terça-feira, 6 de janeiro de 2026

O sequestro de Maduro e a Doutrina Donroe

Charge: Henrique Monteiro/Cartoon Movement
Por Pedro Paulo Zahluth Bastos, no site A terra é redonda:

1. A crônica de um ataque anunciado

A intervenção militar dos Estados Unidos contra a Venezuela, culminando no sequestro de Nicolás Maduro em 3 de janeiro de 2026, vem sendo preparada há muito tempo. Em artigo publicado na Carta Capital em fevereiro de 2019, intitulado “Donald Trump, o fim do globalismo e a crise na Venezuela”, argumentei que o então presidente revelava com franqueza inédita os verdadeiros objetivos do imperialismo estadunidense: não a defesa da democracia ou dos direitos humanos, nem o respeito (seletivo) de tratados internacionais pautados na ideologia liberal, mas o controle sobre recursos com valor estratégico e econômico. Já naquele momento, Trump criticava abertamente seus antecessores por não terem “tomado o petróleo” da Venezuela ou do Iraque, ou as terras raras do Afeganistão, explicitando uma lógica predatória que o discurso liberal tradicionalmente dissimulava.

A Venezuela e a lógica da dominação

Charge: Miguel Paiva/247
Por Theófilo Rodrigues, no site da Fundação Maurício Grabois:

Em 1914, pouco antes da eclosão da Primeira Guerra Mundial, Karl Kautsky, então principal dirigente da social-democracia alemã e da II Internacional, publicou na Die Neue Zeit o artigo Ultra-imperialismo, que se tornaria referência nos debates da época. Seu argumento era relativamente simples: a rivalidade violenta entre as potências capitalistas tenderia a dar lugar, em um estágio posterior, a uma cooperação entre elas – uma espécie de cartelização da política externa ou “santa aliança dos imperialistas” – capaz de conter a corrida armamentista e estabilizar o sistema internacional.

Lênin discordou frontalmente dessa leitura. Em Imperialismo, fase superior do capitalismo (1916), argumentou que o ultra-imperialismo não passava de uma “consolação arqui-reacionária das massas”, pois ignorava o caráter estrutural da concorrência capitalista. Para ele, a exportação de capitais – traço central do capitalismo financeiro – não atenuaria, mas aprofundaria as contradições entre Estados, tornando as guerras não acidentes históricos, mas expressões da luta pela redistribuição de mercados, territórios e esferas de influência.

Ato condena ação de Trump na Venezuela

Foto: Elineudo Meira, Guilherme Gandolfi e Lucas Martins/Mídia Ninja
Por Felipe Bianchi, no site do Centro de Estudos Barão de Itararé:


Mais de mil pessoas se reuniram na tarde desta segunda-feira (5), em frente ao Consulado dos Estados Unidos, na zona sul de São Paulo, em um ato de solidariedade ao povo venezuelano e de repúdio à escalada militar do governo Donald Trump contra a Venezuela e a América Latina.

Convocado por um amplo conjunto de organizações populares, partidos e movimentos sociais, o ato em São Paulo foi marcado pelo caráter unitário entre diversas forças políticas e sociais, reunindo lideranças partidárias, movimentos da juventude, militantes de organizações populares, comunicadores e venezuelanos residentes em São Paulo.

Para o coordenador do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), Gilmar Mauro, a ação dos Estados Unidos é um grave ataque à Venezuela, à América Latina e também ao Direito internacional. “O sequestro do presidente legítimo Nicolás Maduro e sua esposa, a deputada Cilia Flores, representa um assalto à soberania do povo venezuelano e de todos os povos do continente. O que está em jogo é o nosso futuro, o futuro dos nossos recursos naturais”, afirmou. Segundo ele, a ofensiva não se limita à Venezuela: “O recado vale também para o Brasil, para a Colômbia, para o México e para os demais países da região”.

Por que Trump aceitou a vice de Maduro?

