Reproduzo análise de Cláudio Gonzalez, publicada no sítio Vermelho:
O primeiro debate entre os candidatos às eleições presidenciais de 2010, ocorrido na noite desta quinta-feira (5) na TV Bandeirantes, confirmou um prognóstico feito pelo presidente Lula: o de que a oposição perderia seu último trunfo ao apostar num desempenho ruim da candidata petista Dilma Rousseff. Ao contrário do que previam a oposição e setores da mídia, Dilma, apesar do nervosismo típico de estreante, foi bem, e, assim, ajudou a desmontar mais uma lenda criada pelos oposicionistas.
Primeiro debate entre os quatro principais presidenciáveis teve pouca audiência e não abordou grandes polêmicas, mas serviu para testar cada um dos candidatos. Antes da campanha começar, os adversários da ex-ministra espalhavam, sobretudo em blogs na internet, que Serra iria “estralhaçar” Dilma nos debates. Definitivamente, o tucano não chegou nem perto desse objetivo.
Baixa audiência
O debate da Band é o primeiro de uma série de quatro eventos do mesmo gênero que devem ocorrer na TV aberta. Os outros três debates do primeiro turno devem ser os da RedeTV (12 de setembro), Record (28 de agosto) e Globo (30 de agosto).
Concorrendo com a semifinal da Copa Libertadores, o debate da Bandeirantes patinou na audiência. Durante as mais de duas horas de transmissão do confronto entre os candidatos, a emissora alcançou, no máximo, 5,5 pontos de audiência, empatando em quarto lugar com a Rede TV!. Na média, a audiência do debate ficou bem abaixo disso: 1,8 a 1,9 pontos. A Globo, que transmitiu o jogo entre São Paulo e Inter teve uma média de 36,9 pontos. A média da Record foi de 7,4, segundo levantamento Ibope. Os números consolidados devem ser divulgados na manhã de hoje.
O debate foi mediado pelo jornalista Ricardo Boechat. No total, 210 jornalistas compareceram para cobrir o evento, que também foi transmitido ao vivo pela Rádio Bandeirantes e teve cobertura online em vários portais e redes sociais.
Acompanharam os presidenciáveis no primeiro debate: Indio da Costa (DEM), candidato a vice na chapa de José Serra, Michel Temer (PMDB), vice de Dilma Rousseff, Guilherme Leal (PV), vice de Marina Silva, José Eduardo Dutra, presidente nacional do PT, Sérgio Guerra, presidente do PSDB; a primeira-dama Marisa Letícia, esposa do presidente Lula; os candidatos paulistas Geraldo Alckmin, Aloísio Mercadante, Aloysio Nunes, Orestes Quércia, Netinho de Paula, Marta Suplicy, e o prefeito de São Paulo Gilberto Kassab, entre outros.
Oportunidade perdida para Serra
Serra entrou no debate com a missão de vencer e comprovar que sua "experiência" faria a diferença. Mas não deu muito certo. Pelo contrário, o tucano mostrou-se perdido em vários momentos, fugiu de polêmicas, não teve coragem de repetir os ataques à sua principal adversária como vinha fazendo dias antes e mostrou menos “conteúdo” do que seus aliados esperavam. A comprovação de que as coisas não foram muito felizes para a oposição pode ser medida pela reação do marqueteiro de Serra, Luiz Gonzalez, que saiu dos estúdios da Band com cara de poucos amigos.
Por mais que seus apoiadores entupam a internet com “avaliações” que tentam desqualificar a oratória de Dilma e enaltecer o “preparo” de Serra, foi o tucano quem protagonizou mais momentos constrangedores durante o debate. Por duas vezes, Serra teve que pedir que repetissem a pergunta para ele, pois não estava prestando atenção. Ficou circulando de um lado para outro (as câmeras não mostraram, mas na internet a informação foi muito enfatizada), esqueceu o que estava dizendo em dois momentos e ao elencar três órgãos do corpo humano que representariam os temas educação, saúde e segurança, escolheu o “intestino” para representar um deles.
Tanto Dilma quanto Serra extrapolaram no tempo de algumas respostas e tiveram o áudio de seus microfones cortados.
Treinamentos melhoraram desempenho de Dilma
Elegante, com uma blusa branca rendada, Dilma chegou sorridente aos estúdios da Band e saiu um pouco apreensiva, mas revelando confiança no próprio desempenho.
A candidata petista entrou no primeiro debate eleitoral de sua vida sem o compromisso de “vencer” o confronto. O comando da campanha esperava dela, apenas, que não cometesse erros graves. E ela cumpriu este objetivo. Não brilhou, como gostariam alguns de seus apoiadores. Atrapalhou-se em algumas respostas, mas certamente saiu do debate maior do que entrou.
Dilma dedicou-se, nos últimos dias, a se preparar para o evento. Revisou informações e números do governo, teve aulas de oratória e, com isso, conseguiu superar sua conhecida dificuldade de falar em público. Quem já teve a oportunidade de ver a performance sofrível de Dilma em eventos públicos pré-campanha sabe que no debate desta quinta-feira a ex-ministra se superou e melhorou bastante. Apesar do nervosismo visível, não deixou pergunta sem resposta, apresentou dados concretos, foi feliz na defesa das conquistas do governo Lula e na demonstração de que continuará sua obra. Transmitiu confiança na determinação de combater a pobreza e fomentar o progresso do Brasil. E, o mais importante, soube explorar bandeiras e temas que são do interesse da maioria dos brasileiros como emprego, direitos sociais, Luz para Todos, defesa do SUS, agricultura familiar.
