terça-feira, 28 de setembro de 2010

Tiririca e a falsidade ideológica. Só ele?

Por Altamiro Borges

Na semana passada, o Ministério Público Eleitoral de São Paulo denunciou à Justiça, por crime de “falsidade ideológica”, Francisco Everardo dos Santos, vulgo Tiririca, candidato a deputado federal pelo PR. A denúncia foi baseada em entrevista à revista Veja, na qual o humorista disse que declarou à Justiça Eleitoral não ter bens porque colocou todo o seu patrimônio em nome de terceiros, já que responde a processos trabalhistas e movidos por sua ex-mulher.

A candidatura do palhaço Tiririca tem causado burburinho. Segundo pesquisa do Datafolha, ele deve ser o deputado mais votado em São Paulo. Sua campanha realmente é exótica. As inserções na televisão são a negação da política. Daí ele estar sofrendo um forte bombardeio da mídia e de muitos candidatos que temem ficar de fora com o fenômeno Tiririca. Já que o Ministério Público está preocupado com a “falsidade ideológica”, sugiro que ele faça outras denúncias à Justiça:

Outros possíveis criminosos

1. Ele poderia também incluir o presidenciável tucano neste crime. Afinal, José Serra iniciou sua campanha afirmando que seria um “continuador do atual governo”, um “pós-Lula”. Disse que não era “oposição nem situação”. Chegou até a usar uma imagem do presidente no seu programa na televisão. Na sequência, como esta tática não rendeu frutos, Serra partiu para baixaria contra Lula e sua candidata, Dilma Rousseff. Virou porta-voz da direita mais raivosa, fascistóide. Não daria para incluir esta ação, que visa enganar os eleitores, como “crime de falsidade ideológica”?

2. O Ministério Público Eleitoral também poderia investigar vários candidatos demotucanos aos governos estaduais e ao parlamento. Muitos deles evitam colocar em seus materiais de campanha as logomarcas do PSDB ou do DEM e nem sequer citam o nome do presidenciável da coligação. O senador Arthur Virgilio, o mesmo que disse que ia dar “uma surra no Lula”, não mencionou Serra nos primeiros programas na TV. Esta postura mentirosa, de quem teme perder as eleições, também não caracterizaria “crime de falsidade ideológica”, visando ludibriar os eleitores?

3- Por último, o Ministério Público Eleitoral daria enorme contribuição à democracia se também investigasse os “crimes de falsidade ideológica” da chamada grande imprensa. Seus manuais de redação firmam como princípio que será respeitada a pluralidade de opiniões e que os veículos serão pautados pela neutralidade e imparcialidade. Na geral, porém, a maior parte da velha mídia não segue seus manuais. Até as concessionárias públicas, as emissoras de rádio e TV, ferem este princípio. O que se nota é a mais abjeta manipulação, com a mídia assumindo o papel de partido político, de comitê eleitoral do Serra. Além de ferir a Constituição, esta prática não poderia ser qualificada como “crime de falsidade ideológica”, visando manipular os leitores e eleitores?

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Marina será capa da revista Veja?

Por Altamiro Borges

Se bobear, a última edição da revista Veja antes do pleito deste domingo terá estampada na capa uma enorme e simpática foto de Marina Silva. Já o Jornal Nacional, da TV Globo, aproveitará os últimos dias da campanha para expor imagens positivas da candidata. Tudo isto porque a direita ficou animadinha com a última pesquisa Datafolha, que aponta o crescimento da presidenciável verde como única chance possível para forçar o segundo turno das eleições.

O resultado nem é tão alentador assim. Os números variam na chamada margem de erro. Dilma caiu três pontos, Serra ficou estagnado e Marina subiu um ponto, na comparação com a pesquisa anterior do Datafolha. Mas o desespero da direita é tão grande que isto foi suficiente para animá-la. Pouco importa que este instituto, ligado à famíglia Frias, já tenha sido denunciado por fraudar pesquisas para beneficiar o demotucano – tanto que foi apelidado de Datafraude ou DataSerra.

A queridinha da mídia

A direita vai apostar todas as suas fichas na tática de insuflar a candidata verde. Esta é sua única alternativa. No último domingo, Marina Silva foi capa da Folha, abordando um tema tão caro aos falsos moralistas: o “mensalão”. Quando ministra do Meio Ambiente, o mesmo jornal fez várias acusações de corrupção contra a sua gestão. Quase toda semana saiam denúncias nos jornalões envolvendo a sua pasta – na maioria, plantadas por ruralistas devastadores da natureza. Agora, a mídia venal simplesmente arquivou as acusações. Não interessa aos seus propósitos.

Para incendiar a “onda verde”, colunistas ligados à direita agora derramam elogios à ex-ministra. Merval Pereira, Lúcia Hipólito, Josias de Souza e outros enxergam na sua campanha o serra que pode podar o ciclo político aberto pelo presidente Lula. Todos viraram eco-capitalistas, como ironizou o candidato Plínio de Arruda ao criticar a verde. A manobra é escancarada. “A seis dias da eleição, Marina não exibe musculatura eleitoral capaz de içá-la ao segundo turno... Porém, ao escalar sobre Dilma, Marina termina por favorecer José Serra”, confessa Josias de Souza.

Fazendo o jogo da direita

Para quem achava que a sucessão presidencial já estava decidida, os últimos dias da campanha serão de muita emoção e adrenalina. O que está em disputa no pleito não é pouca coisa. O Brasil desperta muitos interesses e a direita não está para brincadeira; não tem nada de verde! Marina Silva só virou a “queridinha da mídia”, segundo alertou o sociólogo Emir Sader, porque ela serve – conscientemente ou não, apesar de que tudo indica que sim – aos interesses dos demotucanos.

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A intoxicação midiática da eleição

Reproduzo artigo do professor João Quartim de Moraes, publicado no sítio Vermelho:

De caso pensado (porque bobos não são), os donos dos jornais e os plumitivos a seu serviço confundem o poder de imprimir com a liberdade de expressão. Nos jornais em que eles mandam, só se escreve o que eles deixam, só se expressa o que eles permitem. As “notícias” que divulgam são tão manipuladas quanto a escolha de seus articulistas e colunistas. A maioria destes defende compactamente, alguns agressivamente, o ponto de vista e os interesses da direita liberal/pró-imperialista.

Como porém a importância de um jornal está diretamente relacionada com o número de seus leitores, os magnatas da mediática“abrem espaço”para opiniões diferentes, persuadindo os ingênuos de que são“pluralistas. Entre os colaboradores mais ou menos (em geral mais para menos do que para mais)“alternativos figuram dois políticos defensores do verde: F. Gabeira e Marina Silva, articulistas da Folha dita branda.

Mas o apoio unânime que Marina tem recebido por parte do cartel mediático não há de ser principalmente motivado pelo desejo de proteger os micos-leões dourados, lobos-guará e outras espécies em extinção. Mesmo porque ela é, como dizem os gringos, "only the second best" da direita bicéfala (PSDEMB). O problema é que o candidato desta, "the first best", continua sem fôlego para subir a serra de um eventual 2º turno; a última esperança da direita é que a candidata da "onda verde" arranque uns pontinhos suficientes para deixar Dilma aquém de 50,01% dos votos válidos, impedindo-a de ser eleita logo no primeiro turno.

