Reproduzo artigo de Rachel Moreno, integrante do movimento Mulher e Mídia:
Num fenômeno ímpar temos, pela primeira vez, a chance real de eleger uma mulher à presidência do Brasil. E, no entanto, as mulheres hesitam e as feministas se resguardam e polemizam em torno de uma única questão, esquecendo do quanto a nossa pauta é ampla e transversal.
As mulheres, enquanto eleitorado em geral, tendem a retardar a sua decisão de voto. Querem ter certeza da sinceridade dos candidatos, querem se situar melhor, olhar nos olhos do interlocutor - mesmo que seja através da TV - e entender a sua alma, antes de se decidir.
Historicamente, as que têm a sua vida mais restrita aos cuidados da casa têm no fim se fiado mais na opinião dos mais próximos, que podem lhe parecer mais informados o marido, os filhos - seguindo-lhes a tendência do voto, numa postura mais conservadora.
Mas as mulheres com vida econômica ativa, que romperam com as estruturas de submissão e ganharam maior autonomia, têm historicamente votado mais à esquerda do que o resto do eleitorado.
De modo que o voto das mulheres não é uniforme - as mulheres não são todas iguais, mesmo no voto.
Tivemos duas mulheres disputando a eleição no primeiro turno. Temos uma, neste segundo turno.
Como não são muitas as mulheres disputando o poder, qual a imagem adequada a estas pioneiras? E qual a reação a esta imagem apresentada?
No primeiro turno, Dilma Rousseff foi tratada com o cinismo característico que a mídia tem reservado às mulheres, tratamento do qual, estranhamente (ou não) a Marina Silva foi poupada.
O período de tratamento de saúde da Dilma serviu de prato do dia enquanto foi possível a mídia esticar o assunto e os temores. Depois, o seu visual, cabelo, aparência, eventuais mudanças de estilo de vestir, todos os detalhes foram objeto de comentário, como se estivéssemos numa espécie de Brasil Fashion Week. Falou-se mais da aparência da Dilma, do que da mulher-pera, da mulher-melão e de outras tantas frutas que salpicaram o cardápio destas eleições.
Finalmente, a sua postura foi à berlinda. Ora como mulher-frágil, fantoche do presidente Lula, que continuaria a controlá-la a seu bel-prazer, ora como mulher intolerante, arrogante, forte demais para uma simples mulher. E a mídia se divertiu.
Já, neste segundo turno, eles decidiram ignorar solenemente o fato da Dilma ser mulher. O silêncio chega a ser ensurdecedor e ostensivo, depois de tanto ti-ti-ti. A que se deve?
Uma mulher disputando um cargo de poder cria expectativas no eleitorado feminino. E, nesta eleição, as mulheres são a maioria do eleitorado.
As mulheres têm uma reserva de credibilidade junto aos eleitores em geral, que lhes atribuem honestidade e capacidade de administração, a partir de sua visão doméstica. As eleitoras tendem a ver nelas uma sensibilidade maior às múltiplas questões e aspectos cotidianos da vida - cujo cuidado lhes cabe - e que tendem a não constar do discurso dos políticos, salvo em algum programa de última hora em que, ao som de uma música suave, desfilam mulheres de ar angelical, todas grávidas e sonhadoras, reduzidas à dimensão de barriga-e-sorriso com a promessa de cuidados do candidato chega a parecer o pai da criança!
Este ano, as mulheres grávidas em êxtase apareceram mais cedo num programa eleitoral do Serra.
Dilma arriscou-se a incorporar a reivindicação do segmento mais avançado das mulheres, incluindo a questão do aborto como problema de saúde pública.
O segmento mais conservador, pastoreado por alguns sacerdotes e pastores evangélicos, reagiu à perspectiva de avanço com discursos nas missas e alguns cartazes inflando a ameaça à beira do ridículo (Dilma aprovaria o aborto até o nono mês!!!). Mônica Serra reforçou os argumentos acusando Dilma de "matar criançinhas" - ela que, há alguns anos atrás, teria pessoalmente recorrido ao aborto, como revela a Folha de São Paulo!
Do cardápio deste segmento dos evangélicos, constou ainda o casamento e adoção de crianças por casais homoafetivos. Só faltou a condenação ao uso do preservativo como obra do diabo!
A oposição a Dilma no mínimo viu nisso uma chance de aumentar o alcance da mídia com que tem contado, com a penetração mais popular das missas. E vimos recentemente a descoberta de uma gráfica de uma filiada importante do PSDB, reimprimindo uma quantidade enorme do mesmo cartaz, cuja autoria parte do clero contesta.
Diante da perda de votos ao fim do primeiro turno, Dilma se reposicionou. Pessoalmente, acho que ela não soube se colocar de modo a sair da armadilha que lhe armaram, sem desgaste de nenhum lado.
As feministas têm feito de seu retrocesso um cavalo de batalha, e só discutem este aspecto. Se indignam e caem na armadilha, requentando um prato que já esfriou, e deixando de olhar para o banquete de idéias que lhes é oferecido.
E Dilma apanha pela direita e pela esquerda, nesta questão, enquanto o Serra passa incólume... e fatura os votos.
Se as feministas não abrirem espaço para a discussão do programa da candidata, da comparação dos dois lados, se ignoramos as diferenças, a conjuntura, o nosso papel e nos limitamos a protestar contra a Dilma, em função de uma questão que ela não tem como encabeçar, perderemos o bonde da história.
É só isso que as mulheres querem? E as creches? E o acesso ao emprego? E a geração de emprego? E a moradia, que o "Minha Casa, Minha Vida" facilita às mulheres chefes-de-família? E o acesso à riqueza? E a possibilidade mais concreta de estudar, de fazer uma faculdade? E a questão de desenvolvimento sustentável? E a política econômica? E as relações internacionais? E tantas coisas mais, que também nos dizem respeito, e que não estamos discutindo...?
O nosso posicionamento mais formal deveria ser muito mais amplo do que só a discussão do aborto. Nossa questão, a questão de gênero, é transversal, nossa vivência tem vários aspectos, nossas batalhas têm várias bandeiras. É só isso que temos em comum? É só disso que precisamos da candidata a Presidenta? É só isso que temos a apresentar à sociedade, neste momento e conjuntura?
Faço um convite à discussão do programa eleitoral da Dilma, pelas companheiras feministas. Faço um convite à reflexão e à produção de matérias que discutam a nossa pauta de reivindicações em toda a sua plenitude. Muitas saberão fazê-lo com brilho.
Ela passa pela comparação, por um lado, do avanço conseguido com a criação da Secretaria da Mulher, com a Lei Maria da Penha e os recursos para sua melhor implantação no enfrentamento à violência de gênero, nos recursos extensivos à mulher do agricultor familiar (Pronaf) e do pescador, na hora do defeso; no acesso gratuito e fácil aos preservativos na rede de saúde; no avanço que representou o ProUni para o nosso acesso às universidades; na ampliação do espaço e atendimento das reivindicações dos negros; na inclusão social através da política de estímulo ao consumo e criação de empregos; na Bolsa Família, na realização de Conferências da Mulher e na inclusão de nossas reivindicações nas políticas de governo.
Do outro lado, temos a denunciar a resistência e demora do Serra em assinar o Pacto de Enfrentamento da Violência contra a Mulher (que oferecia recursos federais para o Estado); a total falta de investimento do governo PSDB paulista nas políticas de gênero (vide tese de mestrado de A. Fernandes).
Hoje, temos ainda a reivindicar mais creches e escolas em período integral para as crianças, maior qualidade do ensino e mais funcionários nas escolas, com a devida valorização salarial e de formação dos professores. Temos a reivindicar a equiparação salarial das mulheres; o acesso maior e a efetiva equidade no mercado de trabalho; a Reforma Política que nos dê condições de igualdade, uma imagem respeitosa, diversa e plural na mídia; etc. etc. etc.
Vamos, pois, à discussão e divulgação do programa da Dilma e de nosso interesse múltiplo e transversal nele! O que já não consta do programa, conquistaremos na rua. Temos o desafio e a oportunidade de eleger a primeira mulher presidente deste país tarefa que demanda o nosso esforço e participação, e que abre as portas para a realização de muitas de nossas aspirações e sonhos. Vamos à Dilma presidente!
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segunda-feira, 25 de outubro de 2010
O samba da bolinha de papel
Partido alto composto por Tantinho da Mangueira e Serginho Procópio.
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STF devia abrir os arquivos da Folha
Por Altamiro Borges
A Folha de S.Paulo não se cansa de produzir factóides contra Dilma Rousseff. Nas últimas semanas, obcecada, ela insiste em conseguir o arquivo produzido no período da ditadura militar, em parte obtido por torturadores, contra a ex-ministra. No sábado, 23, o jornal anunciou que ingressou com uma ação cautelar junto ao Supremo Tribunal Federal para que tenha acesso ao processo que levou Dilma à prisão, em 1970.
O diário da famiglia Frias já havia feito o mesmo pedido ao Supremo Tribunal Militar (STM), mas órgão suspendeu o julgamento por duas vezes. Com pressa, a Folha agora recorre ao STF. Ela está ansiosa para usar os arquivos da ditadura. Justifica sua excitação alegando que "a candidata pode ser tornar a próxima presidente" e que a abertura dos arquivos serviria "para os leitores conhecerem o passado de Dilma".
O que excita a famíglia Frias?
Como aponta Celso Marcondes, jornalista da CartaCapital, "é muita estranha esta ação do jornal. Todo Brasil já sabe que Dilma Rousseff ficou presa durante mais de dois anos nas masmorras da ditadura. Que foi barbaramente torturada e que pertencia a uma organização guerrilheira chamada VAR – Palmares... Todo mundo já sabe também o que foi a ditadura militar no Brasil. E quem defende a democracia e a liberdade deve concluir que não deve ser motivo de desonra ser integrante da lista dos que tiveram coragem de resistir a ela".
O que a Folha, então, procura tão ansiosa? Quer os depoimentos arrancados na tortura para prejudicar a candidata presidencial? Quer declarações dos milicos torturadores contra a patriota que enfrentou a ditadura? Quer estampar mais uma manchete nojenta para ser usada no programa de TV do Serra? O jornal - que qualificou a sanguinária ditadura de "ditabranda" e que publicou na capa uma falsa ficha policial de Dilma - pretende se lambuzar ainda mais no esgoto na última semana das eleições?
Abertura dos arquivos da Folha
A Folha precisa conter o seu ódio doentio. A sua ansiedade em sacanear a candidata Dilma para alavancar o demotucano Serra ainda pode lhe custar caro. No rastro da sua loucura, as organizações da sociedade civil bem que poderiam solicitar ao Supremo Tribunal Militar a imediata abertura dos arquivos da ditadura sobre a participação da famíglia Frias nos preparativos do golpe e durante o regime militar.