Nas declarações finais, Dilma fez um discurso bem construído, enfático e levemente emocional, como recomendam os especialistas em marketing político. Lembrou de mencionar o protagonismo das mulheres na política e enalteceu as mudanças promovidas pelo governo Lula.
Plínio acende, Marina apaga
Os outros participantes do debate, Plínio de Arruda Sampaio (PSOL) e Marina Silva (PV) cumpriram o papel que parece estar destinado a eles nestas eleições: o de coadjuvantes numa disputa plebiscitária entre o campo progressista representado por Dilma e pelo atual governo e o campo da direita, representado por Serra e pela aliança demo-tucana que governou o país durante os dois mandatos de FHC.
Sem ter nada a perder, o candidato do PSOL soltou-se. Logo no início, questionou o isolamento que a mídia promove contra os candidatos de pequenos partidos. Com uma postura despojada e tiradas irônicas, Plínio conseguiu aparecer, agradou ao público jovem que acompanhava o debate pela internet e seu nome acabou alçado ao Trending Topics do Twitter. Plínio foi responsável pelos poucos momentos divertidos do debate, como quando chamou Marina de “ecocapitalista” e José Serra de “hipocondríaco”. Mas se o despojamento trazido por Plínio neste primeiro debate soou como novidade e trouxe alguma graça ao tom morno do encontro, não se pode garantir que nos próximos debates, esta postura continuará agradando. Ela não será mais novidade e se exagerar no tom seu comportamento pode acabar sendo interpretado como grosseiro e arrogante, traços de personalidade que os eleitores rejeitam fortemente. Seja como for, o radicalismo de sua plataforma de governo deve barrar qualquer chance do candidato do PSOL deslanchar nas pesquisas ou mesmo alcançar o patamar conquistado por Heloisa Helena em 2006.
Marina Silva, por sua vez, manteve uma postura acanhada, conciliadora demais –tentando agradar governo e oposição-- o que não permitiu que ela se destacasse no debate. Em alguns momentos, a candidata do PV serviu apenas de ponte para uma tabelinha amistosa com Dilma e Serra e, para surpresa de muitos, Marina acabou travando embate mais ríspido com Plínio, do PSOL, partido que, no início da corrida eleitoral cogitou apoiar a senadora acriana.
Utilizando um discurso muito protocolar, cansativo, e abordando temas de pouco interesse geral, a ex-ministra do Meio Ambiente não empolgou e caso mantenha essa toada será muito difícil para ela alcançar o objetivo de se transformar numa “terceira via” competitiva nestas eleições.
Grandes temas ficaram de fora
A primeira pergunta feita aos candidatos envolvia temas sugeridos pelos eleitores através da internet e versava sobre educação, saúde e segurança. Acabaram sendo os temas principais de todo o debate. Outros pontos agregados a estes e que ganharam algum destaque foram emprego, desenvolvimento industrial e reforma agrária.
“Foi um debate morno que versou sobre temas corriqueiros. As regras engessadas não favoreciam a luta de ideias. Parecia um debate de candidatos a prefeitos. As grandes questões nacionais não apareceram, não houve polêmicas sobre as questões de fundo da sociedade brasileira, não ficaram nitidamente demarcadas as ideais-força da campanha”, opinou José Reinaldo Carvalho, secretário nacional de Comunicação do PCdoB, após o debate.
SUS x mutirões / APAE x professores / Latifúndio x agricultura familiar
O que mais se aproximou de uma grande polêmica durante o debate foi a discussão travada entre Serra e Dilma a respeito da saúde. Enquanto Dilma reafirmou diversas vezes que irá fortalecer o SUS –bandeira primordial do movimento de Saúde—Serra ficou insistindo na questão dos mutirões de saúde.
O tucano também insistiu bastante no suposto abandono das Apaes pelo governo federal, um tema de interesse restrito. Dilma rebateu o argumento do tucano e ao falar de educação deu ênfase à necessidade de investir nos professores, abrangendo um público bem mais amplo.
A petista também conseguiu encostar o adversário na parede ao tratar da geração de empregos. Mas Dilma perdeu uma ótima oportunidade de desancar Serra quando surgiram no debate os temas privatizações e o legado de FHC. Neste quesito, Serra conseguiu tirar uma casquinha dolorida da campanha adversária ao lembrar que o petista Antonio Palocci, quando foi ministro da Fazenda, “não se cansava de elogiar a política econômica do governo Fernando Henrique”.
Por outro lado, o tucano se embananou ao responder sobre indústria naval e o programa Luz para Todos. Dilma incluiu estes dois assuntos no debate numa tentativa de arrancar de Serra a admissão de que o governo Lula avançou nestes temas. E conseguiu.
Dilma também conseguiu responder bem ao candidato do PSOL e a Serra quando enfatizou a importância da agricultura familiar ao abordar o tema da reforma agrária. Mas, por outro lado, não foi muito feliz ao responder as acusações de Serra sobre aparelhamento do governo e crise nos Correios. A petista poderia, neste momento, ter sido mais objetiva, mais incisiva e mostrar a hipocrisia dos tucanos que nunca deixaram de aparelhar as estruturas governamentais que administraram, além de terem sucateado empresas estratégicas para depois privatizá-las.