Explica-se assim o caráter crescentemente provocador, em alguns casos no limite da histeria, assumido pela campanha do bloco neoliberal. O senador ultra-reacionário Borrausen (ou coisa parecida), que há alguns anos atrás queria "acabar com a raça do PT", agora mandou Lula "lavar a boca", num ato evidente de projeção psicopatológica, já que é ele o especialista em vomitar impropérios. Mas o ataque mais compacto vem da tropa de choque mediática. Criptofascistas, democratas” tartufos, bonecos de mola da direita cavernícola, às ordens dos donos da Veja, da Folha, do Estadão, da Rede Globo et caterva, aceleram a escalada das baixarias e intensificam o fustigamento da candidata apoiada por Lula.

Na campanha presidencial de 2002, Serra apelou sem sucesso para o argumento do medo: se Lula vencesse, voltaria a hiperinflação e com ela o caos econômico e as convulsões sociais. Lula venceu, sem que nenhuma das previsões catastróficas dos urubus da direita tenha se verificado. Em 2010, o candidato da reação neoliberal começou a campanha evitando recorrer ao mesmo método. Mas diante da derrota iminente, ele e sua tropa, com forte apoio dos profissionais da intoxicação mediática, partiram para o ataque histérico. Dez dias antes das eleições de 3 de outubro, esses ventríloquos do medo promoveram duas iniciativas, uma no Rio de Janeiro, outra em São Paulo, com objetivos sombriamente convergentes.

No Rio, o Clube Militar, "preocupado com o panorama político brasileiro", deu um rosnado de alerta, promovendo um Painel com tema sugestivo: "A democracia ameaçada: restrições à liberdade de expressão". Em geral esse Clube se manifesta para defender a impunidade aos torturadores e elogiar o golpe de 1964. Teria mudado de atitude? Infelizmente, não. O ele que pretende é atribuir ao "Foro de São Paulo" a “intenção” de restringir a liberdade de expressão nos países latino-americanos, inclusive no nosso. Os“processos de intenção têm atrás de si uma longa e tenebrosa história, boa parte da qual nos porões da ditadura. Quanto ao fundo, não surpreende que os militares reacionários chamem liberdade de expressão o monopólio exercido sobre os grandes meios de comunicação pelos magnatas da desinformação. Afinal, não são ingratos: não esqueceram do decisivo apoio que esses magnatas prestaram ao golpe de 1964.

Em São Paulo, um pelotão composto, segundo o Estadão (que lhes esposou a causa, se é que não a estimulou) de "juristas, acadêmicos e artistas, além de políticos tucanos", mas integrado também por jornalistas e outros intelectuais da direita, lançou um Manifesto em Defesa da Democracia, que se abre em tom grandiloquente: "Em uma democracia, nenhum dos Poderes é soberano. Soberana é a Constituição, pois é ela quem dá corpo e alma à soberania do povo".

A primeira frase chafurda no óbvio. A segunda apenas exibe a mesquinharia liberal do Manifesto. Contrariamente ao que pretende a direita (tanto a pós-moderna quanto a cavernícola), é o povo que é corpo e“alma da Constituição. Ele é a fonte de todos os poderes, inclusive o poder constituinte originário, o mais fundamental de todos, que é anterior a toda e qualquer instituição. Consta que um dos manifestantes, o jurista Miguel Reale Júnior, chegou a afirmar que "Lula age como um fascista". Que ironia! Nos anos 1930, Miguel Reale Sênior foi um dos principais teóricos do integralismo, versão brasileira do fascismo. Foi nomeado em 1941, em pleno Estado Novo, sob protesto dos estudantes anti-fascistas, catedrático de Filosofia do Direito da mesma Faculdade em que se reuniram os "democratas" do medo.

É exatamente no momento em que o povo se prepara para exercer pelo sufrágio universal a autoridade suprema que lhe cabe sobre a coisa pública que o bloco militar/mediático/liberal faz ressoar as trombetas do Apocalipse. Comprova-se que a única ameaça à democracia provém dos que se consideram ameaçados pelo veredicto das urnas.

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Cláudio Lembo e a mídia engajada

Reproduzo entrevista concedida ao jornalista Bob Fernandes, do Portal Terra:

"Dramático será o dia 4 de outubro, porque não teremos mais partidos políticos, só um movimento social coordenado pelo hoje presidente Lula... A mídia está engajada e tem um candidato, o Serra, com isso se perdeu o equilíbrio e é desse embate que nasce a intranquilidade, mas ela é transitória".

A análise é do ex-governador de São Paulo, Cláudio Lembo, em conversa com o portal Terra na manhã desta quarta-feira (15). Atual secretário municipal dos Negócios Jurídicos de São Paulo, Cláudio Lembo, do DEM, enfrentou uma gravíssima crise: a dos ataques do PCC em maio de 2006, quando era o governador do Estado.

Então, em meio ao embate com o Primeiro Comando da Capital, Lembo disse em entrevista ao Terra Magazine viver um momento de catarse depois de ter sido instado pela burguesia - também “hipócrita - a valer-se do "olho por olho" na reação aos ataques do PCC. Ainda à época desabafou com a colunista Mônica Bergamo:

"Nós temos uma burguesia muito má, uma minoria branca muito perversa".

Quatro anos depois, nova eleição presidencial e o ensaio de uma crise política.

Erenice Guerra, chefe da Casa Civil fustigada por denúncias, assina uma nota oficial e chama José Serra, do PSDB, de "candidato aético e já derrotado". Fernando Henrique Cardoso, ex-presidente da República, evoca o líder fascista Mussolini ao referir-se ao presidente Lula como "chefe de uma facção". Lula, por seu lado, prega “extirpar o DEM”e os Bornhausen, cujo chefe, Jorge, já defendeu um dia "acabar com essa raça", a do PT.

Diante desse cenário, o Terra ouviu o ex-governador de São Paulo. Abaixo, a conversa:

Nas últimas horas, o ex-presidente Fernando Henrique Cardoso evocou Mussolini para se referir ao presidente Lula, o ex-dirigente do DEM, Jorge Bornhausen, aconselhou o presidente Lula a "não ingerir bebida alcoólica antes dos comícios", palavras dele, sendo de Bornhausen a famosa frase sobre o PT, "vamos acabar com essa raça". O presidente agora devolveu falando em "extirpar o DEM", e a chefe da Casa Civil fez uma nota oficial chamando o candidato da oposição de "aético e já derrotado". Como o senhor, experimentado também em crises, vê isso?

É interessante porque a campanha ocorria com normalidade. E abruptamente aconteceram situações novas. Todas, quase todas, nasceram no ventre do próprio governo. Não foi a oposição que criou a complexidade da Casa Civil. Portanto, o que está se vivendo nasce também de equívocos do próprio governo.

Como o senhor interpreta o cenário todo?

É transitório e próprio dos momentos que se aproximam da eleição. Mas o dramático será no dia 4 de outubro.

Por quê?

Porque não teremos mais partidos políticos, só um movimento social coordenado pelo hoje presidente Lula, o que é ruim para a democracia. Ou seja, o partido que é coordenado pelo presidente da República sobreviverá muito mais como movimento social do que como partido, porque ele não é orgânico.

E a oposição?

A oposição terá um resultado mau, muito ruim no pleito, e sai sem voz, sem maior possibilidade de apontar os erros do governo, de ser e fazer oposição. Também por erros da própria oposição.

