segunda-feira, 19 de julho de 2010
A máfia da mídia (SIP) critica Lula
Repelida em vários países, a Sociedade Interamericana de Prensa (SIP) tem a mania de se meter nos assuntos internos das nações do continente. A entidade, que alardeia reunir 1.300 veículos da região, já apoiou golpes militares e ditaduras sangrentas e não tem moral nenhuma para falar em democracia. Mesmo assim, seus mafiosos dirigentes insistem em dizer besteiras. A mais recente foi vomitada pelo presidente da SIP, Alejandro Aguirre, numa entrevista ao Estadão. A matéria até parece que foi encomendada pelo comando da campanha demotucana de José Serra.
O empresário, dono do “Diario de Las Americas” – que é editado em Miami e que recentemente foi desmascarado pela BBC por receber dólares do governo EUA para fazer propaganda contra Cuba –, afirma na entrevista que Lula é “um falso democrata”, que se beneficia “da fé e do poder que o povo nele depositou para destruir as instituições democráticas”. Excitado, o Estadão afirma que Aguirre incluiu Lula na “lista” dos governantes contrários à “liberdade de expressão” – junto com Hugo Chávez, Cristina Kirchner, Evo Morales, Rafael Correa, Daniel Ortega e Raul Castro.
“Um escárnio contra o Brasil”
“Esses governos não podem continuar a se chamar de democráticos... Esses governos usaram leis no Congresso, ameaças, subornos, publicidade oficial e atos judiciais sumamente arbitrários”, rosnou o falso democrata. Indignado, o deputado Brizola Neto repudiou a entrevista de Aguirre – “um escárnio contra nosso país... Os empresários da mídia não se conformam em haver governantes que não se ajoelham diante dos seus desígnios. O Itamaraty deve, imediatamente, tomar as providencias cabíveis em relação a este sujeitinho”.
A indignação é plenamente compreensível e seu pedido de “providências cabíveis” do Itamaraty também é justo. Em outras nações da América Latina, a SIP já tem sido advertida por interferir na política interna, sendo considerada “persona non grata”. Esta entidade, que reúne a máfia dos barões da mídia, não tem qualquer moral para falar em democracia. Basta conhecer um pouco da sua macabra história. Republico abaixo trechos de um artigo escrito em março de 2009:
Instrumento do imperialismo ianque
A SIP realmente não gosta da democracia. Ela reúne os barões da mídia que apoiaram os golpes militares no continente e sustentaram as ditaduras sanguinárias. No auge do neoliberalismo, eles prosperaram com os subsídios públicos e na orgia do "livre mercado". Agora, estão desesperados com as vitórias de governantes progressistas na América Latina e com o debate destravado sobre a democratização das comunicações. A SIP é a fachada desta máfia midiática. Não tem qualquer moral para falar em "liberdade de imprensa", que ela confunde com liberdade dos monopólios.
Sediada em Miami, ela defende os interesses das corporações capitalistas, dissemina as políticas imperialistas dos EUA e agrega os setores mais reacionários da mídia. A SIP se apresenta como "independente" dos governos, mas seu presidente é primo do ministro da Defesa e irmão do vice-presidente da Colômbia. No seu relatório anterior, ela teve a caradura de elogiar os "avanços" na relação do governo narcoterrorista de Álvaro Uribe com a imprensa, sendo que a Colômbia é um dos recordistas mundiais em assassinatos de jornalistas e sindicalistas.
Jules Dubois, o homem da CIA
Num acalentado estudo, intitulado "Os amos da SIP", o jornalista Yaifred Ron faz um histórico assustador desta entidade. Conforme comprova, "a Sociedade Interamericana de Imprensa é um cartel dos grandes donos de meios de comunicação do continente, que nasceu nos marcos da II Guerra Mundial e se moldou no calor da Guerra Fria para protagonizar uma história de defesa dos interesses oligopólicos, de aliança com os poderes imperiais e de atentados contra a soberania dos povos latino-americanos". Com base em inúmeros documentos, ela demonstra que a entidade tem sólidos e antigos vínculos com a central de "inteligência" dos EUA, a temida CIA.