Para os "leitores conhecerem o passado da Folha", seria interessante saber quantas peruas a famíglia Frias cedeu para transporte dos presos políticos à tortura. Quais foram os militantes torturados e assassinados com sua ajuda. Quais as mentiras da ditadura que a Folha divulgou nas suas páginas. Quais eram as relações de "doutor" Frias com os generais golpistas e com os órgãos de repressão. Ele ajudou a financiar a Oban? Quanto doou? Como a ditadura militar retribuiu o apoio da famíglia Frias?
O rabo preso da Folha
Na Argentina, a dona do jornal Clarin é acusada de ter sequestrado dois filhos de presos políticos mortos pela ditadura. O caso é público e gera revolta na sociedade. Se os brasileiros conhecessem melhor o papel da Folha durante a ditadura talvez sua tiragem despencasse ainda mais. Os familiares dos mortos e desaparecidos poderiam entrar com ações na Justiça contra a famíglia Frias. A democracia saíria ganhando. Não seria uma simples jogada eleitoreira de quem tem o rabo preso com os opressores.
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A Folha de S.Paulo não se cansa de produzir factóides contra Dilma Rousseff. Nas últimas semanas, obcecada, ela insiste em conseguir o arquivo produzido no período da ditadura militar, em parte obtido por torturadores, contra a ex-ministra. No sábado, 23, o jornal anunciou que ingressou com uma ação cautelar junto ao Supremo Tribunal Federal para que tenha acesso ao processo que levou Dilma à prisão, em 1970.
O diário da famiglia Frias já havia feito o mesmo pedido ao Supremo Tribunal Militar (STM), mas órgão suspendeu o julgamento por duas vezes. Com pressa, a Folha agora recorre ao STF. Ela está ansiosa para usar os arquivos da ditadura. Justifica sua excitação alegando que "a candidata pode ser tornar a próxima presidente" e que a abertura dos arquivos serviria "para os leitores conhecerem o passado de Dilma".
O que excita a famíglia Frias?
Como aponta Celso Marcondes, jornalista da CartaCapital, "é muita estranha esta ação do jornal. Todo Brasil já sabe que Dilma Rousseff ficou presa durante mais de dois anos nas masmorras da ditadura. Que foi barbaramente torturada e que pertencia a uma organização guerrilheira chamada VAR – Palmares... Todo mundo já sabe também o que foi a ditadura militar no Brasil. E quem defende a democracia e a liberdade deve concluir que não deve ser motivo de desonra ser integrante da lista dos que tiveram coragem de resistir a ela".
O que a Folha, então, procura tão ansiosa? Quer os depoimentos arrancados na tortura para prejudicar a candidata presidencial? Quer declarações dos milicos torturadores contra a patriota que enfrentou a ditadura? Quer estampar mais uma manchete nojenta para ser usada no programa de TV do Serra? O jornal - que qualificou a sanguinária ditadura de "ditabranda" e que publicou na capa uma falsa ficha policial de Dilma - pretende se lambuzar ainda mais no esgoto na última semana das eleições?
Abertura dos arquivos da Folha
A Folha precisa conter o seu ódio doentio. A sua ansiedade em sacanear a candidata Dilma para alavancar o demotucano Serra ainda pode lhe custar caro. No rastro da sua loucura, as organizações da sociedade civil bem que poderiam solicitar ao Supremo Tribunal Militar a imediata abertura dos arquivos da ditadura sobre a participação da famíglia Frias nos preparativos do golpe e durante o regime militar.
Para os "leitores conhecerem o passado da Folha", seria interessante saber quantas peruas a famíglia Frias cedeu para transporte dos presos políticos à tortura. Quais foram os militantes torturados e assassinados com sua ajuda. Quais as mentiras da ditadura que a Folha divulgou nas suas páginas. Quais eram as relações de "doutor" Frias com os generais golpistas e com os órgãos de repressão. Ele ajudou a financiar a Oban? Quanto doou? Como a ditadura militar retribuiu o apoio da famíglia Frias?
O rabo preso da Folha
Na Argentina, a dona do jornal Clarin é acusada de ter sequestrado dois filhos de presos políticos mortos pela ditadura. O caso é público e gera revolta na sociedade. Se os brasileiros conhecessem melhor o papel da Folha durante a ditadura talvez sua tiragem despencasse ainda mais. Os familiares dos mortos e desaparecidos poderiam entrar com ações na Justiça contra a famíglia Frias. A democracia saíria ganhando. Não seria uma simples jogada eleitoreira de quem tem o rabo preso com os opressores.
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Escrevinhador avança, e incomoda!
Reproduzo artigo de Rodrigo Vianna, publicado no blog Escrevinhador:
Amigos internautas: voltava eu da padaria na noite de sábado, com meia dúzia de pãezinhos e 200 gramas de presunto para o lanche da família, quando em meu celular começaram a chegar as primeiras mensagens – “o seu site foi hackeado”, “o seu blog foi invadido”, “alerta, querem tirar do ar todos os blogueiros progressistas”.
De fato, durante várias horas (da noite de sábado até a tarde de domingo), quem acessava o blog pelo “Google” - ou usando sistemas operacionais como o Firefox – encontrava a mensagem singela: “esse blog pode conter ameaças…” Freud explica: esse blog, de forma quixotesca, realmente ameaça determinados interesses. Mas o aviso (plantado por algum cracker) tinha como objetivo apavorar os leitores. Não adiantou.
Queria registrar aqui duas coisas:
- a grande maioria dos leitores não se intimidou, ao contrário, escreveu-me para prestar solidariedade e avisou que continuaria entrando no blog – com ou sem aviso, com ou sem terrorismo;
- a audiência do Escrevinhador, em vez de cair, só cresceu, ultrapassando a marca das 30 mil visitas no dia (a maior audiência para um sábado, desde que o blog foi ao ar pela primeira vez, há dois anos).
Queria esclarecer que o problema já foi resolvido. Um arquivo do blog fora invadido, enviando ao “Google” a mensagem de que o Escrevinhador era um blog “perigoso”. A mesma técnica de invasão foi usada contra o blog do Azenha. Eliminamos o arquivo, mas o “Google” demorou algumas horas para fazer nova varredura – e atestar que o blog não era mais uma “ameaça”.
Agradeço, imensamente, o apoio dos leitores. Foram dezenas de comentários e emails. Li todos eles. Não pude responder a todos. Mas agradeço! Foi um apoio importante, tenham certeza. Não deixa de ser irônico: passei os últimos dias aqui alertando para os “riscos” na reta final da eleição. E eu mesmo acabei sendo atingido.
Muita gente – no twitter e nos comentários – saiu a culpar determinada campanha e certo partido pelo ocorrido. Peço aos leitores muita calma. Quero crer que a campanha e o partido a que os leitores se referem devem estar muito preocupados com as últimas pesquisas; não perderiam tempo com um “blog sujo” como esse aqui.
Quero crer, ainda, que o ataque tenha sido ação isolada de alguém que não gosta muito do Escrevinhador e do Viomundo – o blog do Azenha.
Pelo visto, o tiro saiu pela culatra. Serviu como alerta para deixar, a todos, ainda mais atentos às baixarias que já vieram e ainda podem vir nessa última semana de eleição. E ajudou a elevar a audiência do Escrevinhador – que já se aproxima de 1 milhão de pageviews nos últimos 30 dias, segundo a última medição do “Google Analytics”.
A bolinha de papel não ajudou Serra. Mas a invasão dos blogs – apesar de ter causadado alguma dor de cabeça ao Leandro Guedes (que cuida de nossa área técnica) – ajudou a levantar a audiência do Escrevinhador. Não precisamos disso pra crescer. Mas, de toda forma, agradecemos aos inimigos.
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Amigos internautas: voltava eu da padaria na noite de sábado, com meia dúzia de pãezinhos e 200 gramas de presunto para o lanche da família, quando em meu celular começaram a chegar as primeiras mensagens – “o seu site foi hackeado”, “o seu blog foi invadido”, “alerta, querem tirar do ar todos os blogueiros progressistas”.
De fato, durante várias horas (da noite de sábado até a tarde de domingo), quem acessava o blog pelo “Google” - ou usando sistemas operacionais como o Firefox – encontrava a mensagem singela: “esse blog pode conter ameaças…” Freud explica: esse blog, de forma quixotesca, realmente ameaça determinados interesses. Mas o aviso (plantado por algum cracker) tinha como objetivo apavorar os leitores. Não adiantou.
Queria registrar aqui duas coisas:
- a grande maioria dos leitores não se intimidou, ao contrário, escreveu-me para prestar solidariedade e avisou que continuaria entrando no blog – com ou sem aviso, com ou sem terrorismo;
- a audiência do Escrevinhador, em vez de cair, só cresceu, ultrapassando a marca das 30 mil visitas no dia (a maior audiência para um sábado, desde que o blog foi ao ar pela primeira vez, há dois anos).
Queria esclarecer que o problema já foi resolvido. Um arquivo do blog fora invadido, enviando ao “Google” a mensagem de que o Escrevinhador era um blog “perigoso”. A mesma técnica de invasão foi usada contra o blog do Azenha. Eliminamos o arquivo, mas o “Google” demorou algumas horas para fazer nova varredura – e atestar que o blog não era mais uma “ameaça”.
Agradeço, imensamente, o apoio dos leitores. Foram dezenas de comentários e emails. Li todos eles. Não pude responder a todos. Mas agradeço! Foi um apoio importante, tenham certeza. Não deixa de ser irônico: passei os últimos dias aqui alertando para os “riscos” na reta final da eleição. E eu mesmo acabei sendo atingido.
Muita gente – no twitter e nos comentários – saiu a culpar determinada campanha e certo partido pelo ocorrido. Peço aos leitores muita calma. Quero crer que a campanha e o partido a que os leitores se referem devem estar muito preocupados com as últimas pesquisas; não perderiam tempo com um “blog sujo” como esse aqui.
Quero crer, ainda, que o ataque tenha sido ação isolada de alguém que não gosta muito do Escrevinhador e do Viomundo – o blog do Azenha.
Pelo visto, o tiro saiu pela culatra. Serviu como alerta para deixar, a todos, ainda mais atentos às baixarias que já vieram e ainda podem vir nessa última semana de eleição. E ajudou a elevar a audiência do Escrevinhador – que já se aproxima de 1 milhão de pageviews nos últimos 30 dias, segundo a última medição do “Google Analytics”.
A bolinha de papel não ajudou Serra. Mas a invasão dos blogs – apesar de ter causadado alguma dor de cabeça ao Leandro Guedes (que cuida de nossa área técnica) – ajudou a levantar a audiência do Escrevinhador. Não precisamos disso pra crescer. Mas, de toda forma, agradecemos aos inimigos.
