quarta-feira, 23 de dezembro de 2015

Manual de sobrevivência no Natal

Por Eduardo Guimarães, no Blog da Cidadania:

A essa altura, você deve estar suando frio ao imaginar os horrores que viverá nos próximos dias – principalmente se for paulista. Progressista, esquerdista ou como queira se definir, já sabe que, mesmo que seja crítico ao PT - certamente de forma civilizada -, para aquele seu cunhado, primo, sogro ou mesmo irmão, pai ou mãe, você será sempre “petista”.

Estará em uma festa, o que já lhe tira a opção de mandar aqueles parentes chatos para aquele lugar; você terá que suportá-los, porque se tiver uma reação que seria natural ante uma afronta, acabará estragando a festa de gente que você curte – possivelmente, sua esposa ou esposo, filhos etc.

Racismo e direita, tudo a ver

Por Dennis de Oliveira, no blog Quilombo:

Combater o racismo implica necessariamente ser de esquerda no Brasil. Isto porque ser contra o racismo é ser contra o sistema de opressão vigente que possibilita que o capital se concentre e se reproduza em padrões altíssimos as custas da superexploração da mulher negra e do homem negro. Isto não significa que todo mundo de esquerda é antirracista. Mas o inverso é verdadeiro. 

Dilma se realinha com sentimento popular

Editorial do site Vermelho:

O sistema financeiro detestou, em especial a banca internacional com sede em Wall Street, mas os brasileiros têm muito o que comemorar – este talvez seja o principal sentimento que ajuda a explicar a troca de comando no Ministério da Fazenda. Saiu o fiscalista, monetarista, “mãos-de-tesoura” (seja lá o apelido preferido para designá-lo) Joaquim Levy, e entra o desenvolvimentista Nelson Barbosa.

Os serviçais brasileiros do imperialismo também não gostaram da troca de ministros. O título do editorial do jornal O Globo, neste sábado (19) foi explícito: “Dilma assume a Fazenda e nomeia Barbosa”. É como se esperasse um governo cindido – a presidenta cuidaria dos assuntos da administração, mas a direção da economia caberia ao “homem do mercado”, o ministro da Fazenda Joaquim Levy. É uma posição absurda e esconde a defesa de uma ilegalidade: o responsável pelas ações e políticas de governo é a presidenta Dilma Rousseff. Foi ela que recebeu os votos de 54,5 milhões de brasileiros para cumprir essa tarefa!

Linguagem da mídia controla pensamentos

Por Léa Maria Aarão Reis, no site Carta Maior:



A arrogância e a impunidade levam a mídia hegemônica, corporativa e comprometida, que com hipocrisia se diz isenta (!), a prosseguir, como um trator, reforçando seu perfil de partido político inconfessado e espúrio em que se transformou: o PIG.

Parece sem limites a audácia com a qual falseia a realidade objetiva, perseguida, com esforço, no jornalismo ético. A velha mídia usa palavras e expressões que fazem o papel de “agente contaminador” como diz Zygmunt Bauman no seu livro, Medo Líquido. Manipula e asperge mais medo e insegurança àqueles latentes em todos nós, neste mundo do século 21. Distorce significados com eufemismos; entorpece, envenena corações e mentes, confunde os desavisados e silencia quando é conveniente aos interesses dos seus proprietários. Ludibria e mente sem pudor.

PSDB, Alstom e o acordo de R$ 60 milhões

Do jornal Brasil de Fato:

Acusada de pagar propina para garantir um contrato junto à gestão de Mário Covas (PSDB) no governo paulista, a empresa Alstom fechou um acordo com a Justiça e pagará R$ 60 milhões para se livrar do processo, instaurado em 2008. O caso era referente a contratos de fornecimento em duas subestações de energia da Empresa Paulista de Transmissão de Energia (EPTE), em 1998.

A multinacional francesa também está envolvida no esquema de cartel na licitação de compra de trens do Metrô e da CPTM, porém, o acordo para se livrar de processo não envolve esses casos. Todas as investigações mencionadas são de que a Alstom tenha pagado suborno a membros do PSDB para conquistar benefícios em licitações e contratos.

Mulher de Cunha vai para a cadeia?

