terça-feira, 29 de março de 2011

José Alencar: a morte de um guerreiro

Reproduzo matéria de Dayanne Sousa, publicado no sítio Terra Magazine:

Morreu nesta terça-feira (29), aos 79 anos, o ex-vice-presidente da República, José Alencar. Ele estava internado na UTI do Hospital Sírio Libanês, em São Paulo, desde segunda (30) com quadro de suboclusão intestinal.

Alencar havia sofrido um infarto agudo do miocárdio em novembro e foi submetido a um cateterismo. Foi internado e liberado com saúde. Seu estado piorou, porém, nesta segunda.

O vice-presidente tem um histórico de luta contra o câncer. Já passou por uma série de cirurgias desde 1997, quando foram identificados pela primeira vez tumores, nos rins e no estômago. Nesta semana, passava mais uma vez por sessões de quimioterapia. "Hoje não existe um paciente de câncer que não o veja como um exemplo", escreveu o diretor do centro de oncologia do Sírio Libanês, Paulo Hoff num perfil de Alencar para a Revista Época, que o elegeu um dos cem homens mais influentes do País.

Medo da morte

Foram 13 anos enfrentando o câncer e 18 cirurgias. Em 2009, Alencar passou por um dos momentos mais delicados do tratamento. Foi submetido a uma cirurgia de 18 horas para retirada de tumores da região do abdome. A recuperação rápida surpreendeu os médicos. Terno alinhado, cadeira de rodas, recém-saído do quarto de hospital, declarou em coletiva: "Não tenho medo da morte".

Biografia

José Alencar Gomes da Silva nasceu em 17 de outubro 1931 na cidade de Muriaé, em Minas Gerais. Ele exercia o segundo mandato de vice-presidente da República, posto que ocupa desde 2003 durante os dois mandatos do presidente Luis Inácio Lula da Silva.

Alencar foi senador por Minas Gerais entre 1998 e 2002. Era também empresário: em 1967, em parceria com o empresário Luiz de Paula Ferreira, fundou, na cidade mineira de Montes Claros, a Companhia de Tecidos Norte de Minas, Coteminas.

BBB-11 termina; abusos da Globo continuam

Reproduzo artigo de Brizola Neto, publicado no blog Tijoçalo:

Mais cedo postei artigo (insuspeito, de um dirigente de bancomultinacional) falando do peso da educação no desenvolvimento chinês.

Agora, antes de almoçar, leio uma matéria que seria irônica, se não fosse trágica.

E, também, no insuspeitíssimo O Globo.

É que o blog do Big Brother, certamente por distração de seus mentores, publica a seguinte informação:

“Na quarta-feira, 30 de março, existirão 169 ex-integrantes do “Big Brother Brasil”. Um número que chama atenção ao ser posto, lado a lado, ao de profissionais com carteira assinada em algumas atividades regulamentadas pelo Ministério do Trabalho: hoje, no Brasil, existem 18 geoquímicos, 34 oceanógrafos, 77 médicos homeopatas e 147 arqueólogos, entre outros ofícios. No entanto, na mesma quarta, alguém estará R$ 1,5 milhão mais rico (ou menos pobre, dependendo do ponto de vista), e não será um desses trabalhadores.”

Pois é. Mas o que o “brother” vai ganhar é nada, perto do que a Globo fatura. Ano passado foram R$ 300 milhões; em 2011, estima-se, R$ 400 milhões. E fatura porque as grandes empresas pagam para patrocinar.

Não tenho notícia de uma grande empresa patrocinando uma universidade. Não tenho notícia de uma multinacional investindo na formação de oceanógrafos, ou de arqueólogos, ou de homeopatas, ou geoquímicos.

Nem vejo os nossos gloriosos colunistas dizendo que as empresas devem ter uma função social, como prevê, desde 1946, a nossa Constituição.

Nada contra as moças e rapazes que estão ali tentando um lugar ao sol que, em nosso país, durante décadas, nos acostumamos a não merecer pelo estudo, pelo trabalho, pela austeridade. “Faz parte”, como dizia o bordão de um ex-”brother”.

Mas tudo contra o império do interesse comercial moldando, a seu bel-prazer, um comportamento social marcado pela competição a qualquer preço, pelo exibicionismo, pelo vazio, para embolsar milhões.