Ela foi fundada em 1943 numa conferência em Havana, durante a ditadura de Fulgencio Batista. Num primeiro momento, devido à aliança contra o nazi-fascismo, ela ainda reuniu alguns veículos progressistas. Mas isto durou pouco tempo. Com a onda macartista nos EUA e a guerra fria, ela foi tomada de assalto pela CIA. Em 1950, na quinta conferência, em Quito, dois funcionários da agência ianque, Joshua Powers e Jules Dubois, passam a comandar na entidade. Dubois será seu coordenador durante 15 anos e teve seu nome registrado no edifício da entidade em Miami.
Desestabilizar governos progressistas
A SIP se torna um instrumento da CIA para desestabilizar os governos progressistas da América Latina. Para isso, os estatutos foram adulterados, garantindo maioria às publicações empresariais dos EUA; a sede foi deslocada para Miami; e as vozes críticas foram alijadas. "Em resumo, eles destruíram a SIP como entidade independente, transformado-a num aparato político a serviço dos objetivos internacionais dos EUA", afirma Yaifred. Na década de 50, ela fez raivosa oposição ao governo nacionalista de Juan Perón e elegeu o ditador nicaragüense Anastácio Somoza como "o anjo tutelar da liberdade de pensamento". Nos anos 60, seu alvo foi a revolução cubana; nos anos 70, ela bombardeou o governo de Salvador Allende, preparando o clima para o golpe no Chile.
"A ligação dos donos da grande imprensa com os regimes ditatoriais latino-americanos tem sido suficientemente documentada e citada em várias ocasiões para demonstrar que as preocupações da SIP não se dirigem a defesa da liberdade, mas sim à preservação dos interesses empresariais e oligárquicos". Na fase mais recente, a SIP foi cúmplice do golpe midiático na Venezuela, em abril de 2002, difundido todas as mentiras contra o governo democrático de Hugo Chávez. Este não vacilou e considerou seus representantes como personas non gratas no país. Ela também tem feito ataques sistemáticos aos governos de Evo Morales, Rafael Correa e Cristina Kirchner.
Medo das mudanças na comunicação
Atualmente, o maior temor da SIP decorre das mudanças legislativas que objetivam democratizar os meios de comunicação na América Latina. Qualquer iniciativa que vise regulamentar o setor e diminuir o poder dos monopólios é taxada de "atentado à liberdade de imprensa". Como informa Yaifred, "para frear qualquer ação governamental que favoreça a democratização da mídia, a SIP se uniu a outra entidade patronal, a Associação Interamericana de Radiodifusão (AIR)". Ambas declararam guerra às mudanças legislativas em curso na Venezuela, Equador, Bolívia e Argentina.
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O empresário, dono do “Diario de Las Americas” – que é editado em Miami e que recentemente foi desmascarado pela BBC por receber dólares do governo EUA para fazer propaganda contra Cuba –, afirma na entrevista que Lula é “um falso democrata”, que se beneficia “da fé e do poder que o povo nele depositou para destruir as instituições democráticas”. Excitado, o Estadão afirma que Aguirre incluiu Lula na “lista” dos governantes contrários à “liberdade de expressão” – junto com Hugo Chávez, Cristina Kirchner, Evo Morales, Rafael Correa, Daniel Ortega e Raul Castro.
“Um escárnio contra o Brasil”
“Esses governos não podem continuar a se chamar de democráticos... Esses governos usaram leis no Congresso, ameaças, subornos, publicidade oficial e atos judiciais sumamente arbitrários”, rosnou o falso democrata. Indignado, o deputado Brizola Neto repudiou a entrevista de Aguirre – “um escárnio contra nosso país... Os empresários da mídia não se conformam em haver governantes que não se ajoelham diante dos seus desígnios. O Itamaraty deve, imediatamente, tomar as providencias cabíveis em relação a este sujeitinho”.