Nesta sexta-feira (6), haverá ampla repercussão do debate, com cada opinante tentando puxar a sardinha pro lado de seu candidato. Mas numa avaliação todos terão que concordar: Dilma revelou que não é o poste que a mídia e a oposição pintavam e Serra perdeu a oportunidade de se mostrar como “o mais preparado”.
Além disso, a partir de agora, cai por terra a acusação recorrente de que a candidata de Lula foge do debate. Dilma não fugiu deste, saiu maior do que entrou no primeiro confronto e espera-se que nos próximos debates os temas de maior relevância e polêmica deixem claro para os brasileiros quem é a representante do avanço e quem representa o atraso.
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sexta-feira, 6 de agosto de 2010
Governo financia as serpentes da mídia
Reproduzo entrevista concedida ao jornalista André Cintra e publicada no sítio Vermelho:
Na segunda parte de sua entrevista ao Vermelho, o jornalista Altamiro Borges, o Miro, presidente do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, critica o boicote do Poder Público ao 1º Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas. “Da mesma forma como financia a Veja e a Globo - e geralmente se financiam serpentes -, o governo deve financiar um encontro de blogueiros”, cobra Miro, que é membro da Comissão Organizadora do Encontro.
“Esperamos que o próximo governo seja mais corajoso e resolva ajudar essa mídia que está sendo construída”, afirma. “Na campanha, todos os candidatos falam e investem em mídias sociais. Na hora de contribuir, fogem de medo.”
Qual é a expectativa de público para o encontro?
As inscrições estão crescendo. Até a manhã desta segunda-feira (2), já eram 210 inscritos. Trabalhávamos com a ideia de 300 participantes, mas pode ocorrer um bom problema - que é estourar essa estimativa. Até agora, a notícia do encontro saiu nos blogs, e nós nem demos prazos de inscrição. Só agora fechamos uma data-limite, que é 13 de agosto, e brasileiro adora se inscrever no final do prazo.
Segunda coisa: a ideia é atingir a juventude, e só agora é que estão saindo os materiais de divulgação para as faculdades de jornalismo. A UJS (União da Juventude Socialista) se comprometeu a ajudar na panfletagem. O Barão de Itararé também tem o contato de sete faculdades de jornalismo de São Paulo. A Ivana Bentes, diretora de Comunicação da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), deu um toque hoje de que vai fazer esse agito por lá. Aqui em São Paulo, o Dennis Oliveira faz o agito na USP, e o Igor Fuser, na Cásper Líbero.
Além disso tudo, o estudante de jornalismo não precisa pagar nem meia-entrada - só a quinta. O valor da inscrição é de R$ 100, mas a turma foi muito boazinha com os estudantes, que pagam só R$ 20. Como as aulas estão retomando agora, ao mesmo tempo em que saem os banners e o hotsite do Encontro, acho que o público pode passar dos 300 participantes - e aí teremos um bom problema: o local previsto, o Sindicato dos Engenheiros, não comporta 300. Por isso é que já reservamos um outro local.
Por que o foco na juventude, nos estudantes?
É obrigação nossa levar essa discussão para as faculdades — que talvez não estejam muito antenadas com esse debate sobre a democratização das comunicações. A maior parte dos alunos quer se formar para ser William Bonner e Fátima Bernardes. Só que não há espaço para formar mil “Willians” e “Fátimas” por ano - a família Marinho já tem os dois.
Comunicação não é qualquer mercadoria. O jornalismo tem um compromisso ético, com a sociedade, e essa juventude é que vai fazer o jornalismo no futuro. Ou a gente chega às faculdades, ou a Globo vai chegar lá - ela até já tem cursos para isso. É preciso trabalhar com essa moçada, com a formação delas. Muita gente tem vontade e espírito positivo, quer contribuir com a informação, com o bom jornalismo. Precisamos acompanhá-las desde o início.
Quem financia o 1º Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas? Como funciona a promoção “Amigos da Blogosfera”?
Como esse encontro não tem o apoio institucional de nenhum governo, tivemos de ir atrás do apoio das entidades da sociedade civil. Criamos a cota de patrocínio - de R$ 3 mil por entidade. Até agora, estamos com 14 cotas — nosso objetivo é atingir 20. O que já temos de apoiadores são entidades sindicais e veículos de comunicação alternativa.
Entre os veículos, temos, por exemplo, Conversa Afiada, Vi o Mundo, Carta Maior, Revista Fórum e Revista do Brasil. Da área sindical, procuramos as seis centrais. Três já compraram cotas - CUT, CTB e CGTB. As outras ficaram de dar resposta. Outras entidades também entraram, como o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, que é ligado à CUT, e a Federação dos Químicos de São Paulo, filiada à Força. Está bastante plural.
Saindo o hotsite do encontro, a ideia é abrir o “Amigos da Blogosfera”, para permitir contribuições individuais. Tem gente que já se inscreveu no Encontro e disse: “Além da minha inscrição, quero dar um a mais, um plus”.
A Comissão Organizadora pretende bancar todos os custos dos participantes?
Temos de garantir uma estrutura para essa turma participar. O objetivo do patrocínio é garantir hospedagem para todo mundo — ninguém vai dormir na sarjeta da Ipiranga com a São João. Queremos garantir também a refeição e, em caso excepcionais, a viagem do blogueiro para São Paulo - caso ele realmente não tenha como bancar essa despesa. Sabemos das dificuldades desse movimento.