Por Altamiro Borges

O correntista suíço Eduardo Cunha, que ainda preside a Câmara Federal, continua posando de valente diante dos holofotes da mídia. Afirma que não vai renunciar e que ainda será o principal responsável pela queda da presidenta Dilma Rousseff. Nos bastidores, porém, parece que o lobista está se pelando de medo. Ele teme pelo seu futuro político e, principalmente, pela prisão de sua esposa, Cláudia Cruz, ex-apresentadora da TV Globo, e de sua filha. Segundo as apurações em curso, parte da grana obtida com propinas e outras negociatas foi depositada em sua conta bancária. Uma notinha publicada na semana passada pela jornalista Mônica Bergamo, da Folha, dá bem a dimensão do seu pânico:


terça-feira, 22 de dezembro de 2015

Alckmin, Doria e o racha do PSDB

Por Altamiro Borges

Na segunda-feira passada (14), num glamoroso jantar na casa de Flávio Rocha, dono da Riachuelo, o governador Geraldo Alckmin declarou o seu apoio à pré-candidatura do "cansado" João Doria Jr. à prefeitura da capital paulista pelo PSDB. Para uma plateia composta pela fina flor da elite nativa – Gustavo Junqueira, presidente da Sociedade Rural Brasileira, Rubens Ometto, da Cosan, Lírio Parisotto, da Usiminas, e Roberto Klabin, entre outros ricaços –, ele fez altos elogios ao trambiqueiro, que também é apresentador de um programa tedioso na Band. Afirmou que João Doria, o Júnior, tem “juventude, saúde e disposição” para “trabalhar por São Paulo”. A declaração de amor, porém, gerou ciumeira e traiçoeiras bicadas no ninho tucano, segundo reportagem da Folha deste domingo (20).


Chico Buarque retruca "leitores da Veja"

Por Altamiro Borges

Os fascistas mirins, filhinhos de ricaços corruptos que se travestem de éticos, estão cada vez mais agressivos. Na noite desta segunda-feira (21), um grupo de playboys tentou intimidar o compositor, cantor e escritor Chico Buarque quando ele deixava um restaurante no Leblon, bairro nobre do Rio de Janeiro. "Petista, vá morar em Paris", gritaram os direitistas mimados. Apesar das provocações, o renomado artista se manteve calmo e até polemizou com os fanáticos. "Vocês são leitores da Veja?", indagou Chico Buarque, com sua fina ironia.

Impeachment é aposta do Brasil improdutivo

Por Luis Nassif, no Jornal GGN:

Está na hora de dar um intervalo no golpismo, um arrefecimento nessa disputa ideológica anacrônica e se começar a pensar seriamente no próximo tempo do jogo.

A insistência no impeachment, por parte de Gilmar Mendes e de setores do PSDB, já ultrapassou os limites de qualquer razoabilidade. A intervenção do STF (Supremo Tribunal Federal) e as manifestações gerais de condenação ao impeachment, o racha no PMDB, o desmonte da imagem de Michel Temer, comprovam que o impeachment é o caminho mais traumático para o país.

Cunha, livre e solto, segue conspirando

Por Fernando Brito, no blog Tijolaço:

Acreditem.

Lambrecado, lambuzado, denunciado e provado, o sr. Eduardo Cunha apareceu ontem na TV Câmara para posar de “estadista do golpe”.

Sua “entrevista” foi ao ar à noite e será nauseantemente repetida todos os dias desta semana.

Disse, no programa, que “até março” o impeachment, que nem mesmo a primeira comissão de análise tem formada, depois da decisão do STF que anulou sua manobra, estará terminado.

FMI vai comandar economia da Argentina?

Por Max Altman, no site Opera Mundi:

Não foi necessário mais que uma semana para que Mauricio Macri assentasse as bases de uma mudança dramática do modelo econômico, num formato ortodoxo como que ditado pelos burocratas do FMI. O receituário neoliberal foi adotado tendo como suas linhas fundamentais as seguintes medidas: a) eliminação dos impostos de exportação agropecuários – a soja de 35% para 30% – e industriais; b) eliminação das restrições para a compra de moeda estrangeira – o que desvalorizou de imediato o peso em 42%; c) eliminação de quotas para exportação de carne, trigo e matérias primas em geral; d) abertura comercial para as importações; e) eliminação de regulações bancárias que impunham taxas mínimas para os prazos fixos e máximas para os créditos; f) eliminação de limitações para o ingresso de capitais especulativos; g) eliminação do regime de informações das empresas sobre suas estruturas de custo e níveis de rentabilidade; h) promessa de eliminação da ‘Ley de Medios’; i) antecipação de uma drástica redução dos subsídios a usuários de eletricidade e gás.

A corrupção na Petrobras começou com FHC

Do blog Viomundo:

O acúmulo de informações sobre a Operação Lava Jato deixa claro: o Petrolão começou no governo do ex-presidente Fernando Henrique Cardoso.

Diz ele que era, então, um esquema “desorganizado”. Ou seja, a corrupção do PSDB é mais “vadia” que a do PT/PMDB/PP/PSB e outros, parece sugerir o sociólogo.

