Reproduzo artigo de Flávio Aguiar, publicado no sítio Carta Maior:
Na mídia européia aumentou o número de referências a que Dilma Roussef pode ganhar no primeiro turno. De Portugal à Alemanha, do Reino Unido à França, comenta-se a possibilidade.
Às vezes isso desagrada. Para comentaristas conservadores, Dilma é uma "estatista" convicta, mais do que Lula. Isso é uma dor de cabeça. O governo Lula tirou o Brasil da crise financeira rapidamente e com pouco dano porque está fazendo o contrário do que os economistas e governos conservadores - sejam social-democratas ou democrata-cristãos - estão pregando e fazendo.
Para montar o fundo de reserva para proteger o euro - e antas, ainda, para impedir que a bancarrota da Grécia arrastasse consigo os bancos alemães e franceses credores, o que faria a Europa inteira virar um Titanic e bater no iceberg de suas insolvências nacionais - tiveram de recorrer ao FMI. Mais: às receitas do FMI. A Europa virou uma gigantesca Argentina do século passado.
E passaram a foice nos direitos de trabalhadores, pensionistas, aposentados, usuários de programas sociais, etc., com danos que serão sentidos nas próximas gerações. Por exemplo: a Itália acabou com um programa chamado "professores de rua", que colocava educadores nas ruas, no sul do país, para convencer jovens a sair da tentaçào da máfia e do narcotráfico e voltar para a escola. O dano vai ser enorme.
A Alemanha cortou a renda que o governo dava às mães solteiras. O dano também vai ser enorme.
E ainda caíram de martelo em cima dos salários, partcularmente do setor público. O dano também vai ser enorme.
Mas saudando números, economistas e comentaristas conservadores deliram porque a Alemanha "dá mostras de recuperação e puxa a economia européia para cima". Claro, graças a exportações bilionárias para a China. O poder aquisitivo interno está evaporado. Aposta-se em que as exportações farão cair o nível de desemprego. Quosque tandem? Até quando? Aí cai-se na reza para que a China continue crescendo, e apostando também no seu mercado interno.
Mas acontece que no meio do caminho tem o Brasil, tem o Brasil no meio do caminho. Adotando uma saída do tipo da Malásia, que no século passado, quando da crise da dívida externa no Sudeste Asiático fez tudo o contrário do que o FMI queria, e saiu-se bem, ao contrário da Indonésia, da Tailândia, até da Coréia do Sul, o Brasil "investiu em investimentos", continuou melhorando salários, subsidiou a linha branca, etc., vocês aí devem conhecer as soluções melhor do que eu, aqui de longe, apesar da internet. O que fazer com o Brasil? Essa é uma pergunta alarmante no cenário internacional para as ortodoxias econômicas.
A esperança era José Serra. Uma virada que reintegrasse o Brasil na ortodoxia mais roxa que pano de quaresma e meia de cardeal. Não está dando certo. Por quê?
Porque Serra nada tem a oferecer. Os comentários da mídia a que aludi acima são expressivos. Porque aí vem a emenda, que para o arraial serrista é pior do que o soneto. A mesma mídia que cautelosamente aponta a possibilidade da vitória de Dilma, assinala que só um fato novo poderia virar o quadro, nem que flosse para jogar tudo para o segundo turno. Mas diz - como no caso da The Economist - esse fato novo só pode ser algo como uma denúncia que vire a mesa. Ou seja, de Serra, na verdade, nada se espera. Como dizia o Barão de Itararé: ali donde nada se espera, é que não sai nada mesmo. O The Guardian chegou a dizer que o programa de TV de Dilma arrasa com o de Serra.
Serra perdeu a voz, a vez, está mal no santinho, na paróquia, etc. Só não perdeu o grito. Dilma disse muito bem que eleição se ganha no voto, não em pesquisa. Mas há quem queira ganhar no grito, já que não tem outro recurso. E com ajuda da gritalhada da mídia conservadora brasileira, claro.
Acontece que, no caso das quebras de sigilo, o tribunal eleitoral não aceitou a denúncia contra Dilma, por falta de provas. Mais cedo ou mais tarde, isso vai prevalecer sobre a gritaria, as conjeturas, as hipóteses, as contra-hipóteses, as teses abstrusas, esse mar de lama em que se tenta sufocar a eleição brasileira e o debate das propostas. Porque um lado - o de Serra - não tem propostas que possa apresentar, só as que não pode apresentar, que envolvem a demolição dos direitos conquistados e exercidos pelo povo brasileiro nos últimos anos.
Querem nos transformar numa nova Grécia.
Esconjuro. A Serra o que é de Serra: nada.
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quarta-feira, 8 de setembro de 2010
TV brasileira: sessentona e desregulada
Reproduzo artigo de Venício Lima, publicado no Observatório da Imprensa:
Setembro é o mês de aniversário da televisão no Brasil e 2010 marca os seus 60 anos. Uma idade respeitável, sem dúvida. Ao lado das celebrações, devemos aproveitar o calendário e fazer alguns rápidos registros sobre essa instituição formidável que alcançou importância única em nossa sociedade.
O que de relevante tem acontecido com a televisão brasileira nos últimos anos?
Certamente, ela já viveu melhores dias. Aos 60 anos, há uma significativa queda na sua audiência média – conseqüência, dentre outras causas, das profundas mudanças provocadas pelas novas tecnologias de informação e comunicação (TICs). Esse, por óbvio, não é um problema exclusivamente brasileiro. Entre nós, permanece, há décadas, a liderança da mesma rede, embora seus principais programas e gêneros não alcancem mais as incríveis audiências que tiveram no passado.