E o papel da mídia? Qual é, qual deveria ser?

A mídia se engajou, a mídia tem um candidato…

Qual candidato?

O candidato do PSDB, o Serra…

E qual a consequência disso? Isso esquenta a conversa de botequim das últimas horas?

A mída está engajada, tem um candidato que é o Serra e com isso se perdeu o equilíbrio, vem o desequilíbrio, é desse embate que nasce a intranquilidade. Mas ela é transitória. Havendo só um grande vencedor no pleito, que é o movimento social, e estando a mídia engajada como que está disso nasce essa intranquilidade.

Quando se chega a termos como “Mussolini, "candidato aético já derrotado" e "bêbado"...
…”
Isso está fora dos preceitos democráticos e muito além do tom…

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As mentiras midiáticas no Clube Militar

Reproduzo artigo de Mário Augusto Jakobskind, publicado no sítio Direto da Redação:

O Clube Militar serviu de cenário na semana que passou para um espetáculo dos mais deprimentes e que confirmou a quantas anda a saúde do jornalismo de mercado. Lá falaram, sem o menor constrangimento, para um público constituído sobretudo de militares da reserva, a maioria apoiadora do golpe de 64, Merval Pereira, de O Globo, Reinaldo Azevedo, da revista Veja, e um tal de Rodolfo Machado Moura, diretor de Assuntos Legais da Associação Brasileira de Rádio e Televisão (Abert).

Nunca vi tanta mentira e manipulação da informação em um curto espaço de duas horas como o apresentado no Clube Militar. Seria impossível enumerar todas as baboseiras levantadas pelos palestrantes. Algo que depõe contra o jornalismo brasileiro.

Para se ter uma idéia, o amestrado colunista de O Globo afirmou enfaticamente que o eleitorado brasileiro é constituído por “60% de analfabetos funcionais sem condições de discernir entre o bem e o mal”. Elitismo em mais alto grau e com base em informação sabe-se lá de que fonte. Segundo a Pesquisa Nacional por Amostra de Domicílio (PNAD)-2009, o número de analfabetos funcionais no Brasil não ultrapassa os 20%. De onde, então, o cascateiro Merval Pereira tirou esse percentual? Possivelmente do ódio que nutre a quem não aceita o seu ideário e de O Globo.

Merval Pereira, como querendo justificar que a ideologia de seu jornal e demais veículos da mídia de mercado não consegue convencer os brasileiros, culpou os supostos analfabetos “que Lula se aproveita para convencer”, pelo resultado das recentes pesquisas. Para Merval, o “bem” quer dizer votar em José Serra ou Marina Silva. O “mal” é o “outro lado”... Não tem coragem de dizer isso abertamente, mas está implícito.

E tem muito mais. Todos os três palestrantes, sob aplausos dos militares sem comando, usaram uma linguagem de ódio e calúnias sem provas contra Lula e demais integrantes do governo. Não disfarçaram, estavam se sentido em casa, ainda mais com o apoio do Instituto Millenium, uma entidade bancada por empresários, nos moldes de outras criadas antes de 64 para respaldar o golpe.

Merval Pereira, tentando posar de moderado em comparação a Reinaldo Azevedo, que faz o gênero bobo da corte, do tipo que arranca risos com o seu radicalismo patronal, deixou claro sua posição contra a obrigatoriedade do diploma para o exercício profissional chegando a afirmar o absurdo de que se trata de “um viés corporativo” associando a exigência ao desejo do governo Lula em controlar a mídia. Não explicou exatamente o que tem a ver uma coisa com a outra.

Merval desinformou também ao lembrar erradamente que o governo Lula propôs a criação do Conselho Federal de Jornalismo, quando isso não aconteceu. A proposta foi da diretoria da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), sendo rejeitada por mais diversos setores, muitos deles sem conhecer exatamente o projeto. Merval revelou desinformação. Foi um mau jornalista.

O obscuro Azevedo considerou a oposição ao governo Lula “sem vergonha e mixuruca”, confirmando que os meios de comunicação estão ocupando o espaço da oposição, mas, segundo ele, na “defesa da Constituição”. O colunista da revista Veja usou inclusive termos ofensivos ao Presidente Lula, arrancando aplausos.

Há uma visível disputa na extrema direita de qual jornalista consegue mais adeptos. Além do filósofo reprovado por uma banca da USP, Olavo de Carvalho, Reinaldo Azevedo tenta de todas as formas ocupar o espaço, disputado também por Diego Mainardi, hoje, como Olavo de Carvalho, vivendo no exterior. Arnaldo Jabor corre por fora.

Vale ainda um comentário sobre o Instituto Millenium, apoiador do seminário “A democracia ameaçada: restrições à liberdade de imprensa” realizado no Clube Militar. No fundo, bem lá no fundo, empresários que apoiaram a repressão policial na época da ditadura não se conformam com os novos tempos no Brasil e na América Latina. Decidiram então bancar o Instituto Millenium, uma entidade que ressurge do lixo da história do Instituto Brasileiro de Ação Democrática (IBAD), criada para apoiar o golpe de 64.

E qual a associação que se pode fazer entre o referido instituto e os militares sem comando que assistiram o destilar de ódios dos três palestrantes? Empresários financiadores da repressão temem a abertura dos arquivos da época da ditadura que naturalmente vão mostrar oficialmente como agia o setor por detrás do pano, apoiando ações assassinas do Estado, como a Operação Bandeirantes. Como nesta história aparecem também alguns militares que agiram ilegalmente, os financiadores, aí sim verdadeiros culpados, se escondem e colocam na linha de frente alguns militares delinquentes. Nada a ver com a corporação militar.

É por aí que se pode entender a associação entre o Instituto Millenium e os militares que foram ouvir Merval Pereira, Reinaldo Azevedo e o representante da Abert, Rodolfo Machado Moura. Ou seja, vale tudo para alcançar os objetivos, até mentiras como as apresentadas pelos três palestrantes no Clube Militar.

Em tempo: O Estado de S.Paulo abriu o jogo em editorial recomendando voto em José Serra, enquanto a Folha de S.Paulo desancou sobre a candidatura Dilma Rousseff, mas dizendo que não apoia nenhum candidato. Vale então o dito popular: me engana que eu gosto. O Globo até agora nada em editorial, mas em compensação aumenta a quantidade de páginas de críticas a Lula e a Dilma Rousseff.

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segunda-feira, 27 de setembro de 2010

Veja ameaça a democracia. Boicote já!

Por Altamiro Borges

Na sua penúltima edição antes da eleição de domingo, dia 3, a revista Veja voltou à carga contra o governo Lula, com o objetivo de fustigar a candidata Dilma Rousseff e dar uma desesperada e derradeira forcinha ao tucano José Serra. Pela quarta semana consecutiva, a capa do panfleto teve tons terroristas. Ela mostra a estrela do PT rasgando os artigos da Constituição que tratam da liberdade de imprensa. Abaixo da forte imagem, a manchete garrafal: “Liberdade sob ataque”.

Nas três edições anteriores, ela repetiu à exaustão, nos títulos e “reporcagens”, a palavra polvo, acusando a esquerda de envolver o poder público com seus tentáculos - mas não disse nada sobre os fartos recursos públicos que recebeu do governo tucano de São Paulo. A revista destacou o caso do vazamento de sigilos fiscais, numa matéria requentada de setembro de 2009, e fez alarde com as denúncias contra a ministra Erenice Guerra. Nenhuma palavra sobre a quebra do sigilo de 60 milhões de brasileiros, patrocinada pelas filhas de José Serra e o do especulador Daniel Dantas.