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Outro serrista quer privatizar o pré-sal
Reproduzo matéria publicada no sítio Carta Maior:
Depois de David Zylberstajn, ex-genro de Fernando Henrique Cardoso e assessor técnico para a área de energia da campanha de José Serra à presidência da República, mais um tucano vem a público defender a privatização do pré-sal. Trata-se do deputado federal Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB-ES) que, em entrevista ao jornal Folha de São Paulo, defendeu o modelo criado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso para a exploração das riquezas do pré-sal.
O deputado tucano classificou como “loucura” o governo querer explorar as riquezas do pré-sal sem permitir a entrada de empresas estrangeiras. “É uma sandice completa achar que a Petrobras e o Estado brasileiro terão dinheiro para tudo”, disse o parlamentar. Na entrevista, Luiz Paulo Vellozo repete basicamente os mesmos argumentos utilizados por Zylbertajn há alguns dias.
Segundo matéria publicada no jornal Valor Econômico, Zylberstajn aconselhou José Serra a retomar o modelo do governo Fernando Henrique Cardoso e desistir da proposta apresentada pelo governo Lula para modificar o modelo de concessão de campos de petróleo para o modelo de partilha, no caso dos blocos do pré-sal. Zylberstajn e Vellozo defendem que o regime de concessões para empresas internacionais seria melhor em termos de antecipar a arrecadação de recursos. O que não dizem é que essas empresas internacionais ficariam com a fatia gorda da exploração das reservas do pré-sal.
A crítica feita pelos tucanos ao modelo de exploração proposto pelo governo Lula mal consegue disfarçar a sua posição em defesa do que chamam de “enxugamento” da empresa. Ex-presidente da Agência Nacional do Petróleo (ANP), durante o governo FHC, e consultor de empresas internacionais na área de energia, Zylbestajn criticou o “tamanho” da participação da Petrobras na exploração das reservas brasileiras de gás e petróleo. Para ele, “não tem que existir estatal comprando ou vendendo petróleo”.
Essa foi, aliás, a argumentação utilizada pelo governo FHC para propor a mudança de nome da Petrobras para Petrobrax. O “x”, na avaliação dos tucanos, ajudaria a “captar dinheiro no mercado internacional”. A lógica dessa mudança estava baseada, entre outras coisas, na idéia de que “não deve existir estatal comprando ou vendendo petróleo”, bandeira histórica daqueles que pretendem privatizar a Petrobras.
As insistentes negativas do candidato José Serra no horário eleitoral e em seus pronunciamentos públicos sobre o tema estão batendo de frente com as declarações e movimentos de seus aliados e assessores mais próximos que defendem explicitamente a volta do modelo dos anos FHC.
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Depois de David Zylberstajn, ex-genro de Fernando Henrique Cardoso e assessor técnico para a área de energia da campanha de José Serra à presidência da República, mais um tucano vem a público defender a privatização do pré-sal. Trata-se do deputado federal Luiz Paulo Vellozo Lucas (PSDB-ES) que, em entrevista ao jornal Folha de São Paulo, defendeu o modelo criado pelo ex-presidente Fernando Henrique Cardoso para a exploração das riquezas do pré-sal.
O deputado tucano classificou como “loucura” o governo querer explorar as riquezas do pré-sal sem permitir a entrada de empresas estrangeiras. “É uma sandice completa achar que a Petrobras e o Estado brasileiro terão dinheiro para tudo”, disse o parlamentar. Na entrevista, Luiz Paulo Vellozo repete basicamente os mesmos argumentos utilizados por Zylbertajn há alguns dias.
Segundo matéria publicada no jornal Valor Econômico, Zylberstajn aconselhou José Serra a retomar o modelo do governo Fernando Henrique Cardoso e desistir da proposta apresentada pelo governo Lula para modificar o modelo de concessão de campos de petróleo para o modelo de partilha, no caso dos blocos do pré-sal. Zylberstajn e Vellozo defendem que o regime de concessões para empresas internacionais seria melhor em termos de antecipar a arrecadação de recursos. O que não dizem é que essas empresas internacionais ficariam com a fatia gorda da exploração das reservas do pré-sal.
A crítica feita pelos tucanos ao modelo de exploração proposto pelo governo Lula mal consegue disfarçar a sua posição em defesa do que chamam de “enxugamento” da empresa. Ex-presidente da Agência Nacional do Petróleo (ANP), durante o governo FHC, e consultor de empresas internacionais na área de energia, Zylbestajn criticou o “tamanho” da participação da Petrobras na exploração das reservas brasileiras de gás e petróleo. Para ele, “não tem que existir estatal comprando ou vendendo petróleo”.
Essa foi, aliás, a argumentação utilizada pelo governo FHC para propor a mudança de nome da Petrobras para Petrobrax. O “x”, na avaliação dos tucanos, ajudaria a “captar dinheiro no mercado internacional”. A lógica dessa mudança estava baseada, entre outras coisas, na idéia de que “não deve existir estatal comprando ou vendendo petróleo”, bandeira histórica daqueles que pretendem privatizar a Petrobras.
As insistentes negativas do candidato José Serra no horário eleitoral e em seus pronunciamentos públicos sobre o tema estão batendo de frente com as declarações e movimentos de seus aliados e assessores mais próximos que defendem explicitamente a volta do modelo dos anos FHC.
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Ato contra a censura nesta quarta-feira
Reproduzo matéria de Paulo Donizetti de Souza, publicada na Rede Brasil Atual:
São Paulo – Personalidades e organizações sociais atuantes na defesa da liberdade de expressão, de imprensa e da democratização do acesso à informação fazem um protesto na próxima quarta-feira (27). O ato acontece após uma sucessão de episódios que configuram tentativas de cerceamento de liberdades e do exercício da livre prática da opinião e do jornalismo.
Entres os acontecimentos incompatíveis com o ambiente democrático, as entidades citam a retirada do ar do blog Falha de S.Paulo, após ação judicial movida pela Folha; a tentativa da vice-procuradora-geral do Ministério Público Eleitoral, Sandra Cureau, de intimidar a revista CartaCapital; a demissão da psicanalista Maria Rita Kehl pelo jornal O Estado de S.Paulo após escrever artigo contundente sobre o preconceito de determinada fatia da sociedade contra as pessoas beneficiadas pelo Bolsa Família. O site do jornalista Paulo Henrique Amorim e uma reportagem da TV Record, a respeito da votação maior de Dilma em regiões pobres de São Paulo, também foram alvo de sansões.
O caso mais recente de prática de censura originadas por integrantes e apoiadores da campanha de José Serra foram as liminares concedidade pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) à coligação do tucano, determinando a interrupção da distribuição duas publicações com informações que incomodam o candidato, o Jornal da CUT, publicado pela central, e a Revista do Brasil, da Editora Atitude.
Várias entidades organizam o protesto, entre as quais o Centro de Mídia Alternativa Barão de Itararé de Imprensa, Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, CUT, Editora Atitude e Frente Paulista pelo Direito à Comunicação e a Liberdade de Expressão. O ato será às 19h, no Auditório Azul do Sindicato dos Bancários de São Paulo, na rua São Bento, 413, Centro.
"Será uma importante manifestação pública pela construção de mídias comprometidas com um Brasil melhor", diz Paulo Salvador, da Editora Atitude. "Um desagravo aos atingidos pela postura do candidato José Serra, que faz uma coisa, diz outra e ainda se passa por vítima."
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São Paulo – Personalidades e organizações sociais atuantes na defesa da liberdade de expressão, de imprensa e da democratização do acesso à informação fazem um protesto na próxima quarta-feira (27). O ato acontece após uma sucessão de episódios que configuram tentativas de cerceamento de liberdades e do exercício da livre prática da opinião e do jornalismo.
Entres os acontecimentos incompatíveis com o ambiente democrático, as entidades citam a retirada do ar do blog Falha de S.Paulo, após ação judicial movida pela Folha; a tentativa da vice-procuradora-geral do Ministério Público Eleitoral, Sandra Cureau, de intimidar a revista CartaCapital; a demissão da psicanalista Maria Rita Kehl pelo jornal O Estado de S.Paulo após escrever artigo contundente sobre o preconceito de determinada fatia da sociedade contra as pessoas beneficiadas pelo Bolsa Família. O site do jornalista Paulo Henrique Amorim e uma reportagem da TV Record, a respeito da votação maior de Dilma em regiões pobres de São Paulo, também foram alvo de sansões.
O caso mais recente de prática de censura originadas por integrantes e apoiadores da campanha de José Serra foram as liminares concedidade pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) à coligação do tucano, determinando a interrupção da distribuição duas publicações com informações que incomodam o candidato, o Jornal da CUT, publicado pela central, e a Revista do Brasil, da Editora Atitude.
Várias entidades organizam o protesto, entre as quais o Centro de Mídia Alternativa Barão de Itararé de Imprensa, Sindicato dos Jornalistas de São Paulo, CUT, Editora Atitude e Frente Paulista pelo Direito à Comunicação e a Liberdade de Expressão. O ato será às 19h, no Auditório Azul do Sindicato dos Bancários de São Paulo, na rua São Bento, 413, Centro.
"Será uma importante manifestação pública pela construção de mídias comprometidas com um Brasil melhor", diz Paulo Salvador, da Editora Atitude. "Um desagravo aos atingidos pela postura do candidato José Serra, que faz uma coisa, diz outra e ainda se passa por vítima."
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Dom Bergonzini, o “bispo da mentira”
Por Altamiro Borges
Dom Luiz Gonzaga Bergonzini, bispo de Guarulhos, na região metropolitana de São Paulo, virou o principal cabo-eleitoral do demotucano José Serra. Na semana passada, ele já havia mandado confeccionar, na surdina e com papel timbrado da Mitra, 2,1 milhões de panfletos com ataques levianos a Dilma Rousseff. A iniciativa, que fere a legislação eleitoral, poderia até resultar em processo criminal e cadeia. Mas ele ainda é bispo e é melhor não atiçar a sua fúria nada divina!
Neste final de semana, o religioso, bastante narcisista, voltou aos holofotes. Foi capa do Estadão e destaque em vários sítios. Na entrevista, Dom Bergonzini acusa: “O PT é o partido da mentira, é o partido da morte”. Abusando dos preconceitos, ele afirma que o partido “aceita o aborto até o nono mês de gravidez. Isso é assassinato de ser humano”. O bispo fere descaradamente o oitavo mandamento – “não levantarás falso testemunho” –, correndo o sério risco de arder o inferno.