Há algum tempo, merece destaque no setor a passagem do sistema analógico para o digital. A decisão sobre qual o modelo de TV digital seria adotado no país sofreu uma guinada de 180 graus entre 2003 e 2006 e a opção pelo modelo japonês, que privilegia a mobilidade e a qualidade da imagem em detrimento da abertura para novos concessionários, acabou prevalecendo. Uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) que contestava a constitucionalidade da decisão foi recentemente julgada improcedente pelo STF.
Atraso de décadas
Um importante avanço, sem dúvida, foi a criação da primeira experiência de TV pública no país – a TV Brasil da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), em 2007. Embora previsto no artigo 223 da Constituição de 1988 para ser complementar aos sistemas privado e estatal de radiodifusão, não havia, até então, sequer uma positivação legal do que seria um sistema público de televisão. Apesar de enfrentar a sistemática e impiedosa hostilidade do sistema privado comercial dominante e de seus aliados na mídia impressa, a TV pública vai aos poucos se consolidando e, espera-se, possa, no médio prazo, se transformar em referência de qualidade para a televisão brasileira.
Há, no entanto, uma área em que continuamos onde sempre estivemos: a regulação do exercício da atividade televisiva.
A procuradora Vera Nusdeo, em belo capítulo intitulado "A lei da selva", no livro organizado pelo jornalista e professor Eugênio Bucci [A TV aos 50, Criticando a Televisão Brasileira no seu Cinqüentenário, Editora da Fundação Perseu Abramo], escreveu:
"Entre nós, a legislação não contribui para formar uma mentalidade, tanto do público como dos concessionários de televisão, baseada no direito à informação do primeiro e na obrigação dos segundos de prestar um serviço de qualidade, respeitando os valores éticos e sociais e não apenas atendendo aos interesses dos anunciantes. Comparada à legislação de outros países, a brasileira é de um laconismo que reflete com perfeição a falta de consciência da relevância do meio televisivo no mundo contemporâneo e, consequentemente, a responsabilidade social subjacente ao exercício dessa atividade".
Dez anos depois, a mesma avaliação pode ser feita, agora com uma agravante: apesar da sua óbvia necessidade, das propostas da 1ª Confecom e de seu atraso de seis décadas (o Código Brasileiro de Telecomunicações é de 1962!), não há sinais convincentes de que algum tipo de regulação do exercício da atividade televisiva esteja a caminho, pelo menos no médio prazo.
Sem regulação
Há poucas semanas comentei neste Observatório que o presidente Lula havia assinado decreto criando uma comissão interministerial para "elaborar estudos e apresentar propostas de revisão do marco regulatório da organização e exploração dos serviços de telecomunicações e de radiofusão".
Apesar de o ministro Franklin Martins, da Secretaria de Comunicação da Presidência da República (Secom), haver declarado, à época, que "a idéia é deixar para o próximo governo propostas que permitam avançar numa área crucial e enfrentar os desafios e oportunidades abertos pela era digital na comunicação e pela convergência de mídias", circulou a informação de que o próprio presidente Lula queria enviar ao Congresso Nacional, ainda em seu governo, a proposta de marco regulatório.
Todavia, a serem verdadeiras as últimas notícias divulgadas na grande mídia sobre o assunto, "o governo desistiu de encaminhar ao Congresso Nacional, logo após as eleições, projeto de nova regulamentação das comunicações no país (...) isso, será uma tarefa do próximo governo". (cf. Luiz Carlos Azedo, "Brasília DF", Correio Braziliense, 5/9/2010, pág. 7).
Como bem disse a procuradora Vera Nusdeo, dez anos atrás, no capítulo já citado:
"No Brasil, o Estado se limita ao seu papel de conceder canais. Fora isso, o que impera, desde sempre, é a total falta de regulamentação [da atividade televisiva], talvez por medo de que qualquer discussão sobre o assunto possa dar a impressão de censura e obscurantismo."
A televisão brasileira chega, portanto, aos seus 60 anos, da mesma forma que tem estado em praticamente toda a sua história: sem um marco regulatório que discipline sua atividade.
Convenhamos, essa não é uma condição a ser celebrada.
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Setembro é o mês de aniversário da televisão no Brasil e 2010 marca os seus 60 anos. Uma idade respeitável, sem dúvida. Ao lado das celebrações, devemos aproveitar o calendário e fazer alguns rápidos registros sobre essa instituição formidável que alcançou importância única em nossa sociedade.
O que de relevante tem acontecido com a televisão brasileira nos últimos anos?
Certamente, ela já viveu melhores dias. Aos 60 anos, há uma significativa queda na sua audiência média – conseqüência, dentre outras causas, das profundas mudanças provocadas pelas novas tecnologias de informação e comunicação (TICs). Esse, por óbvio, não é um problema exclusivamente brasileiro. Entre nós, permanece, há décadas, a liderança da mesma rede, embora seus principais programas e gêneros não alcancem mais as incríveis audiências que tiveram no passado.
Há algum tempo, merece destaque no setor a passagem do sistema analógico para o digital. A decisão sobre qual o modelo de TV digital seria adotado no país sofreu uma guinada de 180 graus entre 2003 e 2006 e a opção pelo modelo japonês, que privilegia a mobilidade e a qualidade da imagem em detrimento da abertura para novos concessionários, acabou prevalecendo. Uma Ação Direta de Inconstitucionalidade (ADI) que contestava a constitucionalidade da decisão foi recentemente julgada improcedente pelo STF.