O fantasma da “tentação autoritária”

Já na edição desta semana, a revista preferiu encarar a provável derrota do seu candidato para, de quebra, tentar deslegitimar um futuro governo Dilma. O editorial adverte que a democracia corre risco, devido à “concepção de mundo dos atuais governantes petistas em que não cabe o conceito de jornalismo independente. Essa deformação decorre das convicções de alguns que continuam ruminando a idéia totalitária do leninismo”. É o mesmo chavão repetido há oito anos, numa total falta de criatividade. Em 2004, a capa da Veja já rosnava contra a “tentação autoritária” de Lula.

Sem apresentar provas sobre os retrocessos na democracia, a “reporcagem” alardeia “os ataques que o exercício da imprensa livre vem sofrendo no Brasil”. Para ela, a tentação autoritária teria crescido nos últimos dias. “Na semana passada, a brasa voltou a ser atiçada pelo presidente Lula e pelos dirigentes do seu partido, secundados pelo vasto contingente de mercenários recrutados a preço de ouro nos porões da internet”. A famíglia Civita, que se acha acima do Estado de Direito e superior a Deus, não aceita críticas do presidente da República, muito menos dos blogueiros.

Arrogante, raivosa e mentirosa

Após oito anos de ataques raivosos – segundo estudo da PUC/SP, foram mais de quarenta capas contra o governo, muitas delas criminosas, como a que apresentou o presidente com a marca de um chute no traseiro –, a revistinha se faz de vítima. “Lula dedicou a semana a desferir ataques contra a imprensa com uma virulência inédita”. Coitadinha! Arrogante, ela se jacta de “alertar sobre os abusos perpetrados por quem está no poder”. Não faz autocrítica sobre seu apoio ao “caçador de marajás” ou à implantação do destrutivo modelo neoliberal no reinado de FHC.

Raivosa, ela garante que a esquerda já adentrou no “temível pântano da censura... Ao sujar suas botas nesse lodo, Lula se aproxima do que há de pior na política da América Latina. Ele trilha o caminho dos caudilhos e ombreia-se com tiranetes do porte de Hugo Chávez”. Mentirosa, Veja ainda afirma que “nos países democráticos, a liberdade de imprensa não é um assunto discutível, mas um dado da realidade”. Só não fala que nestes países, inclusive nos EUA, existem regras legais para restringir os monopólios no setor e para penalizar as manipulações midiáticas.

Urgência de uma campanha nacional

Com mais esta edição rancorosa, a revista Veja deixa explícito que não dará tréguas a um futuro governo Dilma. Tentará enquadrá-lo, impondo “gente confiável”, como o ex-ministro Antonio Palocci. Caso não consiga, ela jogará todas as suas fichas para desestabilizá-lo e, se possível, derrubá-lo. Este é seu instinto de escorpião. A publicação da famíglia Civita confirma mais uma vez que é avessa à democracia, ao voto popular. Ela sim coloca em risco a liberdade.

Numa democracia, esta revista tem todo o direito de arrotar suas baboseiras golpistas. Da mesma forma, a sociedade tem todo o direito de rejeitar a Veja. A cada dia que passa fica mais evidente a urgência de uma ampla campanha de esclarecimento à população propondo o boicote deste panfleto fascistóide. Aqui vale reproduzir o alerta do intelectual italiano Antonio Gramsci. No artigo “Os jornais e os operários”, escrito em 1916, ele conclamou os trabalhadores a boicotarem a imprensa burguesa. Seu texto poderia servir para a campanha atual de repúdio à revista Veja:

Boicote, boicote, boicote!

“A assinatura de jornal burguês é uma escolha cheia de insídias e de perigos que deveria ser feita com consciência, com critério e depois de amadurecida reflexão. Antes de mais, o operário deve negar decididamente qualquer solidariedade com o jornal burguês. Deveria recordar-se sempre, sempre, sempre, que o jornal burguês (qualquer que seja sua cor) é um instrumento de luta movido por idéias e interesses que estão em contraste com os seus. Tudo o que se publica é constantemente influenciado por uma idéia: servir à classe dominante, o que se traduz sem dúvida num fato: combater a classe trabalhadora. E, de fato, da primeira à última linha, o jornal burguês sente e revela esta preocupação”.

“Todos os dias, pois, sucede a este mesmo operário a possibilidade de poder constatar pessoalmente que os jornais burgueses apresentam os fatos, mesmo os mais simples, de modo a favorecer a classe burguesa e a política burguesa em prejuízo da política e da classe operária. Rebenta uma greve! Para o jornal burguês os operários nunca têm razão. Há uma manifestação! Os manifestantes, apenas porque são operários, são sempre tumultuosos e malfeitores. E não falemos daqueles casos em que o jornal burguês ou cala, ou deturpa, ou falsifica para enganar, iludir e manter na ignorância o público trabalhador. Apesar disso, a aquiescência culposa do operário em relação ao jornal burguês é sem limites”.

“É preciso reagir contra ela e despertar o operário para a exata avaliação da realidade. É preciso dizer e repetir que a moeda atirada distraidamente é um projétil oferecido ao jornal burguês que o lançará depois, no momento oportuno, contra a massa operária. Se os operários se persuadirem desta elementar verdade, aprenderiam a boicotar a imprensa burguesa, em bloco e com a mesma disciplina com que a burguesia boicota os jornais operários, isto é, a imprensa socialista. Não contribuam com dinheiro para a imprensa burguesa que vos é adversária: eis qual deve ser o nosso grito de guerra neste momento, caracterizado pela campanha de assinatura de todos os jornais burgueses: Boicotem, boicotem, boicotem!”.


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Mídia dispara seus últimos cartuchos

Reproduzo artigo de Umberto Martins, publicado no sítio Vermelho:

Na reta final da eleição, desesperada com a possibilidade de vitória definitiva de Dilma no próximo domingo, a mídia golpista “se comporta como um partido político”, conforme observou o presidente Lula, e recorre nesses dias aos últimos trunfos para evitar a derrota no primeiro turno.

Os dois maiores jornais de São Paulo (Estadão e Folha) dedicaram seus principais editoriais do último domingo (26) à crítica ácida contra Lula e Dilma. O veículo da família Mesquita resolveu abrir o jogo e declarou apoio ao candidato tucano, José Serra, no texto intitulado “O mal a evitar”, enquanto o diário da família Frias permaneceu no armário aparentando “independência, pluralidade e apartidarismo editoriais” num texto em que alerta contra supostas ameaças à democracia provenientes do presidente (“Todo poder tem limite”).

Forma e conteúdo

Apesar da diferença de estilo (a Folha sempre foi mais dissimulada, desde a época da “ditabranda”, quando emprestava peruas para a repressão transportar presos políticos), os dois artigos coincidem no conteúdo e no caráter. Ambos são inspirados pela ideologia da velha direita brasileira, recheados de preconceitos, e recorrem a argumentos falsos para encobrir os verdadeiros interesses da classe que representam e defendem.