Estimulo às seitas fascistas
No maior cinismo, Dom Bergonzini ainda abusa da inteligência alheia ao garantir que não apóia nenhum candidato. Mas todo seu ódio – incluindo seus sermões, os panfletos apreendidos pela Polícia Federal e as entrevistas à mídia mercantil – visam atingir unicamente a candidata petista. Nas entrevistas deste final de semana, ele foi enfático: “Não votem em Dilma... Se ela ganhar, vou lamentar”. Na prática, o bispo de Guarulhos abençoa a campanha de Serra e serve de novo ícone para várias seitas fascistas, como o Opus Dei e a TFP (Tradição, Família e Propriedade).
Na sua cegueira, o fanático religioso evita tratar do aborto realizado por Monica Serra, segundo relatos de várias de suas ex-alunas. Ele também não fala sobre a pílula do dia seguinte ou sobre a normatização da legislação do aborto, corretas iniciativas do ex-ministro José Serra. Ele omite que PT e Dilma não são favoráveis ao aborto, como prega sua visão simplista e tacanha, mas sim que propõem tratar o complexo tema como uma questão de saúde pública.
Ligado aos tucanos e ao Opus Dei
Para Carlos Rodriguez, que se apresenta como “participante da Igreja Católica”, Dom Bergonzini é um risco à própria instituição. “Quem semeia vento, colhe tempestade”. Ele conhece bem a sua história direitista. “D. Luiz é de São João da Boa Vista, onde atuava com o Sidney Beraldo, ex-deputado e ex-secretario do então governador Serra, e mais recentemente um dos coordenadores da campanha de Geraldo Alckmin, que tem ligações com o Opus Dei, que age nas sombras”.
Em sua opinião, o direitismo de Dom Bergonzini representa uma ameaça à igreja e à democracia. “Assistimos ao fundamentalismo religioso matar a religião e transformá-la em mero instrumento eleitoral. Esta mistura acintosa de religião, num viés fundamentalista, e de política é um perigo à sociedade brasileira, pois ameaça os pilares do Estado Laico”.
A triste cumplicidade da CNBB
O triste nesta história é a cumplicidade da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Seu nome é usado e ultrajado pelo clérigo de Guarulhos e ela ainda passa a mão na sua cabeça. Quando dos seus primeiros panfletos criminosos, distribuídos por ordem hierárquica nas igrejas, a CNBB soltou uma tímida nota de crítica. Agora, seu próprio presidente, Dom Geraldo Lyrio, justifica suas atitudes criminosas. “Ele [Dom Bergonzini] tem o direito e até o dever, de acordo com sua consciência, de orientar seus fieis do modo que julga mais conveniente”.
A CNBB estaria sendo cúmplice da impressão ilegal de panfletos? Estaria corroborando com as calúnias divulgadas pelo “bispo da mentira”? Será que a hierarquia católica não aprendeu nada com a história? Em 1964, ela organizou as famigeradas “marchas com Deus, pela família e pela liberdade”, que criaram o clima para o golpe militar. Com a instalação da ditadura sanguinária, bispos e padres foram perseguidos, presos e mortos. Frei Tito Alencar foi o símbolo desta época sombria. Foi torturado e morreu no exílio. Outros padeceram nas masmorras da ditadura.
Na sequência, como que arrependida do seu pecado, a Igreja Católica cumpriu um papel na luta pela democracia, em defesa dos direitos humanos. O seu setor progressista, ligado à Teologia da Libertação, ajudou a organizar a resistência popular, criando milhares de Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) e estimulando suas pastorais sociais. Com a guinada conservadora no Vaticano, o setor progressista foi castrado pela rígida hierarquia católica. Isto explica o narcisismo de Dom Bergonzini. Mas será que justifica seus crimes eleitorais e as suas declarações levianas?
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Dom Luiz Gonzaga Bergonzini, bispo de Guarulhos, na região metropolitana de São Paulo, virou o principal cabo-eleitoral do demotucano José Serra. Na semana passada, ele já havia mandado confeccionar, na surdina e com papel timbrado da Mitra, 2,1 milhões de panfletos com ataques levianos a Dilma Rousseff. A iniciativa, que fere a legislação eleitoral, poderia até resultar em processo criminal e cadeia. Mas ele ainda é bispo e é melhor não atiçar a sua fúria nada divina!
Neste final de semana, o religioso, bastante narcisista, voltou aos holofotes. Foi capa do Estadão e destaque em vários sítios. Na entrevista, Dom Bergonzini acusa: “O PT é o partido da mentira, é o partido da morte”. Abusando dos preconceitos, ele afirma que o partido “aceita o aborto até o nono mês de gravidez. Isso é assassinato de ser humano”. O bispo fere descaradamente o oitavo mandamento – “não levantarás falso testemunho” –, correndo o sério risco de arder o inferno.
Estimulo às seitas fascistas
No maior cinismo, Dom Bergonzini ainda abusa da inteligência alheia ao garantir que não apóia nenhum candidato. Mas todo seu ódio – incluindo seus sermões, os panfletos apreendidos pela Polícia Federal e as entrevistas à mídia mercantil – visam atingir unicamente a candidata petista. Nas entrevistas deste final de semana, ele foi enfático: “Não votem em Dilma... Se ela ganhar, vou lamentar”. Na prática, o bispo de Guarulhos abençoa a campanha de Serra e serve de novo ícone para várias seitas fascistas, como o Opus Dei e a TFP (Tradição, Família e Propriedade).
Na sua cegueira, o fanático religioso evita tratar do aborto realizado por Monica Serra, segundo relatos de várias de suas ex-alunas. Ele também não fala sobre a pílula do dia seguinte ou sobre a normatização da legislação do aborto, corretas iniciativas do ex-ministro José Serra. Ele omite que PT e Dilma não são favoráveis ao aborto, como prega sua visão simplista e tacanha, mas sim que propõem tratar o complexo tema como uma questão de saúde pública.
Ligado aos tucanos e ao Opus Dei
Para Carlos Rodriguez, que se apresenta como “participante da Igreja Católica”, Dom Bergonzini é um risco à própria instituição. “Quem semeia vento, colhe tempestade”. Ele conhece bem a sua história direitista. “D. Luiz é de São João da Boa Vista, onde atuava com o Sidney Beraldo, ex-deputado e ex-secretario do então governador Serra, e mais recentemente um dos coordenadores da campanha de Geraldo Alckmin, que tem ligações com o Opus Dei, que age nas sombras”.
Em sua opinião, o direitismo de Dom Bergonzini representa uma ameaça à igreja e à democracia. “Assistimos ao fundamentalismo religioso matar a religião e transformá-la em mero instrumento eleitoral. Esta mistura acintosa de religião, num viés fundamentalista, e de política é um perigo à sociedade brasileira, pois ameaça os pilares do Estado Laico”.
A triste cumplicidade da CNBB
O triste nesta história é a cumplicidade da Conferência Nacional dos Bispos do Brasil (CNBB). Seu nome é usado e ultrajado pelo clérigo de Guarulhos e ela ainda passa a mão na sua cabeça. Quando dos seus primeiros panfletos criminosos, distribuídos por ordem hierárquica nas igrejas, a CNBB soltou uma tímida nota de crítica. Agora, seu próprio presidente, Dom Geraldo Lyrio, justifica suas atitudes criminosas. “Ele [Dom Bergonzini] tem o direito e até o dever, de acordo com sua consciência, de orientar seus fieis do modo que julga mais conveniente”.
A CNBB estaria sendo cúmplice da impressão ilegal de panfletos? Estaria corroborando com as calúnias divulgadas pelo “bispo da mentira”? Será que a hierarquia católica não aprendeu nada com a história? Em 1964, ela organizou as famigeradas “marchas com Deus, pela família e pela liberdade”, que criaram o clima para o golpe militar. Com a instalação da ditadura sanguinária, bispos e padres foram perseguidos, presos e mortos. Frei Tito Alencar foi o símbolo desta época sombria. Foi torturado e morreu no exílio. Outros padeceram nas masmorras da ditadura.
Na sequência, como que arrependida do seu pecado, a Igreja Católica cumpriu um papel na luta pela democracia, em defesa dos direitos humanos. O seu setor progressista, ligado à Teologia da Libertação, ajudou a organizar a resistência popular, criando milhares de Comunidades Eclesiais de Base (CEBs) e estimulando suas pastorais sociais. Com a guinada conservadora no Vaticano, o setor progressista foi castrado pela rígida hierarquia católica. Isto explica o narcisismo de Dom Bergonzini. Mas será que justifica seus crimes eleitorais e as suas declarações levianas?
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Em defesa do Conselho de Comunicação
As entidades abaixo assinadas manifestam publicamente seu total apoio à criação do Conselho de Comunicação Social do Estado do Ceará e repudia, de forma veemente, as tentativas de setores conservadores da sociedade de desqualificar a decisão da Assembleia Legislativa do Estado de propor ao governador Cid Gomes (PSB) a criação de um órgão que possibilitará a efetiva participação da sociedade cearense na criação de políticas públicas em comunicação do Estado.
Um Conselho tem como finalidade principal servir de instrumento para garantir a participação popular, o controle social e a gestão democrática das políticas e dos serviços públicos, envolvendo o planejamento e o acompanhamento da execução destas políticas e serviços públicos. Hoje, existem conselhos municipais, estaduais e nacionais, nas mais diversas áreas, seja na Educação, na Saúde, na Assistência Social, entre outros. Um Conselho de Comunicação Social é, assim como os demais Conselhos, um espaço para que a sociedade civil, em conjunto com o poder público, tenha o direito a participar ativamente na formulação de políticas públicas e a repensar os modelos que hoje estão instituídos.
Longe de ser uma tentativa de censura ou de cerceamento à liberdade de imprensa, como tenta fazer crer a velha mídia (nada mais que uma dúzia de famílias) e seus prepostos, o Conselho é uma reivindicação histórica dos movimentos sociais, organizações da sociedade civil, jornalistas brasileiros e setores progressistas do empresariado que atuam pela democratização da comunicação no Brasil e não uma construção de partido político A ou B.
E mais, falta com a verdade quem diz ser inconstitucional o Conselho de Comunicação, pois este está previsto na Constituição, no Artigo 224, que diz: "Para os efeitos do disposto neste capítulo, o Congresso Nacional instituirá, como seu órgão auxiliar, o Conselho de Comunicação Social, na forma da lei", com direito a criação de órgãos correlatos nos estados, a exemplo dos demais conselhos nacionais.
Uma das 672 propostas democraticamente aprovadas pelos milhares de delegados e delegadas da sociedade civil empresarial, não-empresarial e do poder público, participantes da 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), os Conselhos de Comunicação Social são a possibilidade concreta de a sociedade se manifestar contra arbitrariedades e abusos cometidos pelos veículos, cuja programação é contaminada por interesses comerciais, que muitas vezes violam a legislação vigente e desrespeitam os direitos e a dignidade da pessoa humana.