Atraso de décadas
Um importante avanço, sem dúvida, foi a criação da primeira experiência de TV pública no país – a TV Brasil da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), em 2007. Embora previsto no artigo 223 da Constituição de 1988 para ser complementar aos sistemas privado e estatal de radiodifusão, não havia, até então, sequer uma positivação legal do que seria um sistema público de televisão. Apesar de enfrentar a sistemática e impiedosa hostilidade do sistema privado comercial dominante e de seus aliados na mídia impressa, a TV pública vai aos poucos se consolidando e, espera-se, possa, no médio prazo, se transformar em referência de qualidade para a televisão brasileira.
Há, no entanto, uma área em que continuamos onde sempre estivemos: a regulação do exercício da atividade televisiva.
A procuradora Vera Nusdeo, em belo capítulo intitulado "A lei da selva", no livro organizado pelo jornalista e professor Eugênio Bucci [A TV aos 50, Criticando a Televisão Brasileira no seu Cinqüentenário, Editora da Fundação Perseu Abramo], escreveu:
"Entre nós, a legislação não contribui para formar uma mentalidade, tanto do público como dos concessionários de televisão, baseada no direito à informação do primeiro e na obrigação dos segundos de prestar um serviço de qualidade, respeitando os valores éticos e sociais e não apenas atendendo aos interesses dos anunciantes. Comparada à legislação de outros países, a brasileira é de um laconismo que reflete com perfeição a falta de consciência da relevância do meio televisivo no mundo contemporâneo e, consequentemente, a responsabilidade social subjacente ao exercício dessa atividade".
Dez anos depois, a mesma avaliação pode ser feita, agora com uma agravante: apesar da sua óbvia necessidade, das propostas da 1ª Confecom e de seu atraso de seis décadas (o Código Brasileiro de Telecomunicações é de 1962!), não há sinais convincentes de que algum tipo de regulação do exercício da atividade televisiva esteja a caminho, pelo menos no médio prazo.
Sem regulação
Há poucas semanas comentei neste Observatório que o presidente Lula havia assinado decreto criando uma comissão interministerial para "elaborar estudos e apresentar propostas de revisão do marco regulatório da organização e exploração dos serviços de telecomunicações e de radiofusão".
Apesar de o ministro Franklin Martins, da Secretaria de Comunicação da Presidência da República (Secom), haver declarado, à época, que "a idéia é deixar para o próximo governo propostas que permitam avançar numa área crucial e enfrentar os desafios e oportunidades abertos pela era digital na comunicação e pela convergência de mídias", circulou a informação de que o próprio presidente Lula queria enviar ao Congresso Nacional, ainda em seu governo, a proposta de marco regulatório.
Todavia, a serem verdadeiras as últimas notícias divulgadas na grande mídia sobre o assunto, "o governo desistiu de encaminhar ao Congresso Nacional, logo após as eleições, projeto de nova regulamentação das comunicações no país (...) isso, será uma tarefa do próximo governo". (cf. Luiz Carlos Azedo, "Brasília DF", Correio Braziliense, 5/9/2010, pág. 7).
Como bem disse a procuradora Vera Nusdeo, dez anos atrás, no capítulo já citado:
"No Brasil, o Estado se limita ao seu papel de conceder canais. Fora isso, o que impera, desde sempre, é a total falta de regulamentação [da atividade televisiva], talvez por medo de que qualquer discussão sobre o assunto possa dar a impressão de censura e obscurantismo."
A televisão brasileira chega, portanto, aos seus 60 anos, da mesma forma que tem estado em praticamente toda a sua história: sem um marco regulatório que discipline sua atividade.
Convenhamos, essa não é uma condição a ser celebrada.
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terça-feira, 7 de setembro de 2010
RJ organiza o encontro dos blogueiros
Reproduzo matéria publicado na página dos blogueiros cariocas:
No domingo passado, dia 29/08, cerca de 10 blogueiros progressistas se reuniram no Sindicato do Chopp, no Leme, para dar início à mobilização estadual dos blogueiros, twitteiros e outros internautas com o mesmo perfil progressista.
A primeira mobilização foi definida já após o final do 1° Encontro Nacional dos Blogueiros Progressistas, aonde ficou escolhida a hashtag do evento estadual (#RioBlogProg) e as primeiras formas de mobilização. Com isso, foi criada uma lista de discussão por e-mail, aonde está se debatendo diversos temas da organização além de outros temas de interesse dos internautas progressistas.
Desde aquele momento, os internautas cariocas presentes já sentiam que a principal necessidade era viabilizar a realização de oficinas que capacitem e melhorem a capacidade de circulação do conteúdo gerado por todos. Essa é a maior prioridade do #RioBlogProg e não ficará restringida ao evento em si. A idéia é que a rede criada possa permanentemente estabelecer parcerias capazes de criar soluções e especialmente multiplicar e transbordar, ou seja, sempre termos novos internautas aderindo ao movimento e estes com capacitação para propagar os ideais progressistas e as ferramentas de disseminação de conteúdo.
Com 10 integrantes na mesa (nenhum deles jornalista, destaca-se), iniciamos um debate aberto sem regras de moderação. O primeiro tema foi o cenário da blogosfera no Rio de Janeiro, aonde claramente vivemos sob forte influência do poder da Rede Globo e todo seu sistema de comunicação que inclui jornais, rádios e numa medida geral fazemos contraponto e geramos contra-informação nas lacunas da velha mídia e analisando e criticando erros e o "pensamento único" dessa poderosíssima empresa de comunicação.