O Estadão alega que existe uma diferença entre “tomar partido” e agir como partido político ao justificar o apoio à “candidatura de José Serra”, mas os fatos provam o contrário. Monopolizada por um pequeno grupo de famílias burguesas, a grande mídia não é mais nem menos que um instrumento a serviço da direita neoliberal, uma espécie de partido golpista, que manipula fatos, produz factóides, oculta denúncias e não poupa esforços para impedir a vitória das forças progressistas.

As ideias e interesses que orientam as manchetes desses veículos refletem o reacionarismo atávico de parte das classes dominantes brasileiras. Eles não toleram que um político originário da classe operária tenha chegado à Presidência da República, ancorado em forças sociais que sempre estiveram à esquerda do espectro político.

Retrocesso neoliberal

Eles também não se conformam com a postura altiva e soberana do Brasil na diplomacia internacional, que resultou na rejeição e derrota da Alca, no fortalecimento do Mercosul e na priorização das parcerias Sul-Sul em detrimento das relações subservientes com os países imperialistas (Estados Unidos, União Europeia e Japão).

Outros pontos de discórdia são a política de valorização do salário mínimo, o proveitoso diálogo que o governo Lula mantém com os movimentos sociais, o reforço do papel do Estado no desenvolvimento econômico e, mais recentemente, os senões em relação à própria mídia, que não admite críticas e se julga dona absoluta da verdade.

O que está em jogo, por trás do falso moralismo, dos factóides e da conduta do Partido da Imprensa Golpista (PIG), são os interesses de classe dos proprietários desses meios de comunicação, interesses que, em maior ou menor medida, foram ou se julgam contrariados pelo atual governo.

Golpismo

O PIG não quer menos que a restauração do neoliberalismo no Brasil; o retorno à política de privatizações e à diplomacia dos pés descalços; a ressurreição da Alca; a submissão ao FMI; o arrocho fiscal e a redução dos salários; o aumento do desemprego e a repressão e criminalização dos movimentos sindicais.

Com um programa desta natureza, servido ao distinto público numa embalagem enganosa que aparenta a “defesa da democracia e das liberdades”, a campanha insidiosa da mídia hegemônica foi rejeitada e derrotada em 2002 e em 2006. A mensagem das urnas em 3 de outubro não será diferente, a não ser pelo fato de que os prejuízos e as baixas nas fileiras da direita neoliberal, representada na chapa demo-tucano, tendem a ser bem maiores com a definição da peleja já no primeiro turno.

Ao contrário do que alardeia, a mídia golpista não tem apreço pela democracia, muito pelo contrário. A história da posição pró-golpe assumida pelos grandes meios de comunicação em 1964 é amplamente conhecida. O apelo desesperado contra Lula e Dilma também não tem sentido democrático, mas o povo parece mais calejado e vacinado contra a ofensiva midiática. Apesar da credibilidade em baixa, o poder do PIG não deve ser subestimado.

Os últimos cartuchos usados no pleito de 2006 (factóides como imagens com dinheiro apreendidos pela PF) impediram a vitória de Lula no primeiro turno e levaram a disputa a segundo escrutínio, mas a diferença de votos entre Lula e Alckmin foi ampliada. É pouco provável que a história se repita, mas fica para as forças progressistas e para o povo mais uma preciosa uma lição sobre o verdadeiro caráter da grande mídia e o desafio de redobrar os esforços para restringir seu poder e avançar no sentido de uma efetiva democratização dos meios de comunicação no Brasil.

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A falsa neutralidade da imprensa

Reproduzo artigo de Emerson Gabardo, advogado e doutor em Direito, publicado no sítio Carta Maior:

Volta e meia retorna à pauta a questão da “liberdade de imprensa” no Brasil, mesmo quando ela de modo algum está sendo verdadeiramente contestada. O período de eleições fomenta tal discussão, pois qualquer assertiva não elogiosa torna-se digna de uma refutação cuja essência em geral é meramente retórica e desprovida de fundamento. Por um lado, comentários negativos da imprensa ao governo e aos candidatos; por outro, os governantes e candidatos acusam-na de “tendenciosa” ou “ideologicamente comprometida”.

Crítica e crítica da crítica. Nada mais adequado ao espírito republicano, cujo princípio maior é a transparência. Nada mais adequado ao espírito democrático, cujo princípio maior é o debate político. Todavia, o caráter brasileiro é apegado em demasia aos elogios, o que sempre o torna resistente (às vezes agressivamente) a uma postura mais rigorosa e não complacente. É peculiar a manifesta repulsa que um e outro “lado” (mais acentuadamente os próprios órgãos e profissionais da informação, para surpresa geral) demonstram quando criticados – e pior, acusados de “parciais”.

Esta situação é surreal. Imaginar que a imprensa é neutra e axiologicamente independente é algo desejável. Defender que ela assim o seja é uma necessidade imprescindível à democracia. Acreditar nisso, só por ingenuidade ou interesse. Não existe neutralidade de pensamento em qualquer que seja a atividade humana. Já faz algum tempo que os filósofos do Direito desmitificaram a pretensa “neutralidade” dos juízes; todavia, a chamada “imprensa” (e só esta expressão já é carregada de sentido valorativo) resiste de forma peremptória mediante a afirmação de sua condição de superioridade ética e “técnica”.

Bem se sabe, e a história demonstra de forma exemplar, que os meios de comunicação em geral não são, nunca foram, e nunca serão, neutros. E isso em si mesmo não é um defeito, pois onde há humanidade, há também uma identidade forjada entre razão e sensibilidade. O homem não é um “ser cindido”. Sua condição é estar inserido num contexto que o influencia, que o condiciona e que o faz refém de suas preferências, para além de sua vontade.

O problema é quando a falta de auto-crítica e a “sensação de centralidade” faz com que todos os demais setores tornem-se objeto de uma moralidade formalmente estabelecida como a “mais adequada”, haja vista a legitimidade apriorística de um dos mais fortes poderes do Estado e da sociedade civil: a “imprensa”. É ilustrativa a demonstração prosaica da verdadeira aversão que os órgãos de imprensa possuem de terem suas “informações” refutadas. Basta ser feito um teste: é só observar o destaque que se dá à notícia e a ênfase que se confere à correção da notícia quando ela demonstra-se inverídica.

As auto-correções da imprensa são midiaticamente pífias, no geral. Neste sentido, não muito diferentes que aquelas dos governos e políticos em geral. A demonstração do erro é sempre algo doloroso. Para a imprensa é uma situação comumente marginal e desprovida de importância. De todo modo, as situações mais tormentosas ocorrem quando não há efetivamente um erro, mas apenas uma opção por este ou aquele enfoque, por esta ou aquela reportagem, por esta ou aquela expressão, entre esta ou aquela manchete, por este ou aquele editorial.

O tom de manifesto de alguns editoriais, que chegam a usar de verborragia imperativa para repudiar possíveis tentativas de “controle da imprensa”, que na realidade decorrem apenas de factóides típicos de momentos burlescos, chega a ser tão engraçado quanto o tom usual de seus destinatários. Exagero e exagero do exagero: governos, candidatos e imprensa no Brasil padecem do mesmo auto-engano: a certeza de que uns são melhores que os outros e que os limites nunca são destinados para si.

