria consolidação do governo Lula e a sensação de melhora que o país passou a desfrutar.
Ultrapassado o momento mais agudo da transição do regime abertamente neoliberal ao de maior atenção ao papel do Estado, observou-se uma redução da carga dramática da política em todos os seus aspectos — inclusive no tocante a denúncias de irregularidades. O governo Lula optou pelo exercício do poder político cimentado por ingredientes como transigência, negociação, composição de interesses e o estímulo à cooperação.
A sua principal vitória não foi propriamente a reeleição em 2006 — obviamente contra a vontade da mídia e de outros menos votados. A maior vitória do governo Lula é a capacidade de resistir ao desgaste e de continuar persuadindo a maioria da sociedade de que ela precisa desse poder que vem se formando no país.
Comitê central
Estamos entrando numa fase em que a direita tenta reerguer a sua agenda e cabe aos setores populares impedir que isso aconteça. Em outras palavras: não é papel do presidente da República dar resposta agudas aos ataques da mídia. O movimento social precisa entrar em campo.
Movidos por objetivos politiqueiros ou por interesses próprios, o fato é que os protagonistas do regime neoliberal — a mídia no fundo é o comitê central dessa gente — passaram a investir muito nessas sucessivas cruzadas de purificação moral, tentando dizer que elas, por si só, podem solucionar os problemas do país.
Essa é uma visão abertamente golpista. O recurso demasiado freqüente a tais cruzadas tem o perverso efeito de desvalorizar a própria cruzada como instrumento cívico e político. Se tudo é escândalo, nada mais é escândalo. Aí aparecem os redentores, como apareceram em 1964.
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Leonel Brizola e os exércitos da mídia
Reproduzo matéria de Brizola Neto, publicada no blog Tijolaço:
O amigão Ápio Gomes, fiel depositário e organizador dos mais de 500 “tijolaços” escritos por Leonel Brizola ao longo de 20 anos, envia-me, a propósito desta polêmica envolvendo a mídia, um texto escrito por meu avô em junho de 1993, 17 anos atrás, portanto.
Leiam e vejam como ele, já então, tinha extrema lucidez sobre o que estamos vivendo com clareza hoje, uma época em que nem todos o percebíamos:
Os novos exércitos
Se quiséssemos caracterizar estes últimos decênios da história humana, sem dúvida, deveríamos chamá-los de idade da mídia, dos meios de comunicação – a propaganda, os jornais, as revistas, as agências e os sistemas de rádio e televisão. Nestes tempos, vem sendo a mais poderosa arma de dominação dos povos, isto é: a servidão consentida, através da mente humana. Tão poderosa que foi capaz de vencer e desintegrar um gigante como a União Soviética.
As máquinas de comunicação, que conquistam e impõem sistemas de dominação e exploração das nações ricas sobre as pobres, são os exércitos e as armadas destes tempos. Têm o poder de criar um ambiente no qual o falso parece verdadeiro.
Por exemplo: o neoliberalismo – que não passa do velho conservadorismo com nova roupagem – é uma doutrina que vem das nações poderosas. É o que convém àqueles países: que as raposas (no caso, elas próprias) passem a ter toda liberdade dentro do galinheiro.
Outro exemplo é o dessas chamadas privatizações, que o futuro irá demonstrar que foi uma época de oligarquias impatrióticas, que promoveram a malversação e o enriquecimento ilícito, em prejuízo do patrimônio público. Tudo sob a mistificação de que privatizar seria a grande solução salvadora para nós, países pobres.
A verdade, entretanto, nunca morre dentro do ser humano, cuja vida, mesmo sob o mais impenetrável dos obscurantismos, é uma busca permanente e até compulsiva deste valor supremo de nossa existência. É uma questão de mais ou menos tempo. A verdade acaba por prevalecer, mesmo quando um avassalador monopólio de comunicação mantém toda uma Nação nas trevas.
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O amigão Ápio Gomes, fiel depositário e organizador dos mais de 500 “tijolaços” escritos por Leonel Brizola ao longo de 20 anos, envia-me, a propósito desta polêmica envolvendo a mídia, um texto escrito por meu avô em junho de 1993, 17 anos atrás, portanto.
Leiam e vejam como ele, já então, tinha extrema lucidez sobre o que estamos vivendo com clareza hoje, uma época em que nem todos o percebíamos:
Os novos exércitos
Se quiséssemos caracterizar estes últimos decênios da história humana, sem dúvida, deveríamos chamá-los de idade da mídia, dos meios de comunicação – a propaganda, os jornais, as revistas, as agências e os sistemas de rádio e televisão. Nestes tempos, vem sendo a mais poderosa arma de dominação dos povos, isto é: a servidão consentida, através da mente humana. Tão poderosa que foi capaz de vencer e desintegrar um gigante como a União Soviética.
As máquinas de comunicação, que conquistam e impõem sistemas de dominação e exploração das nações ricas sobre as pobres, são os exércitos e as armadas destes tempos. Têm o poder de criar um ambiente no qual o falso parece verdadeiro.
Por exemplo: o neoliberalismo – que não passa do velho conservadorismo com nova roupagem – é uma doutrina que vem das nações poderosas. É o que convém àqueles países: que as raposas (no caso, elas próprias) passem a ter toda liberdade dentro do galinheiro.
Outro exemplo é o dessas chamadas privatizações, que o futuro irá demonstrar que foi uma época de oligarquias impatrióticas, que promoveram a malversação e o enriquecimento ilícito, em prejuízo do patrimônio público. Tudo sob a mistificação de que privatizar seria a grande solução salvadora para nós, países pobres.