Qual é a realidade da maioria dos blogueiros hoje?
A situação do blogueiro é muito complicada. Contam-se nos dedos de uma mão os blogs que já conseguiram uma estrutura de autossustentação. O blogueiro, o grosso deles, é um militante virtual. Mesmo estando com outro emprego ou não estando com emprego nenhum, ele faz desse espaço de expressão uma militância - e não recebe nada.
Pegue o caso do Eduardo Guimarães, do Blog da Cidadania. É um pequeno empresário que se preocupou com a manipulação da mídia e resolveu produzir textos. Além de não ganhar dinheiro com o blog, ele acaba é perdendo. Com o tempo que se dedica para fazer seus belos artigos, ele deixa de fazer negócios. É um ato de heroísmo e coragem. Ele é um puta militante, um baita militante.
Isso é um pouco da realidade. Tem blogueiro que está morando na casa de mãe, porque não tem grana. Tem blogueiro que está cheio de processo nas costas, como o menino de Santa Catarina que denunciou o filho do Sérgio Sirotsky, do grupo RBS, de ter cometido estupro.
Vocês ainda esperam alguma algum apoio do poder público para bancar o encontro?
Esperamos que, na próxima edição - no 2º Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas -, o governo federal tome vergonha e veja que a blogosfera é uma forma de mídia. Da mesma forma como financia a Veja e a Globo - e geralmente se financiam serpentes -, o governo deve financiar um encontro de blogueiros.
Houve o encontro do Instituto Millenium (o reacionário Fórum Democracia e Liberdade de Expressão, em São Paulo, no dia 1º de março). É uma entidade que só reúne empresários - o Basile, da Abril; os Marinho, da Globo; a Judith Brito, da Folha... Só estão lá os grandes, e eles têm apoio público. Por que os blogueiros - que também são cidadãos e pagam seus impostos - não podem ter apoio? É um absurdo.
Esperamos que o próximo governo seja mais corajoso e resolva ajudar essa mídia que está sendo construída. Mas é que todos eles têm medo desse poder. Na campanha, todos os candidatos falam e investem em mídias sociais. Na hora de contribuir, fogem de medo.
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Na segunda parte de sua entrevista ao Vermelho, o jornalista Altamiro Borges, o Miro, presidente do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, critica o boicote do Poder Público ao 1º Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas. “Da mesma forma como financia a Veja e a Globo - e geralmente se financiam serpentes -, o governo deve financiar um encontro de blogueiros”, cobra Miro, que é membro da Comissão Organizadora do Encontro.
“Esperamos que o próximo governo seja mais corajoso e resolva ajudar essa mídia que está sendo construída”, afirma. “Na campanha, todos os candidatos falam e investem em mídias sociais. Na hora de contribuir, fogem de medo.”
Qual é a expectativa de público para o encontro?
As inscrições estão crescendo. Até a manhã desta segunda-feira (2), já eram 210 inscritos. Trabalhávamos com a ideia de 300 participantes, mas pode ocorrer um bom problema - que é estourar essa estimativa. Até agora, a notícia do encontro saiu nos blogs, e nós nem demos prazos de inscrição. Só agora fechamos uma data-limite, que é 13 de agosto, e brasileiro adora se inscrever no final do prazo.
Segunda coisa: a ideia é atingir a juventude, e só agora é que estão saindo os materiais de divulgação para as faculdades de jornalismo. A UJS (União da Juventude Socialista) se comprometeu a ajudar na panfletagem. O Barão de Itararé também tem o contato de sete faculdades de jornalismo de São Paulo. A Ivana Bentes, diretora de Comunicação da UFRJ (Universidade Federal do Rio de Janeiro), deu um toque hoje de que vai fazer esse agito por lá. Aqui em São Paulo, o Dennis Oliveira faz o agito na USP, e o Igor Fuser, na Cásper Líbero.
Além disso tudo, o estudante de jornalismo não precisa pagar nem meia-entrada - só a quinta. O valor da inscrição é de R$ 100, mas a turma foi muito boazinha com os estudantes, que pagam só R$ 20. Como as aulas estão retomando agora, ao mesmo tempo em que saem os banners e o hotsite do Encontro, acho que o público pode passar dos 300 participantes - e aí teremos um bom problema: o local previsto, o Sindicato dos Engenheiros, não comporta 300. Por isso é que já reservamos um outro local.
Por que o foco na juventude, nos estudantes?
É obrigação nossa levar essa discussão para as faculdades — que talvez não estejam muito antenadas com esse debate sobre a democratização das comunicações. A maior parte dos alunos quer se formar para ser William Bonner e Fátima Bernardes. Só que não há espaço para formar mil “Willians” e “Fátimas” por ano - a família Marinho já tem os dois.
Comunicação não é qualquer mercadoria. O jornalismo tem um compromisso ético, com a sociedade, e essa juventude é que vai fazer o jornalismo no futuro. Ou a gente chega às faculdades, ou a Globo vai chegar lá - ela até já tem cursos para isso. É preciso trabalhar com essa moçada, com a formação delas. Muita gente tem vontade e espírito positivo, quer contribuir com a informação, com o bom jornalismo. Precisamos acompanhá-las desde o início.