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Reinaldo Azevedo e a "oposição vagabunda"

Reproduzo artigo de Maurício Thuswohl, publicado na Rede Brasil Atual:

O colunista e blogueiro da revista Veja Reinaldo Azevedo afirmou que a imprensa se comporta como verdadeiro partido de oposição no país. A declaração ocorreu durante o debate "A Democracia ameaçada – Restrições à liberdade de expressão", promovido pelo Instituto Millenium no Clube Militar da capital fluminense, na quinta-feira (23). Ele concordou, assim, com a crítica formulada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva no mesmo dia, que criticou a cobertura da mídia às eleições.

Azevedo fez críticas aos partidos políticos de oposição e surpreendentemente concordou com o principal cabo eleitoral de Dilma Rousseff (PT), candidata à Presidência da República. "O Lula, quando diz que a imprensa é o verdadeiro partido de oposição no Brasil, tem razão a sua maneira porque a oposição nesse tempo foi tão mixuruca, tão despolitizada e tão vagabunda que sobrou para a imprensa, não fazer oposição, mas defender o Artigo 5º da Constituição", sustentou. "Não é que exista uma imprensa de direita para um governo de esquerda”, disse.

O debate contou tambem com a presença de Merval Pereira, da Rede Globo, e de Rodolfo Machado Moura, diretor de Assuntos Legais da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert). Diante de uma plateia predominantemente composta por militares da reserva, a tônica das exposições foi a necessidade de prudência e vigilância em relação a um eventual terceiro governo consecutivo de esquerda no Brasil.

As principais "ameaças" à democracia e à liberdade de imprensa apontadas pelos debatedores foram o terceiro Plano Nacional de Direitos Humanos (III PNDH), as mudanças na produção cultural e as conferências setoriais realizadas pelo governo Lula.

Azevedo afirmou ainda que "há risco de mexicanização" da política brasileira. “É evidente que se tem hoje no Brasil a contaminação do processo democrático por teses autoritárias. Se o PNDH for aprovado no governo Dilma, estará instaurada a ditadura no Brasil, é simples", sentenciou.

Uma das preocupações do jornalista é com a possibilidade de a base governista ser ampliada na Câmara dos Deputados e conquistada no Senado. "Ainda mais com um Congresso eventualmente encabrestado, e Lula não esconde que seu objetivo é fazer uma maioria no Senado porque foi o Senado que o impediu de fazer certas coisas. Em tese, ele pode conseguir o que quer, apesar de o PMDB ser muito contraditório", apostou.

O Instituto Millenium foi o organizador, em 1º de março deste ano, do 1º Fórum Democracia e Liberdade de Expressão, um encontro para debater temas semelhantes em São Paulo. Na ocasião, diferentes expoentes da mídia conservadora apresentaram acusações contra o governo Lula, o PT e outros atores sociais. O encontro, na visão de analistas, serviu para organizar a mídia para a cobertura das eleições.

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Estadão foi mais honesto do que a Folha

Por Altamiro Borges

Os jornalões decadentes decidiram apostar todas as suas fichas na última semana da campanha eleitoral para ver se ainda conseguem levar seu candidato ao segundo turno. Neste esforço, o oligárquico Estadão foi até mais honesto do que a falsamente eclética Folha. Em editorial neste sábado, ele confessa o que apenas os ingênuos não sabiam. “Com todo o peso da responsabilidade à qual nunca se subtraiu em 135 anos de lutas, o Estado apóia a candidatura de José Serra”.

Já o jornal da famíglia Frias fez estardalhaço com o seu editorial, publicado na capa do domingo, para novamente mentir. Após condenar o governo Lula, ele tem a caradura de afirmar que “esta Folha procura manter uma orientação de independência, pluralidade e apartidarismo editoriais, o que redunda em questionamentos incisivos durante períodos de polarização eleitoral”. Este falso ecletismo ainda engana muita gente, mas não contém mais a sua irreversível queda de tiragem.

Unidos no reacionarismo

Em ambos os editoriais, porém, fica explícito o reacionarismo destes jornais. Na forma de apoiar seu candidato, eles são diferentes; no conteúdo, eles estão solidamente unidos. O Estadão dedica só sete linhas para bajular o demotucano e nove parágrafos para atacar a gestão de Lula, avaliada como ótima e boa por 80% dos brasileiros. Para o jornal, que resistiu à abolição da escravatura e apoiou o golpe militar de 1964, Lula é “o mal a evitar”, como ele realça já no título do editorial.

O diário da oligarquia paulista, que sempre conspirou contra a democracia, afirma que Lula tem o “mau hábito de perder a compostura quando é contrariado”. Reflexo do que há de mais podre nas elites, ele acusa o operário de presidir um governo “moralmente deteriorado” e de ser “chefe de uma facção”. Ainda afirma que o atual governante “atropela as leis”, logo ele que até hoje se vangloria de ter apoiado o golpe de 1964, que derrubou um presidente democraticamente eleito.

Tentativa de ludibriar os tapados

Diante das críticas de Lula à partidarização da imprensa, o Estadão veste a carapuça. “Há uma enorme diferença entre ‘se comportar como um partido político’ e tomar partido numa disputa eleitoral em que estão em jogo valores essenciais ao aprimoramento se não à sobrevivência da democracia neste país”. Para o jornal, Dilma Rousseff é uma “invenção” de Lula para, “se eleita, segurar o lugar do chefão e garantir o bem-estar da companheirada”. Já o apoio a José Serra se deve à “convicção de que é o que tem melhor possibilidade de evitar um grande mal para o país”.

A declaração de voto do Estadão, em frenética campanha, é escancarada. Já a Folha insiste em se travestir de “neutra e apartidária” para ludibriar os mais tapados. Para ela, a popularidade de Lula reflete “o ambiente internacional favorável aos países em desenvolvimento” e “os acertos do atual chefe do Estado..., que teve o discernimento de manter a política econômica sensata de seu antecessor”. Haja cinismo na leitura sobre a crise mundial e sobre o desastre do reinado de FHC!

O medo da "onda vermelha"

Após fingir reconhecer “os méritos” do atual governo, a Folha mostra suas garras e afirma que o maior perigo “é do enfraquecimento do sistema de freios e contrapesos que protege as liberdades públicas e o direito ao dissenso quando se formam ondas eleitorais avassaladoras, ainda que passageiras”. O jornal teme a vitória de Dilma e, mais ainda, a chamada “onda vermelha”, que pode alterar a correlação de forças no parlamento e nos governos estaduais, pavimentando o caminho para mudanças mais profundas no país.

Arrogante, a Folha se coloca como paladina da ética, que critica as sujeiras de todos os governos – só não explica a brutal diferença no tratamento das maracutaias dos governantes tucanos. Para quem já esteve envolvida em denúncias de corrupção, como no famoso caso da estação Júlio Prestes, é muita petulância. Já os seus discursos sobre os riscos à democracia, lembram muito os do finado Octávio Frias, patrono do jornal e dono da rodoviária, às vésperas do golpe de 1964.

Censores e golpistas falam em democracia

No final, o editorial rosna uma advertência. Ameaça os que tentarem “o controle da imprensa”. É pura bravata de um jornal decadente e decrépito. Serve apenas para atiçar os apetites golpistas de alguns saudosos da ditadura, como o general Renato César Tibau, que afirmou no seminário do Clube Militar, na semana passada, que “os militares de todos os tempos, da ativa e da reserva” estão preparados para “defender a democracia”. Como se observa, a democracia, palavra tão vilipendiada, está na boca dos censores, torturadores e de alguns golpistas da velha mídia.