Sempre é bom repetir o que diz o artigo 221 de nossa Constituição:

A produção e a programação das emissoras de rádio e televisão atenderão aos seguintes princípios:

I – preferência a finalidades educativas, artísticas, culturais e informativas;

II – promoção da cultura nacional e regional e estímulo à produção independente que objetive sua divulgação;

III – regionalização da produção cultural, artística e jornalística, conforme percentuais estabelecidos em lei;

IV – respeito aos valores éticos e sociais da pessoa e da família.

É por isso que quando a Globo fala em princípios, em educação, em trabalho honesto, em respeito ao ser humano, o cheiro da hipocrisia se espalha no ar.

Dilma e a mídia: Não morder a isca

Reproduzo artigo de Emiliano José, publicado no sítio da revista CartaCapital:

Antes que fossem concluídos os 30 dias do governo Dilma, estabeleceu-se, em alguns órgãos da mídia hegemônica, um curioso debate em torno da personalidade da presidenta, descoberta agora como uma mulher decidida, capaz, com um estilo próprio, e simultaneamente, o discurso de que ela rompia com o estilo Lula, e que isso seria muito positivo. Deixava sempre trair o profundo preconceito contra Lula, pela comparação entre uma presidenta letrada (que cumprimenta em inglês a secretária Hillary Clinton…) e o outro, com seu português, essa língua desprezível. Não se sabe se seriam esquizofrenias da mídia hegemônica, ou táticas confluentes destinadas a diminuir o extraordinário legado do presidente-operário e a camuflar a continuidade de um mesmo projeto político.

Não custa tentar avaliar essa operação. Durante a campanha, a mídia seguiu a orientação de que Dilma era uma teleguiada, incapaz de pensar por conta própria. No governo, como era inexperiente, seria manipulada por Lula. Bem, ocorre que foi eleita. O que fazer diante da esfinge? Nos primeiros momentos, cobra que ela fale o tanto que Lula falava. Dilma, que tem estilo próprio, ao contrário do que a mídia dizia, seguia adiante, sem subordinar-se às cobranças. Toca o governo com toda firmeza, que é o que importa. Não se rende às expectativas midiáticas, sinal de uma personalidade forte, muito distante da figura de fácil manipulação que se tentou esculpir antes.

As coisas estão no mundo, minha nega, só é preciso entendê-las, é Paulinho da Viola. A mídia não raramente passa batida diante das coisas que estão no mundo. Ou tenta dar a interpretação que lhe interessa sobre a realidade já que de há muito se superou a idéia de um jornalismo objetivo e imparcial por parte de nossa mídia hegemônica. Todo o esforço para separar Lula e Dilma é inútil. Parece óbvio isso. Mas, não para a mídia. Ela prossegue em sua luta para isso. Lula e Dilma, e lá vamos nós com obviedades novamente, são diferentes. Personalidades diversas. E o estilo de um e de outro naturalmente não são os mesmos. O que não se pode ignorar é que Dilma dá continuidade ao projeto político transformador iniciado com a posse de Lula em 2003. Essa é a questão essencial.

Dilma seguirá com as políticas destinadas a superar a miséria no Brasil, tal e qual o fez Lula nos seus oito anos de mandato, coisa que até os adversários reconhecem, e o fazem porque as evidências são impressionantes. Mexeu-se para melhor na vida de mais de 60 milhões de pessoas, aquelas que saíram da miséria absoluta e as que ascenderam à classe média. Agora, a presidenta pretende aprofundar esse caminho, ao situar como principal objetivo de seu mandato combater a miséria absoluta que ainda afeta tantas pessoas no Brasil. Essa é a principal marca de esquerda desse projeto: perseguir a idéia de que é possível construir, pela ação do Estado, um país mais justo, que seja capaz de estabelecer patamares dignos de existência para a maioria da população. O desenvolvimento tem como centro a distribuição de renda, e o crescimento econômico deve estar a serviço disso. Aqui se encontram Dilma e Lula. O resto é procurar pêlo em ovo.

A terrorista cantada em prosa e verso pela mídia durante a campanha virou agora a heroína dos direitos humanos, e nós saudamos a chegada da mídia na defesa dos direitos humanos quando se trata de outros países. Que maravilha, do ponto de vista de pessoas que amargaram tortura e prisão no Brasil, ver a presidenta recebendo as Mães da Praça de Maio na Argentina e se emocionando com elas. E condenando qualquer tipo de violação dos direitos humanos no mundo.

No caso da mídia, seria muito positivo que ela também apoiasse a instalação da Comissão da Verdade para apurar a impressionante violação dos direitos humanos no Brasil durante a ditadura militar. Foi Lula que encaminhou o projeto da Comissão da Verdade, apoiando proposta do então ministro Paulo Vannuchi. As últimas eleições consagraram o projeto político desse novo Brasil que começou em 2003. Dilma está sabendo honrar a confiança que foi depositada nela, uma digna sucessora de Lula.