Quem financia o 1º Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas? Como funciona a promoção “Amigos da Blogosfera”?
Como esse encontro não tem o apoio institucional de nenhum governo, tivemos de ir atrás do apoio das entidades da sociedade civil. Criamos a cota de patrocínio - de R$ 3 mil por entidade. Até agora, estamos com 14 cotas — nosso objetivo é atingir 20. O que já temos de apoiadores são entidades sindicais e veículos de comunicação alternativa.
Entre os veículos, temos, por exemplo, Conversa Afiada, Vi o Mundo, Carta Maior, Revista Fórum e Revista do Brasil. Da área sindical, procuramos as seis centrais. Três já compraram cotas - CUT, CTB e CGTB. As outras ficaram de dar resposta. Outras entidades também entraram, como o Sindicato dos Metalúrgicos do ABC, que é ligado à CUT, e a Federação dos Químicos de São Paulo, filiada à Força. Está bastante plural.
Saindo o hotsite do encontro, a ideia é abrir o “Amigos da Blogosfera”, para permitir contribuições individuais. Tem gente que já se inscreveu no Encontro e disse: “Além da minha inscrição, quero dar um a mais, um plus”.
A Comissão Organizadora pretende bancar todos os custos dos participantes?
Temos de garantir uma estrutura para essa turma participar. O objetivo do patrocínio é garantir hospedagem para todo mundo — ninguém vai dormir na sarjeta da Ipiranga com a São João. Queremos garantir também a refeição e, em caso excepcionais, a viagem do blogueiro para São Paulo - caso ele realmente não tenha como bancar essa despesa. Sabemos das dificuldades desse movimento.
Qual é a realidade da maioria dos blogueiros hoje?
A situação do blogueiro é muito complicada. Contam-se nos dedos de uma mão os blogs que já conseguiram uma estrutura de autossustentação. O blogueiro, o grosso deles, é um militante virtual. Mesmo estando com outro emprego ou não estando com emprego nenhum, ele faz desse espaço de expressão uma militância - e não recebe nada.
Pegue o caso do Eduardo Guimarães, do Blog da Cidadania. É um pequeno empresário que se preocupou com a manipulação da mídia e resolveu produzir textos. Além de não ganhar dinheiro com o blog, ele acaba é perdendo. Com o tempo que se dedica para fazer seus belos artigos, ele deixa de fazer negócios. É um ato de heroísmo e coragem. Ele é um puta militante, um baita militante.
Isso é um pouco da realidade. Tem blogueiro que está morando na casa de mãe, porque não tem grana. Tem blogueiro que está cheio de processo nas costas, como o menino de Santa Catarina que denunciou o filho do Sérgio Sirotsky, do grupo RBS, de ter cometido estupro.
Vocês ainda esperam alguma algum apoio do poder público para bancar o encontro?
Esperamos que, na próxima edição - no 2º Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas -, o governo federal tome vergonha e veja que a blogosfera é uma forma de mídia. Da mesma forma como financia a Veja e a Globo - e geralmente se financiam serpentes -, o governo deve financiar um encontro de blogueiros.
Houve o encontro do Instituto Millenium (o reacionário Fórum Democracia e Liberdade de Expressão, em São Paulo, no dia 1º de março). É uma entidade que só reúne empresários - o Basile, da Abril; os Marinho, da Globo; a Judith Brito, da Folha... Só estão lá os grandes, e eles têm apoio público. Por que os blogueiros - que também são cidadãos e pagam seus impostos - não podem ter apoio? É um absurdo.
Esperamos que o próximo governo seja mais corajoso e resolva ajudar essa mídia que está sendo construída. Mas é que todos eles têm medo desse poder. Na campanha, todos os candidatos falam e investem em mídias sociais. Na hora de contribuir, fogem de medo.
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quinta-feira, 5 de agosto de 2010
Blogueiros: inscrições até 13 de agosto
Reproduzo importante matéria de Conceição Lemes, integrante da comissão organizadora do encontro de blogueiros (*):
Desde que começaram as inscrições para o 1º Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas, a pergunta que a Danielle Penha, do Centro de Estudos Barão de Itararé, mais responde é esta: “Não sou blogueiro, posso participar?”
Evidentemente que sim. Blogueiros consagrados, iniciantes ou aspirantes, leitores, comentaristas, tuiteiros. Todos serão muito bem-vindos. Afinal, o objetivo de todos nós é o mesmo: contribuir para a democratização dos meios de comunicação e fortalecer as mídias alternativas.
“Já temos 230 inscritos de 18 unidades da federação”, informa Danielle. “Amazonas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Pernambuco, Piauí, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo.”
O Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, a Altercom e o MSM (Movimento dos Sem Mídia) são as entidades que apóiam institucionalmente o evento.
Importante. As inscrições vão até dia 13 de agosto devido à logística necessária para receber participantes de outros estados do Brasil e do interior de São Paulo.
Elas custam 100 reais. Estudantes de Comunicação pagam 20. Basta enviar e-mail para este endereço: contato@baraodeitarare.org.br Ou telefonar para (011)3054-1829 .
Conta para depósito de inscrições e cotas
O depósito do valor referente às inscrições e às cotas dos Amigos da Blogosfera deve ser feito na seguinte conta:
Banco do Brasil
Ag. 4300-1
C/C. 50141-7
Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé
CNPJ. 12.250.292/0001-08 (é necessário, caso a transferência seja eletrônica)
Por favor, envie o comprovante por e-mail para contato@baraodeitarare.org.br ou via fax para (011) 3054-1848. Escreva no documento o nome do inscrito.