A indignação é plenamente compreensível e seu pedido de “providências cabíveis” do Itamaraty também é justo. Em outras nações da América Latina, a SIP já tem sido advertida por interferir na política interna, sendo considerada “persona non grata”. Esta entidade, que reúne a máfia dos barões da mídia, não tem qualquer moral para falar em democracia. Basta conhecer um pouco da sua macabra história. Republico abaixo trechos de um artigo escrito em março de 2009:
Instrumento do imperialismo ianque
A SIP realmente não gosta da democracia. Ela reúne os barões da mídia que apoiaram os golpes militares no continente e sustentaram as ditaduras sanguinárias. No auge do neoliberalismo, eles prosperaram com os subsídios públicos e na orgia do "livre mercado". Agora, estão desesperados com as vitórias de governantes progressistas na América Latina e com o debate destravado sobre a democratização das comunicações. A SIP é a fachada desta máfia midiática. Não tem qualquer moral para falar em "liberdade de imprensa", que ela confunde com liberdade dos monopólios.
Sediada em Miami, ela defende os interesses das corporações capitalistas, dissemina as políticas imperialistas dos EUA e agrega os setores mais reacionários da mídia. A SIP se apresenta como "independente" dos governos, mas seu presidente é primo do ministro da Defesa e irmão do vice-presidente da Colômbia. No seu relatório anterior, ela teve a caradura de elogiar os "avanços" na relação do governo narcoterrorista de Álvaro Uribe com a imprensa, sendo que a Colômbia é um dos recordistas mundiais em assassinatos de jornalistas e sindicalistas.
Jules Dubois, o homem da CIA
Num acalentado estudo, intitulado "Os amos da SIP", o jornalista Yaifred Ron faz um histórico assustador desta entidade. Conforme comprova, "a Sociedade Interamericana de Imprensa é um cartel dos grandes donos de meios de comunicação do continente, que nasceu nos marcos da II Guerra Mundial e se moldou no calor da Guerra Fria para protagonizar uma história de defesa dos interesses oligopólicos, de aliança com os poderes imperiais e de atentados contra a soberania dos povos latino-americanos". Com base em inúmeros documentos, ela demonstra que a entidade tem sólidos e antigos vínculos com a central de "inteligência" dos EUA, a temida CIA.
Ela foi fundada em 1943 numa conferência em Havana, durante a ditadura de Fulgencio Batista. Num primeiro momento, devido à aliança contra o nazi-fascismo, ela ainda reuniu alguns veículos progressistas. Mas isto durou pouco tempo. Com a onda macartista nos EUA e a guerra fria, ela foi tomada de assalto pela CIA. Em 1950, na quinta conferência, em Quito, dois funcionários da agência ianque, Joshua Powers e Jules Dubois, passam a comandar na entidade. Dubois será seu coordenador durante 15 anos e teve seu nome registrado no edifício da entidade em Miami.
Desestabilizar governos progressistas
A SIP se torna um instrumento da CIA para desestabilizar os governos progressistas da América Latina. Para isso, os estatutos foram adulterados, garantindo maioria às publicações empresariais dos EUA; a sede foi deslocada para Miami; e as vozes críticas foram alijadas. "Em resumo, eles destruíram a SIP como entidade independente, transformado-a num aparato político a serviço dos objetivos internacionais dos EUA", afirma Yaifred. Na década de 50, ela fez raivosa oposição ao governo nacionalista de Juan Perón e elegeu o ditador nicaragüense Anastácio Somoza como "o anjo tutelar da liberdade de pensamento". Nos anos 60, seu alvo foi a revolução cubana; nos anos 70, ela bombardeou o governo de Salvador Allende, preparando o clima para o golpe no Chile.
"A ligação dos donos da grande imprensa com os regimes ditatoriais latino-americanos tem sido suficientemente documentada e citada em várias ocasiões para demonstrar que as preocupações da SIP não se dirigem a defesa da liberdade, mas sim à preservação dos interesses empresariais e oligárquicos". Na fase mais recente, a SIP foi cúmplice do golpe midiático na Venezuela, em abril de 2002, difundido todas as mentiras contra o governo democrático de Hugo Chávez. Este não vacilou e considerou seus representantes como personas non gratas no país. Ela também tem feito ataques sistemáticos aos governos de Evo Morales, Rafael Correa e Cristina Kirchner.
