O escritor Luis Fernando Verissimo e o sociólogo Emir Sader são os novos integrantes do conselho consultivo do Centro de Estudos da Mídia Alternativa “Barão de Itararé”. Verissimo, autor de mais de 60 livros e conhecido por seu senso de humor refinado, expressa bem a irreverência do Barão de Itararé, criador da imprensa alternativa e pai do humorismo brasileiro. Já Emir Sader, presidente do Conselho Latinoamericano de Ciências Sociais (Clacso), ocupa papel de relevo na luta de idéias, inclusive com seu blog no sítio Carta Maior.
Antes destes dois importantes reforços, outros nomes de prestígio já tinham topado reforçar o conselho consultivo da entidade: Tereza Cruvinel, presidente da Empresa Brasil de Comunicação (EBC), responsável pela TV Brasil; Maurício Dias, editor especial da revista CartaCapital; Daniel Castro, diretor de comunicação do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada (Ipea); e Nascimento Silva, presidente da Federação dos Interestadual dos Trabalhadores em Radiodifusão (Fitert).
Com estas novas adesões, o conselho passa a ter 54 membros. Conforme foi definido na reunião de fundação da entidade, em 14 de maio, ele seguirá em aberto, procurando somar mais talentos na construção do Barão de Itararé e na consecução de seus objetivos: fortalecer a luta pela democratização dos meios de comunicação; reforçar a mídia alternativa e comunitária; investir na formação dos comunicadores; e promover estudos sobre a mídia.
Diretoria da entidade:
Presidente – Altamiro Borges
Secretária geral – Renata Mielli
Diretora de Finanças e planejamento – Danielle Penha
Diretora de Estudos e Pesquisas – Rita Casaro
Diretor de Comunicação – Rodrigo Vianna
Diretor de Formação - Igor Fuser
Diretora de Políticas Públicas - Márcia Quintanilha
Conselho fiscal:
Luana Bonone
Eduardo Navarro
Vandré Fernandes
Suplentes do conselho fiscal:
Guiomar Prates
Madalena Guasco
Márcia Nestardo
Conselho consultivo:
André Vitral (UNE)
Bartíria Costa (Conam)
Beto Almeida (Telesur)
Breno Altman (Opera Mundi)
Carlos Lopes (Jornal Hora do Povo)
Daniel Castro (Ipea)
Denis de Moraes (Universidade Federal Fluminense)
Dennis de Oliveira (USP)
Edson França (Unegro)
Eduardo Guimarães (Blog Cidadania)
Edivaldo Farias - Didi (Abccom)
Emir Sader
Gilberto Maringoni (Faculdade Cásper Libero e Ipea)
Gilson Caroni (Faculdades Integradas Hélio Alonso)
Gualberto Costa (Associação Brasileira de Cartunistas)
Hermano Alegri (Portal Adital)
Igor Felippe (MST)
João Brant (Coletivo Intervozes)
João Franzim (Agência Sindical)
João Guilherme Vargas Neto (consultor sindical)
Joaquim Palhares (Carta Maior)
José Augusto Oliveira – Guto (Fenaj)
José Reinaldo de Carvalho (Portal Vermelho)
José Soter (Abraço)
Laurindo Lalo Leal Filho (USP)
Leandro Fortes (Carta Capital)
Leonardo Severo (CUT)
Lúcia Stumpf (Coordenação dos Movimentos Sociais)
Luis Carlos Azenha (Viomundo)
Luis Fernando Verissimo
Luis Nassif
Marcos Dantas (UFRJ)
Maria Inês Nassif (Valor Econômico)
Mouzar Benedito (escritor)
Nascimento Silva (Fitert)
Nilton Viana (Jornal Brasil de Fato)
Orlando Guilhon (Associação de Rádios Públicas)
Oswaldo Colibri (Rádio Brasil Atual)
Paulo Salvador (Revista do Brasil)
Percival Henriques (Anid)
Rachel Moreno (Mulher e Mídia)
Regina Lima (Abepec)
Renato Rovai (Revista Fórum)
Rita Freire (Ciranda)
Ronaldo de Moura (Contag)
Sérgio Amadeu (Faculdade Cásper Libero)
Sérgio Gomes (Oboré)
Sylvio Michelli (Federação dos Servidores Públicos)
Socorro Gomes (Cebrapaz)
Tereza Cruvinel (EBC)
Venício Lima (UnB)
Vito Giannotti (Núcleo Piratininga de Comunicação)
Wagner Nabuco (Revista Caros Amigos)
.
segunda-feira, 16 de agosto de 2010
Liberdade de imprensa ou de empresa?
