sexta-feira, 7 de maio de 2021

Pazuello: medo-pânico de um macho de araque

Por Gilberto Maringoni, no site Outras Palavras:


Vale a pena examinar o comportamento de Eduardo Pazuello ao fugir de um debate em campo aberto na CPI do genocídio. Por que um homem, teoricamente talhado para o combate, se borra diante de um questionamento sistematizado?

Pazuello é o boçal que ri ao dizer “um manda e o outro obedece”.

Faz parte dos móveis e utensílios de um governo de extrema-direita, com sólidas tinturas fascistas.

Uma das manifestações coreográficas mais estridentes do fascismo é a propagação exacerbada da virilidade como sinônimo de valentia e ousadia.

Tanto em sua versão ariana, quanto romana, o fascismo buscava associar a ação política ao modelo do macho indestrutível.

O ideal masculino germânico envolvia a brutalidade teoricamente purificadora, própria das milícias das SA que tocavam o terror nas ruas das grandes cidades nos anos 1920.

No caso italiano, o elemento adicional era o culto ao priaprismo que marca as lendas sobre o desempenho do Duce – e de seus êmulos, como D’Anunzio – nos ringues do prazer e do exagero erótico. Talvez um hipotético calor latino movesse a extrema direita peninsular na dialética da porrada orgiástica sobre os mais fracos.

O bolsonarismo tenta captar esse espírito de enlarge your penis contrabandeado para a arena política.

Dos camisas-negras às milícias periféricas, a exibição de armas de longos e grossos calibres funciona como o manuseio do próprio falo em público.

Coisa de garotos da 5ª série, com o poder de Estado, a competirem sobre a extensão dos respectivos pintos.

São gestos embalados pela sonoridade histérica dos brados de “um cabo e um soldado” para fechar o STF, de “acabou, porra!”, de grosserias misóginas e homofóbicas a todo momento.

À mulher nesse meio cabe o papel de parideira – como na Alemanha do III Reich –, de castidade familiar – como na Itália –, ou “portadoras de vagina”, como nos trópicos.

Prazer só se escondido na goiabeira. Gente como Bia Kicis, Damares ou Carla Zambelli formam outra categoria, espécie de caricaturas do mito, quase assexuadas. São tão machistas e misóginas quanto os varões de palanque.

Nesse cenário, como enquadrar do cagaço e a frouxidão de gente como os generais Ramos e Pazuello, que, como militares, deveriam zelar pela constante exibição de um pau duro ideológico a serviço da Pátria?

Um toma vacina escondido, como um fedelho assustado, e outro apresenta desculpa para lá de esfarrapada para não enfrentar senadores em uma CPI.

Essa é a gente que vai a manifestações golpistas, que queria invadir a Venezuela e que fala grosso quando ostenta uma arma na mão. Cadê a valentia agora?

Os dois inúteis fardados exibem, ao fim e ao cabo (sem trocadilho), a característica mais grotesca do fascismo: o medo do confronto em condições iguais, o pavor do contraponto e a paura da troca de argumentos.

O fascista é valente como massa, como turba, mas é um rematado covarde como uno, como indivíduo. Lembremos do que escreveu Willhelm Reich, em 1944, no prefácio de Psicologia de massas do fascismo:

“O fascismo, na sua forma mais pura, é o somatório de todas as reações irracionais do caráter do homem médio. (…) A mentalidade fascista é a mentalidade do ‘Zé Ninguém’, que é subjugado, sedento de autoridade e, ao mesmo tempo, revoltado. Não é por acaso que todos os ditadores fascistas são oriundos do ambiente reacionário do Zé Ninguém”.

Pazuello, com sua malta, é um oficial que humilha subordinados, mostra-se cínico diante do aluvião de mortes da pandemia e trata interlocutores com arrogância.

Sozinho, exposto à luz das câmeras e instado a se explicar, se borra nas calças, como um Zé Ninguém. Diante do inevitável contraponto de ideias, foge para a sombra de um atestado médico fajuto. Alega ter sido contaminado por uma doença que seu dono já chamou de “gripezinha” e de “mimimi”.

Isolado, o fascismo não é nada, não é ninguém. É aí que será derrotado.

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