Medo das mudanças na comunicação
Atualmente, o maior temor da SIP decorre das mudanças legislativas que objetivam democratizar os meios de comunicação na América Latina. Qualquer iniciativa que vise regulamentar o setor e diminuir o poder dos monopólios é taxada de "atentado à liberdade de imprensa". Como informa Yaifred, "para frear qualquer ação governamental que favoreça a democratização da mídia, a SIP se uniu a outra entidade patronal, a Associação Interamericana de Radiodifusão (AIR)". Ambas declararam guerra às mudanças legislativas em curso na Venezuela, Equador, Bolívia e Argentina.
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“Ficha suja” do Serra mostra as garras
O desconhecido deputado Índio da Costa, que o DEM impôs como vice do tucano José Serra, vai aos poucos revelando seu caráter. Em entrevista ao blog “mobilizapsdb”, ele abusou da sorte ao acusar sem provas: “Todos sabem que o PT é ligado às Farc [Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia], ao narcotráfico, a tudo que há de pior”. Vestindo o figurino de agente provocador da CIA, ele também destilou veneno contra Cuba. “É um horror aquilo. Coitado dos cubanos”.
Dias antes, o vice “ficha suja” já havia mostrado suas garras numa entrevista ao jornal Estadão. Arrogante, ele afirmou: “Dilma é um boneco... O Lula não preparou a Dilma para nada. Ele está usando-a para continuar no poder com o PT. O povo precisa saber que o Lula volta para casa e os mensaleiros do PT permanecem no governo, do lado da Dilma e mandando nela”. O comando de campanha de Dilma deveria abrir imediatamente um processo na Justiça contra o demo leviano!
Ex-genro do presidiário Cacciola
Ao Estadão, o moleque mimado, que declarou à Justiça possuir uma lancha e um ultraleve, ainda se jactou de que seu maior trunfo foi ser relator do projeto “ficha limpa”, recentemente aprovado no Congresso Nacional. “É o cartão de visitas. Ele diz mais ou menos assim: ‘Esse cara é sério e, como a gente, não agüenta mais tanta impunidade’”. Mas bastaram alguns dias de campanha para mostrar que Índio da Costa, além de direitista convicto, tem uma enorme “ficha suja”.
Imposto pelo rei dos factóides, o ex-prefeito Cesar Maia – numa jogada marota para garantir a reeleição do seu filhote –, o jovem deputado já coleciona suspeitas em seu currículo. Ele não tem nada de inocente. Talvez no convívio com o banqueiro Salvatore Cacciola, de quem foi genro, Índio da Costa tenha aprendido os primeiros truques. Para azar dele, o ex-sogro não poderá ser seu cabo eleitoral – Cacciola, um dos maiores bandidos do sistema financeiro, está na cadeia!
Recursos da merenda escolar
Até tucanos menos cínicos sabem que o vice de Serra é um tremendo “ficha suja”. A vereadora do PSDB do Rio de Janeiro, Andrea Gouvêa, foi relatora da Comissão Parlamentar de Inquérito que investigou desvios de recursos públicos na gestão de Cesar Maia. A CPI comprovou que a prefeitura gastou R$ 75 milhões na compra de merendas escolares de uma mesma empresa, a Comercial Milano. Na época, Índio da Costa era o secretário municipal de Administração. “Ele promoveu uma ação entre amigos”, garante a vereadora, que já anunciou que não apoiará Serra.
As idéias reacionárias, de viés fascista, deste demo também não são novas. Ainda como vereador na capital carioca, ele foi várias vezes criticado pela postura autoritária. Presidente da Comissão de Finanças e Orçamento, o filhote de Cesar Maia se recusou a convocar entidades da sociedade para discutir o tema e impediu que seus representantes questionassem a prefeitura nas audiências públicas. Suas manobras resultaram, inclusive, numa nota de repúdio assinada por 24 vereadores.