A mídia não descansará em seus objetivos. O de agora é o de tentar desconstruir Lula, tarefa que, cá pra nós, é pra lá de inútil pela força não apenas do carisma extraordinário do ex-presidente operário, mas pelo significado real das políticas que ele conseguiu levar a cabo, mudando o Brasil pra valer. Com esse objetivo, a desconstrução de Lula, elogia Dilma e destrata Lula. Este, naturalmente, não está nem aí. Sabe que a mídia hegemônica nunca gostou dele, nunca vai gostar. Ele é uma afronta às classes conservadoras, às quais a mídia hegemônica pertence. A existência dele como o mais extraordinário presidente de nossa história afronta a consciência conservadora. Ele seguirá seu caminho de militante político, cujos compromissos políticos sempre estiveram vinculados ao povo brasileiro, às classes trabalhadoras de modo especial, às multidões.

O segundo passo, mesmo que não consiga nada com o primeiro, que seria desconstruir Lula, será o de vir pra cima da presidenta, que ninguém se engane. Nós não temos o direito de nos iludir. As classes conservadoras mais retrógradas não podem aceitar um projeto como este que vem sendo levado a cabo desde 2003, quando Lula assumiu. A mídia hegemônica integra as classes conservadoras, é a intérprete mais fiel delas. Por isso, não cabe a ninguém morder essa isca. As diferenças de estilo entre Lula e Dilma são positivas. E é evidente que uma nova conjuntura, inclusive no plano mundial, reclama medidas diferentes, embora, como óbvio para quem quer enxergar as coisas, dentro de um mesmo projeto global de mudanças do País, sobretudo com a mesma idéia central de acabar com a miséria extrema em nossa terra. O povo brasileiro sabe o quanto recolheu de positivo do governo Lula. E tem consciência de que estamos no mesmo rumo sob a direção da presidenta Dilma. Viva Lula. Viva Dilma.

* Emiliano José é jornalista, escritor, deputado federal (PT/BA).

segunda-feira, 28 de março de 2011

Deputados debatem “mídia e democracia”

Por Altamiro Borges

Nesta sexta-feira, dia 1º, às 19 horas, no auditório do Sindicato dos Bancários de São Paulo (Rua São Bento, 413), o Centro de Estudos Barão de Itararé promoverá o debate “Mídia, regulação e democracia”. Já estão confirmadas as presenças de cinco deputados federais: Emiliano José (PT/BA), Luiza Erundina (PSB/SP), Brizola Neto (PDT/RJ), Jandira Feghali (PCdoB/RJ) e Ivan Valente (PSOL/SP).

Beto Richa persegue blogueiro do Paraná

Reproduzo matéria de André Cintra, publicada no sítio do Barão de Itararé:

Não é por “problemas técnicos” que, volta e meia, o blog do jornalista Esmael Morais (http://esmaelmorais.com.br) sai do ar. A página, uma das mais influentes do Paraná, sofre ataques à margem da lei do governador Beto Richa (PSDB) — que não suporta a publicação de nenhum tipo de crítica ou mesmo notícia que lhe seja desfavorável.

Araguaia: militares ordenam “eliminação”

Reproduzo matéria publicada no sítio da revista CartaCapital:

Os resquícios da ditadura no Brasil ainda atormentam quem sofreu ou perdeu alguém da família ou amigo. Após mais de 20 anos do fim do regime militar, documentos do Comando da Marinha, datados de 1972, mostram a frieza dos repressores. A ordem dos militares era a de matar os integrantes da Guerrilha do Araguaia.

A ação era chamada de Operação Papagaio – uma ofensiva das Forças Armadas contra o grupo de militantes de esquerda criado pelo PCdoB – e confirma relatos de testemunhas de que comunistas foram mortos mesmo depois de presos.

De acordo com a reportagem da Folha de S.Paulo publicada neste domingo, 27, a documentação, que era confidencial até 2010, foi liberada para consulta pública.

Leia alguns trechos dos documentos abaixo:

“A FFE [Força dos Fuzileiros da Esquadra] empenhará um grupamento operativo na região entre Marabá e Araguaína para, em ação conjunta com as demais forças amigas, eliminar os terroristas que atuam naquela região”, afirmam duas “diretivas de planejamento”.