Venezuela reage ao sequestro de Maduro

Sequestro de Maduro impacta a América Latina

Terroristas dos EUA são denunciados na ONU

Ato em SP condena ataque terrorista dos EUA

Qual será o futuro da Venezuela?

Jornal Nacional e Fantástico apoiam Trump

segunda-feira, 5 de janeiro de 2026

O duelo de Trump com Delcy será dramático

Diosdado Cabello, Nicolás Maduro e Delcy Rodríguez/Reuters
Por Moisés Mendes, em seu blog:

Se fosse possível juntar tudo o que já se disse sobre o sequestro de Nicolás Maduro, teríamos pelo menos uma centena de teorias sobre o que aconteceu e previsões sobre o que vai acontecer.

Temos desde a conclusão mais óbvia e repetitiva, de que Trump quer o petróleo da Venezuela (até porque ele admitiu isso publicamente), até a advertência de que o Brasil é o grande alvo, ao lado de alvos de passagem como Cuba e Colômbia.

Quase todo o resto é chute. O primeiro deles diz respeito ao papel da vice-presidente, Delcy Rodríguez, que já assumiu a presidência e avisou que irá defender os interesses da Venezuela.

Essa é a sua frase mais publicada pelos jornais venezuelanos, mesmo os alinhados com a direita antichavista: “Jamais seremos colônia de nenhum império”.

Os pilares do novo colonialismo dos EUA

Charge: Angel Boligán
Por Bepe Damasco, em seu blog:


O que menos importa no momento é avaliar as convicções democráticas do presidente Maduro e discutir se as últimas eleições venezuelanas foram legítimas ou não. Até porque compromisso com a democracia não é parâmetro para os EUA na hora de decidir quem deve ser atacado.

Podia citar aqui dezenas de exemplos de regimes ditatoriais que não foram e nunca serão alvo dos EUA. Fiquemos com a monarquia absolutista da Arábia Saudita, onde não há parlamento, nem eleições e tampouco imprensa livre. Há alguns anos, vamos lembrar, um jornalista foi assassinado e esquartejado, tudo indica por sicários a soldo do família imperial.

Então, só idiotice crônica ou má-fé pode levar alguém a achar que os EUA estavam preocupados se o pleito venezuelano foi fraudado ou não.

Agressão e sequestro nazitrumpistas

Charge: Dave Granlunds/Political Cartoons
Por Jair de Souza

É inegável que sofremos um golpe muito duro com a agressão assassina feita pelo governo nazitrumpista dos Estados Unidos contra a Venezuela. Além da quase uma centena de mortes causadas a valorosos defensores da soberania latino-americana, as forças nazitrumpistas também sequestraram o legítimo presidente da nação, Nicolás Maduro, e sua esposa, Cilia Flores.

Entretanto, sem pretensão de pintar uma catástrofe com cores alegres, acredito que podemos, sim, detectar um saldo positivo para o campo popular a partir desta agressão infame e vil. Para extrair esta conclusão, basta observar que as instituições de poder se mantiveram intactas, todas sob o comando dos bolivarianos, e enquanto as ruas e praças eram tomadas pelas massas leais ao presidente sequestrado, os opositores pró-imperialistas não tiveram a audácia de colocar a cabeça para fora, ninguém deles teve coragem de se manifestar em público.

Mídia preparou terreno pra Trump na Venezuela

Charge: Daryl Cagle
Por Ângela Carrato, no site Viomundo:


O bombardeio do governo Trump à Venezuela, seguido pela prisão do presidente Nicolás Maduro e de sua esposa, acontecido na madrugada deste sábado (3), é gravíssimo.

É gravíssimo por se tratar de um ato de guerra cometido pelos Estados Unidos contra um governo soberano, com o explícito objetivo de roubar petróleo.

A Venezuela, como se sabe, possui a maior reserva de petróleo do mundo e a distância entre Caracas e Miami não passa de 3 mil km. Distância seis vezes menor do que a rota feita por petroleiros estadunidenses ao irem ao Oriente Médio em busca do mesmo produto.