“É proibido esmolar no município”
Vereador da elite racista, Índio da Costa também ganhou alguns minutos de fama ao apresentar o projeto de lei que punia os cariocas por doação de esmolas a pedintes. “Fica proibido esmolar no município... Quem doar esmola pagará multa a ser definida”. Na sua justificativa, ele dizia que a mendicância é um “vício”. O projeto foi engavetado, considerado inconstitucional. Ele também foi derrotado na sua iniciativa legislativa de proibir o comércio de ambulantes nas ruas cariocas.
Já como deputado federal, o demo fez discursos contra o programa Bolsa Família, rotulado de “assistencialista”. Quando o governo decidiu enviar ajuda humanitária ao Haiti, ele afirmou que Lula parecia “beber cachaça” ao gastar dinheiro naquele país. Índio da Costa também defendeu um plebiscito sobre a pena de morte e confessou no seu twitter ser simpatizante da monarquia. É esse moleque mimado, típico fascistinha, que os demotucanos apresentam como vice de Serra!
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"Mídia e poder" em debate nos Bancários
Reproduzo convite do Sindicato dos Bancários de São Paulo:
A relação entre mídia e poder é bastante conturbada no Brasil e em diversos países do mundo. Há poucos meses das eleições que vão definir a Presidência da República, governadores de estado e os parlamentares do Senado e da Câmara dos Deputados, o tema é ainda mais premente.
Para enriquecer a discussão, o Sindicato promove na segunda-feira, 19, com transmissão ao vivo pelo www.spbancarios.com.br, o debate "Mídia e Poder" com o sociólogo Venicio A. de Lima, autor do livro "Liberdade de Expressão x Liberdade de Imprensa", e o jornalista Altamiro Borges, que escreveu "A Ditadura da Mídia".
O evento é realizado em conjunto com a Fetec-CUT/SP, aberto ao público e não é necessário fazer inscrição. Acontece na sede do Sindicato (Rua São Bento, 413, Martinelli), das 19h às 21h.
Série: Este será o terceiro debate sobre imprensa promovido pelo Sindicato neste ano. Em abril, os blogueiros Eduardo Guimarães (Cidadania.com) e Rodrigo Vianna (Escrevinhador) comandaram um papo sobre o papel da internet na democratização da informação. No final de maio foi a vez do sociólogo Emir Sader falar sobre mídia e as eleições 2010.
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A relação entre mídia e poder é bastante conturbada no Brasil e em diversos países do mundo. Há poucos meses das eleições que vão definir a Presidência da República, governadores de estado e os parlamentares do Senado e da Câmara dos Deputados, o tema é ainda mais premente.
Para enriquecer a discussão, o Sindicato promove na segunda-feira, 19, com transmissão ao vivo pelo www.spbancarios.com.br, o debate "Mídia e Poder" com o sociólogo Venicio A. de Lima, autor do livro "Liberdade de Expressão x Liberdade de Imprensa", e o jornalista Altamiro Borges, que escreveu "A Ditadura da Mídia".
O evento é realizado em conjunto com a Fetec-CUT/SP, aberto ao público e não é necessário fazer inscrição. Acontece na sede do Sindicato (Rua São Bento, 413, Martinelli), das 19h às 21h.
Série: Este será o terceiro debate sobre imprensa promovido pelo Sindicato neste ano. Em abril, os blogueiros Eduardo Guimarães (Cidadania.com) e Rodrigo Vianna (Escrevinhador) comandaram um papo sobre o papel da internet na democratização da informação. No final de maio foi a vez do sociólogo Emir Sader falar sobre mídia e as eleições 2010.
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domingo, 18 de julho de 2010
Dez anos sem Barbosa Lima Sobrinho
Reproduzo artigo de Jandira Feghali, publicado no Jornal do Brasil:
Na história da humanidade há a figura de homens e mulheres símbolos, pessoas que levantaram determinadas ideias com tal denodo, por tanto tempo e a tal altura que o simples enunciado de seus nomes funciona como o desfraldar dos ideais pelos quais se consagraram. Barbosa Lima Sobrinho é um desses homens.