É exatamente a mesma lógica utilizada para justificar como legais doações feitas pelas empreiteiras envolvidas na Lava Jato a Aécio Neves em 2014, quando aquelas que abasteceram os cofres de Dilma teriam sido “criminosas”.

Impeachment, STF, mídia e a democracia

Por Celso Vicenzi

O principal jornal catarinense, na edição de 18 de dezembro/2015, na página 18, apresenta um quadro com o voto de cada ministro do STF, dividindo-os em "favorece o governo" e "favorece a oposição". É a mesma ênfase e linha de raciocínio presente nos telejornais da Rede Globo, na tentativa de pressionar e indispor os integrantes da mais alta Corte do país com a população. É uma visão reducionista, que induz os leitores/telespectadores a interpretar o voto de cada ministro como um voto eminentemente político. Aliás, têm sido frequentes insinuações de que determinados ministros votam de um jeito ou de outro apenas porque "foram indicados" para o Tribunal por Lula ou Dilma.

A farsa de Lobão e a Lei Rouanet

Por Tico Santa Cruz, em sua página no Facebook:

Que Lobão gosta de latir como um cão feroz, todo mundo sabe, fala, esbraveja, acusa…

Mas…

Fiz uma pesquisa sobre sua relação com a Lei Rouanet, que ele GRITA como sendo "A mortadela que os artistas recebem para defender o Governo", mas pouca gente sabe que LOBÃO TEVE UM PROJETO APROVADO PELA LEI ROUANET.
 

Gilmar Mendes devia sofrer impeachment

Por Paulo Nogueira, no blog Diário do Centro do Mundo:

Falei várias vezes, neste ano, do jurista alemão do século 19 Rudolf von Ihering, um dos grandes inovadores do direito.

Quem não se defende quando injustiçado, ensinou ele, merece rastejar como um verme.

Você deve à sociedade processar quem abusa de você com insultos, ofensas, acusações sem prova ou conduta inadequada. Só assim as coisas melhoram para todos.

Neste sentido, é mais do que hora de Gilmar Mendes ser processado. Conforme determina a Constituição, um juiz do STF pode ser objeto de uma ação de impeachment caso quebre o decoro. Isto configura crime de responsabilidade.

Frente Brasil Popular: balanço e desafios

Por Valter Pomar, em seu blog:

1. O ano de 2015 está perto de acabar. Que balanço fazemos deste ano? Qual foi o papel da Frente Brasil Popular? Quais desafios nos esperam no ano de 2016?

2. A principal característica de 2015 foi a ofensiva das elites contra os setores populares. Esta ofensiva teve diferentes protagonistas (os setores médios reacionários, o grande capital, os partidos de direita, o oligopólio da mídia, segmentos do aparato de Estado - com destaque para o judiciário, o MP, a PF e as forças armadas) - e teve múltiplos alvos (os direitos trabalhistas, os direitos sociais, as liberdades democráticas, as mulheres, os negros, a juventude especialmente da periferia, os movimentos sociais, os partidos de esquerda, a política do governo, o mandato presidencial).

Por que defender a democracia?

Por Leo de Brito, na revista Teoria e Debate:

Entender e compreender os diferentes sistemas de organização política inseridos no contexto de uma determinada sociedade não é tarefa das mais fáceis. Todo e qualquer sistema político constituído essencialmente de representantes do povo tem suas virtudes e falhas.

Com a democracia não é diferente. No auge de sua vida política, Ulysses Guimarães – a principal liderança articuladora da Constituição de 1988 – já alertava a nova geração de brasileiros que pela primeira vez presenciava a luz de um regime democrático: “A grande força da democracia é confessar-se falível de imperfeição e impureza, o que não acontece com os sistemas totalitários, que se autopromovem em perfeitos e oniscientes para que sejam irresponsáveis e onipotentes”.

segunda-feira, 21 de dezembro de 2015

Paulo Skaf e os patos da Fiesp

Por Altamiro Borges

O oportunista Paulo Skaf, presidente da Federação das Indústrias de São Paulo (Fiesp), deve estar com cara de nádega - ou de pato. Excitado com a conspiração do correntista suíço Eduardo Cunha, que manobrou na Câmara Federal para acelerar o processo do impeachment de Dilma, ele passou a pregar abertamente a derrubada da presidenta. Distribuiu bonecos do "pato" - símbolo da campanha dos sonegadores contra os impostos - na marcha golpista da Avenida Paulista e ainda fez a Fiesp aprovar um documento pelo impeachment que relembra o sombrio período em que os industriais paulistas financiaram o golpe de 1964 e apoiaram os crimes da sanguinária ditadura militar.