A desfaçatez com que a velha mídia e seus asseclas manipulam a opinião pública, na tentativa de camuflar a defesa de interesses econômicos e políticos que contrariam a responsabilidade social dos meios de comunicação e o interesse público, merece o mais amplo repúdio do povo brasileiro. Eles desrespeitam um princípio básico do jornalismo, que é ouvir diferentes versões dos acontecimentos, além de fugir do debate factual, plantando informação.
É chegada à hora de a sociedade dar um basta à manipulação da informação, se unindo aos trabalhadores, consumidores, produtores e difusores progressistas na defesa da criação, pelo poder público, dos Conselhos de Comunicação Social. Somente assim, o povo cearense evitará que o Governo do Estado sucumba à covarde pressão de radiodifusores e proprietários de veículos impressos que ainda acreditam na chantagem e na distorção da verdade como instrumento de barganha política.
Que venham os Conselhos de Comunicação Social, para garantir à sociedade brasileira o direito à informação plural, a liberdade de manifestação de pensamento, criação, e a consolidação da democracia nos meios de comunicação.
Assinam a nota:
- Federação Nacional dos Jornalistas - Fenaj
- Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado do Ceará - Sindjorce
- Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação - FNDC
- Instituto de Juventude Contemporânea - IJC
- Agência de Informação Frei Tito para América Latina - Adital
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Um Conselho tem como finalidade principal servir de instrumento para garantir a participação popular, o controle social e a gestão democrática das políticas e dos serviços públicos, envolvendo o planejamento e o acompanhamento da execução destas políticas e serviços públicos. Hoje, existem conselhos municipais, estaduais e nacionais, nas mais diversas áreas, seja na Educação, na Saúde, na Assistência Social, entre outros. Um Conselho de Comunicação Social é, assim como os demais Conselhos, um espaço para que a sociedade civil, em conjunto com o poder público, tenha o direito a participar ativamente na formulação de políticas públicas e a repensar os modelos que hoje estão instituídos.
Longe de ser uma tentativa de censura ou de cerceamento à liberdade de imprensa, como tenta fazer crer a velha mídia (nada mais que uma dúzia de famílias) e seus prepostos, o Conselho é uma reivindicação histórica dos movimentos sociais, organizações da sociedade civil, jornalistas brasileiros e setores progressistas do empresariado que atuam pela democratização da comunicação no Brasil e não uma construção de partido político A ou B.
E mais, falta com a verdade quem diz ser inconstitucional o Conselho de Comunicação, pois este está previsto na Constituição, no Artigo 224, que diz: "Para os efeitos do disposto neste capítulo, o Congresso Nacional instituirá, como seu órgão auxiliar, o Conselho de Comunicação Social, na forma da lei", com direito a criação de órgãos correlatos nos estados, a exemplo dos demais conselhos nacionais.
Uma das 672 propostas democraticamente aprovadas pelos milhares de delegados e delegadas da sociedade civil empresarial, não-empresarial e do poder público, participantes da 1ª Conferência Nacional de Comunicação (Confecom), os Conselhos de Comunicação Social são a possibilidade concreta de a sociedade se manifestar contra arbitrariedades e abusos cometidos pelos veículos, cuja programação é contaminada por interesses comerciais, que muitas vezes violam a legislação vigente e desrespeitam os direitos e a dignidade da pessoa humana.
A desfaçatez com que a velha mídia e seus asseclas manipulam a opinião pública, na tentativa de camuflar a defesa de interesses econômicos e políticos que contrariam a responsabilidade social dos meios de comunicação e o interesse público, merece o mais amplo repúdio do povo brasileiro. Eles desrespeitam um princípio básico do jornalismo, que é ouvir diferentes versões dos acontecimentos, além de fugir do debate factual, plantando informação.
É chegada à hora de a sociedade dar um basta à manipulação da informação, se unindo aos trabalhadores, consumidores, produtores e difusores progressistas na defesa da criação, pelo poder público, dos Conselhos de Comunicação Social. Somente assim, o povo cearense evitará que o Governo do Estado sucumba à covarde pressão de radiodifusores e proprietários de veículos impressos que ainda acreditam na chantagem e na distorção da verdade como instrumento de barganha política.
Que venham os Conselhos de Comunicação Social, para garantir à sociedade brasileira o direito à informação plural, a liberdade de manifestação de pensamento, criação, e a consolidação da democracia nos meios de comunicação.
Assinam a nota:
- Federação Nacional dos Jornalistas - Fenaj
- Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado do Ceará - Sindjorce
- Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação - FNDC
- Instituto de Juventude Contemporânea - IJC
- Agência de Informação Frei Tito para América Latina - Adital
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Entrevista de Serra no Palácio da Alvorada
Reproduzo mensagem enviada pelo amigo Ermanno Allegri, do sítio da Adital, "para alegrar a segunda-feira":
1- No dia 02 de janeiro de 2011, um senhor idoso se aproximou do Palácio da Alvorada e, depois de atravessar a Praça dos Três Poderes, falou para o Dragão da Independência que montava guarda: "Por favor, eu gostaria de entrar e me entrevistar com o Presidente Serra".
O soldado olhou para o homem e disse: "Senhor, o Sr. Serra não é presidente e não mora aqui".
O homem disse: "Está bem". E se foi.
2- No dia seguinte, o mesmo homem idoso se aproximou do Palácio da Alvorada e falou com o mesmo Dragão: "Por favor, eu gostaria de entrar e me entrevistar com o Presidente Serra". O soldado novamente disse: "Senhor, como lhe falei ontem, o Sr Serra não é presidente e nem mora aqui". O homem agradeceu e novamente se foi.
3- Dia 04 de janeiro ele voltou e se aproximou do Palácio Alvorada e falou com o mesmo guarda: "Por favor, eu gostaria de entrar e me entrevistar com o Presidente Serra". O soldado, compreensivelmente irritado, olhou para o homem e disse: "Senhor, este é o terceiro dia seguido que o Senhor vem aqui e pede para falar com o Sr. Serra. Eu já lhe disse que ele não é presidente, nem mora aqui. O Senhor não entendeu?"
O homem olhou para o soldado e disse: "Sim, eu compreendi perfeitamente, mas eu adoro ouvir isso!"
O soldado, em posição de sentido, prestou uma vigorosa continência e disse: "Até amanhã, Senhor!"
Essa corrente não pode ser quebrada. Por isso, mande para pelo menos 20 amigos, senão você receberá uma praga e ficará com Serra, FHC e seu bando por oito anos. Não arrisque! Vamos pra rua fazer campanha. Cada voto no segundo turno vale dois. Dilma-13.
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1- No dia 02 de janeiro de 2011, um senhor idoso se aproximou do Palácio da Alvorada e, depois de atravessar a Praça dos Três Poderes, falou para o Dragão da Independência que montava guarda: "Por favor, eu gostaria de entrar e me entrevistar com o Presidente Serra".
O soldado olhou para o homem e disse: "Senhor, o Sr. Serra não é presidente e não mora aqui".
O homem disse: "Está bem". E se foi.
2- No dia seguinte, o mesmo homem idoso se aproximou do Palácio da Alvorada e falou com o mesmo Dragão: "Por favor, eu gostaria de entrar e me entrevistar com o Presidente Serra". O soldado novamente disse: "Senhor, como lhe falei ontem, o Sr Serra não é presidente e nem mora aqui". O homem agradeceu e novamente se foi.
3- Dia 04 de janeiro ele voltou e se aproximou do Palácio Alvorada e falou com o mesmo guarda: "Por favor, eu gostaria de entrar e me entrevistar com o Presidente Serra". O soldado, compreensivelmente irritado, olhou para o homem e disse: "Senhor, este é o terceiro dia seguido que o Senhor vem aqui e pede para falar com o Sr. Serra. Eu já lhe disse que ele não é presidente, nem mora aqui. O Senhor não entendeu?"
O homem olhou para o soldado e disse: "Sim, eu compreendi perfeitamente, mas eu adoro ouvir isso!"
O soldado, em posição de sentido, prestou uma vigorosa continência e disse: "Até amanhã, Senhor!"
Essa corrente não pode ser quebrada. Por isso, mande para pelo menos 20 amigos, senão você receberá uma praga e ficará com Serra, FHC e seu bando por oito anos. Não arrisque! Vamos pra rua fazer campanha. Cada voto no segundo turno vale dois. Dilma-13.
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Festa de Dilma e marcha importada de Serra
Reproduzo artigo de Brizola Neto, publicado no blog Tijolaço:
Enquanto Dilma e Lula faziam a festa em Bangu e Realengo, no que o pessoal acabou chamando de “correata” de tão depressa que teve de ir para percorrer dois bairros enormes da Zona Oeste do Rio, a passeata do Serra – na Zona Sul, onde ele ainda tem voto – teve de apelar para os “efeitos especiais”.
Segundo o IG, “a caminhada do candidato do PSDB, José Serra, pela praia de Copacabana, contou com a colaboração de cerca de mil cabos eleitorais trazidos de Minas Gerais, de avião, e de Duque de Caxias, de ônibus”.
Diz o portal que “250 jovens mineiros – a maioria mulheres – que se intitulavam da 'Juventude Universitária' distribuíam adesivos de Serra e gritavam os nomes de Aécio Neves e do governador eleito Antonio Anastasia.”
Faltou combinar direitinho o “script”
““Sou da Juventude do PSDB”, disse a publicitária Isadora Sabino. Outra jovem disse ser do PSDB, mas em seguida foi “corrigida” por um rapaz, que afirmou serem da “Juventude do PPS”, responsável pelo pagamento das passagens do grupo.”
O resto da “massa” serrista foi trazido de ônibus pelo prefeito de Caxias, José Camilo Zito, que fretou mais de 40 ônibus para “importar” apoio para Serra.
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Enquanto Dilma e Lula faziam a festa em Bangu e Realengo, no que o pessoal acabou chamando de “correata” de tão depressa que teve de ir para percorrer dois bairros enormes da Zona Oeste do Rio, a passeata do Serra – na Zona Sul, onde ele ainda tem voto – teve de apelar para os “efeitos especiais”.
Segundo o IG, “a caminhada do candidato do PSDB, José Serra, pela praia de Copacabana, contou com a colaboração de cerca de mil cabos eleitorais trazidos de Minas Gerais, de avião, e de Duque de Caxias, de ônibus”.
Diz o portal que “250 jovens mineiros – a maioria mulheres – que se intitulavam da 'Juventude Universitária' distribuíam adesivos de Serra e gritavam os nomes de Aécio Neves e do governador eleito Antonio Anastasia.”
Faltou combinar direitinho o “script”
““Sou da Juventude do PSDB”, disse a publicitária Isadora Sabino. Outra jovem disse ser do PSDB, mas em seguida foi “corrigida” por um rapaz, que afirmou serem da “Juventude do PPS”, responsável pelo pagamento das passagens do grupo.”