Já são 19 os Amigos da Blogosfera
Continua a todo o vapor a campanha Amigos da Blogosfera, para ajudará a custear parte das despesas de blogueiros que virão de outros estados.
As cotas custam 3 mil reais. Estas 19 estão confirmadas:
Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo)
CGTB (Central Geral dos Trabalhadores do Brasil)
CUT (Central Única dos Trabalhadores) nacional
CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil)
Federação Nacional dos Urbanitários (FNU)
Federação dos Químicos de São Paulo
Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região
Sindicato dos Metalúrgicos do ABC
Sindicato dos Engenheiros do Estado de São Paulo
Sintaema (Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Meio Ambiente do Estado de São Paulo)
Agência T1
Café Azul
Carta Capital
Carta Maior
Conversa Afiada
Revista do Brasil
Revista Fórum
Seja Dita a Verdade
Viomundo
* Comissão Organizadora: Luiz Carlos Azenha, Paulo Henrique Amorim, Luis Nassif, Altamiro Borges, Conceição Lemes, Eduardo Guimarães, Conceição Oliveira, Rodrigo Vianna, Renato Rovai e Diego Casaes.
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Desde que começaram as inscrições para o 1º Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas, a pergunta que a Danielle Penha, do Centro de Estudos Barão de Itararé, mais responde é esta: “Não sou blogueiro, posso participar?”
Evidentemente que sim. Blogueiros consagrados, iniciantes ou aspirantes, leitores, comentaristas, tuiteiros. Todos serão muito bem-vindos. Afinal, o objetivo de todos nós é o mesmo: contribuir para a democratização dos meios de comunicação e fortalecer as mídias alternativas.
“Já temos 230 inscritos de 18 unidades da federação”, informa Danielle. “Amazonas, Bahia, Ceará, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Minas Gerais, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Pará, Pernambuco, Piauí, Paraná, Rio de Janeiro, Rio Grande do Norte, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo.”
O Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé, a Altercom e o MSM (Movimento dos Sem Mídia) são as entidades que apóiam institucionalmente o evento.
Importante. As inscrições vão até dia 13 de agosto devido à logística necessária para receber participantes de outros estados do Brasil e do interior de São Paulo.
Elas custam 100 reais. Estudantes de Comunicação pagam 20. Basta enviar e-mail para este endereço: contato@baraodeitarare.org.br Ou telefonar para (011)3054-1829 .
Conta para depósito de inscrições e cotas
O depósito do valor referente às inscrições e às cotas dos Amigos da Blogosfera deve ser feito na seguinte conta:
Banco do Brasil
Ag. 4300-1
C/C. 50141-7
Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé
CNPJ. 12.250.292/0001-08 (é necessário, caso a transferência seja eletrônica)
Por favor, envie o comprovante por e-mail para contato@baraodeitarare.org.br ou via fax para (011) 3054-1848. Escreva no documento o nome do inscrito.
Já são 19 os Amigos da Blogosfera
Continua a todo o vapor a campanha Amigos da Blogosfera, para ajudará a custear parte das despesas de blogueiros que virão de outros estados.
As cotas custam 3 mil reais. Estas 19 estão confirmadas:
Apeoesp (Sindicato dos Professores do Ensino Oficial do Estado de São Paulo)
CGTB (Central Geral dos Trabalhadores do Brasil)
CUT (Central Única dos Trabalhadores) nacional
CTB (Central dos Trabalhadores e Trabalhadoras do Brasil)
Federação Nacional dos Urbanitários (FNU)
Federação dos Químicos de São Paulo
Sindicato dos Bancários e Financiários de São Paulo, Osasco e Região
Sindicato dos Metalúrgicos do ABC
Sindicato dos Engenheiros do Estado de São Paulo
Sintaema (Sindicato dos Trabalhadores em Água, Esgoto e Meio Ambiente do Estado de São Paulo)
Agência T1
Café Azul
Carta Capital
Carta Maior
Conversa Afiada
Revista do Brasil
Revista Fórum
Seja Dita a Verdade
Viomundo
* Comissão Organizadora: Luiz Carlos Azenha, Paulo Henrique Amorim, Luis Nassif, Altamiro Borges, Conceição Lemes, Eduardo Guimarães, Conceição Oliveira, Rodrigo Vianna, Renato Rovai e Diego Casaes.
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O que espero do encontro de blogueiros?
Reproduzo artigo de Luiz Carlos Azenha, publicado no blog Viomundo:
A nossa é uma organização declaradamente mambembe. Nossa sede provisória é o Sujinho, restaurante na Consolação, em São Paulo. Quando decidimos vender cotas de patrocínio, com o objetivo de bancar parcialmente a hospedagem, os descontos em passagens e outros pequenos gastos do evento, cada um foi atrás dos contatos que tinha à mão. Até agora tem sido um esforço abertamente colaborativo, bem com a cara da rede: cada um ajuda do jeito que pode. Nada teria sido possível sem a capacidade do Altamiro Borges de agregar pessoas tão diversas e a tenacidade da Conceição Lemes, a nos cobrar prazos e tarefas.
