terça-feira, 21 de setembro de 2010

Os monopólios do dinheiro, terra e palavra

Reproduzo artigo de Emir Sader, publicado em seu blog no sítio da Carta Maior:

Três grandes monopólios articulam as estruturas de poder das minorias na nossa sociedade e tem que ser quebrados, para que possamos seguir avançando na construção de uma sociedade econômica, social, política e culturalmente democrática.

O primeiro é o poder do dinheiro, monopolizado nas mãos de algumas instituições financeiras, nacionais e estrangeiras, que se apropriam dele para multiplicar seus lucros especulativos. As altas taxas de juros, o Banco Central independente de fato, contribuem para a manutenção e incremento desse monopólio, ao invés de colocar os recursos financeiros a serviço do desenvolvimento econômico e social de todo o país.

O segundo grande monopólio é o da terra, nas mãos de elites minoritárias que a exploram, por exemplo, sob forma de agronegócios de exportação de soja, com transgênicos, concentrando ainda mais a terra em poucas mãos, deteriorando as condições de cultivo, enquanto outros simplesmente mantém latifúndios improdutivos e uma grande massa de trabalhadores continua sem terra e não temos autosuficiência alimentar. É preciso democratizar o acesso à terra, gerar empregos e alimentos para o mercado interno, o que é feito pela pequena e média empresa.

O terceiro é o monopólio da palavra, exercido pelas famílias proprietárias da velha imprensa, que dirigem empresas sem nenhuma democracia, financiada pelas agências de publicidade e as grandes empresas que colocam anuncio nesses órgãos.

São três grandes monopólios privados, que resistem ao imenso processo de democratização em curso na sociedade brasileira. Esses monopólios têm que ser rompidos, com a democratização do uso dos recursos financeiros, da terra e dos meios de comunicação, para que o Brasil se torne, definitivamente, uma sociedade democrática.

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Folha vira a Fox de Dilma

Reproduzo artigo de Rodrigo Vianna, publicado no blog Escrevinhador:

Nos EUA, Barack Obama pendurou o guiso no gato já há algum tempo. Lá, a assessoria do presidente colou na Fox o rótulo de “braço midiático do Partido Republicano”.

Nessa segunda-feira, o jornal da família Frias teve o seu dia de Fox. Dilma bateu pesado na “Folha”. É o troco, depois de dias e dias de uma campanha unilateral.

Aliás, são meses de deturpações e cobertura enviesada. Começou lá atrás, com a ficha falsa na primeira página. Seguiu com a manchete tosca sobre o aumento da conta de luz “por culpa de Dilma” (tão tosca que fez a “Folha” ir parar nos trendtopics do twitter, como exemplo mundial de manipulação).

Nas últimas duas semanas, diante do aturdimento de Serra – incapaz de traçar uma linha para sua campanha – a velha mídia assumiu o comando da oposição. Cumpriu-se, assim, na prática, o que Judith Brito (presidenta da ANJ – Associação Nacional dos Jornais) já havia vaticinado: “a imprensa é o verdadeiro partido de oposição no Brasil.”

O clima de confrontação, criado pela direita, aproxima-se muito do que vemos na Venezuela. Como escrevi aqui, a venezuelização do Brasil vem pela direita: quem escolheu o confronto não foi Lula, mas Serra (com seu discurso no Clube Militar, falando em “República Sindicalista”) e a velha mídia.

Já escrevi nesse humilde blog que a imprensa tem , sim, o dever óbvio de investigar e denunciar. Não vejo nada de errado nisso. A situação absurda, no Brasil, é que as denúncias são sempre unilaterais. Só existem escândalos federais no Brasil, há quase 8 anos. O ímpeto investigativo dos jornais não se volta – jamais – contra os tucanos. Explica-se: os tucanos garantem polpudos recursos para a velha mídia, com a assinatura de jornais para as escolas paulistas.

A velha mídia tenta criar um “Mar de Lama” contra o lulismo. Como Lacerda fez contra Vargas em 54.

Naquela época, o único contraponto era o “Última Hora”, jornal de Samuel Wainer. Hoje, os “blogs sujos” cumprem – de forma ainda limitada, mas efetiva - o papel de contraponto. Nem isso Serra gostaria de ter. Queria toda a mídia pra ele.

Em 2002, os golpistas na Venezuela tinham toda a mídia com eles, menos a TV estatal. Aqui no Brasil, os maiores jornais e a (ainda) maior rede de TV levam o país para o abismo do confronto.

As manchetes, no entanto, não refletem o clima nas ruas. O brasileiro comum quer tocar a vida – que melhorou um pouquinho nos últimos anos. Por isso, Dilma segue favorita, debaixo do maior tiroteio já visto antes de uma eleição.

O brasileiro comum ignora o bombardeio midiático. Mas isso não torna o bombardeio menos perigoso. Porque alimenta uma classe média cada vez mais raivosa e agressiva.

O descalabro precisa ser denunciado internacionalmente. E é o que nós, de blogs que o Serra gostaria de ver fechados, vamos fazer nos próximos dias: denunciar o comportamento antidemocrático e golpista da mídia brasileira, lembrando ao Mundo que esses mesmos que prepararm o golpe hoje, foram os que imploraram pelo golpe em 64: Estadão, Folha, O Globo.

Dilma deu um passo importante, hoje, ao cravar na testa da “Folha” o selo de jornal golpista. Talvez tenha se excedido um pouco no tom. Cheguei a ficar preocupado quando vi a Dilma, com a veia a saltar na testa. A candidata alcançará mais resultado junto ao público quanto mais conseguir aliar serenidade e firmeza. Mas seria demais pedir serenidade em meio ao combate.