O resto da “massa” serrista foi trazido de ônibus pelo prefeito de Caxias, José Camilo Zito, que fretou mais de 40 ônibus para “importar” apoio para Serra.
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Os dias que condensam décadas
Reproduzo artigo de Emiliano José, publicado no sítio Carta Maior:
A ilusão na política é uma péssima companhia. De modo geral, esse pecado é cometido não só pela incapacidade de an alisar a correlação de forças como também da ausência de conhecimento histórico. Há muito que comentar sobre essa campanha. Como o Serra conseguiu, de longe, ultrapassar o Collor no jogo baixo, sujo, próximo do gangsterismo, do banditismo, envolvendo não só o que o professor Giuseppe Cocco chamou de leilão das paixões tristes (machismo, sexismo, racismo), como também a montagem de um impressionante aparato clandestino de comunicação, um esquema nacional de telemarketing destinado a caluniar, mentir, difamar, tudo dirigido contra uma mulher, Dilma Rousseff.
Cito esses poucos exemplos, para não fazer uma longa lista, que não cabe aqui. Depois da volta das eleições diretas, é a campanha em que a direita joga mais sujo, e talvez nossas ilusões não permitissem antecipar essa possibilidade. Quem sabe confiássemos num jogo democrático, quem sabe de alto nível. Quem sabe imaginássemos um Serra ainda envolto por sua herança pré-64, verde presidente da UNE. Quem sabe o quiséssemos pronto para o debate limpo, ele defendendo o projeto de Brasil que de fato advoga, o Brasil neoliberal, livre das amarras da presença do Estado, que deve ser, nesse projeto, cada vez mais mínimo, que me desculpem a expressão pleonástica. Um Estado voltado a reprimir, o Estado do uso da força, aliás uma de suas propostas mais caras e claras.
Nossas ilusões, talvez, incluíssem, sem que o quiséssemos, a abolição da luta de classes. Esquecemo-nos de lições antigas. Aquelas que aprendemos no passado, e que a vida democrática, tão prezada por nós e que devemos prezar sempre, pode nos levar a esquecer. Vem de Marx, o velho e sempre atual Marx, a lição de que toda a história da humanidade é a história da luta de classes. E nós podemos dizer, com tranqüilidade, que ela está mais viva do que nunca. E o Brasil dessas eleições é uma evidência disso. Os campos se definem claramente, e agora o que antes poderia parecer um jogo civilizado, deixou de sê-lo, e isso desde o primeiro turno, sem que acordássemos devidamente para isso. Descambou para o que sem medo de errar podemos chamar, como o fazíamos antes, de ódio de classe. Um ódio que faz questão de mostrar a cara.
A campanha do Serra mergulhou atrás do ódio. Tentou plantar na sociedade brasileira pelos métodos mais sórdidos a semente do ódio. Até o bordão de que comunista come criancinha voltou quase que literalmente, para sacrificar a mulher no altar hediondo de um moralismo medieval, como disse num texto para o Terra Magazine. Não importa que tantas mulheres, milhares delas, morram por ano no País devido à falta de atendimento por conta de abortos feitos em condições miseráveis, aviltantes, que atentam contra a dignidade humana. Não importa que ele mesmo, Serra, tenha, como ministro da Saúde, determinado o atendimento a essas mulheres. Ele mente, ele nega, e ele não cora ao mentir. É só lembrar o caso de Paulo Preto, que ele nega hoje, e amanhã o acolhe, temeroso da ameaça pública que o seu auxiliar lhe fez. O senso comum o compararia a Pedro, que negou Cristo três vezes, ou a Judas, que traiu Cristo, como diz a tradição bíblica. Talvez mais, muito mais Judas, do que Pedro.
Nós não tínhamos o direito de nos iludir. Não tínhamos o direito de ignorar as leis da luta de classes, que aprendemos com tanto rigor anteriormente. Será que ao nos convertermos à democracia, e digo nos convertermos porque durante algum tempo muitos de nós, da esquerda, a víamos como algo tático, será que então pensamos nela como um solene baile de valsa? Como um teatro onde todos se respeitam? Uma democracia onde as regras são aceitas e cumpridas? Onde os projetos são tratados habermasianamente? Todas essas ilusões se firmaram, talvez, porque nem nós mesmos ainda alcançamos a dimensão, o significado do projeto político que estamos encabeçando no Brasil, a importância que ele tem para o povo brasileiro e para o mundo, especialmente para os povos dos países mais pobres, os povos do Sul da humanidade.
Seria possível imaginar que esse projeto era do agrado de todos? Será que não compreendemos que esse era um governo de esquerda para as condições do Brasil e do mundo? E por isso suscetível de gerar tanto ódio? Será que não tínhamos a dimensão de que forças internacionais torcem, e queiramos que seja só torcida, para que esse projeto seja derrotado? Será que não sabíamos que o projeto político que estamos levando à frente criou uma impressionante rede de solidariedade entre nós e a América do Sul, o Caribe, a África, a Ásia? E que isso não pode agradar aos EUA? Será que um projeto que distribui renda como nós o fizemos, a maior distribuição de renda de toda a nossa história, ia ser tratado com punhos de renda pela direita brasileira?
O ódio deles tem razão de ser. E os métodos deles, é lamentável dizer isso, tinham de ser esperados por nós. Era previsto que eles agissem assim. Esperamos uma direita civilizada, ao contrário de tudo o que nos diz a nossa história. E digo isso não para afirmar qualquer coisa na linha de que deveríamos responder na mesma moeda. Se já tivéssemos compreendido isso desde o primeiro turno, deveríamos ter nos mobilizado, estimulado muito mais a nossa militância, deveríamos ter nos preparado para a hipótese do segundo turno, deveríamos também chamar para nós algumas teses caras à nossa juventude, tratado melhor os sonhos de tanta gente, que ainda quer ir além do que estamos fazendo, e ainda bem que há essa gente.
Temos poucos dias. Eles são decisivos. Estamos vivendo aqueles dias que condensam décadas. Aqueles dias que decidem o destino da Nação. O destino do povo brasileiro. Nossa inserção no mundo. Decide-se se o Brasil irá continuar a ser um protagonista central no mundo, um aliado fundamental dos países mais pobres, ou se voltará a ser vassalo dos grandes centros do capitalismo mundial, tal e qual o foi o governo demo-tucano, sob o professor Fernando Henrique Cardoso.
Os militantes do PT, com sua vitalidade, seus sonhos de sempre, têm que ganhar as ruas, como estão fazendo mais e mais nas últimas horas. E têm que chamar a todos os que têm compromissos com esse projeto, da esquerda ao centro, para que não descansem até a vitória. As pesquisas têm indicado uma consolidação da preferência do povo brasileiro, que tem amadurecido muito nos últimos anos. Isso, no entanto, não nos autoriza a descansar um minuto que seja. Afirmar a democracia no Brasil é lutar para que esse País continue a distribuir renda e a crescer, e isso só é possível com a vitória de Dilma. O povo brasileiro vencerá.
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A ilusão na política é uma péssima companhia. De modo geral, esse pecado é cometido não só pela incapacidade de an alisar a correlação de forças como também da ausência de conhecimento histórico. Há muito que comentar sobre essa campanha. Como o Serra conseguiu, de longe, ultrapassar o Collor no jogo baixo, sujo, próximo do gangsterismo, do banditismo, envolvendo não só o que o professor Giuseppe Cocco chamou de leilão das paixões tristes (machismo, sexismo, racismo), como também a montagem de um impressionante aparato clandestino de comunicação, um esquema nacional de telemarketing destinado a caluniar, mentir, difamar, tudo dirigido contra uma mulher, Dilma Rousseff.
Cito esses poucos exemplos, para não fazer uma longa lista, que não cabe aqui. Depois da volta das eleições diretas, é a campanha em que a direita joga mais sujo, e talvez nossas ilusões não permitissem antecipar essa possibilidade. Quem sabe confiássemos num jogo democrático, quem sabe de alto nível. Quem sabe imaginássemos um Serra ainda envolto por sua herança pré-64, verde presidente da UNE. Quem sabe o quiséssemos pronto para o debate limpo, ele defendendo o projeto de Brasil que de fato advoga, o Brasil neoliberal, livre das amarras da presença do Estado, que deve ser, nesse projeto, cada vez mais mínimo, que me desculpem a expressão pleonástica. Um Estado voltado a reprimir, o Estado do uso da força, aliás uma de suas propostas mais caras e claras.
Nossas ilusões, talvez, incluíssem, sem que o quiséssemos, a abolição da luta de classes. Esquecemo-nos de lições antigas. Aquelas que aprendemos no passado, e que a vida democrática, tão prezada por nós e que devemos prezar sempre, pode nos levar a esquecer. Vem de Marx, o velho e sempre atual Marx, a lição de que toda a história da humanidade é a história da luta de classes. E nós podemos dizer, com tranqüilidade, que ela está mais viva do que nunca. E o Brasil dessas eleições é uma evidência disso. Os campos se definem claramente, e agora o que antes poderia parecer um jogo civilizado, deixou de sê-lo, e isso desde o primeiro turno, sem que acordássemos devidamente para isso. Descambou para o que sem medo de errar podemos chamar, como o fazíamos antes, de ódio de classe. Um ódio que faz questão de mostrar a cara.
A campanha do Serra mergulhou atrás do ódio. Tentou plantar na sociedade brasileira pelos métodos mais sórdidos a semente do ódio. Até o bordão de que comunista come criancinha voltou quase que literalmente, para sacrificar a mulher no altar hediondo de um moralismo medieval, como disse num texto para o Terra Magazine. Não importa que tantas mulheres, milhares delas, morram por ano no País devido à falta de atendimento por conta de abortos feitos em condições miseráveis, aviltantes, que atentam contra a dignidade humana. Não importa que ele mesmo, Serra, tenha, como ministro da Saúde, determinado o atendimento a essas mulheres. Ele mente, ele nega, e ele não cora ao mentir. É só lembrar o caso de Paulo Preto, que ele nega hoje, e amanhã o acolhe, temeroso da ameaça pública que o seu auxiliar lhe fez. O senso comum o compararia a Pedro, que negou Cristo três vezes, ou a Judas, que traiu Cristo, como diz a tradição bíblica. Talvez mais, muito mais Judas, do que Pedro.
Nós não tínhamos o direito de nos iludir. Não tínhamos o direito de ignorar as leis da luta de classes, que aprendemos com tanto rigor anteriormente. Será que ao nos convertermos à democracia, e digo nos convertermos porque durante algum tempo muitos de nós, da esquerda, a víamos como algo tático, será que então pensamos nela como um solene baile de valsa? Como um teatro onde todos se respeitam? Uma democracia onde as regras são aceitas e cumpridas? Onde os projetos são tratados habermasianamente? Todas essas ilusões se firmaram, talvez, porque nem nós mesmos ainda alcançamos a dimensão, o significado do projeto político que estamos encabeçando no Brasil, a importância que ele tem para o povo brasileiro e para o mundo, especialmente para os povos dos países mais pobres, os povos do Sul da humanidade.