Reproduzo a resenha do livro “Liberdade de expressão X liberdade de imprensa", escrita por Fábio de Oliveira Ribeiro e publicada no Observatório de Imprensa:
As ideias centrais do livro de Venício A. de Lima não são muitas, mas são fundamentais e foram expostas de maneira bastante profunda, detalhada e didática. Ele defende a tese de que atualmente há uma diferença entre liberdade de imprensa e liberdade de empresa. Demonstra que, quando afirmam que a liberdade de imprensa está em risco, as empresas de comunicação brasileiras estão apenas reafirmando sua liberdade empresarial. Os conservadores barões da mídia querem continuar a moldar consciências e ditar a agenda política. A informação crucial do livro é a seguinte:
"Nos anos 1990, cerca de nove grupos de empresas familiares controlavam a grande mídia. As famílias eram Abravanel (SBT) Bloch (Manchete), Civita (Abril), Frias (Folhas), Levy (Gazeta), Marinho (Globo), Mesquita (O Estado de S. Paulo), Nascimento Brito (Jornal do Brasil) e Saad (Band). Hoje, este número está reduzido a cinco. As famílias Bloch, Levy, Nascimento Brito e Mesquita já não exercem mais o controle sobre seus antigos veículos."
No Brasil, os monopólios de mídia sempre dizem que o Estado coloca em risco a liberdade de expressão (confundindo, portanto, liberdade de imprensa com liberdade de expressão). Entretanto, quem na verdade coloca em risco a liberdade de expressão são as próprias empresas monopolistas. A inexistência de pluralidade de informação reduz a liberdade de consciência, expressão e informação do cidadão brasileiro, obrigando o Estado a agir para corrigir as distorções impostas pelo mercado.
Venício desfaz a confusão criada e divulgada pelos barões da mídia esclarecendo quem são os titulares da liberdade de imprensa, quem são os destinatários desta liberdade e quem são os verdadeiros titulares da liberdade de expressão. Explica, também, como e por que a Constituição brasileira já possibilita combater o monopólio e limitar o poder das empresas de comunicação que exploram bandas de transmissão públicas.
"Dentro da realidade histórica globalizada do nosso tempo a censura foi em parte privatizada (cf. capítulo 4) e a origem do cerceamento da liberdade de expressão não pode ser atribuída ao Estado. Muitas vezes ela tem sua origem no poder econômico privado ou na autocensura."
Contribuição para a modernização da imprensa
A única censura que existe no Brasil é de natureza empresarial. É a censura praticada pelas próprias empresas monopolistas, que sempre procuram preservar os interesses (e os lucros) de seus anunciantes privados. Além disto, os monopólios de mídia impedem que vários grupos sociais tenham voz pública e possam, desta forma, interferir na agenda política. É através da autocensura, por exemplo, que os monopólios de mídia impedem o debate público sobre a regulamentação do art. 220, da Constituição Federal vigente:
"Art. 220. A manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo não sofrerão qualquer restrição, observado o disposto nesta Constituição.
§ 1º - Nenhuma lei conterá dispositivo que possa constituir embaraço à plena liberdade de informação jornalística em qualquer veículo de comunicação social, observado o disposto no art. 5º, IV, V, X, XIII e XIV.
§ 2º - É vedada toda e qualquer censura de natureza política, ideológica e artística.
§ 3º - Compete à lei federal:
I - regular as diversões e espetáculos públicos, cabendo ao Poder Público informar sobre a natureza deles, as faixas etárias a que não se recomendem, locais e horários em que sua apresentação se mostre inadequada;
II - estabelecer os meios legais que garantam à pessoa e à família a possibilidade de se defenderem de programas ou programações de rádio e televisão que contrariem o disposto no art. 221, bem como da propaganda de produtos, práticas e serviços que possam ser nocivos à saúde e ao meio ambiente.
§ 4º - A propaganda comercial de tabaco, bebidas alcoólicas, agrotóxicos, medicamentos e terapias estará sujeita a restrições legais, nos termos do inciso II do parágrafo anterior, e conterá, sempre que necessário, advertência sobre os malefícios decorrentes de seu uso.