Escrevo em meu nome e é importante que isso fique claro: a blogosfera é muito diversa e é difícil encontrar dois blogueiros que concordem absolutamente sobre um único tema. Por isso, quem imagina que os 200 blogueiros já inscritos vão se submeter a algum tipo de controle, de comando centralizado ou de “ordens superiores” decididamente não conhece a blogosfera.
Como um dos idealizadores do encontro, digo que defendemos mais democracia (não menos) e mais mídia (nunca menos).
Acho importante que os blogueiros se conheçam pessoalmente, para trocar telefones, e-mails, ideias e experiencias.
Acho importante que se discuta a viabilidade comercial da blogosfera, que será tema de uma das mesas (no encontro, pretendo propor que se forme um consórcio de blogs para vender “páginas vistas” conjuntamente às agências).
Acho importante que aqueles que sabem como fazê-lo ajudem os demais a aumentar a audìência de seus espaços, a aproveitar melhor as redes sociais, a fazer vídeos (temas que serão tratados de forma específica).
Acho importante que a gente debata as ameaças já existentes à blogosfera (como a possibilidade de que sejam criados “pedágios” na rede, privilegiando certos conteúdos em detrimento de outros).
Não é muito, mas já é alguma coisa.
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A nossa é uma organização declaradamente mambembe. Nossa sede provisória é o Sujinho, restaurante na Consolação, em São Paulo. Quando decidimos vender cotas de patrocínio, com o objetivo de bancar parcialmente a hospedagem, os descontos em passagens e outros pequenos gastos do evento, cada um foi atrás dos contatos que tinha à mão. Até agora tem sido um esforço abertamente colaborativo, bem com a cara da rede: cada um ajuda do jeito que pode. Nada teria sido possível sem a capacidade do Altamiro Borges de agregar pessoas tão diversas e a tenacidade da Conceição Lemes, a nos cobrar prazos e tarefas.
Escrevo em meu nome e é importante que isso fique claro: a blogosfera é muito diversa e é difícil encontrar dois blogueiros que concordem absolutamente sobre um único tema. Por isso, quem imagina que os 200 blogueiros já inscritos vão se submeter a algum tipo de controle, de comando centralizado ou de “ordens superiores” decididamente não conhece a blogosfera.
Como um dos idealizadores do encontro, digo que defendemos mais democracia (não menos) e mais mídia (nunca menos).
Acho importante que os blogueiros se conheçam pessoalmente, para trocar telefones, e-mails, ideias e experiencias.
Acho importante que se discuta a viabilidade comercial da blogosfera, que será tema de uma das mesas (no encontro, pretendo propor que se forme um consórcio de blogs para vender “páginas vistas” conjuntamente às agências).
Acho importante que aqueles que sabem como fazê-lo ajudem os demais a aumentar a audìência de seus espaços, a aproveitar melhor as redes sociais, a fazer vídeos (temas que serão tratados de forma específica).
Acho importante que a gente debata as ameaças já existentes à blogosfera (como a possibilidade de que sejam criados “pedágios” na rede, privilegiando certos conteúdos em detrimento de outros).
Não é muito, mas já é alguma coisa.
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A crise existencial do Instituto Millenium
Por Altamiro Borges
O jornalista Luis Nassif, sempre bem informado e com trânsito no meio empresarial, informou no final de julho que o Instituto Millenium, que agrega poderosas empresas e o que há de mais conservador na política brasileira, atravessa uma grave “crise de identidade”. Ela teria eclodido após a realização do seminário sobre “liberdade de expressão”, ocorrido em março passado, que foi protagonizado por famosos colunistas da mídia golpista e muitos artistas globais.
O evento teria explicitado a ligação do instituto com a oposição de direita. Entre os convidados, “Roberto Romano, Jabor, Demétrio Magnoli, Reinaldo Azevedo, Eurípedes Alcântara, Otávio Frias Filho e Roberto Civita. Só. Começa o seminário, a ultradireita fez a festa... Conclamaram à guerra, sem direito de resposta aos inimigos (adversários é termo brando)... Só faltou saírem em passeata com grandes bandeiras medievais, daquelas que a TFP gostava de desfraldar”.
“Saia justa com seus patrocinadores”
Mas a reação ao evento foi imediata, principalmente na blogosfera. “O mínimo que se falou do Millenium é que ele seria o novo IBAD (Instituto Brasileiro de Ação Democrática), uma das organizações que conspirou em 1964. Explodiu uma crise entre os patrocinadores... Depois de botar fogo no terreiro, cada artista voltou para seu canto, deixando o Instituto Millenium numa enorme saia justa com seus patrocinadores e com uma enorme crise de identidade”, relata.
Diplomático, Nassif até tenta relativizar os intentos do sinistro instituto. “Bancado por grandes empresários, com um fundo gerido pelo Armínio Fraga, destinava-se a propagar as virtudes da livre iniciativa - ponto importante no debate nacional. Aí foram na conversa de uns espertos e decidiram montar o seminário”. Ao final, ele inclusive faz um alerta. “Espero que o Millenium recupere sua proposta original. E um pouquinho de pluralidade não lhe faria mal algum”.