Os próximos passos do impeachment

Da revista CartaCapital:

A Câmara dos Deputados terá de refazer a votação que elegeu uma chapa alternativa para a comissão especial do impeachment. A maioria dos ministros do Supremo Tribunal Federal entendeu que a candidatura da chapa não é legítima e defendeu que a indicação dos membros da comissão seja feita pelos líderes dos partidos ou blocos. Também decidiu que a nova votação terá de ser aberta.

“A candidatura avulsa é constitucionalmente inaceitável”, disse o ministro Luís Roberto Barroso, que abriu a divergência ao votar contra o relatório do ministro Luiz Edson Fachin. “Essa disputa com candidaturas alternativas deve ser intrapartidária, e não levada ao Plenário”, continuou Barroso.

Governo faz balanço mirando fevereiro

Por Tereza Cruvinel, em seu blog:

No ambiente político desembaçado pela decisão do STF em relação ao ritual do impeachment, o governo encerra o ano parlamentar buscando acertar os ponteiros com os líderes da coalizão com vistas à nova etapa que virá com a reabertura do Congresso, em fevereiro. Hoje à tarde o ministro Ricardo Berzoini reúne-se com os líderes aliados para um balanço do que já passou – e o pior já teria passado, na avaliação palaciana – buscando recompor a base para enfrentar a tramitação do impeachment na Câmara logo que o Congresso reabrir. À noite, a presidente Dilma abre o Alvorada para uma confraternização com os aliados, para a qual está convidando ministros, deputados e senadores.

Dez dicas para não ser um leitor-cobaia

Por Leonardo Sakamoto, em seu blog:

Dez dicas rápidas para você, leitor de redes sociais, não ser enganado na guerra cotidiana por corações e mentes que esta deflagrada na internet. Porque, em uma guerra, a verdade (se é que ela ainda existe) é sempre a primeira vítima:

1) Olhe sempre a data do texto – Há muita gente que, por inocência ou sacanagem, reposta links antigos como se o fato tivesse acabado de acontecer. Como o momento em que um fato ocorre é importante para a sua compreensão, a impressão que fica é que o problema se repete por incompetência de alguém num eterno Dia da Marmota.

Reorganização na esquerda enfraquece golpe

Por Breno Altman, em seu blog:

O fato mais importante da semana passada, apesar da importante decisão regulatória do STF sobre o processo de impeachment e a queda de Joaquim Levy, foi a forte mobilização em defesa da legalidade democrática.

Movimentos populares, entidades sindicais e partidos políticos do campo progressista conseguiram, pela primeira vez desde 2013, colocar mais gente nas ruas que as forças conservadoras.

O comparecimento à jornada do dia 16 de dezembro bateu, com folga, as falanges que marcaram presença no dia 13. O placar fechou em 250 mil vermelhos contra 65 mil azuis.

2015 e a tempestade perfeita

Por Fabrício Augusto de Oliveira, no site Brasil Debate:

Se faltavam alguns ingredientes para concluir o processo de formação de uma “tempestade perfeita” para a economia brasileira, estes surgiram recentemente com: (i) a aceitação pelo presidente da Câmara dos Deputados, Eduardo Cunha, do pedido de impeachment da presidente da República, Dilma Rousseff; (ii) a retirada do grau de investimento do país pela Fitch, que se somou, dessa forma, à decisão tomada pela Standard & Poor’s em setembro; e (iii) a elevação da taxa de juros dos Estados Unidos de 0,25% para 0,5% pelo Federal Reserve Bank, o Fed.

Cunha e Gilmar Mendes: almas gêmeas

Da coluna "Notas Vermelhas", no site Vermelho:

O ainda presidente da Câmara dos deputados, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), foi durante boa parte de 2015 um ídolo dos golpistas que sonhavam em depor a presidenta Dilma Rousseff. Hoje, com a divulgação de milhões em seu nome em contas no exterior, a admiração persiste, mas envergonhada. É uma idolatria que não ousa dizer seu nome e existe até aqueles que se apressam em renegar o antigo amor, como ratos que, com o coração partido, abandonam o navio que os acolheu, quando este está prestes a afundar.

No entanto, outro ídolo está ocupando o posto deixado pelo moribundo Cunha: o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Gilmar Mendes.

Os negócios da Fundação Roberto Marinho

Por Helena Sthephanowitz, na Rede Brasil Atual:

Na quinta-feira (17), a cidade do Rio de Janeiro ganhou o Museu do Amanhã, construído na zona portuária onde havia um pier abandonado. O museu faz parte da operação urbana Porto Maravilha, de revitalização e desenvolvimento da região, realizada em parceria público-privada.