§ 5º - Os meios de comunicação social não podem, direta ou indiretamente, ser objeto de monopólio ou oligopólio.
§ 6º - A publicação de veículo impresso de comunicação independe de licença de autoridade."
O livro em questão é precioso, pois dá um amplo panorama histórico do debate sobre a liberdade de imprensa no mundo e no Brasil e contribui para desfazer os mitos que têm sido criados e divulgados pelas empresas monopolistas de mídia brasileiras. Apesar de tratar de questões filosóficas e jurídicas delicadas, o autor adotou uma linguagem acessível. Portanto, este livro é uma grande contribuição teórica e prática para a modernização da imprensa no Brasil.
.
As ideias centrais do livro de Venício A. de Lima não são muitas, mas são fundamentais e foram expostas de maneira bastante profunda, detalhada e didática. Ele defende a tese de que atualmente há uma diferença entre liberdade de imprensa e liberdade de empresa. Demonstra que, quando afirmam que a liberdade de imprensa está em risco, as empresas de comunicação brasileiras estão apenas reafirmando sua liberdade empresarial. Os conservadores barões da mídia querem continuar a moldar consciências e ditar a agenda política. A informação crucial do livro é a seguinte:
"Nos anos 1990, cerca de nove grupos de empresas familiares controlavam a grande mídia. As famílias eram Abravanel (SBT) Bloch (Manchete), Civita (Abril), Frias (Folhas), Levy (Gazeta), Marinho (Globo), Mesquita (O Estado de S. Paulo), Nascimento Brito (Jornal do Brasil) e Saad (Band). Hoje, este número está reduzido a cinco. As famílias Bloch, Levy, Nascimento Brito e Mesquita já não exercem mais o controle sobre seus antigos veículos."
No Brasil, os monopólios de mídia sempre dizem que o Estado coloca em risco a liberdade de expressão (confundindo, portanto, liberdade de imprensa com liberdade de expressão). Entretanto, quem na verdade coloca em risco a liberdade de expressão são as próprias empresas monopolistas. A inexistência de pluralidade de informação reduz a liberdade de consciência, expressão e informação do cidadão brasileiro, obrigando o Estado a agir para corrigir as distorções impostas pelo mercado.
Venício desfaz a confusão criada e divulgada pelos barões da mídia esclarecendo quem são os titulares da liberdade de imprensa, quem são os destinatários desta liberdade e quem são os verdadeiros titulares da liberdade de expressão. Explica, também, como e por que a Constituição brasileira já possibilita combater o monopólio e limitar o poder das empresas de comunicação que exploram bandas de transmissão públicas.
"Dentro da realidade histórica globalizada do nosso tempo a censura foi em parte privatizada (cf. capítulo 4) e a origem do cerceamento da liberdade de expressão não pode ser atribuída ao Estado. Muitas vezes ela tem sua origem no poder econômico privado ou na autocensura."
Contribuição para a modernização da imprensa
A única censura que existe no Brasil é de natureza empresarial. É a censura praticada pelas próprias empresas monopolistas, que sempre procuram preservar os interesses (e os lucros) de seus anunciantes privados. Além disto, os monopólios de mídia impedem que vários grupos sociais tenham voz pública e possam, desta forma, interferir na agenda política. É através da autocensura, por exemplo, que os monopólios de mídia impedem o debate público sobre a regulamentação do art. 220, da Constituição Federal vigente:
"Art. 220. A manifestação do pensamento, a criação, a expressão e a informação, sob qualquer forma, processo ou veículo não sofrerão qualquer restrição, observado o disposto nesta Constituição.
§ 1º - Nenhuma lei conterá dispositivo que possa constituir embaraço à plena liberdade de informação jornalística em qualquer veículo de comunicação social, observado o disposto no art. 5º, IV, V, X, XIII e XIV.
§ 2º - É vedada toda e qualquer censura de natureza política, ideológica e artística.
§ 3º - Compete à lei federal:
I - regular as diversões e espetáculos públicos, cabendo ao Poder Público informar sobre a natureza deles, as faixas etárias a que não se recomendem, locais e horários em que sua apresentação se mostre inadequada;
II - estabelecer os meios legais que garantam à pessoa e à família a possibilidade de se defenderem de programas ou programações de rádio e televisão que contrariem o disposto no art. 221, bem como da propaganda de produtos, práticas e serviços que possam ser nocivos à saúde e ao meio ambiente.