Portanto, somente nisso o estabelecimento de uma rede organizada de internautas cariocas já é fundamental, pois estamos no mesmo estado da sede da talvez última empresa de comunicação ainda com alguma capacidade de manipulação, especialmente por meio do Jornal Nacional.
Na reunião percebemos a ausência de muitos blogueiros e twitteiros cariocas de ótima capacidade, alguns como o Brizola Neto naturalmente envolvidos na campanha, mas a idéia é contar com todos os grandes nomes do cenário carioca, Blog do Mello, Blog do Alê, Óleo do Diabo, Blog do Saraiva entre outros importantes geradores de conteúdo. Na reunião reconhecemos também que temos forte geração de conteúdo em listas de discussão, tal como a Rede 3setor que se fazia presente com o Beto, uma das diversas redes de circulação de conteúdo alternativo por e-mail que são gerenciadas a partir do Rio de Janeiro.
Mas lá não estávamos "mal-servidos", representavam-se importantes blogueiros cariocas como por exemplo o Saulo do Blog do LEN, a @Ro_anna do Maria da Penha Neles e o Márcio Kerbel do Blog do Kerbel.
Como foi falado na nossa reunião e nessa excelente entrevista do Brizola Neto ao Luiz Carlos Azenha, do Vi o Mundo, com a queda dos grandes grupos de comunicação sediados no Estado do Rio que faziam concorrência forte às Organizações Globo (tal como o Grupo Bloch, o Jornal do Brasil e os Diários Associados), resta aos blogueiros e internautas organizarem-se de forma a tornar o contraponto de opinião e geração de conteúdo crítico e preenchendo as lacunas que a Globo não se interessa, tal como a Baixada Fluminense, o interior do Estado e as áreas mais pobres da capital.
Observação: Não foi falado na reunião, mas o jornalista Sidney Rezende, que é funcionário das Organizações Globo, tem um excelente trabalho independente na internet de "preencher lacunas" com o site SRZD.
Da mesma forma, tal como funciona o Tijolaço do deputado carioca Brizola Neto (80% de audiência de fora do RJ), o Rio sempre foi produtor de conteúdo com perfil de "caixa de ressonância nacional" até pela cidade ter sido capital por tanto tempo e ter sido originária de diversos nomes de expressão nacional em termos de "pensar o país". Que, ainda recentemente, o Encontro Nacional de Mídia Livre, realizado no Rio de Janeiro, juntou 700 pessoas. E, posto isso, há grande potencial para que o Rio de Janeiro seja sede do 2° Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas.
Passamos então a discutir sobre o evento estadual. Como o 2° Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas será em maio/2011, temos até abril para organizar nosso evento estadual. Não foi fechada uma data ao certo, mas a opção de janeiro apareceu como a mais forte. A questão de ser alta temporada prejudica a questão de hospedagem, mas podemos adotar soluções de hospedagem solidária a quem vier do interior.
Local: Há 2 propostas fortes e não excludentes entre si:
- Universidade: para a realização de oficinas, a opção de realização do #RioBlogProg em uma universidade seria perfeita, pela existência de laboratórios de informática que estão preparados exatamente para essa finalidade, segundo informações da reunião.
- Auditórios de sindicatos: seguiria o mesmo molde do Encontro Nacional, utilizando-se dos bons auditórios de sindicatos que apóiam o movimento blogueiro.
A realização exclusiva nos auditórios impediria a realização de oficinas (apenas as com celular seriam viáveis), no momento nossa maior prioridade. É possível pensar até numa grade que permita eventos nos 2 ambientes, com oficinas em laboratórios/Pontões de Cultura e plenárias em auditórios para debates.
Trazer a universidade e especialmente a academia, tanto professores como alunos, jovens, é uma meta importante que precisamos para ampliar nossa capacidade de produção de qualidade e disseminação de conteúdo. A universidade também leva vantagem por agregar espaços adequados para nosso evento, além de ter boa banda larga o que foi por exemplo um enorme problema durante o Encontro Nacional.
Além dos nomes citados, foram pensadas diversas parcerias com membros da ECO da UFRJ (especialmente com a Ivana Bentes, entusiasta da mídia livre), com a CUFA, com alguns políticos que também utilizam a internet (mesmo que de maneira inadequada) e com o Emir Sader, que também encontra-se em campanha como suplente de senador.
Dentre outros temas internos à organização, a transmissão do encontro com boa qualidade é prioridade. Também iremos construir um projeto executivo para apresentar aos nossos "amigos da blogosfera" e na realização das parcerias que desejamos, com apoios de caráter financeiro, estrutural, social e político.
Quem estiver interessado em saber da íntegra da ata de nossa reunião, e participar das nossas discussões, convido para ingressar na lista #RioBlogProg que a ata encontra-se disponível nos arquivos do grupo. E utilize no Twiiter e nas redes sociais a hashtag #RioBlogProg sempre que falar a respeito não apenas do evento, mas do movimento dos internautas progressistas do Estado do Rio de Janeiro.
Próxima reunião
Será na primeira semana de outubro, em algum auditório no Centro do Rio de Janeiro. A discussão sobre o tema está em aberto na lista, inscreva-se e participe!