Seu nome passou a ser uma legenda identificada com soberania nacional e democracia. Na longa trajetória de sua vida centenária, não houve luta nacional ou democrática em nosso país que não tivesse recebido seu apoio, não houve momento de interesses nacionais ameaçados ou de liberdades encasuladas, que não tivesse suscitado o seu imediato gesto de protesto, aberto, claro e contundente.
Barbosa Lima Sobrinho, cujo décimo aniversário de falecimento lembramos neste 16 de julho, foi homem de grande talento. Daí que marcas de brilhantismo são encontradas nas múltiplas atividades que exerceu, como advogado, jornalista, professor, historiador, administrador público, parlamentar e governante.
Sua vocação para grandes causas esteve presente desde quando, ainda em Pernambuco, iniciou sua vida pública, promovendo uma minireforma agrária, à frente do Instituto do Açúcar e do Álcool. Elaborou um Estatuto da Lavoura Canavieira.
Aqui no Rio, antigo Distrito Federal, como procurador-geral da justiça, proferiu histórico parecer sobre os bens reversíveis da antiga Light, que, de tão preciso, serviu, anos depois, para fundamentar o processo de nacionalização dessa empresa.
Seu viés nacionalista se acentua na Câmara Federal, onde, ao lado de outro deputado notável, seu conterrâneo Osvaldo de Lima Filho (PTB-PE), organiza e dá projeção à Frente Parlamentar Nacionalista, que papel tão importante desempenhou na década de 60 do século passado. Foi, em 1962, um dos redatores da Lei de Remessa de Lucros, cuja aprovação pelo Congresso despertou a ira do capital estrangeiro espoliador, tendo sido um dos fatores que fez acelerar o movimento golpista de 1964.
A partir de 164, a atividade de Barbosa Lima Sobrinho ganhou foros de militância política e intelectual permanente na oposição decidida ao regime discricionário então imposto. Atua como um inconformado, um insubmisso.
Nas eleições de 1974, com Ulysses Guimarães, forma a dupla que organizou o protesto das anticandidaturas – Ulysses, anticandidato a presidente da República, e Barbosa Lima Sobrinho, anticandidato a vice. Os anticandidatos percorreram o país em caravana cívica e comoveram a gente brasileira.
Outro gesto de sentido histórico executado por Barbosa, ao lado de outros brasileiros ilustres, foi a assinatura do pedido de impeachment do então presidente Fernando Collor, em 1992, quando ocupava pela segunda vez o cargo de presidente da Associação Brasileira de Imprensa (ABI).
Vendo o neoliberalismo pontificar em nosso país, desencadeando uma sequência de privatizações em setores estratégicos da economia, Barbosa Lima Sobrinho se insurgiu mais uma vez, denunciando a entrega de riquezas nacionais e a ameaça à soberania do país.
Tive a oportunidade de participar com Barbosa de algumas dessas batalhas. Na campanha contra a privatização da Usiminas, Barbosa, com mais de 90 anos, teve que enfrentar – e o fez com galhardia – a repressão que contra nós foi lançada, com cães e bombas de gás lacrimogêneo.
Em outros momentos, testemunhei o entusiasmo quase juvenil com que defendia suas bandeiras históricas, a soberania nacional, o desenvolvimento, a independência do país e as liberdades dos cidadãos.
Muito mais haveria a dizer. Sua obra escrita atinge cerca de 90 títulos e mais de 3 mil artigos publicados neste jornal, o centenário e importante JB. Que fiquem para as gerações futuras sua coerência inabalável, a voz sempre vigorosa em defesa das liberdades democráticas e sua afirmação, pouco antes de morrer: “Em uma democracia, o fundamental é o direito à contestação”.
Barbosa Lima Sobrinho foi um homem que não deixou vergar seu perfil de combatente pela idade de mais de cem anos. Defendeu suas posições, serena e firmemente, até o fim.