§ 4º - A propaganda comercial de tabaco, bebidas alcoólicas, agrotóxicos, medicamentos e terapias estará sujeita a restrições legais, nos termos do inciso II do parágrafo anterior, e conterá, sempre que necessário, advertência sobre os malefícios decorrentes de seu uso.
§ 5º - Os meios de comunicação social não podem, direta ou indiretamente, ser objeto de monopólio ou oligopólio.
§ 6º - A publicação de veículo impresso de comunicação independe de licença de autoridade."
O livro em questão é precioso, pois dá um amplo panorama histórico do debate sobre a liberdade de imprensa no mundo e no Brasil e contribui para desfazer os mitos que têm sido criados e divulgados pelas empresas monopolistas de mídia brasileiras. Apesar de tratar de questões filosóficas e jurídicas delicadas, o autor adotou uma linguagem acessível. Portanto, este livro é uma grande contribuição teórica e prática para a modernização da imprensa no Brasil.
.
Rodrigo Vianna e o encontro de blogueiros
Reproduzo entrevista concedida ao jornalista André Cintra, publicada no sítio do Barão de Itararé:
Fazer um encontro “o mais nacional possível” para aproximar blogueiros de todo o Brasil e tornar “mais efetiva” uma rede de “contraponto à informação dominante”. Segundo o jornalista Rodrigo Vianna, este é o objetivo do 1º Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas, que ocorre em São Paulo, de 20 a 22 de agosto.
Diretor de comunicação do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé e membro da Comissão Organizadora do Encontro, Rodrigo opina, na entrevista abaixo, sobre as perspectivas do evento em particular — e da mídia alternativa em geral. Confira.
O que é possível esperar do encontro?
O objetivo principal do encontro é aproximar as pessoas para facilitar algo que já existe na internet — que é essa rede informal de troca de informações. A maioria desses blogueiros que trocam mensagem pela internet não se conhece pessoalmente. Então o principal ponto do encontro é essa aproximação entre eles.
Às vezes, um blogueiro baiano está mais bem informado sobre um assunto específico da Bahia e manda mensagem para o pessoal do Sudeste ou da Amazônia. Se você conhece o sujeito pessoalmente, sabe quem ele é e tem referência, dá para confiar e bancar o texto dele, pôr no seu blog.
Há outras questões mais políticas, mais gerais, como reivindicar a regulamentação dos artigos da Constituição sobre comunicação e brigar para que o Plano Nacional de Banda Larga seja efetivado. Tudo isso também é importantíssimo nessa luta pela democratização da comunicação — e o Encontro Nacional dos Blogueiros Progressistas é um momento de ajudar a trazer esses assuntos para o debate.
O que você tem feito para disseminar o encontro?
Da maneira que eu posso, estou ajudando na Comissão Organizadora, divulgando o encontro, conversando com alguns blogueiros. É um trabalho de formiguinha. Tenho mandado e-mails e incentivado blogueiros — principalmente de fora de São Paulo — a participarem. O encontro vai acontecer em São Paulo, mas a ideia é que seja — e vai ser — o mais nacional possível.
Também vou ter outra participação, que é mediar a mesa de abertura do encontro. É um debate — “O Papel da Internet” — com o Luis Nassif e o Paulo Henrique Amorim, mais a Débora Silva, do blog Mães de Maio.
Quais são suas expectativas para o encontro?
Acho que está progredindo bem — já são 240 inscritos. Tenho o retorno de muita gente que me escreve para perguntar como se inscrever, qual é o caminho, quando é que vai ser. Por mais que a gente divulgue, as pessoas ouvem que vai ter o encontro, mas têm 1.001 atribulações e preocupações. Por isso é que é importante estar o tempo todo falando e deixar as pessoas em contato.
Acho que a gente vai passar de 300 participantes nesse 1º Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas. Trazer esse povo todo para discutir, fazer o debate, está bom demais. É o embrião do que pode se tornar uma rede mais efetiva de contraponto à informação dominante.
Para você — que está tanto numa emissora da grande mídia (a TV Record) como num blog (o Escrevinhador) —, qual é a força da mídia alternativa hoje? Já dá para peitar a ditadura da mídia ou é só o começo dessa luta?