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No domingo passado, dia 29/08, cerca de 10 blogueiros progressistas se reuniram no Sindicato do Chopp, no Leme, para dar início à mobilização estadual dos blogueiros, twitteiros e outros internautas com o mesmo perfil progressista.
A primeira mobilização foi definida já após o final do 1° Encontro Nacional dos Blogueiros Progressistas, aonde ficou escolhida a hashtag do evento estadual (#RioBlogProg) e as primeiras formas de mobilização. Com isso, foi criada uma lista de discussão por e-mail, aonde está se debatendo diversos temas da organização além de outros temas de interesse dos internautas progressistas.
Desde aquele momento, os internautas cariocas presentes já sentiam que a principal necessidade era viabilizar a realização de oficinas que capacitem e melhorem a capacidade de circulação do conteúdo gerado por todos. Essa é a maior prioridade do #RioBlogProg e não ficará restringida ao evento em si. A idéia é que a rede criada possa permanentemente estabelecer parcerias capazes de criar soluções e especialmente multiplicar e transbordar, ou seja, sempre termos novos internautas aderindo ao movimento e estes com capacitação para propagar os ideais progressistas e as ferramentas de disseminação de conteúdo.
Com 10 integrantes na mesa (nenhum deles jornalista, destaca-se), iniciamos um debate aberto sem regras de moderação. O primeiro tema foi o cenário da blogosfera no Rio de Janeiro, aonde claramente vivemos sob forte influência do poder da Rede Globo e todo seu sistema de comunicação que inclui jornais, rádios e numa medida geral fazemos contraponto e geramos contra-informação nas lacunas da velha mídia e analisando e criticando erros e o "pensamento único" dessa poderosíssima empresa de comunicação.
Portanto, somente nisso o estabelecimento de uma rede organizada de internautas cariocas já é fundamental, pois estamos no mesmo estado da sede da talvez última empresa de comunicação ainda com alguma capacidade de manipulação, especialmente por meio do Jornal Nacional.
Na reunião percebemos a ausência de muitos blogueiros e twitteiros cariocas de ótima capacidade, alguns como o Brizola Neto naturalmente envolvidos na campanha, mas a idéia é contar com todos os grandes nomes do cenário carioca, Blog do Mello, Blog do Alê, Óleo do Diabo, Blog do Saraiva entre outros importantes geradores de conteúdo. Na reunião reconhecemos também que temos forte geração de conteúdo em listas de discussão, tal como a Rede 3setor que se fazia presente com o Beto, uma das diversas redes de circulação de conteúdo alternativo por e-mail que são gerenciadas a partir do Rio de Janeiro.
Mas lá não estávamos "mal-servidos", representavam-se importantes blogueiros cariocas como por exemplo o Saulo do Blog do LEN, a @Ro_anna do Maria da Penha Neles e o Márcio Kerbel do Blog do Kerbel.
Como foi falado na nossa reunião e nessa excelente entrevista do Brizola Neto ao Luiz Carlos Azenha, do Vi o Mundo, com a queda dos grandes grupos de comunicação sediados no Estado do Rio que faziam concorrência forte às Organizações Globo (tal como o Grupo Bloch, o Jornal do Brasil e os Diários Associados), resta aos blogueiros e internautas organizarem-se de forma a tornar o contraponto de opinião e geração de conteúdo crítico e preenchendo as lacunas que a Globo não se interessa, tal como a Baixada Fluminense, o interior do Estado e as áreas mais pobres da capital.
Observação: Não foi falado na reunião, mas o jornalista Sidney Rezende, que é funcionário das Organizações Globo, tem um excelente trabalho independente na internet de "preencher lacunas" com o site SRZD.
Da mesma forma, tal como funciona o Tijolaço do deputado carioca Brizola Neto (80% de audiência de fora do RJ), o Rio sempre foi produtor de conteúdo com perfil de "caixa de ressonância nacional" até pela cidade ter sido capital por tanto tempo e ter sido originária de diversos nomes de expressão nacional em termos de "pensar o país". Que, ainda recentemente, o Encontro Nacional de Mídia Livre, realizado no Rio de Janeiro, juntou 700 pessoas. E, posto isso, há grande potencial para que o Rio de Janeiro seja sede do 2° Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas.
Passamos então a discutir sobre o evento estadual. Como o 2° Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas será em maio/2011, temos até abril para organizar nosso evento estadual. Não foi fechada uma data ao certo, mas a opção de janeiro apareceu como a mais forte. A questão de ser alta temporada prejudica a questão de hospedagem, mas podemos adotar soluções de hospedagem solidária a quem vier do interior.
Local: Há 2 propostas fortes e não excludentes entre si:
- Universidade: para a realização de oficinas, a opção de realização do #RioBlogProg em uma universidade seria perfeita, pela existência de laboratórios de informática que estão preparados exatamente para essa finalidade, segundo informações da reunião.
- Auditórios de sindicatos: seguiria o mesmo molde do Encontro Nacional, utilizando-se dos bons auditórios de sindicatos que apóiam o movimento blogueiro.
A realização exclusiva nos auditórios impediria a realização de oficinas (apenas as com celular seriam viáveis), no momento nossa maior prioridade. É possível pensar até numa grade que permita eventos nos 2 ambientes, com oficinas em laboratórios/Pontões de Cultura e plenárias em auditórios para debates.
Trazer a universidade e especialmente a academia, tanto professores como alunos, jovens, é uma meta importante que precisamos para ampliar nossa capacidade de produção de qualidade e disseminação de conteúdo. A universidade também leva vantagem por agregar espaços adequados para nosso evento, além de ter boa banda larga o que foi por exemplo um enorme problema durante o Encontro Nacional.