“Impedir os terroristas que atuam na margem daquele rio de transporem-no para a margem leste, eliminando-os ou aprisionando-os”.

Metrô de S.Paulo: a interminável Linha 4

Reproduzo artigo de Antonio Martins, publicado no sítio Outras Palavras:

Os jornais de São Paulo deram grande destaque, no início da semana, a uma boa iniciativa da Companhia do Metrô: a reforma de trens em uso há trinta anos. As primeiras unidades reformadas entram em operação esta semana. Custam entre 30% e 40% a menos. Evitam que se produza um descarte monstruoso.

Stédile e os desafios do MST

Reproduzo entrevista publicada no jornal cearense O Povo:

João Pedro Stédile, fundador e um dos coordenadores nacionais do Movimento dos Trabalhadores Sem Terra (MST), passou na última terça-feira por Fortaleza. Coisa rápida, para cumprir agenda intensa, que incluiu uma série de reuniões internas, uma audiência com o governador Cid Ferreira Gomes (PSB) e palestra no auditório do Centro de Formação Frei Humberto, no Pio XII.

EUA despejam urânio empobrecido na Líbia

Reproduzo reportagem de David Wilson, publicado no sítio Diário Liberdade:

"Os mísseis que levam pontas dotadas de urânio empobrecido se ajustam com perfeição à descrição de bomba suja... Eu diria que é a arma perfeita para assassinar montões de pessoas". Marion Falk, especialista em física química (aposentada), Laboratório Lawrence Livermore, Califórnia, EUA.

Nas primeiras 24 horas do ataque contra a Líbia, os B-2 dos EUA despejaram 45 bombas de 2000 libras de peso cada uma [algo menos que 1000 quilos]. Estas enormes bombas, junto com os mísseis Cruise lançados desde aviões e barcos britânicos e franceses, continham ogivas de urânio empobrecido.

O urânio empobrecido é o produto de resíduos do processo de enriquecimento de urânio. Utiliza-se nas armas e reatores nucleares. Devido ser uma substância muito pesada, 1,7 mais densa que o chumbo, é muito valorizado no exército por sua capacidade para atravessar veículos blindados e edifícios.

Quando uma arma que leva uma ponta de urânio empobrecido golpeia um objeto sólido, como uma parte de um tanque, penetra através dele e depois explode formando uma nuvem candente de vapor. O vapor se assenta como poeira, uma poeira que não só é venenosa, mas também radioativa.

Um míssil com urânio empobrecido quando impacta queima a 10.000ºC. Quando alcança um objetivo, os 30% se fragmenta em estilhaços. Os 70% restantes se evaporam em três óxidos altamente tóxicos, inclusive o óxido de urânio. Esta poeira negra permanece suspensa no ar, e dependendo do vento e do clima, pode viajar sobre grandes distâncias.

Se vocês pensam que o Iraque e a Líbia estão muito longe, lembrem-se que a radiação de Chernobyl chegou até o País de Gales no Reino Unido. É muito fácil inalar partículas de menos de 5 mícrons de diâmetro, que podem permanecer nos pulmões ou em outros órgãos durante anos.

Esse urânio empobrecido inalado pode causar danos renais, cânceres de pulmão e ossos, transtornos na pele, transtornos neurocognitivos, danos cromossômicos, síndromes de imunodeficiência e estranhas enfermidades renais e intestinais. As mulheres grávidas que forem expostas ao urânio empobrecido podem dar luz a bebês com defeitos genéticos. Uma vez que a poeira se vaporiza, não cabe esperar que o problema possa desaparecer prontamente. Como emissor de partículas alfa, o urânio empobrecido tem uma vida média de 4 bilhões e 500 milhões de anos.

No ataque da operação "comoção e pavor" contra o Iraque, foram despejadas, só em Bagdá, 1.500 bombas e mísseis. Seymour Hersh afirmou que só a Terceira Frota de Aviação dos Fuzileiros dos EUA despejou mais de "500 mil toneladas de munição". E tudo isso levava pontas de urânio empobrecido.

Al-Jazeera informou que as forças invasoras estadunidenses dispararam 200 toneladas de material radioativo contra edifícios, casas, ruas e jardins de Bagdá. Um jornalista do Christian Sciente Monitor levou um contador Geiger até zonas da cidade que haviam sofrido uma dura chuva de artilharia das tropas estadunidenses. Encontrou níveis de radiação entre 1.000 a 1.900 vezes acima do normal em zonas residenciais. Com uma população de 26 milhões de habitantes, isso significa que os EUA despejaram uma bomba de uma tonelada para cada 52 cidadãos iraquianos, o que significa dizer, cerca de 20 quilos de explosivo por pessoa.