A entrevista coletiva de Trump sobre o assunto é das coisas mais cínicas e cretinas de que se tem notícia.

Na cara dura, disse que irá comandar a Venezuela até transição e controlará o petróleo do país, ao mesmo tempo em que divulgava imagem do presidente Maduro algemado e de olhos vendados, a bordo de navio, a caminho de Nova York.

Paz e soberania na Venezuela!

Foto: Cubadebate
Editorial do site Vermelho:

O ano de 2026 tem início com um brutal ato de guerra dos Estados Unidos contra a Venezuela. Sob ordens diretas de Donald Trump, o presidente Nicolás Maduro e sua esposa, Cilia Flores, foram sequestrados e se encontram, ilegalmente e injustamente, presos em Nova York. É a primeira vez que um país da América do Sul sofre uma intervenção militar direta, de grande porte, dos EUA. E Trump deixou claro qual objetivo dessa torpe operação bélica: assumir, sem intermediários, o governo venezuelano e se apossar das maiores reservas de petróleo do mundo, que pela ambição ianque passariam a ser exploradas por grandes empresas estadunidenses. Isto tem nome: é neocolonialismo. O imperialismo dos EUA, em novas circunstâncias, retoma as velhas guerras de saque e pilhagem.

A ação terrorista dos EUA na Venezuela

domingo, 4 de janeiro de 2026

Cuba será o próximo alvo dos EUA?

Ataque à Venezuela tem as digitais da mídia

Charge: Aroeira/247
Do site do Centro de Estudos Barão de Itararé:


O Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé condena com veemência a agressão criminosa dos Estados Unidos contra a Venezuela, ocorrida na madrugada deste sábado, com bombas lançadas sobre diversas áreas do país, inclusive a capital Caracas, colocando em risco a população civil. Ápice da escalada militar impulsionada por Donald Trump, o episódio traz ventos de guerra não apenas ao país caribenho, mas para toda a América Latina.

Esse ataque representa a expressão mais grotesca de uma política de agressão sustentada, ao longo de décadas, por uma campanha midiática internacional difamatória contra a soberania e a autodeterminação do povo venezuelano.

Agressão à Venezuela e cumplicidade da mídia

Reprodução
Do site da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj):

A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) manifesta seu mais veemente repúdio à agressão militar perpetrada pelos Estados Unidos contra a República Bolivariana da Venezuela, ocorrida na madrugada deste sábado (3/01), com ataques que atingiram diversas regiões do país, inclusive a capital Caracas, colocando em risco a população civil e aprofundando a instabilidade em toda a América Latina e o Caribe.

A ofensiva, impulsionada pela escalada belicista do governo de Donald Trump, representa mais uma grave violação da Carta das Nações Unidas, do direito internacional e do princípio da autodeterminação dos povos. Trata-se de uma ação que retoma a lógica da guerra, da ingerência e da força como instrumentos de política externa, com consequências imprevisíveis para a região.

Trump declarou guerra a toda América Latina

Charge: Latuff/Sovereign Media
Por José Reinaldo Carvalho, no site Brasil-247:

A ação desencadeada pelos Estados Unidos contra a Venezuela neste sábado (3) constitui um episódio de extrema gravidade e marca uma inflexão perigosa nos conflitos internacionais contemporâneos.

Trata-se de uma operação brutal, cuidadosamente planejada e executada como demonstração explícita de força, destinada a impor pela violência aquilo que Washington já não consegue assegurar por meio da diplomacia, do direito internacional ou de qualquer forma mínima de consenso entre as nações. Ficou patente a brutalidade dessa ofensiva, executada pela chamada Força Delta, uma divisão apresentada como da elite das forças armadas dos EUA, que é na prática uma organização terrorista com raio de ação internacional. A ação deixou evidente ainda o desprezo absoluto pela soberania de um país e pela vida de seu povo.