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Na história da humanidade há a figura de homens e mulheres símbolos, pessoas que levantaram determinadas ideias com tal denodo, por tanto tempo e a tal altura que o simples enunciado de seus nomes funciona como o desfraldar dos ideais pelos quais se consagraram. Barbosa Lima Sobrinho é um desses homens.
Seu nome passou a ser uma legenda identificada com soberania nacional e democracia. Na longa trajetória de sua vida centenária, não houve luta nacional ou democrática em nosso país que não tivesse recebido seu apoio, não houve momento de interesses nacionais ameaçados ou de liberdades encasuladas, que não tivesse suscitado o seu imediato gesto de protesto, aberto, claro e contundente.
Barbosa Lima Sobrinho, cujo décimo aniversário de falecimento lembramos neste 16 de julho, foi homem de grande talento. Daí que marcas de brilhantismo são encontradas nas múltiplas atividades que exerceu, como advogado, jornalista, professor, historiador, administrador público, parlamentar e governante.
Sua vocação para grandes causas esteve presente desde quando, ainda em Pernambuco, iniciou sua vida pública, promovendo uma minireforma agrária, à frente do Instituto do Açúcar e do Álcool. Elaborou um Estatuto da Lavoura Canavieira.
Aqui no Rio, antigo Distrito Federal, como procurador-geral da justiça, proferiu histórico parecer sobre os bens reversíveis da antiga Light, que, de tão preciso, serviu, anos depois, para fundamentar o processo de nacionalização dessa empresa.
Seu viés nacionalista se acentua na Câmara Federal, onde, ao lado de outro deputado notável, seu conterrâneo Osvaldo de Lima Filho (PTB-PE), organiza e dá projeção à Frente Parlamentar Nacionalista, que papel tão importante desempenhou na década de 60 do século passado. Foi, em 1962, um dos redatores da Lei de Remessa de Lucros, cuja aprovação pelo Congresso despertou a ira do capital estrangeiro espoliador, tendo sido um dos fatores que fez acelerar o movimento golpista de 1964.
A partir de 164, a atividade de Barbosa Lima Sobrinho ganhou foros de militância política e intelectual permanente na oposição decidida ao regime discricionário então imposto. Atua como um inconformado, um insubmisso.
Nas eleições de 1974, com Ulysses Guimarães, forma a dupla que organizou o protesto das anticandidaturas – Ulysses, anticandidato a presidente da República, e Barbosa Lima Sobrinho, anticandidato a vice. Os anticandidatos percorreram o país em caravana cívica e comoveram a gente brasileira.
Outro gesto de sentido histórico executado por Barbosa, ao lado de outros brasileiros ilustres, foi a assinatura do pedido de impeachment do então presidente Fernando Collor, em 1992, quando ocupava pela segunda vez o cargo de presidente da Associação Brasileira de Imprensa (ABI).
Vendo o neoliberalismo pontificar em nosso país, desencadeando uma sequência de privatizações em setores estratégicos da economia, Barbosa Lima Sobrinho se insurgiu mais uma vez, denunciando a entrega de riquezas nacionais e a ameaça à soberania do país.
Tive a oportunidade de participar com Barbosa de algumas dessas batalhas. Na campanha contra a privatização da Usiminas, Barbosa, com mais de 90 anos, teve que enfrentar – e o fez com galhardia – a repressão que contra nós foi lançada, com cães e bombas de gás lacrimogêneo.
Em outros momentos, testemunhei o entusiasmo quase juvenil com que defendia suas bandeiras históricas, a soberania nacional, o desenvolvimento, a independência do país e as liberdades dos cidadãos.
Muito mais haveria a dizer. Sua obra escrita atinge cerca de 90 títulos e mais de 3 mil artigos publicados neste jornal, o centenário e importante JB. Que fiquem para as gerações futuras sua coerência inabalável, a voz sempre vigorosa em defesa das liberdades democráticas e sua afirmação, pouco antes de morrer: “Em uma democracia, o fundamental é o direito à contestação”.
Barbosa Lima Sobrinho foi um homem que não deixou vergar seu perfil de combatente pela idade de mais de cem anos. Defendeu suas posições, serena e firmemente, até o fim.
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