Sou otimista, mas também sou cauteloso. Se a gente pensar em oito anos atrás, existia pouquíssima coisa — talvez a revista Caros Amigos, um ou outro jornal popular — para se contrapor à mídia tradicional.
Há quatro anos, já se criou uma pequena rede. Durante as eleições 2006, houve, de alguma maneira, um pequeno contraponto aos grandes organismos de imprensa — mas ainda bastante limitado. Quem teve um papel importante foi a revista CartaCapital, com a matéria do Raimundo Pereira. Depois a rede acabou espalhando a matéria por todo o Brasil.
Então, se você for comparar de oito anos para cá, melhoramos muito, temos um peso maior. Acho que a gente faz um contraponto bastante razoável à imprensa escrita — mas não dá para comparar o peso da televisão. A televisão é muito mais poderosa ainda do que a internet no Brasil. É algo massacrante: 98% dos brasileiros veem televisão, e talvez apenas 30% ou 40% tenham acesso à internet.
Está aumentando o número de pessoas com acesso, mas, ainda assim, é muito pouco. É preciso analisar os dados com cuidado. Nem todo mundo entra na internet para se informar. A moçada vai muito às lans houses é para jogar — não para buscar sites ou blogs de informação.
E como se melhora esse cenário?
Com a banda larga. Quanto mais houver acesso ao computador e à internet, um percentual maior de pessoas poderá ser incorporado a essa rede alternativa de informação. Por isso é que o Plano Nacional de Banda Larga é tão estratégico.
.
Fazer um encontro “o mais nacional possível” para aproximar blogueiros de todo o Brasil e tornar “mais efetiva” uma rede de “contraponto à informação dominante”. Segundo o jornalista Rodrigo Vianna, este é o objetivo do 1º Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas, que ocorre em São Paulo, de 20 a 22 de agosto.
Diretor de comunicação do Centro de Estudos da Mídia Alternativa Barão de Itararé e membro da Comissão Organizadora do Encontro, Rodrigo opina, na entrevista abaixo, sobre as perspectivas do evento em particular — e da mídia alternativa em geral. Confira.
O que é possível esperar do encontro?
O objetivo principal do encontro é aproximar as pessoas para facilitar algo que já existe na internet — que é essa rede informal de troca de informações. A maioria desses blogueiros que trocam mensagem pela internet não se conhece pessoalmente. Então o principal ponto do encontro é essa aproximação entre eles.
Às vezes, um blogueiro baiano está mais bem informado sobre um assunto específico da Bahia e manda mensagem para o pessoal do Sudeste ou da Amazônia. Se você conhece o sujeito pessoalmente, sabe quem ele é e tem referência, dá para confiar e bancar o texto dele, pôr no seu blog.
Há outras questões mais políticas, mais gerais, como reivindicar a regulamentação dos artigos da Constituição sobre comunicação e brigar para que o Plano Nacional de Banda Larga seja efetivado. Tudo isso também é importantíssimo nessa luta pela democratização da comunicação — e o Encontro Nacional dos Blogueiros Progressistas é um momento de ajudar a trazer esses assuntos para o debate.
O que você tem feito para disseminar o encontro?
Da maneira que eu posso, estou ajudando na Comissão Organizadora, divulgando o encontro, conversando com alguns blogueiros. É um trabalho de formiguinha. Tenho mandado e-mails e incentivado blogueiros — principalmente de fora de São Paulo — a participarem. O encontro vai acontecer em São Paulo, mas a ideia é que seja — e vai ser — o mais nacional possível.
Também vou ter outra participação, que é mediar a mesa de abertura do encontro. É um debate — “O Papel da Internet” — com o Luis Nassif e o Paulo Henrique Amorim, mais a Débora Silva, do blog Mães de Maio.
Quais são suas expectativas para o encontro?
Acho que está progredindo bem — já são 240 inscritos. Tenho o retorno de muita gente que me escreve para perguntar como se inscrever, qual é o caminho, quando é que vai ser. Por mais que a gente divulgue, as pessoas ouvem que vai ter o encontro, mas têm 1.001 atribulações e preocupações. Por isso é que é importante estar o tempo todo falando e deixar as pessoas em contato.
Acho que a gente vai passar de 300 participantes nesse 1º Encontro Nacional de Blogueiros Progressistas. Trazer esse povo todo para discutir, fazer o debate, está bom demais. É o embrião do que pode se tornar uma rede mais efetiva de contraponto à informação dominante.