Além dos nomes citados, foram pensadas diversas parcerias com membros da ECO da UFRJ (especialmente com a Ivana Bentes, entusiasta da mídia livre), com a CUFA, com alguns políticos que também utilizam a internet (mesmo que de maneira inadequada) e com o Emir Sader, que também encontra-se em campanha como suplente de senador.
Dentre outros temas internos à organização, a transmissão do encontro com boa qualidade é prioridade. Também iremos construir um projeto executivo para apresentar aos nossos "amigos da blogosfera" e na realização das parcerias que desejamos, com apoios de caráter financeiro, estrutural, social e político.
Quem estiver interessado em saber da íntegra da ata de nossa reunião, e participar das nossas discussões, convido para ingressar na lista #RioBlogProg que a ata encontra-se disponível nos arquivos do grupo. E utilize no Twiiter e nas redes sociais a hashtag #RioBlogProg sempre que falar a respeito não apenas do evento, mas do movimento dos internautas progressistas do Estado do Rio de Janeiro.
Próxima reunião
Será na primeira semana de outubro, em algum auditório no Centro do Rio de Janeiro. A discussão sobre o tema está em aberto na lista, inscreva-se e participe!
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Paraná prepara encontro dos blogueiros
Reproduzo matéria publicada na página dos blogueiros paranaenses:
Os blogueiros residentes no Paraná presentes ao I Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas, em 22 de agosto, formaram um comitê para organizar o I Encontro Estadual dos Blogueiros Progressistas no Paraná – EEBP-PR.
O I EEBP-PR, “A cidadania ativa na Internet: o caráter revolucionário dos blogs. O desafio do Paraná”, será realizado nos dias 26, 27 e 28 de novembro de 2010, em Curitiba. Será também a etapa estadual de preparação para o II Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas que acontecerá em 2011.
O Encontro Estadual tem como objetivos:
- Disseminar o fenômeno dos blogs no Paraná;
- Ampliar o número de agentes ativos na blogosfera como forma de aprofundar o conteúdo de cidadania da internet.
O EEPB-PR é um espaço aberto destinado à aproximação de blogueiros, twitteiros e sites progressistas e independentes de todo estado, onde se buscará fortalecer a rede virtual e horizontal em criação no Paraná.
Assim como o Encontro Nacional realizado em São Paulo, o paranaense será um espaço supra-partidário, onde os blogueiros, twitteiros e sites independentes, os movimentos sociais, populares e sindical, jornalistas e ativistas das causas sociais, debaterão:
- A liberdade de expressão, internet e aspectos jurídicos;
- A Internet, a cidadania e os movimentos sociais;
- Papel dos blogs, twitter e outras ferramentas;
- Estratégias de formação de cidadãos ativos e conectados na internet, alfabetização digital e adensamento das redes;
- Blogs: conteúdo prioritário do jornalismo, da informação e da opinião.
A democratização das comunicações, a liberdade de expressão, os Planos Estadual e Nacional de Banda Larga (PEBL e PNBL), a neutralidade da internet, são temas vitais para construção de um Paraná Autônomo, Livre, Plural e Democrático para todos os que aqui vivem.
O EEBP-PR ainda contará com oficinas práticas, com “aulas” de blogosferização – orientação e suporte à criação e uso de blogs – para associações de moradores, movimentos populares e sindicatos.
Os defensores da liberdade de expressão e da democratização dos meios de comunicação no Paraná mostrarão a força da parceria entre movimentos sociais, sindicatos e blogueiros independentes.
Acesse nosso blog coletivo http://paranablogs.wordpress.com/, acompanhe as novidades e ajude a organizar o I Encontro Estadual de Blogueiros Progressistas no Paraná.
Fazem parte do Comitê Organizador do I Encontro de Blogueiros Progressistas no Paraná:
- http://amigosdatvbrasil.blogspot.com/
- http://cadernosdagraciosa.blogspot.com
- http://engajarte-blog.blogspot.com/
- http://maisdeumbilhaopassamfome.blogspot.com/
- http://midiacrucis.wordpress.com/
- http://mvtvcom.com.br/
- http://www.tie-brasil.org/
- http://tribunasetoreletrico.blogspot.com/
- http://vivasamas.wordpress.com/
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Os blogueiros residentes no Paraná presentes ao I Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas, em 22 de agosto, formaram um comitê para organizar o I Encontro Estadual dos Blogueiros Progressistas no Paraná – EEBP-PR.
O I EEBP-PR, “A cidadania ativa na Internet: o caráter revolucionário dos blogs. O desafio do Paraná”, será realizado nos dias 26, 27 e 28 de novembro de 2010, em Curitiba. Será também a etapa estadual de preparação para o II Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas que acontecerá em 2011.
O Encontro Estadual tem como objetivos:
- Disseminar o fenômeno dos blogs no Paraná;
- Ampliar o número de agentes ativos na blogosfera como forma de aprofundar o conteúdo de cidadania da internet.
O EEPB-PR é um espaço aberto destinado à aproximação de blogueiros, twitteiros e sites progressistas e independentes de todo estado, onde se buscará fortalecer a rede virtual e horizontal em criação no Paraná.