A prefeitura conduz o processo, as empreiteiras Carioca Engenharia e OAS constroem, parte dos recursos é de financiamentos do FGTS-FI, o fundo de investimento que faz aplicações dos recursos do Fundo de Garantia e, no caso do Museu, quem toma posse da operação depois de pronto é a Fundação Roberto Marinho, ONG ligada aos donos da TV Globo. A Fundação é duplamente beneficiada: ganha prestígio com mais um museu de grande porte em seu portfólio, e cobra da prefeitura o preço para manter o museu funcionando.

2016 em aberto: hora de repactuar o Brasil

Por Joaquim Palhares, no site Carta Maior:

Foi tão intensa a saraivada de revezes sofridos pela aliança entre o golpismo e a vigarice no final de 2015, que seus protagonistas e a mídia embarcada ainda se agarram à batalha do dia anterior, sem perceber que a roda da história girou.

A barragem humana que se ergueu em São Paulo na quarta-feira, 16/12, na longamente esperada união da esquerda, redefiniu os termos da correlação de forças no país.

Retomar o diálogo para o desenvolvimento

Por João Carlos Gonçalves Juruna

Como mudou a conjuntura de classes sociais no Brasil a partir de 2013? E em que medida esta mudança alterou o apoio à coalisão que, desde 2003, estava à frente da presidência da República? Estas talvez sejam as duas perguntas básicas levantadas no artigo: Cutucando onças com varas curtas – O ensaio desenvolvimentista no primeiro mandato de Dilma Rousseff 2011-2014 [1] do sociólogo André Singer.

Em entrevista para o Jornal O Globo, em 27/09/2015, Singer falou que “a ideia do artigo é mostrar a corajosa ofensiva de Dilma no primeiro mandato” no qual “ela explicitou um confronto com o setor financeiro” e mostrar “que ao final do percurso, ao chamar o ministro Joaquim Levy para a pasta da Fazenda, ela entregou todos os pontos para aqueles que procurou confrontar no primeiro mandato” [2].

Golpe de 64 jamais se repetiria em 2015

Por Paulo Henrique Amorim, no blog Conversa Afiada:

Em 1964, o Golpe tinha os Estados Unidos, o embaixador americano, o chefe da CIA no Brasil e a Quinta Frota a caminho.

Em 2015 não tinha.

Em 1964, o Golpe tinha o mensalão do IBAD.

Tinha o IPES do General Golbery com sua plêiade de empresários paulistas e intelectuais de renome.

O Golpe de 2015 não tinha Golbery: seus substitutos e exegetas não chegam perto em esperteza.

Embora sejam igualmente golpistas e americanófilos.

domingo, 20 de dezembro de 2015

FHC será chamado a depor sobre “petrolão”?

Por Altamiro Borges

Na quinta-feira (17), a Polícia Federal deflagrou a chamada Operação Sangue Negro, que investiga pagamentos de propinas e desvios de recursos da Petrobras desde o triste reinado do grão-tucano FHC (1995-2002). O montante furtado é superior a U$ 42 milhões. O alvo da ação é a multinacional holandesa SBM, que fez repasses para executivos da Petrobras em contas offshore no exterior referentes a oito contratos mantidos com a estatal. Diante desta bombástica revelação fica a pergunta: o ex-presidente, que adora posar de vestal da ética e lidera a conspiração golpista pelo impeachment de Dilma, será chamado a depor pelo midiático juiz Sérgio Moro? Ou, mais uma vez, ficará confirmada a tese de que basta se filiar ao PSDB para não ser investigado, condenado e, muito menos, preso no Brasil?

Ação da ditadura contra dom Helder Câmara

Por Altamiro Borges

A Comissão da Verdade e Memória de Pernambuco lançou nesta sexta-feira (16) um documento de leitura obrigatória neste momento em que alguns grupelhos fascistas pedem o retorno dos militares ao poder. Intitulado "Prêmio Nobel da Paz: A atuação da ditadura militar brasileira contra a indicação de dom Helder Câmara", o dossiê de 229 páginas relata como os generais golpistas tentaram impedir que o arcebispo de Olinda e Recife recebesse a premiação internacional nos sombrios anos de 1970. Ele reúne inúmeros depoimentos, ofícios e telegramas que descrevem a violenta perseguição ao líder religioso, respeitado no mundo inteiro por sua dedicação à luta dos explorados e oprimidos.

Cunha e PSDB conspiram nas barbas do STF

Por Fernando Brito, no blog Tijolaço:

O Brasil tornou-se um país tão anormal que as conspirações nem sequer cuidam de andar pela sombra.

Hoje, na Folha, o título é escancarado: “Cunha e oposição estudam driblar decisão do STF sobre impeachment”.