William Hague [Secretário de Estado de Assuntos Externos britânico] disse que iríamos à Líbia "para proteger os civis e as zonas habitadas por civis". Vocês não tem que olhar muito longe para ver a quem e o quê está se "protegendo".

Nas primeiras 24 horas, os "aliados gastaram" 100 milhões de libras esterlinas em munição dotada de ponta de urânio empobrecido. Um informe sobre controle de armamento realizado na União Europeia afirmava que seus Estados membros concederam em 2009 licenças para a venda de armas e sistemas de armamento à Líbia pelo valor de 333.657 milhões de euro. Grã-Bretanha concedeu licenças às empresas de armamento para a venda de armas à Líbia no valor de 24.700 milhões de euro e o Coronel Kadafi pagou também para que se enviasse às SAS [sigla em inglês para Serviço Especial Aéreo] para treinar sua 32ª Brigada.

Aposto que nos próximos 4 bilhões e 500 milhões de anos William Hague não vai ir de férias ao Norte da África.

* Tradução de Lucas Morais.

EUA cometem crimes monstruosos na Líbia

Reproduzo artigo de Miguel Urbano Rodrigues, publicado no sítio português O Diário:

Os EUA e os seus aliados repetem na Líbia crimes contra a humanidade similares aos cometidos no Iraque e no Afeganistão.

A agressão ao povo líbio difere das outras apenas porque o discurso que pretende justificá-la excede o imaginável no tocante à hipocrisia.

A encenação prévia, pela mentira e perfídia, traz à memória as concebidas por Hitler na preparação da anexação da Áustria e das campanhas que precederam a invasão da Checoslováquia e da Polônia.

Brasil precisa repensar a radiodifusão

Reproduzo artigo do professor Venício Lima, publicado no jornal Folha de S.Paulo:

Decretos de 1995 e 1996 estenderam para as concessões de radiodifusão as licitações válidas para a prestação de outros serviços públicos. Acreditava-se que teria fim a utilização das concessões de rádio e TV como moeda de barganha política.

Logo se viu, todavia, que pelo menos duas "brechas" legais permitiriam a continuidade do "coronelismo eletrônico": as outorgas de radiodifusão educativa e as chamadas "retransmissoras mistas" de rádio e TV estavam dispensadas de licitação. Além disso, uma lei de 1998 também excluiu a radiodifusão comunitária.

Catorze anos depois que as primeiras licitações foram realizadas, a avaliação que se pode fazer é, no mínimo, constrangedora. Em artigo recente no Observatório da Imprensa, o consultor legislativo Cristiano Lopes mostrou que mais de 93% das licitações concluídas desde 1997 foram vencidas pela empresa que apresentou a melhor oferta.

Os critérios técnicos — tempo destinado na programação a conteúdos jornalísticos, educativos e culturais; e programas produzidos na própria área de prestação do serviço — são sempre incluídos nas propostas. Mais de 90% das propostas técnicas apresentadas obtiveram nota máxima. Na maior parte das licitações os concorrentes empatam na avaliação técnica e é apenas a proposta de preço que define o vencedor.

Como inexiste a fiscalização do Estado no que se refere ao cumprimento daquilo que é proposto, as empresas vencedoras simplesmente não cumprem a proposta. A reportagem de ontem da Folha de S.Paulo revela agora um outro lado do total fracasso das licitações: não há nenhum controle do Estado em relação a quem de fato se candidata, vence ou coloca em operação uma emissora de rádio e televisão.

A reportagem levanta três hipóteses para explicar o uso de laranjas: lavagem de dinheiro; evitar acusações de exploração política e burlar a regra que impede igrejas de serem concessionárias. Qualquer delas constitui ilícito e deveria ser objeto de investigação. Ou não?

Confirma-se a necessidade urgente de que a radiodifusão seja repensada e o Estado proponha, finalmente, um marco regulatório para o setor de comunicações.

McDonald´s: propaganda encobre abusos

Reproduzo artigo de Michelle Amaral, publicado no sítio da Alai:

“Uma vez eu estava com uma bandeja cheia de lanches prontos para serem entregues e escorreguei. Quando ia caindo no chão, meu coordenador viu, segurou a bandeja, me deixou cair e disse: 'primeiro o rendimento, depois o funcionário'”, conta Kelly, que trabalhou na rede de restaurantes fast food McDonald´s por cinco meses.