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A boca suja de Merval Pereira

Reproduzo artigo de Miguel do Rosário, publicado no blog Oléo do Diabo:

O principal colunista político das Organizações Globo, Merval Pereira, registrou em sua coluna a manifestação da juventude diante do Clube Militar. Mais uma vez, parabéns Monique Lemos, presidente da UJS-RJ, e Theófilo Rodrigues, secretário de Formação da UJS. Também devo cumprimentar o candidato a deputado estadual, Igor Bruno, o mais importante quadro do movimento estudantil do Rio de Janeiro, que na verdade foi quem fez toda a articulação para que o protesto acontecesse.

O homem (Merval) sentiu o tranco. Eles todos (os golpistas) sentiram, de maneira que o protesto realmente teve importância política e histórica. Infelizmente, Merval não se conteve e fez acusações ofensivas e caluniosas a nós, os blogueiros; é uma honra, porém, sermos chamados, por esses golpistas, para a linha de frente da guerra.

Trecho de artigo do Merval:

"Na mesma quinta-feira em que se anunciava a manifestação de sindicatos 'pelegos' contra a liberdade de expressão, participei no Clube Militar do Rio, em companhia de Reinaldo Azevedo e de um representante da Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), de um painel sobre as ameaças à liberdade de expressão.

O único tumulto havido foi provocado por um pequeno grupo de manifestantes em frente ao Clube Militar, protestando contra o que classificavam de 'hipocrisia' dos militares defendendo a democracia.

Na sala lotada, não houve uma só manifestação de radicalização política, e o consenso foi de que é preciso ficar atento permanentemente às tentativas do governo de controlar os meios de comunicação, seja através de projetos que criem conselhos cuja função específica seria tutelar a imprensa, seja através de constrangimentos comerciais que criem problemas financeiros às empresas jornalísticas independentes.

Ao mesmo tempo, o governo monta a sua sombra e à custa do erário público uma cadeia de blogs e de jornais e televisões, inclusive a estatal, para garantir um noticiário favorável a suas ações".


Esse trecho, repleto de mentiras, merece alguns esclarecimentos:

Os sindicatos “pelegos” a que se refere Merval são simplesmente os maiores do país, os mais organizados, independentes e poderosos. Cumpre notar que praticamente todos os sindicatos do país, não patronais, apoiam Dilma Rousseff e, portanto, na visão partidária de Merval, todos são “pelegos”. Lembro que em 1964, os defensores do golpe também usavam o mesmo adjetivo contra os sindicatos que apoiavam Jango. O tempo passa, o tempo voa, e o golpismo do jornal Globo continua numa boa.

Evidentemente não foi um evento “contra a liberdade de expressão” e sim a favor dela. Volte para o sanduichinho da mamãe, Merval.

O governo não montou nenhuma “cadeia de blogs” à custa do erário público, Merval. Mas sabe que você está dando uma ótima idéia? Seria uma honra ser pago pelo governo que ajudei a eleger com meu voto e minhas idéias para atacar golpistas antidemocratas como você. Esse tipo de acusação tem como o objetivo fomentar em nós constrangimentos éticos que, eu sei, você não tem. Você pode receber dinheiro por esse trabalhinho sujo que você faz, para um jornal que defendeu o golpe de Estado de 1964 e ainda defende, através de sua voz, golpes de Estado na América Latina (não esqueço sua defesa do golpe em Honduras). Eu poderia muito bem receber para ser um contraponto a posições como a sua.

Mas não é o caso. Tenho blog há oito anos e nunca recebi um centavo. Nem conto com isso. Sou um pequeno empresário do setor privado, sustentado por meu trabalho independente, por minhas traduções, alguns freelancers (para o setor privado) e assinaturas da Carta Diária. Mas rechaço veementemente sua malignidade contra jornalistas ou blogueiros que porventura tenham contratos com o governo, porque você omite o fato do governo ser uma entidade democrática, cujo poder emana do povo. O que o governo faz, portanto, é também uma decisão soberana e democrática do povo brasileiro.

O presidente da República seria um patrão muito mais digno do que os golpistas – cujas botas você lambe – que se enriqueceram à custa da liberdade e do sangue dos brasileiros. Por isso, lave a boca antes de falar na blogosfera, e se for falar em liberdade de expressão aplique antes água sanitária.

Sei muito bem que você deseja que gente como eu morra de fome. Não será tão fácil, meu caro. Ainda estamos no comecinho de nossa luta e de nosso amadurecimento. As lutas de hoje são apenas um exercício. A roda do mundo girou, Merval, e se eu fosse você tomava cuidado para não ser esmagado.

Por outro lado, eu entendo como elogio o fato de você nos acusar de receber dinheiro público. É que você está tão impressionado com a qualidade de nosso trabalho que não concebe como podemos não sermos profissionais regiamente pagos. Pois é, Merval. Para você ver como blogueiro sofre. Mas eu não reclamo. Nunca me senti tão livre, tão feliz, tão forte. Quanto ao dinheiro, a gente está pensando nesse problema.

Não somos ascetas loucos nem ingênuos nem tolos nem masoquistas. Precisamos de dinheiro. Estamos nos organizando para isso. Eu estou me organizando para isso. Se já incomodamos tanto sendo essa legião de blogueiros duros, imagine quando tivermos algum recurso em mãos? Alguém (provavelmente bem empregado) poderia dizer que aí perderemos nosso elan libertário, ao que respondo que a falta de dinheiro não faz de ninguém libertário; ao contrário, somos independentes apesar da falta de recursos; com eles (recursos), seremos ainda mais. Viva a blogosfera!

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Qual a origem do ódio do Estadão?

Reproduzo artigo de Marcelo da Silva Duarte, publicado no blog La Vieja Bruja:

Um editorial que poderia ter entrado para a história recente da democracia brasileira como exemplo de amadurecimento da liberdade de expressão, respeito ao processo eleitoral e à cidadania, acabou revelando todo o ódio de classe que a elite paulista nutre pelo projeto político petista para o Brasil.

Todo partido político tem direito a um projeto de governo. O PSDB de José Serra e Fernando Henrique Cardoso planejava, em 20 anos, fazer com que o Brasil esquecesse a era Vargas. Escolheu, para viabilizá-lo, a despeito do substantivo composto “social-democracia” em sua sigla, mero embuste semântico, o pensamento neoliberal.

O conceito de modernização com o qual o PSDB trabalhava nos anos FHC passava, necessariamente, pelas teses enunciadas pelo Consenso de Washington. O projeto tucano de desenvolvimento traduziu tal aparente consenso pela (i) estabilização macroeconômica via superávit fiscal, à custa do sucateamento dos serviços públicos, pela (ii) tentativa de realização das ditas reformas estruturais, traduzidas pelas (a) privatizações – que entregaram à iniciativa privada, diga-se de passagem, a preço de banana, a Vale do Rio Doce, destino do qual se safou, por pouco, a hoje primeira maior empresa petrolífera do mundo em lucro sobre faturamento, a Petrobras –, pela (b) redução do papel e da atividade normativa do Estado na economia – dinossauro ao qual recorreram, na recente bancarrota mundial, 9 entre 10 economistas antes neoliberais – e desregulamentação do mercado financeiro, a fim de atrair, pela terceira maior taxa de juros da economia mundial, o que também freava o consumo e mantinha a inflação sob controle, o capital especulativo internacional – grande responsável pela referida bancarrota –, e, por fim, pela (iii) retomada do investimento via iniciativa privada, donde a concentração de renda e de capital na mão de setores empresariais e a tentativa, incompleta, de quebra da coluna vertebral do sindicalismo via flexibilização das leis trabalhistas, o que praticamente anularia seu poder de barganha pela formação de um exército de mão-de-obra de reserva, a chamada “taxa natural” de desemprego.