A primeira burla já está definida:

Finalmente, as ruas tomam a palavra

Por Roberto Amaral, em seu blog:

A ambição do impedimento da presidente Dilma é mais do que reverter o resultado das eleições de 2014 – um ano que insiste em não terminar –, jogando ao lixo, com a ordem constitucional irremediavelmente corrompida, a soberania do voto, na qual se assenta a legitimidade da democracia representativa.

O argumento forjado em torno das tais ‘pedaladas’ – e outras chicanas – é simples pretexto para justificar uma petição inepta, firmada por um ancião digno, mas manipulado, um advogado cuja importância está no sobrenome herdado, e uma ‘jurista’ sem nome e sem obra, açulados os três pelos holofotes do momento, e lamentavelmente servindo, conscientemente, de biombo a uma alcateia faminta de poder.

O impeachment e o ódio de classe

Por Marilena Chauí, no site Outras Palavras:

Este texto é a transcrição da fala feita em 16/12, no ato público de intelectuais contra o impeachment. Publicado sem revisão da autora.

“Queria, por um segundo, retomar o que disse Paulo Arantes e manifestar a preocupação que tenho desde agosto de 2013 e manifesto em público, em privado e por escrito. Agosto foi o instante no qual se deu a virada em relação ao que se passara no movimento vitorioso do Passe Livre. Quando os meninos tentaram, com seus símbolos e bandeiras, comemorar na avenida Paulista, foram batidos e ensanguentados por pessoas vestidas com a bandeira do Brasil e que diziam: ‘meu partido é o meu país’.

A imbecilidade do antiterrorismo

Por Mauro Santayana, em seu blog:

Na abertura de um recente – e bizarro – "Seminário Internacional de Enfrentamento ao Terrorismo no Brasil", o Ministro da Secretaria de Governo, Ricardo Berzoini, afirmou que "não existem limites para a preocupação com o terrorismo nas Olimpíadas" e defendeu que o país "aceite a cooperação de órgãos de inteligência internacionais" para diminuir o risco nesse sentido.

No momento em que a Câmara recebe, de volta do Senado, uma "lei antiterrorista", cabe discutir com cautela essa questão, sob a ótica da política exterior brasileira e da nossa relação com outras culturas e países no atual contexto geopolítico mundial.

Até quando vamos aturar Gilmar Mendes?

http://pataxocartoons.blogspot.com.br/
Por Paulo Nogueira, no blog Diário do Centro do Mundo:

Até quando nossa paciência vai aguentar o ministro Gilmar Mendes?

A grande sentença de Cícero contra o conspirador Catilina lembrada esta semana na operação da PF que enfim deu um tranco em Eduardo Cunha se aplica a Gilmar.

Até quando vamos aturá-lo?

Para a esquerda, com carinho

Por Tadeu Porto, no blog O Cafezinho:

2016 vai ser um ano quente, “pelando” como a gente costuma dizer aqui na minha querida Minas Gerais. E, aproveitando o mineirês, posso dizer que não há maneira melhor de enfrentar um ano dessa temperatura, com a sensação térmica do Vale do Jequitinhonha, do que comendo pelas beiradas. Aos poucos, com cautela, mas sem perder o foco de chegar ao centro, no momento oportuno quando a quantidade de calor já não machuca.

Ao defender Azeredo, PSDB afunda

Por Eduardo Guimarães, no Blog da Cidadania:

Ora, ora… Quer dizer, então, que toda aquela conversa dos tucanos de que o PT “protege” seus expoentes que foram condenados pela Justiça não passa de hipocrisia, caradurismo, falta de caráter, desrespeito supremo à inteligência alheia?

Por que não me surpreendo? Simples, porque é óbvio que aquele discurso, como 200% de tudo o que esse partido diz, não passa de canalhice.

O tucano mineiro Eduardo Brandão de Azeredo foi um dos fundadores do PSDB (1988). Governou Minas Gerais pelo PSDB de 1995 a 1999. Em 2005, quando foi acusado pelo Ministério Público de desvio de dinheiro público, era presidente nacional do PSDB.

Cunha esconde rádio em Pernambuco

Por Mônica Mourão, na revista CartaCapital:

Esta semana não foi fácil para o presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ). Para além da derrota sofrida no Supremo, que invalidou a eleição da Comissão do Impeachment, conduzida à força por ele, na terça-feira 15 as residências do deputado no Rio de Janeiro e em Brasília foram cercadas pela Polícia Federal, com um mandado de busca e apreensão.