Para você — que está tanto numa emissora da grande mídia (a TV Record) como num blog (o Escrevinhador) —, qual é a força da mídia alternativa hoje? Já dá para peitar a ditadura da mídia ou é só o começo dessa luta?
Sou otimista, mas também sou cauteloso. Se a gente pensar em oito anos atrás, existia pouquíssima coisa — talvez a revista Caros Amigos, um ou outro jornal popular — para se contrapor à mídia tradicional.
Há quatro anos, já se criou uma pequena rede. Durante as eleições 2006, houve, de alguma maneira, um pequeno contraponto aos grandes organismos de imprensa — mas ainda bastante limitado. Quem teve um papel importante foi a revista CartaCapital, com a matéria do Raimundo Pereira. Depois a rede acabou espalhando a matéria por todo o Brasil.
Então, se você for comparar de oito anos para cá, melhoramos muito, temos um peso maior. Acho que a gente faz um contraponto bastante razoável à imprensa escrita — mas não dá para comparar o peso da televisão. A televisão é muito mais poderosa ainda do que a internet no Brasil. É algo massacrante: 98% dos brasileiros veem televisão, e talvez apenas 30% ou 40% tenham acesso à internet.
Está aumentando o número de pessoas com acesso, mas, ainda assim, é muito pouco. É preciso analisar os dados com cuidado. Nem todo mundo entra na internet para se informar. A moçada vai muito às lans houses é para jogar — não para buscar sites ou blogs de informação.
E como se melhora esse cenário?
Com a banda larga. Quanto mais houver acesso ao computador e à internet, um percentual maior de pessoas poderá ser incorporado a essa rede alternativa de informação. Por isso é que o Plano Nacional de Banda Larga é tão estratégico.
.
Quem financia a decadente revista Veja
Reproduzo artigo do sociólogo Emir Sader, publicado no sítio Carta Maior:
Em um vôo, havia uma Veja, que eu não leio, nem folheio há muitos anos. Não me interessava nada do que estava escrito ali, mas me dei ao trabalho de verificar as publicidades. Porque as publicações da mídia mercantil são vendidas para as agências de publicidade – e por estas às grandes empresas que anunciam - antes de ser vendidas aos leitores. A arrecadação com estas vendas é totalmente desprezível em comparação com o arrecadado com a publicidade.
Então é bom saber quem financia uma publicação decadente, com uma tiragem verticalmente descendente como a Veja. Saber que paga os funcionários da família Civita, saber com quem eles têm o rabo preso, ainda mais eles que se interessam tanto por saber onde o governo anuncia.
Do total de 152 páginas, 72 de publicidade – sem contas as da própria Abril. Primam os anúncios das empresas automobilísticas: 11, em geral cada anuncio em pagina dupla e algumas com vários anúncios no mesmo número. Pode chegar a um total de umas 20 páginas. Acho que não falta nenhuma do ramo: Hyundai, Citroen, Ford, Honda, Volkswagen, Citroen, Peugeot, Mercedes Benz, Chevrolet, Kia, Subaru.
Os bancos, claro: Itaú, Bradesco, HSBC. E várias outras das maiores empresas brasileiras: Votorantin, H. Stein, Gafisa, Knorr, Becel, Casas Renner, Dell, Boston Medical Care, Tv Record, Tim, Casas Bahia, Ambev, Bulova, Oral B, Shopping Center Iguatemi, Nextel, Tv Globo, Câmara Brasileira do Livro, McDonalds, Amó (perfumes), Bohemia, Racco (perfumes).
Não me dei ao trabalho de revisar a Vejinha, nesse caso a de São Paulo. Mas uma simples olhada dá para ver que a proporção é mais ou menos a mesma de publicidade no conjunto da publicação, que é de tamanho similar. Para que se tenha um critério de comparação, olhei uma revista Época – também encontrada no avião – e nela a publicidade ocupa 35 do total de 122 páginas, com os mesmos anunciantes.
Com alegria me dei conta de que não há publicidades governamentais, a não ser uma do Ministério da Saúde sobre o SUS. Isso corresponde à impossibilidade legal de publicidade no período eleitoral. Mas fica claro que, com esse elenco de grandes empresas anunciando, certamente nem necessitariam.
