sábado, 7 de outubro de 2017

Bolsonaro usa estratégia eleitoral de Trump

Por Renato Rovai, em seu blog:

O deputado federal Jair Bolsonaro (RJ) foi recebido por milhares de pessoas no aeroporto de Belém do Pará na tarde ontem. As cenas foram postadas em vídeo neste blogue.

A questão é que isso deixou de ser exceção e passou a ser a regra. Por onde passa, Bolsonaro mobiliza milhares.

Hoje o candidato da extrema direita consegue ter em todos os cantos do Brasil um grupo para bater bumbo a favor das suas propostas. Parece natural que um candidato a presidente tenha gente lhe apoiando em todos os cantos. Mas não é.

Numa campanha presidencial articular essa rede de apoios é uma das coisas mais difíceis. E por isso o PMDB costuma valer tanto.
O PMDB não é um partido que interessa a quase todos os candidatos apenas pelos seus preciosos minutos de TV, mas também por ter prefeitos, vereadores e diretórios em praticamente todas as cidades.

Bolsonaro conseguiu isso há um ano antes do pleito com um discurso ancorado na radicalização pela direita. Exatamente como Trump.

O discurso do atual presidente dos EUA era tão bizarro que ele era tratado como café com leite no Partido Republicano. Os candidatos achavam que na hora H os eleitores da legenda acabariam se dirigindo para alguém mais palatável.

Mas isso não ocorreu e Trump foi aos poucos fazendo uma migração para posições menos espalhafatosas, centrando sua campanha no essencial, o diálogo com o trabalhador médio do país.

Hilary também achou que havia chegado sua vez quando o Partido Republicano escolheu Trump. Imaginava que o país não aceitaria correr o risco de ser governado por um maluco. E até ganhou no voto, mas perdeu no que vale no sistema americano, o número de delegados.

De novo, porque Trump soube dialogar melhor com o americano médio, o trabalhador é pobre.

É esse eleitorado que Bolsonaro encanta. Não são os ricos, como alguns pensam.

Bolsonaro dialoga com o motoboy, a menina do telemarketing, o atendente do boteco, o peão de obra, a cozinheira. Esse pessoal acha que país está precisando de ordem e de alguém que seja firme. E que com isso as coisas vão melhorar para quem trabalha duro.

Esse eleitorado ele já está cativando.

Com a viagem que vai fazer aos EUA e com as adesões de empresários e de parte do estabilishment, Bolsonaro pode começar a sair dessa bolha para outras.

Se isso ocorrer antes de ele ser explodido, suas chances de vencer as eleições de 2018 passam a ser muito grandes.

Bolsonaro não é Trump, mas no imaginário do eleitor médio brasileiro, pode ser entendido como uma solução parecida.

Já não é mais muito cedo para começar a se preocupar com ele. E com o que o Brasil se tornaria caso ele venha a vencer a eleição de 2018.

Antes que seja tarde, e por mais que pareça um paradoxo, é preciso levar Bolsonaro a sério.

1 comentários:

Dilma Coelho disse...

Se vocês não aprovam esse porcaria de gente, parem de falar nele. Chega de tanta propaganda. Quanto mais falam dele mais ele cresce. Ele deve ficar no esquecimento. A estupidez humana é infinita...