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| Charge: Miguel Paiva/247 |
Em 1914, pouco antes da eclosão da Primeira Guerra Mundial, Karl Kautsky, então principal dirigente da social-democracia alemã e da II Internacional, publicou na Die Neue Zeit o artigo Ultra-imperialismo, que se tornaria referência nos debates da época. Seu argumento era relativamente simples: a rivalidade violenta entre as potências capitalistas tenderia a dar lugar, em um estágio posterior, a uma cooperação entre elas – uma espécie de cartelização da política externa ou “santa aliança dos imperialistas” – capaz de conter a corrida armamentista e estabilizar o sistema internacional.
Lênin discordou frontalmente dessa leitura. Em Imperialismo, fase superior do capitalismo (1916), argumentou que o ultra-imperialismo não passava de uma “consolação arqui-reacionária das massas”, pois ignorava o caráter estrutural da concorrência capitalista. Para ele, a exportação de capitais – traço central do capitalismo financeiro – não atenuaria, mas aprofundaria as contradições entre Estados, tornando as guerras não acidentes históricos, mas expressões da luta pela redistribuição de mercados, territórios e esferas de influência.
Lênin discordou frontalmente dessa leitura. Em Imperialismo, fase superior do capitalismo (1916), argumentou que o ultra-imperialismo não passava de uma “consolação arqui-reacionária das massas”, pois ignorava o caráter estrutural da concorrência capitalista. Para ele, a exportação de capitais – traço central do capitalismo financeiro – não atenuaria, mas aprofundaria as contradições entre Estados, tornando as guerras não acidentes históricos, mas expressões da luta pela redistribuição de mercados, territórios e esferas de influência.