A verdade, entretanto, nunca morre dentro do ser humano, cuja vida, mesmo sob o mais impenetrável dos obscurantismos, é uma busca permanente e até compulsiva deste valor supremo de nossa existência. É uma questão de mais ou menos tempo. A verdade acaba por prevalecer, mesmo quando um avassalador monopólio de comunicação mantém toda uma Nação nas trevas.
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Marina Silva, a queridinha da mídia
Reproduzo artigo contundente de Emir Sader, publicado no sítio Carta Maior:
De jurásica, ecologista fundamentalista, que travava o desenvolvimento do país, Marina virou a nova queridinha da mídia – lugar deixado vago por Heloisa Helena. Mas o fenômeno é o mesmo: desespero da direita para chegar ao segundo turno e incapacidade de alavancar seu candidato. Daí a promoção de uma candidata que, crêem eles, pode tirar votos da Dilma, para tentar fazer com que a derrota não seja tão acachapante, levando a disputa para o segundo turno e dando mais margem do denuncismo golpista de atuar.
Marina, por sua vez, para se prestar a esse papel, se descaracterizou totalmente, já não tem mais nada de candidata verde, alternativa. Não tem agenda própria, só reage, sempre com benevolência, às provocações da direita, seja sobre os sigilos bancários, a Casa Civil ou qualquer insinuação da direita.
Presta um desserviço fundamental à causa que supostamente representaria: é um triste fim do projeto de construir um projeto verde, uma alternativa ecológica, uma pauta fundada no equilíbrio ambiental para o Brasil. Tornou-se uma candidata vulgar, em que nem setores de esquerda descontentes com outras correntes conseguem se representar.
Uma vez mais uma tentativa de construir alternativa à esquerda deixa-se levar pelo oportunismo. Quantas vezes Marina denunciou o monopólio da mídia privada e seu papel assumido de partido político da oposição? Nenhuma. Quantas vezes afirmou que a imprensa é totalmente alinhada com uma linha radical de oposição, não deixando espaços para a informação minimamente objetiva e para o debate democrático da opinião pública? Nenhuma. Quantas vezes se alinhou claramente com a esquerda contra a direita? Nenhuma.
Nenhuma, porque já não está no campo da esquerda – e os aliados, incluídos os que fazem campanha para o Serra, como Gabeira, entre outros, provam isso. Se situa em um nebuloso espaço da terceira via – refúgio do oportunismo, quando os grandes enfrentamentos polarizam entre direita e esquerda. Nenhuma, porque essa mesma imprensa golpista, monopolista, que a criticava tanto, agora lhe abre generosos espaços para desfilar seu rancor porque não foi a candidata do Lula e vê a Dilma ser promovida a continuadora do governo mais popular da história do país.
Esses 15 minutos de gloria serão sucedidos pela ostracismo, pela intranscendência. Depois de usada, sem resultados, pela direita, Marina voltará ao isolamento, o suposto projeto verde, depois de confirmado o amálgama eleitoreiro que o articulou, desaparecerá, deixando cadáveres políticos pelo caminho.
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De jurásica, ecologista fundamentalista, que travava o desenvolvimento do país, Marina virou a nova queridinha da mídia – lugar deixado vago por Heloisa Helena. Mas o fenômeno é o mesmo: desespero da direita para chegar ao segundo turno e incapacidade de alavancar seu candidato. Daí a promoção de uma candidata que, crêem eles, pode tirar votos da Dilma, para tentar fazer com que a derrota não seja tão acachapante, levando a disputa para o segundo turno e dando mais margem do denuncismo golpista de atuar.
Marina, por sua vez, para se prestar a esse papel, se descaracterizou totalmente, já não tem mais nada de candidata verde, alternativa. Não tem agenda própria, só reage, sempre com benevolência, às provocações da direita, seja sobre os sigilos bancários, a Casa Civil ou qualquer insinuação da direita.
Presta um desserviço fundamental à causa que supostamente representaria: é um triste fim do projeto de construir um projeto verde, uma alternativa ecológica, uma pauta fundada no equilíbrio ambiental para o Brasil. Tornou-se uma candidata vulgar, em que nem setores de esquerda descontentes com outras correntes conseguem se representar.
Uma vez mais uma tentativa de construir alternativa à esquerda deixa-se levar pelo oportunismo. Quantas vezes Marina denunciou o monopólio da mídia privada e seu papel assumido de partido político da oposição? Nenhuma. Quantas vezes afirmou que a imprensa é totalmente alinhada com uma linha radical de oposição, não deixando espaços para a informação minimamente objetiva e para o debate democrático da opinião pública? Nenhuma. Quantas vezes se alinhou claramente com a esquerda contra a direita? Nenhuma.
Nenhuma, porque já não está no campo da esquerda – e os aliados, incluídos os que fazem campanha para o Serra, como Gabeira, entre outros, provam isso. Se situa em um nebuloso espaço da terceira via – refúgio do oportunismo, quando os grandes enfrentamentos polarizam entre direita e esquerda. Nenhuma, porque essa mesma imprensa golpista, monopolista, que a criticava tanto, agora lhe abre generosos espaços para desfilar seu rancor porque não foi a candidata do Lula e vê a Dilma ser promovida a continuadora do governo mais popular da história do país.
Esses 15 minutos de gloria serão sucedidos pela ostracismo, pela intranscendência. Depois de usada, sem resultados, pela direita, Marina voltará ao isolamento, o suposto projeto verde, depois de confirmado o amálgama eleitoreiro que o articulou, desaparecerá, deixando cadáveres políticos pelo caminho.
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