No mesmo dia, no Planalto Central, o Conselho de Ética conseguiu, depois de muitos subterfúgios de Cunha para que a ação não andasse, aprovar o prosseguimento da investigação por quebra de decoro parlamentar. Na quarta-feira 16, Cunha foi alvo de manifestações em todo o Brasil e o procurador-geral da República, Rodrigo Janot, numa peça mais do que fundamentada, elencou uma longa lista de ilegalidades para justificar o pedido de afastamento de Cunha não apenas da presidência da Câmara, mas de seu próprio mandato parlamentar.

A guerra mundial de Dilma em três meses

Por Luis Nassif, no Jornal GGN:

A primeira rodada do golpe paraguaio foi a tentativa de glosar a campanha de Dilma Rousseff no TSE (Tribunal Superior Eleitoral), uma manobra envolvendo o presidente Dias Toffoli e seu líder Gilmar Mendes. Falhou no último instante graças ao recuo do Ministro Luiz Fux.

A segunda foi a de abrir o ritual do impeachment com base nas pedaladas, obra do presidente da Câmara Eduardo Cunha.

Ex-blogueiro da Veja é “jogado no lixo”

Por Altamiro Borges

O “jornalista e economista” Rodrigo Constantino, o herói dos fascistas mirins que adora posar com o Pateta da Disney, está abatido. Até agora ele não engoliu a sua demissão sumária da revista Veja em outubro passado, após dois anos de serviços sujos prestados à famiglia Civita. Nesta quarta-feira (16), o ex-blogueiro que se jactava de ser o maior inimigo do PT postou vídeo em sua página na internet com um patético desabafo. Ele informa que suas postagens foram suprimidas do site da Editora Abril. “Apagaram o passado. Foram dois anos de troca, milhares de textos escritos, milhões de visualizações. E esse acervo todo, para uma revista que tem apreço pelo acervo histórico, basta ver tudo digitalizado que tem no site, foi jogado no lixo. Foi apagado e usurpado o direito de você leitor pesquisar o que eu, durante dois anos, escrevi para o portal Veja.com”, choraminga o Pateta.

sábado, 19 de dezembro de 2015

A ofensiva contra o direito de resposta

Por Altamiro Borges

Os barões da mídia, que se acham acima das leis e da democracia, estão em sórdida campanha para sabotar a lei do direito de resposta, aprovada no Senado e sancionada pela presidenta Dilma em 11 de novembro. Nesta cruzada, as entidades patronais – Associação Brasileira das Emissoras de Rádio e TV (Abert), Associação Nacional dos Jornais (ANJ) e Associação das Editoras de Revistas (Aner) – já ingressaram com ações na Justiça e contam com a ajuda de seus fiéis amigos no Judiciário. Nesta quarta-feira (16), o ministro Dias Toffoli, do Supremo Tribunal Federal (STF), deferiu uma liminar que permite ao juiz de primeira instância revisar decisão que obriga o veículo a publicar o direito de resposta de quem se sentir ofendido com a publicação de uma reportagem difamatória.

“Profissão Repórter” é alvo dos fascistas

Por Altamiro Borges

Na última terça-feira (15), o programa “Profissão Repórter”, comandado pelo jornalista Caco Barcelos, exibiu uma excelente reportagem sobre a onda de ódio e preconceito que contagia o país. Entre outras graves denúncias, ele destacou o drama vivido pela blogueira cearense Lola Aronovich, que desde 2011 recebe ameaças de morte por seu ativismo feminista. Também registrou as provocações contra a Marcha Nacional das Mulheres Negras, realizada em novembro, que foi atacada com bombas e disparos de tiros por fanáticos que estavam acampados em Brasília exigindo o impeachment de Dilma. O programa foi exibido na TV Globo, uma das principais culpadas pelo clima de intolerância no país, e gerou ataques na internet aos jornalistas do “Profissão Repórter”.

MBL hostiliza jornalistas. Cadê a reação?

Por Altamiro Borges

No domingo passado (13), jornalistas da Folha e da Globo foram hostilizados na Avenida Paulista durante a marcha do “Fora Dilma” organizada por vários grupelhos golpistas. Talvez frustrados com a vertiginosa queda na presença, alguns desesperados passaram a culpar a própria mídia pelo fiasco da marcha – logo ela que sempre garantiu os holofotes aos fascistas mirins e é a principal responsável por ter chocado o ovo da serpente do ódio no país. O interessante é que até agora os fanáticos do impeachment, aliados do PSDB, DEM, PPS e SD, não sofreram qualquer condenação das entidades dos barões da mídia.

Lava-Jato investigará PSDB de SP?

Por Conceição Lemes, no blog Viomundo:

Em 5 de novembro, saiu no Diário Oficial da Assembleia Legislativa do Estado de São Paulo: Comissão de Finanças, Orçamento e Planejamento da Alesp aprovou as contas do governador Geraldo Alckmin (PSDB-SP) referentes ao exercício de 2014.