Como se pode ver, os rabos presos se dão, de forma direta, com grande parte dos setores empresariais mais importantes do país – a indústria automobilística em primeiro lugar, seguida pelos grandes bancos -, cujos interesses nunca se viu essa grande imprensa – que faz tudo, menos dar no tiro no próprio pé em termos de lucros – contrariar.
Aí está a lista dos que financiam a Veja e a Abril. Muito antes de que algum desavisado compre nas bancas ou responda positivamente as ofertas de assinatura – que insistem em oferecer muitos números grátis, “sem compromisso”, etc., etc., no desespero da queda brutal de tiragem da revista -, praticamente metade dos espaços já foi vendido para publicidade de grandes empresas privadas. Não há nenhuma universidade pública, nem sindicato ou central sindical, movimentos sociais, editoras pequenas e médias. O financiamento vem maciçamente dos que dominam a economia do Brasil ao longo de muitas décadas, que controlam os espaços fundamentais da imprensa privada brasileira.
.
Em um vôo, havia uma Veja, que eu não leio, nem folheio há muitos anos. Não me interessava nada do que estava escrito ali, mas me dei ao trabalho de verificar as publicidades. Porque as publicações da mídia mercantil são vendidas para as agências de publicidade – e por estas às grandes empresas que anunciam - antes de ser vendidas aos leitores. A arrecadação com estas vendas é totalmente desprezível em comparação com o arrecadado com a publicidade.
Então é bom saber quem financia uma publicação decadente, com uma tiragem verticalmente descendente como a Veja. Saber que paga os funcionários da família Civita, saber com quem eles têm o rabo preso, ainda mais eles que se interessam tanto por saber onde o governo anuncia.
Do total de 152 páginas, 72 de publicidade – sem contas as da própria Abril. Primam os anúncios das empresas automobilísticas: 11, em geral cada anuncio em pagina dupla e algumas com vários anúncios no mesmo número. Pode chegar a um total de umas 20 páginas. Acho que não falta nenhuma do ramo: Hyundai, Citroen, Ford, Honda, Volkswagen, Citroen, Peugeot, Mercedes Benz, Chevrolet, Kia, Subaru.
Os bancos, claro: Itaú, Bradesco, HSBC. E várias outras das maiores empresas brasileiras: Votorantin, H. Stein, Gafisa, Knorr, Becel, Casas Renner, Dell, Boston Medical Care, Tv Record, Tim, Casas Bahia, Ambev, Bulova, Oral B, Shopping Center Iguatemi, Nextel, Tv Globo, Câmara Brasileira do Livro, McDonalds, Amó (perfumes), Bohemia, Racco (perfumes).
Não me dei ao trabalho de revisar a Vejinha, nesse caso a de São Paulo. Mas uma simples olhada dá para ver que a proporção é mais ou menos a mesma de publicidade no conjunto da publicação, que é de tamanho similar. Para que se tenha um critério de comparação, olhei uma revista Época – também encontrada no avião – e nela a publicidade ocupa 35 do total de 122 páginas, com os mesmos anunciantes.
Com alegria me dei conta de que não há publicidades governamentais, a não ser uma do Ministério da Saúde sobre o SUS. Isso corresponde à impossibilidade legal de publicidade no período eleitoral. Mas fica claro que, com esse elenco de grandes empresas anunciando, certamente nem necessitariam.
Como se pode ver, os rabos presos se dão, de forma direta, com grande parte dos setores empresariais mais importantes do país – a indústria automobilística em primeiro lugar, seguida pelos grandes bancos -, cujos interesses nunca se viu essa grande imprensa – que faz tudo, menos dar no tiro no próprio pé em termos de lucros – contrariar.
Aí está a lista dos que financiam a Veja e a Abril. Muito antes de que algum desavisado compre nas bancas ou responda positivamente as ofertas de assinatura – que insistem em oferecer muitos números grátis, “sem compromisso”, etc., etc., no desespero da queda brutal de tiragem da revista -, praticamente metade dos espaços já foi vendido para publicidade de grandes empresas privadas. Não há nenhuma universidade pública, nem sindicato ou central sindical, movimentos sociais, editoras pequenas e médias. O financiamento vem maciçamente dos que dominam a economia do Brasil ao longo de muitas décadas, que controlam os espaços fundamentais da imprensa privada brasileira.
.
Assinar:
Postagens (Atom)