A mídia oligárquica brasileira, no entanto, não viu maiores problemas na tentativa de continuidade, com José Serra, em 2002, do referido projeto, que, ao fim e ao cabo, ressuscitava a mítica “mão invisível do mercado”. Não se falou, em nenhum momento, em “paixão pelo poder”, no risco de se deixar “a máquina do Estado nas mãos de quem trata o governo e o seu partido como se fossem uma coisa só” e, muito menos, em “escolha dos piores meios para atingir seu fim precípuo: manter-se no poder”.

Ora, o Partido dos Trabalhadores tem tanto direito de escolher um projeto nacional quanto o PSDB. Esse projeto, ancorado, essencialmente, na (i) busca de uma política monetária capaz de equilibrar desenvolvimento e poder aquisitivo – nunca o Brasil cresceu e gerou tantos empregos formais quanto nos últimos oito anos, e nunca tantos cidadãos consumiram tanto -, na (ii) dignidade humana, através do resgate da cidadania via políticas públicas de inclusão social e distribuição de renda – nunca tantos cidadãos, antes condenados ao subemprego ou preteridos por raça, estudaram e prosperaram tanto, e nunca tantos cidadãos, antes condenados a viver abaixo da linha de pobreza, hoje possuem o básico para a conquista de sua autonomia –, na (iii) independência e no protagonismo de sua política externa e, sobretudo, no (iv) respeito ao Estado Democrático de Direito – nunca Imprensa, Legislativo, Polícia Federal e Judiciário, p. ex., foram tão respeitados quanto no governo Lula –, é tão legítimo quanto o tucano. E ele não só tem 80% de aprovação popular como, também, segundo as principais pesquisas, será reeleito, em primeiro turno, para um terceiro mandato.

Por que, então, tanta raiva? Qual a origem desse ódio, que vê na figura do Presidente “um chefe de Estado que despreza a liturgia que sua investidura exige e se entrega descontroladamente ao desmando e à autoglorificação”; que enxerga um chefe de Estado que, por supostamente “ignorar as instituições e atropelar as leis”, serve de mau exemplo à cidadania, este, por certo, se fosse o caso, um “mal a evitar”? Como o Estadão enxerga um mau exemplo num sujeito reeleito democraticamente e com 80% de aprovação popular, que mal consegue andar, onde quer que vá, mesmo em meio a uma dúzia de seguranças? Como um editorial pode ser tão estreito a ponto de sustentar que o objetivo maior do projeto político petista é assegurar “o bem-estar da companheirada”? Por que o Estadão não alertou o Brasil, em 2002, que o projeto de governo tucano objetivava perpetuar-se no poder a fim de assegurar “o bem-estar da tucanagem”?

A origem de tamanho rancor não pode ser, simplesmente, a falácia de que a democracia precisa ser oxigenada através da rotatividade no Poder. Se tal tese carregasse consigo alguma necessidade, não teríamos como livrar a humanidade da estupidez absoluta, uma vez que não haveria explicação para cada Estado Nacional não estampar, no primeiro artigo de sua Carta Máxima, a exigência de que nenhum partido político pudesse ocupar, por duas vezes seguidas, qualquer posição executiva, condão da prosperidade, da harmonia e do desenvolvimento. Sequer eleições seriam necessárias, uma vez que, nesse melhor dos mundos possíveis, bastaria, candidamente, estabelecer-se uma ordem sucessória entre os diversos postulantes aos cargos executivos. Tal como a “mão invisível do mercado” regula a economia e distribui, equitativamente, toda a riqueza produzida, assim agiria, na política, essa espécie de “democracia natural”.

Qualquer analista político é capaz de perceber, numa leitura superficial, que há qualquer coisa, no editorial do Estadão, mas menos uma defesa sistemática da candidatura de José Serra à Presidência da República. Com todo o peso da responsabilidade à qual nunca se subtraiu em 135 anos de lutas, os argumentos do Estado de São Paulo oscilam entre o nada – os supostos méritos do candidato José Serra -, coisa nenhuma – seu currículo exemplar de homem público – e o vazio absoluto – o que ele pode representar para a recondução do País ao desenvolvimento econômico e social pautado por valores éticos.

A verdadeira preocupação do Estadão, ao fim e ao cabo, reduz-se à bisonha e esotérica convicção “de que o candidato Serra é o que tem melhor possibilidade de evitar um grande mal para o País”.

Sim, pois “o que estará em jogo, no dia 3 de outubro, não é apenas a “continuidade de um projeto de crescimento econômico com a distribuição de dividendos sociais”, já que isso - algo que, estranhamente, as elites brasileiras não foram capazes de fazer em 500 anos – “todos os candidatos têm condições de fazer”. O que o eleitor decidirá de mais importante, segundo o Estadão, não é a continuidade ou não do projeto petista de desenvolvimento, mas sim “se deixará a máquina do Estado nas mãos de quem trata o governo e o seu partido como se fossem uma coisa só, submetendo o interesse coletivo aos interesses de sua facção”.

A defesa da candidatura Serra, ensaiada em meio parágrafo, portanto, perde-se num mar de generalidades, e tanto quanto os tímidos elogios às políticas públicas implementadas pelo atual governo – todas elas, diga-se de passagem, relacionadas à era FHC, e não méritos petistas –, desaparece diante do ódio destilado contra a possibilidade de continuidade, com Dilma Rousseff, do projeto petista de desenvolvimento. A impressão que fica não pode ser outra senão a de que a defesa da candidatura oposicionista serve de mero pretexto para o ataque raivoso ao projeto situacionista. Não se trata de um editorial a favor da candidatura José Serra, mas sim contra Lula, o PT e tudo que seu projeto possa representar.

O Estado de São Paulo tem todo o direito – até o dever, alguns dirão – de posicionar-se a favor da candidatura Serra e mesmo contra a petista, desde que apresente bons argumentos em nome da primeira e razoáveis em relação à segunda, uma vez que é público e notório que o projeto petista não é imune a críticas. Só não pode supor que um bom argumento passa, necessariamente, pela desqualificação alheia gratuita.

Do contrário, ao invés de respeito, não conseguirá nada além de transmitir a impressão de que trata o interesse público e seu interesse empresarial como se fossem uma coisa só, submetendo a democracia aos interesses de sua facção. Um jornal que despreza a liturgia que sua investidura exige ao personalizar o debate público e se entrega, descontroladamente, ao desmando e à autoglorificação, não faz mais do que ignorar as instituições e atropelar as leis, deste modo servindo de mau exemplo à cidadania. O Estadão parece ter feito a escolha dos piores meios para atingir seu fim precípuo: manter-se no poder ao lado de nossos velhos conhecidos da mídia oligárquica, desse modo garantindo o bem-estar da companheirada.

Este é o mal a evitar.

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