Na mesma edição, o DO Legislativo publicou, da página 90 a 124, o voto em separado de dois deputados da Comissão, que desaprovaram as contas: João Paulo Rillo e Teonílio Barba (PT-SP).

Eles elencam diversas justificativas para a rejeição, entre as quais 17 ressalvas e 114 recomendações do Tribunal de Contas do Estado de São Paulo (TCE-SP).

O povo tirou o país do abismo

Por Paulo Moreira Leite, em seu blog:

O Brasil viveu vários acontecimentos importantes nos últimos dias. Mas é essencial não perder a noção correta sobre cada coisa. Hoje o Planalto respira mais oxigênio e a fase mais aguda da crise pode ter sido vencida, ao menos até o próximo ataque. O STF mostrou-se capaz de tomar uma decisão responsável em defesa das garantias democráticas no encaminhamento de um processo de impeachment que sequer deveria ter sido iniciado. Até a disputa interna do PMDB assume um aspecto menos doentio. A saída do ministro da Fazenda identificado com a pior recessão econômica enfrentada pelo país em 30 anos tornou-se inevitável.

Os juros nos EUA e a estagnação secular

Por Marcio Pochmann, na Rede Brasil Atual:

Após a fase de otimismo econômico do início da globalização financeira e as políticas receitadas pelo Consenso de Washington do final de década de 1980, passou-se a assistir ao desempenho econômico e social decepcionante, sobretudo desde a crise de dimensão global iniciada em 2008. O regime de expansão das forças produtivas segue muito abaixo do verificado até o início deste século.

O contexto atual de baixo dinamismo econômico vem reforçando cada vez mais as interpretações de que o capitalismo encontra-se mais uma vez em direção à estagnação de longa duração. Os saltos tecnológicos, embora importantes, apresentam-se insuficientes para motivar a volta sustentável do crescimento econômico.

O golpismo naufragado no Brasil

Por Jandira Feghali

Os últimos dias de 2015 nos reservaram uma importante decisão a celebrarmos. A luta contra o golpe institucional teve uma enorme vitória com a decisão recente do Supremo Tribunal Federal. A ADPF protocolada pelo Partido Comunista do Brasil teve o desfecho que a democracia merece: impediu um rito do impeachment eivado de ilegalidades patrocinadas por quem deveria conduzi-lo com isenção e imparcialidade. Mesmo que as manobras continuem, ao sabor do revanchismo diário e oportunista, do presidente da Câmara e da oposição, nosso país demonstrou que estamos mais fortes e unidos contra qualquer ato antidemocrático.

Whatsapp caiu e a culpa é do Facebook

Por Pedro Ekman, no site Carta Maior:

O Brasil amanheceu nesta quinta-feira sem trocas de mensagens pelo Whatsapp e a culpa é do Facebook. Para quem está chegando agora, vale avisar que o Grupo Facebook de Mark Zuckerberg é também dono dos aplicativos Whatsapp e Instagram. A justiça determinou a suspensão por 48 horas do Whatsapp no Brasil por descumprimento de ordem judicial que determinava o acesso a dados do aplicativo de pessoas que estavam sendo investigadas.

Dilma riu por último. Duas vezes

Dilma na 15ª Conferência de Saúde
Por Tereza Cruvinel, em seu blog:

Raramente uma situação política inverteu-se tão radicalmente em tão poucas horas. A oposição, que festejava na noite de quarta-feira o voto com que o ministro Edson Fachin frustrou o governo, deixou cabisbaixa o plenário do Supremo antes do final da sessão de ontem, em que a maioria divergiu do relator Fachin e recolocou o rito do impeachment nos trilhos. O mesmo haviam feito os governistas anteontem.

Os ricos, os impostos e os patos

Por João Batista Santos Conceição e Róber Iturriet Avila, no site Brasil Debate:

A cobrança de tributos conforma um relevante aspecto da relação do Estado com a sociedade. Ao longo da história, os papéis do Estado foram alterando, absorvendo cada vez mais funções sociais como saúde, educação, previdência, assistência social, políticas de moradia, para além das básicas como segurança, defesa territorial e mediação de conflitos.

Tais transformações não ocorreram por acaso e tampouco espontaneamente. O processo de acumulação extremamente desigual e a oligopolização da economia constituíram o caldo de cultura para que o sindicalismo e os partidos operários e trabalhistas reivindicassem direitos sociais e distribuição da riqueza por meio de ação do Estado. Isso se deu, sobretudo, após a crise de 1929 e a Segunda Guerra Mundial.