Assim como o Encontro Nacional realizado em São Paulo, o paranaense será um espaço supra-partidário, onde os blogueiros, twitteiros e sites independentes, os movimentos sociais, populares e sindical, jornalistas e ativistas das causas sociais, debaterão:
- A liberdade de expressão, internet e aspectos jurídicos;
- A Internet, a cidadania e os movimentos sociais;
- Papel dos blogs, twitter e outras ferramentas;
- Estratégias de formação de cidadãos ativos e conectados na internet, alfabetização digital e adensamento das redes;
- Blogs: conteúdo prioritário do jornalismo, da informação e da opinião.
A democratização das comunicações, a liberdade de expressão, os Planos Estadual e Nacional de Banda Larga (PEBL e PNBL), a neutralidade da internet, são temas vitais para construção de um Paraná Autônomo, Livre, Plural e Democrático para todos os que aqui vivem.
O EEBP-PR ainda contará com oficinas práticas, com “aulas” de blogosferização – orientação e suporte à criação e uso de blogs – para associações de moradores, movimentos populares e sindicatos.
Os defensores da liberdade de expressão e da democratização dos meios de comunicação no Paraná mostrarão a força da parceria entre movimentos sociais, sindicatos e blogueiros independentes.
Acesse nosso blog coletivo http://paranablogs.wordpress.com/, acompanhe as novidades e ajude a organizar o I Encontro Estadual de Blogueiros Progressistas no Paraná.
Fazem parte do Comitê Organizador do I Encontro de Blogueiros Progressistas no Paraná:
- http://amigosdatvbrasil.blogspot.com/
- http://cadernosdagraciosa.blogspot.com
- http://engajarte-blog.blogspot.com/
- http://maisdeumbilhaopassamfome.blogspot.com/
- http://midiacrucis.wordpress.com/
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A direita quer ganhar no tapetão
Reproduzo editorial do sítio Vermelho:
Há um espectro rondando a sucessão presidencial – o fantasma da tentativa de uma saída à margem das normas institucionais e da lei. Da busca da vitória no tapetão, como se diz no futebol. Mas não passa de um espectro, de uma pálida sombra de um passado ameaçador que, nestes vinte e cinco anos de normalidade democrática – o mais longo da história do país – parece expulso de vez do cenário brasileiro.
O caminho desse espectro é o envelhecido roteiro da direita brasileira, a ameaça do uso de dossiês como petardos contra adversários políticos. Na eleição deste ano, ele vem envolto em uma construção capenga: a bisbilhotagem da situação fiscal para constranger adversários políticos. Em junho a Folha de S. Paulo denunciou a violação do sigilo fiscal do dirigente tucano Eduardo Jorge e acusou o comando de campanha de Dilma Rousseff como a origem dessa irregularidade. Mais tarde a denuncia engordou com a inclusão de outros dirigentes tucanos na lista dos que teriam tido suas declarações à Receita Federal acessadas ilegalmente. Agora, aparece nessa lista o nome da filha de José Serra, Verônica. Tudo isso, segundo a denúncia da mídia dos patrões e do cardinalato tucano, mirando o candidato da oposição, o próprio José Serra.
Mais um passo da trama foi dado no dia 1º de setembro, quando o alto comando da campanha da oposição entrou com uma representação no Tribunal Superior Eleitoral acusando o Partido dos Trabalhadores de montar dossiês anti-tucanos, exigindo a apuração do suposto envolvimento de Dilma Rousseff na quebra dos sigilos e pedindo a cassação de sua candidatura. O corregedor-geral da Justiça Eleitoral, Aldir Passarinho Jr, deu a essa pretensão descabida (e golpista) o destino adequado: o silêncio dos arquivos. Mesmo porque ele avaliou não existe fatos que comprovem a presunção aloprada dos tucanos.
É uma acusação improcedente e inverossímil. Afinal, montada em índices de opinião que superam os 51% de aprovação popular e indicam uma confortável e aparentemente irreversível dianteira sobre o tucano José Serra e a soma das indicações de todos os demais candidatos (o que indica uma vitória já no primeiro turno da eleição), qual o sentido que poderia ter uma iniciativa ilegal contra um adversário que as pesquisas revelam cada vez mais distante?
A estridente campanha da mídia em torno desses supostos dossiês só pode ter um sentido: o de criar fatos para justificar medidas judiciais contra a quase provável eleição de Dilma Rousseff. Isto é, na iminência de perder nas urnas, no voto popular, a direita parece articular-se para disputar nos tribunais, alegando um crime eleitoral cuja prova seria justamente o dossiê formado pela bisbilhotagem que ela alardeia pela mídia.
Essa atitude tem um nome: golpe. No passado, a direita colocou na rua a classe média conservadora e teve o apoio de chefes militares anticomunistas para afastar do poder políticos que não rezavam por sua cartilha, mas representavam avanços democráticos e sociais como Getúlio Vargas e João Goulart.
Foi à memória desse passado que precisa ser superado que o tucano José Serra referiu-se (e a mídia repercutiu) quando, em encontro com militares reformados (aposentados) no Clube da Aeronáutica (dia 27 de agosto) desenterrou o argumento da direita para derrubar Goulart em 1964: o fantasma da "república sindicalista”, que volta a assombrar os conservadores golpistas, entre os quais ele próprio se inclui ao repetir tal alegação. “Uma grande motivação da derrubada de Jango era que a idea da república sindicalista não tinha a menor possibilidade de acontecer tal a fraqueza do governo. Mas agora fizeram a república sindicalista”, disse ele numa visível incitação à ação militar contra o governo Lula. No passado quem agia assim era conhecido como “vivandeira de quartel”, aqueles que rondavam os homens fardados para reverter derrotas nas urnas.