Seria possível imaginar que esse projeto era do agrado de todos? Será que não compreendemos que esse era um governo de esquerda para as condições do Brasil e do mundo? E por isso suscetível de gerar tanto ódio? Será que não tínhamos a dimensão de que forças internacionais torcem, e queiramos que seja só torcida, para que esse projeto seja derrotado? Será que não sabíamos que o projeto político que estamos levando à frente criou uma impressionante rede de solidariedade entre nós e a América do Sul, o Caribe, a África, a Ásia? E que isso não pode agradar aos EUA? Será que um projeto que distribui renda como nós o fizemos, a maior distribuição de renda de toda a nossa história, ia ser tratado com punhos de renda pela direita brasileira?
O ódio deles tem razão de ser. E os métodos deles, é lamentável dizer isso, tinham de ser esperados por nós. Era previsto que eles agissem assim. Esperamos uma direita civilizada, ao contrário de tudo o que nos diz a nossa história. E digo isso não para afirmar qualquer coisa na linha de que deveríamos responder na mesma moeda. Se já tivéssemos compreendido isso desde o primeiro turno, deveríamos ter nos mobilizado, estimulado muito mais a nossa militância, deveríamos ter nos preparado para a hipótese do segundo turno, deveríamos também chamar para nós algumas teses caras à nossa juventude, tratado melhor os sonhos de tanta gente, que ainda quer ir além do que estamos fazendo, e ainda bem que há essa gente.
Temos poucos dias. Eles são decisivos. Estamos vivendo aqueles dias que condensam décadas. Aqueles dias que decidem o destino da Nação. O destino do povo brasileiro. Nossa inserção no mundo. Decide-se se o Brasil irá continuar a ser um protagonista central no mundo, um aliado fundamental dos países mais pobres, ou se voltará a ser vassalo dos grandes centros do capitalismo mundial, tal e qual o foi o governo demo-tucano, sob o professor Fernando Henrique Cardoso.
Os militantes do PT, com sua vitalidade, seus sonhos de sempre, têm que ganhar as ruas, como estão fazendo mais e mais nas últimas horas. E têm que chamar a todos os que têm compromissos com esse projeto, da esquerda ao centro, para que não descansem até a vitória. As pesquisas têm indicado uma consolidação da preferência do povo brasileiro, que tem amadurecido muito nos últimos anos. Isso, no entanto, não nos autoriza a descansar um minuto que seja. Afirmar a democracia no Brasil é lutar para que esse País continue a distribuir renda e a crescer, e isso só é possível com a vitória de Dilma. O povo brasileiro vencerá.
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Os riscos na reta final da eleição
Reproduzo artigo de Rodrigo Vianna, publicado no blog Escrevinhador:
Pesquisas internas do PT – avisa-me um colega muito bem informado - mostram que a diferença entre Dilma e Serra segue a se alargar: nesse fim-de-semana, em votos válidos, o resultado é Dilma 57% x Serra 43%.
Desde o debate na “Band” – quando partiu para o confronto, e mudou a pauta do segundo turno – a tendência tem sido essa. O que aparece nas pesquisas Ibope, DataFolha e Vox Populi da última semana - que apontam vantagem entre 10 s 12 pontos para Dilma. Só o Sensus trouxe um levantamento diferente, com vantagem de 5 pontos.
A última capa da “Veja” – que muitos viam como ameaça para Dilma – foi apenas mais um factóide, sem importância, que não para em pé. Além disso, nas bancas de todo o país, estará exposta ao lado da “Istoé” e da “CartaCapital” – que trazem capas desfavoráveis a Serra. Nese terreno, o jogo está empatado. O progama de TV de Dilma segue melhor.
Então, qual seria a aposta de Serra para virar o jogo? Como sempre, a aposta está nas sombras.
Escrevi há alguns dias um texto sobre as “Cinco Ondas” da campanha negativa contra Dilma. O texto está aqui. O desdobramento final dessa campanha de medo e boatos (ou seja, a ”Quinta Onda”) seria ”mostrar” ao eleitor que a “Dilma terrorista” e o “PT contra as liberdades” não são apenas boatos. A Quinta Onda, pra dar resultado, precisa gerar fatos. Não pode viver só de boatos.
Serra parece ter chegado à Quinta Onda, com o factóide da bolinha de papel em Campo Grande. Caiu no ridículo, é verdade. Mas a mensagem que interessa a ele segue no ar (especialmente na Globo): “os petistas agridem, são violentos”.
Por isso, o grande risco dessa reta final é a criação de um factóide de maior gravidade: temo muito pelo que possa acontecer no Rio nesse domingo, com passeatas do PT e PSDB marcadas para o mesmo dia (felizmente, o PT mandou cancelar qualquer atividade na zona sul, onde os tucanos vão marchar).
Serra precisa de tumulto, de militantes tucanos feridos. Ou até de uma agressão mais grave contra ele mesmo. Imaginem só, entrar na última semana de eleição com essa pauta: “PT violento”, “a turma da Dilma é terrorista”. Imaginem Serra com um curativo na cabeça no debate da Globo!
A emissora dirigida por Ali Kamel já mostrou que não terá limites na tarefa de reverberar a onda serrista – seja ela qual for.
Serra quer criar tumulto. Serra precisa do tumulto. Só o tumulto salva Serra.
Não é por outro motivo que o vice dele, Indio da Costa, encomendou uma pesquisa ao grupo GPP – como nos alertou o Renato Rovai em seu blog. Normalmente, partidos e politicos encomendam pesquisas não para divulgá-las, mas para uso interno – para ajudar a traçar estratégias de campanha. Essa pesquisa do Indio é diferente, foi registrada no TSE. Ou seja, ele contratou a pesquisa para divulgar na reta final.
Por que? Qual a lógica?
Evidentemente, para provocar dúvida, confusão, para arrancar – na marra – um resultado que seja mais favorável aos demo-tucanos.
Pesquisas contraditórias na reta final seriam um ingrediente perfeito para quem – desde o começo – apostou numa linha “Bush” de campanha. Lembremos que Bush ganhou a primeira eleição (contra Al Gore) na base da confusão, com o tapetão na Flórida.
Humildemente, acho que a campanha de Dilma deveria ficar atenta para esse tripé: tumultos forjados/pesquisas estranhas/urnas eletrônicas. É o que resta para os adversários. E o trio Serra-Indio-Globo já mostrou nessa campanha que não tem limites.
Por isso, apesar do amplo favoritismo de Dilma, sigo a afirmar: é preciso estar preparado para qualquer coisa na última semana da eleição.
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Pesquisas internas do PT – avisa-me um colega muito bem informado - mostram que a diferença entre Dilma e Serra segue a se alargar: nesse fim-de-semana, em votos válidos, o resultado é Dilma 57% x Serra 43%.
Desde o debate na “Band” – quando partiu para o confronto, e mudou a pauta do segundo turno – a tendência tem sido essa. O que aparece nas pesquisas Ibope, DataFolha e Vox Populi da última semana - que apontam vantagem entre 10 s 12 pontos para Dilma. Só o Sensus trouxe um levantamento diferente, com vantagem de 5 pontos.
A última capa da “Veja” – que muitos viam como ameaça para Dilma – foi apenas mais um factóide, sem importância, que não para em pé. Além disso, nas bancas de todo o país, estará exposta ao lado da “Istoé” e da “CartaCapital” – que trazem capas desfavoráveis a Serra. Nese terreno, o jogo está empatado. O progama de TV de Dilma segue melhor.
Então, qual seria a aposta de Serra para virar o jogo? Como sempre, a aposta está nas sombras.
Escrevi há alguns dias um texto sobre as “Cinco Ondas” da campanha negativa contra Dilma. O texto está aqui. O desdobramento final dessa campanha de medo e boatos (ou seja, a ”Quinta Onda”) seria ”mostrar” ao eleitor que a “Dilma terrorista” e o “PT contra as liberdades” não são apenas boatos. A Quinta Onda, pra dar resultado, precisa gerar fatos. Não pode viver só de boatos.
Serra parece ter chegado à Quinta Onda, com o factóide da bolinha de papel em Campo Grande. Caiu no ridículo, é verdade. Mas a mensagem que interessa a ele segue no ar (especialmente na Globo): “os petistas agridem, são violentos”.
Por isso, o grande risco dessa reta final é a criação de um factóide de maior gravidade: temo muito pelo que possa acontecer no Rio nesse domingo, com passeatas do PT e PSDB marcadas para o mesmo dia (felizmente, o PT mandou cancelar qualquer atividade na zona sul, onde os tucanos vão marchar).
Serra precisa de tumulto, de militantes tucanos feridos. Ou até de uma agressão mais grave contra ele mesmo. Imaginem só, entrar na última semana de eleição com essa pauta: “PT violento”, “a turma da Dilma é terrorista”. Imaginem Serra com um curativo na cabeça no debate da Globo!
A emissora dirigida por Ali Kamel já mostrou que não terá limites na tarefa de reverberar a onda serrista – seja ela qual for.
Serra quer criar tumulto. Serra precisa do tumulto. Só o tumulto salva Serra.
Não é por outro motivo que o vice dele, Indio da Costa, encomendou uma pesquisa ao grupo GPP – como nos alertou o Renato Rovai em seu blog. Normalmente, partidos e politicos encomendam pesquisas não para divulgá-las, mas para uso interno – para ajudar a traçar estratégias de campanha. Essa pesquisa do Indio é diferente, foi registrada no TSE. Ou seja, ele contratou a pesquisa para divulgar na reta final.
Por que? Qual a lógica?
Evidentemente, para provocar dúvida, confusão, para arrancar – na marra – um resultado que seja mais favorável aos demo-tucanos.
Pesquisas contraditórias na reta final seriam um ingrediente perfeito para quem – desde o começo – apostou numa linha “Bush” de campanha. Lembremos que Bush ganhou a primeira eleição (contra Al Gore) na base da confusão, com o tapetão na Flórida.
Humildemente, acho que a campanha de Dilma deveria ficar atenta para esse tripé: tumultos forjados/pesquisas estranhas/urnas eletrônicas. É o que resta para os adversários. E o trio Serra-Indio-Globo já mostrou nessa campanha que não tem limites.
Por isso, apesar do amplo favoritismo de Dilma, sigo a afirmar: é preciso estar preparado para qualquer coisa na última semana da eleição.