Golpismo está no seu DNA
Discordo do amigo Nassif. Não acredito na reversão deste instituto, que já nasceu com o projeto de ser um centro do pensamento conservador e um organismo aglutinador do que há de mais reacionário no Brasil. O golpismo está no seu DNA. Criado em 2006, ele é presidido por Patrícia Andrade, filha do falecido jornalista Evandro Carlos de Andrade, um dos mentores da Central Globo de Jornalismo, ex-analista dos bancos Icatu e JPMorgan e uma das signatárias do risível “manifesto contra a ditadura esquerdista na mídia”, escrito pelo fascistóide Olavo de Carvalho.
O Millenium não tem nada de neutro ou plural. É controlado pelas corporações empresariais. Entre os mantenedores estão Jorge Gerdau, o barão da siderurgia, Sergio Foguel, da Odebrecht, Pedro Henrique Mariani, do Banco BBM, Salim Mattar, do grupo Localiza, e Marcos Amaro, da TAM. O gestor do seu fundo patrimonial é Armínio Fraga, o ex-presidente do Banco Central no reinado neoliberal de FHC. Os barões da mídia comandam a entidade. Entre os dez principais mantenedores estão João Roberto Marinho, das Organizações Globo, e Roberto Civita, do Abril.
Sucessão presidencial e pragmatismo
A “crise de identidade” do Instituto Millenium reflete as dificuldades da oposição de direita na sucessão presidencial. No seminário de março, o objetivo maior foi unificar o discurso da mídia hegemônica contra a candidatura Dilma Rousseff. Mas, até agora, a mídia demotucana não está conseguindo abalar a popularidade do presidente Lula nem impedir a sua transferência de votos. Pragmáticos, alguns empresários já temem o futuro e repensam seus “patrocínios”. Talvez seja melhor para os seus negócios se afastarem de um instituto abertamente golpista e de oposição.
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O jornalista Luis Nassif, sempre bem informado e com trânsito no meio empresarial, informou no final de julho que o Instituto Millenium, que agrega poderosas empresas e o que há de mais conservador na política brasileira, atravessa uma grave “crise de identidade”. Ela teria eclodido após a realização do seminário sobre “liberdade de expressão”, ocorrido em março passado, que foi protagonizado por famosos colunistas da mídia golpista e muitos artistas globais.
O evento teria explicitado a ligação do instituto com a oposição de direita. Entre os convidados, “Roberto Romano, Jabor, Demétrio Magnoli, Reinaldo Azevedo, Eurípedes Alcântara, Otávio Frias Filho e Roberto Civita. Só. Começa o seminário, a ultradireita fez a festa... Conclamaram à guerra, sem direito de resposta aos inimigos (adversários é termo brando)... Só faltou saírem em passeata com grandes bandeiras medievais, daquelas que a TFP gostava de desfraldar”.
“Saia justa com seus patrocinadores”
Mas a reação ao evento foi imediata, principalmente na blogosfera. “O mínimo que se falou do Millenium é que ele seria o novo IBAD (Instituto Brasileiro de Ação Democrática), uma das organizações que conspirou em 1964. Explodiu uma crise entre os patrocinadores... Depois de botar fogo no terreiro, cada artista voltou para seu canto, deixando o Instituto Millenium numa enorme saia justa com seus patrocinadores e com uma enorme crise de identidade”, relata.
Diplomático, Nassif até tenta relativizar os intentos do sinistro instituto. “Bancado por grandes empresários, com um fundo gerido pelo Armínio Fraga, destinava-se a propagar as virtudes da livre iniciativa - ponto importante no debate nacional. Aí foram na conversa de uns espertos e decidiram montar o seminário”. Ao final, ele inclusive faz um alerta. “Espero que o Millenium recupere sua proposta original. E um pouquinho de pluralidade não lhe faria mal algum”.
Golpismo está no seu DNA
Discordo do amigo Nassif. Não acredito na reversão deste instituto, que já nasceu com o projeto de ser um centro do pensamento conservador e um organismo aglutinador do que há de mais reacionário no Brasil. O golpismo está no seu DNA. Criado em 2006, ele é presidido por Patrícia Andrade, filha do falecido jornalista Evandro Carlos de Andrade, um dos mentores da Central Globo de Jornalismo, ex-analista dos bancos Icatu e JPMorgan e uma das signatárias do risível “manifesto contra a ditadura esquerdista na mídia”, escrito pelo fascistóide Olavo de Carvalho.
O Millenium não tem nada de neutro ou plural. É controlado pelas corporações empresariais. Entre os mantenedores estão Jorge Gerdau, o barão da siderurgia, Sergio Foguel, da Odebrecht, Pedro Henrique Mariani, do Banco BBM, Salim Mattar, do grupo Localiza, e Marcos Amaro, da TAM. O gestor do seu fundo patrimonial é Armínio Fraga, o ex-presidente do Banco Central no reinado neoliberal de FHC. Os barões da mídia comandam a entidade. Entre os dez principais mantenedores estão João Roberto Marinho, das Organizações Globo, e Roberto Civita, do Abril.
Sucessão presidencial e pragmatismo
A “crise de identidade” do Instituto Millenium reflete as dificuldades da oposição de direita na sucessão presidencial. No seminário de março, o objetivo maior foi unificar o discurso da mídia hegemônica contra a candidatura Dilma Rousseff. Mas, até agora, a mídia demotucana não está conseguindo abalar a popularidade do presidente Lula nem impedir a sua transferência de votos. Pragmáticos, alguns empresários já temem o futuro e repensam seus “patrocínios”. Talvez seja melhor para os seus negócios se afastarem de um instituto abertamente golpista e de oposição.
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