Hoje, essa direita golpista já não tem apoio popular (que fim levou o “Cansei”, de 2007?). Com e com os oficiais da ativa das Forças Armadas voltados para seus deveres profissionais e constitucionais, o que resta à direita é um conluio entre retrógrados anciãos do neoliberalismo e o jornalismo decadente da imprensa do grande capital.
Contra a direita, a nação coloca-se quase unânime, como indicam os 96% de aprovação ao governo Lula (soma dos que, nas pesquisas de opinião, consideram seu governo ótimo, bom ou regular). A palavra golpe precisa ser banida do dicionário político brasileiro. O povo não aceita mais saídas à margem da lei e contrárias à soberania popular manifestada nas urnas. Nem a normalidade democrática acolhe aventuras dessa natureza.
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Há um espectro rondando a sucessão presidencial – o fantasma da tentativa de uma saída à margem das normas institucionais e da lei. Da busca da vitória no tapetão, como se diz no futebol. Mas não passa de um espectro, de uma pálida sombra de um passado ameaçador que, nestes vinte e cinco anos de normalidade democrática – o mais longo da história do país – parece expulso de vez do cenário brasileiro.
O caminho desse espectro é o envelhecido roteiro da direita brasileira, a ameaça do uso de dossiês como petardos contra adversários políticos. Na eleição deste ano, ele vem envolto em uma construção capenga: a bisbilhotagem da situação fiscal para constranger adversários políticos. Em junho a Folha de S. Paulo denunciou a violação do sigilo fiscal do dirigente tucano Eduardo Jorge e acusou o comando de campanha de Dilma Rousseff como a origem dessa irregularidade. Mais tarde a denuncia engordou com a inclusão de outros dirigentes tucanos na lista dos que teriam tido suas declarações à Receita Federal acessadas ilegalmente. Agora, aparece nessa lista o nome da filha de José Serra, Verônica. Tudo isso, segundo a denúncia da mídia dos patrões e do cardinalato tucano, mirando o candidato da oposição, o próprio José Serra.
Mais um passo da trama foi dado no dia 1º de setembro, quando o alto comando da campanha da oposição entrou com uma representação no Tribunal Superior Eleitoral acusando o Partido dos Trabalhadores de montar dossiês anti-tucanos, exigindo a apuração do suposto envolvimento de Dilma Rousseff na quebra dos sigilos e pedindo a cassação de sua candidatura. O corregedor-geral da Justiça Eleitoral, Aldir Passarinho Jr, deu a essa pretensão descabida (e golpista) o destino adequado: o silêncio dos arquivos. Mesmo porque ele avaliou não existe fatos que comprovem a presunção aloprada dos tucanos.
É uma acusação improcedente e inverossímil. Afinal, montada em índices de opinião que superam os 51% de aprovação popular e indicam uma confortável e aparentemente irreversível dianteira sobre o tucano José Serra e a soma das indicações de todos os demais candidatos (o que indica uma vitória já no primeiro turno da eleição), qual o sentido que poderia ter uma iniciativa ilegal contra um adversário que as pesquisas revelam cada vez mais distante?
A estridente campanha da mídia em torno desses supostos dossiês só pode ter um sentido: o de criar fatos para justificar medidas judiciais contra a quase provável eleição de Dilma Rousseff. Isto é, na iminência de perder nas urnas, no voto popular, a direita parece articular-se para disputar nos tribunais, alegando um crime eleitoral cuja prova seria justamente o dossiê formado pela bisbilhotagem que ela alardeia pela mídia.
Essa atitude tem um nome: golpe. No passado, a direita colocou na rua a classe média conservadora e teve o apoio de chefes militares anticomunistas para afastar do poder políticos que não rezavam por sua cartilha, mas representavam avanços democráticos e sociais como Getúlio Vargas e João Goulart.
Foi à memória desse passado que precisa ser superado que o tucano José Serra referiu-se (e a mídia repercutiu) quando, em encontro com militares reformados (aposentados) no Clube da Aeronáutica (dia 27 de agosto) desenterrou o argumento da direita para derrubar Goulart em 1964: o fantasma da "república sindicalista”, que volta a assombrar os conservadores golpistas, entre os quais ele próprio se inclui ao repetir tal alegação. “Uma grande motivação da derrubada de Jango era que a idea da república sindicalista não tinha a menor possibilidade de acontecer tal a fraqueza do governo. Mas agora fizeram a república sindicalista”, disse ele numa visível incitação à ação militar contra o governo Lula. No passado quem agia assim era conhecido como “vivandeira de quartel”, aqueles que rondavam os homens fardados para reverter derrotas nas urnas.
Hoje, essa direita golpista já não tem apoio popular (que fim levou o “Cansei”, de 2007?). Com e com os oficiais da ativa das Forças Armadas voltados para seus deveres profissionais e constitucionais, o que resta à direita é um conluio entre retrógrados anciãos do neoliberalismo e o jornalismo decadente da imprensa do grande capital.
Contra a direita, a nação coloca-se quase unânime, como indicam os 96% de aprovação ao governo Lula (soma dos que, nas pesquisas de opinião, consideram seu governo ótimo, bom ou regular). A palavra golpe precisa ser banida do dicionário político brasileiro. O povo não aceita mais saídas à margem da lei e contrárias à soberania popular manifestada nas urnas. Nem a normalidade democrática acolhe aventuras dessa natureza.
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