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domingo, 24 de outubro de 2010
A juventude deixou de ser invisível
Reproduzo artigo enviado por Anderson Campos, assessor da Secretaria Nacional de Juventude da CUT e autor do livro "Juventude e Ação Sindical: crítica ao trabalho indecente":
“Eu vou no bloco dessa mocidade/
Que não tá na saudade e constrói/
A manhã desejada”. Gonzaguinha.
O governo Lula e Dilma foi um marco histórico para consolidar a juventude como sujeito de direitos no Brasil. Hoje, a juventude consta na Constituição Federal ao lado de crianças e idosos. Devem possuir direitos garantidos por lei.
A juventude foi tratada durante o governo Lula/Dilma de forma completamente diferente do governo FHC/Serra. É mais um motivo para demonstrar de que lado a juventude está.
Durante o governo FHC/Serra, a juventude era caso de polícia. Era um problema relacionado à violência nos centros urbanos e às drogas.
No governo Lula/Dilma, foi instituído o Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci). Mais de 11 mil jovens estão sendo formados como multiplicadores da cultura de paz, atingindo mais de 400 mil jovens.
Durante o governo FHC/Serra, foi criada apenas uma universidade pública. No governo Lula/Dilma, foram criadas 14 novas universidades e 117 campi/unidades. O número de vagas em graduação presencial aumentou de 106,8 mil em 2003 para 195.3 mil em 2009.
Durante o governo FHC/Serra, acelerou-se o processo segundo o qual só poderia ter acesso à universidade quem pudesse pagar por ela. Os tucanos privatizaram, assim, o ensino superior brasileiro.
No governo Lula/Dilma, mais de 700 mil jovens entraram na universidade via ProUni, fecharemos 2010 com 214 novas Escolas Técnicas, com 500 mil vagas em todo o país. As vagas nas universidades públicas federais deve atingir um crescimento de 100%, chegando a 250 mil esse ano.
Durante o governo FHC/Serra, foi criada Desvinculação das Receitas da União (DRU), que retirava cerca de R$ 10 bilhões de reais por ano do orçamento do Ministério da Educação (MEC).
No governo Lula/Dilma, acabou a DRU da educação e o orçamento do MEC representa hoje o equivalente a três programas Bolsa-Família.
Durante o governo FHC/Serra, a juventude foi responsabilizada por sua própria situação de desemprego e pobreza. O individualismo foi promovido como única alternativa.
No governo Lula/Dilma, foram criados diversos programas sociais voltados para a inclusão social não limitada à questão do emprego. Os programas de transferência de renda estão relacionados ao acesso à educação, ao esporte, ao lazer, à cultura, à participação cidadã. O Programa Nacional de Inclusão de Jovens (Projovem) é hoje o principal programa de articulação entre o combate ao desemprego juvenil, a elevação da escolaridade e a participação cidadã.
Durante o governo FHC/Serra, a precarização do trabalho juvenil atingiu recordes. Os salários dos jovens é, em média, metade dos adultos. As suas jornadas de trabalho semanais impedem a possibilidade de estudar. Os jovens são maioria entre os que não possuem previdência social nem qualquer direito trabalhista garantido pela carteira assinada. Por exemplo, houve um crescimento recorde no número de estagiários no país, que são estudantes contratados precariamente como mão-de-obra barata.
No governo Lula/Dilma, foi iniciada a formulação de uma Agenda Nacional de Promoção do Trabalho Decente para a Juventude e foi convocada a realização da I Conferência Nacional de Trabalho Decente e Emprego. É a oportunidade que a juventude brasileira tem de dizer onde e como quer mudar a sua situação no mercado de trabalho no país.
Durante o governo FHC/Serra, não existia política pública para juventude rural. Os movimentos do campo eram tratados como criminosos e duramente reprimidos. No governo Lula/Dilma, a juventude rural tem uma política nacional de acesso à terra e ao crédito e investimento na participação nos movimentos. Mais de 40 mil jovens são donos da própria terra, via Programa Nossa Primeira Terra e mais de 24 mil jovens são beneficiados pelo crédito produtivo do Pronaf Jovem.
Durante o governo FHC/Serra, a juventude foi afastada do acesso aos bens culturais e apenas os empreendimentos comerciais recebiam incentivo público. No governo Lula/Dilma, foi criado o programa Cultura Viva, que hoje conta com mais de mil Pontos de Cultura em todo o país.
Durante o governo FHC/Serra, a juventude era recebida em Brasília com balas de borracha, cães e tropa de choque. No governo Lula/Dilma, foram realizadas conferências e encontros, instituído o Conselho Nacional de Juventude, a Secretaria Nacional de Juventude e hoje Brasília tem sido sede dos principais eventos de juventude do país e da América Latina.
Durante o governo FHC/Serra, foi estimulado o voluntarismo de jovens como alternativa ao sucateamento da educação pública, promovida pelos próprios tucanos. No governo Lula/Dilma, houve investimento público na participação popular para elevar a capacidade de formulação, organização e mobilização social da juventude em busca de direitos. Exemplo é o investimento feito pelo governo Lula/Dilma na criação dos Coletivos de Juventude e Meio Ambiente, espalhados pelo Brasil e que veio a constituir a Rede da Juventude pelo Meio Ambiente e Sustentabilidade (REJUMA), um movimento autônomo.
Nos anos 1990, a juventude balança as bandeiras nas campanhas eleitorais. Em 2010, a juventude elabora sua própria plataforma, o Pacto pela Juventude, e vai às ruas, mostrando sua cara e sua posição política na disputa entre os dois projetos: queremos que o Brasil siga mudando, com Dilma Presidenta. Avante juventude brasileira!
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“Eu vou no bloco dessa mocidade/
Que não tá na saudade e constrói/
A manhã desejada”. Gonzaguinha.
O governo Lula e Dilma foi um marco histórico para consolidar a juventude como sujeito de direitos no Brasil. Hoje, a juventude consta na Constituição Federal ao lado de crianças e idosos. Devem possuir direitos garantidos por lei.
A juventude foi tratada durante o governo Lula/Dilma de forma completamente diferente do governo FHC/Serra. É mais um motivo para demonstrar de que lado a juventude está.
Durante o governo FHC/Serra, a juventude era caso de polícia. Era um problema relacionado à violência nos centros urbanos e às drogas.
No governo Lula/Dilma, foi instituído o Programa Nacional de Segurança Pública com Cidadania (Pronasci). Mais de 11 mil jovens estão sendo formados como multiplicadores da cultura de paz, atingindo mais de 400 mil jovens.
Durante o governo FHC/Serra, foi criada apenas uma universidade pública. No governo Lula/Dilma, foram criadas 14 novas universidades e 117 campi/unidades. O número de vagas em graduação presencial aumentou de 106,8 mil em 2003 para 195.3 mil em 2009.
Durante o governo FHC/Serra, acelerou-se o processo segundo o qual só poderia ter acesso à universidade quem pudesse pagar por ela. Os tucanos privatizaram, assim, o ensino superior brasileiro.
No governo Lula/Dilma, mais de 700 mil jovens entraram na universidade via ProUni, fecharemos 2010 com 214 novas Escolas Técnicas, com 500 mil vagas em todo o país. As vagas nas universidades públicas federais deve atingir um crescimento de 100%, chegando a 250 mil esse ano.
Durante o governo FHC/Serra, foi criada Desvinculação das Receitas da União (DRU), que retirava cerca de R$ 10 bilhões de reais por ano do orçamento do Ministério da Educação (MEC).
No governo Lula/Dilma, acabou a DRU da educação e o orçamento do MEC representa hoje o equivalente a três programas Bolsa-Família.
Durante o governo FHC/Serra, a juventude foi responsabilizada por sua própria situação de desemprego e pobreza. O individualismo foi promovido como única alternativa.
No governo Lula/Dilma, foram criados diversos programas sociais voltados para a inclusão social não limitada à questão do emprego. Os programas de transferência de renda estão relacionados ao acesso à educação, ao esporte, ao lazer, à cultura, à participação cidadã. O Programa Nacional de Inclusão de Jovens (Projovem) é hoje o principal programa de articulação entre o combate ao desemprego juvenil, a elevação da escolaridade e a participação cidadã.
Durante o governo FHC/Serra, a precarização do trabalho juvenil atingiu recordes. Os salários dos jovens é, em média, metade dos adultos. As suas jornadas de trabalho semanais impedem a possibilidade de estudar. Os jovens são maioria entre os que não possuem previdência social nem qualquer direito trabalhista garantido pela carteira assinada. Por exemplo, houve um crescimento recorde no número de estagiários no país, que são estudantes contratados precariamente como mão-de-obra barata.
No governo Lula/Dilma, foi iniciada a formulação de uma Agenda Nacional de Promoção do Trabalho Decente para a Juventude e foi convocada a realização da I Conferência Nacional de Trabalho Decente e Emprego. É a oportunidade que a juventude brasileira tem de dizer onde e como quer mudar a sua situação no mercado de trabalho no país.
Durante o governo FHC/Serra, não existia política pública para juventude rural. Os movimentos do campo eram tratados como criminosos e duramente reprimidos. No governo Lula/Dilma, a juventude rural tem uma política nacional de acesso à terra e ao crédito e investimento na participação nos movimentos. Mais de 40 mil jovens são donos da própria terra, via Programa Nossa Primeira Terra e mais de 24 mil jovens são beneficiados pelo crédito produtivo do Pronaf Jovem.
Durante o governo FHC/Serra, a juventude foi afastada do acesso aos bens culturais e apenas os empreendimentos comerciais recebiam incentivo público. No governo Lula/Dilma, foi criado o programa Cultura Viva, que hoje conta com mais de mil Pontos de Cultura em todo o país.
Durante o governo FHC/Serra, a juventude era recebida em Brasília com balas de borracha, cães e tropa de choque. No governo Lula/Dilma, foram realizadas conferências e encontros, instituído o Conselho Nacional de Juventude, a Secretaria Nacional de Juventude e hoje Brasília tem sido sede dos principais eventos de juventude do país e da América Latina.
Durante o governo FHC/Serra, foi estimulado o voluntarismo de jovens como alternativa ao sucateamento da educação pública, promovida pelos próprios tucanos. No governo Lula/Dilma, houve investimento público na participação popular para elevar a capacidade de formulação, organização e mobilização social da juventude em busca de direitos. Exemplo é o investimento feito pelo governo Lula/Dilma na criação dos Coletivos de Juventude e Meio Ambiente, espalhados pelo Brasil e que veio a constituir a Rede da Juventude pelo Meio Ambiente e Sustentabilidade (REJUMA), um movimento autônomo.
Nos anos 1990, a juventude balança as bandeiras nas campanhas eleitorais. Em 2010, a juventude elabora sua própria plataforma, o Pacto pela Juventude, e vai às ruas, mostrando sua cara e sua posição política na disputa entre os dois projetos: queremos que o Brasil siga mudando, com Dilma Presidenta. Avante juventude brasileira!
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