A “Folha” foi parar no centro da campanha. Pela voz de Dilma.

A “Veja” (ou “Óia”) já tinha virado tema de discurso de Lula, no fim de semana, em Campinas.

A próxima será a Globo? Seria bom e didático que Dilma e Lula cumprissem esse papel.

A batalha da mídia, durante a campanha, é apenas a consequência natural do processo político. Dilma deixou de debater com a oposição do DEM/PSDB - essa está perdida. Restou a velha mídia.

É preciso derrotá-la, antes que ela (a velha mídia golpista) derrote o Brasil.

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Kotscho e o “papel de bobo” da mídia

Reproduzo matéria de João Peres, publicada na Rede Brasil Atual:

O jornalista Ricardo Kotscho considera “vergonhosa” a atuação da velha mídia na atual campanha eleitoral. Com passagens importantes por Folha de S. Paulo, O Estado de S. Paulo e Jornal do Brasil, entre outros veículos, o veterano repórter caça na memória algum momento da história brasileira em que tenha ocorrido um acirramento tão grande, mas não encontra.

Para ele, a campanha a favor de algum candidato só foi tão clara no segundo turno de 1989, quando Fernando Collor e Luiz Inácio Lula da Silva se enfrentaram. Na ocasião ocorreu o famoso episódio da edição tendenciosa, pela Rede Globo, dos melhores momentos do debate entre os dois candidatos. Pouco depois, Collor sairia eleito. À época e até 2002, o jornalista trabalhou nas campanhas de Lula e também exerceu função nos dois primeiros anos do primeiro mandato.

De lá pra cá, Kotscho imaginava que a situação havia melhorado. “Claro que cada jornalista tem seu candidato, cada dono de jornal tem seu candidato, mas era uma coisa civilizada. Agora, de uns vinte dias pra cá, virou uma coisa vergonhosa, que pega praticamente todos os veículos da grande imprensa”, lamenta em conversa com este repórter na tarde desta segunda-feira (20).

Em seu apartamento na capital paulista, Kotscho manifestou tristeza com o tratamento dispensado à candidata do PT à Presidência, Dilma Rousseff. “Querem destruir a Dilma Rousseff em todos os horários, todos os jornais.” Diariamente, há semanas, surgem tentativas de colar más notícias à ex-ministra: o passado distante, o passado próximo, o presente, tudo é averiguado na tentativa de desfavorecer a petista, rigor que não se nota com a campanha do adversário, José Serra (PSDB). Uma postura que gerou estranhamento por parte da ombudsman da Folha de S. Paulo, por exemplo, que em uma de suas colunas recentes cobrou uma cobertura mais equilibrada.

“Estão fazendo papel de bobo", resume Kotscho. "Até algumas semanas atrás, antes de começar o horário político, era uma coisa disfarçada. Dava para perceber que tinham candidato, mas não era tão ostensivo. A partir do momento em que a Dilma começou a subir nas pesquisas, bateu desespero não só na campanha do Serra, mas nos apoiadores dele na imprensa”, decreta.

O jornalista vem alertando em seu blog, o Balaio, sobre a campanha escancarada. Há dias em que os três principais jornais do país (Folha, Estado e O Globo) vêm com manchetes bastante parecidas. “Há uma tabelinha entre a grande mídia e o programa eleitoral do Serra. Você não sabe onde começa um e onde acaba o outro. É uma coisa muito estranha. Vão realimentando o noticiário. A Veja dá no sábado, à noite está no Jornal Nacional, no outro dia os jornais acrescentam alguma coisa. É um negócio estranho. Perderam o pudor”.

O interessante é imaginar como seria a comunicação em um eventual governo de Dilma Rousseff – cada vez mais provável, à medida que a petista mantém a possibilidade de vencer no primeiro turno. “É isso que me preocupa. Pensando em termos do país. Como vai ser a relação dessa mídia com o novo governo e como vai ser a relação com seus clientes? Há um choque. Uma grande maioria de um lado, e eles, com os 4% que acham o governo ruim ou péssimo”, avalia Kotscho, numa referência aos 4% da população que, segundo as pesquisas, reprovam o governo Lula.

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segunda-feira, 20 de setembro de 2010

Secom critica "erros" da Folha

Reproduzo nota oficial da Secom, publicada no Blog do Planalto:

A respeito da manchete do jornal Folha de S. Paulo de hoje (20/09), "Planalto manda TV estatal filmar comícios de Dilma", a Secretaria de Comunicação Social da Presidência da República esclarece:

1. A manchete está errada. A NBr, canal de comunicação do governo, produzido pela Empresa Brasil de Comunicação (EBC), em contrato de prestação de serviços com a Secom, não foi instruída a gravar "comícios de Dilma", mas sim as falas do presidente da República. É importante esclarecer que é missão da Secom manter registros de todos os pronunciamentos do presidente da República. Com isso, não só se assegura a preservação de arquivos que têm valor histórico, como se facilita a correção de possíveis erros de terceiros na divulgação dos discursos do presidente.

2. As gravações não se destinam à divulgação nem foram cedidas a qualquer campanha. Isso fica claro na orientação dada aos cinegrafistas, reproduzida pelo próprio jornal. Diz ela: "O objetivo é somente ter um registro, gravando as ações do presidente e os discursos". E complementa: "Este conteúdo não é para ser usado na nossa cobertura, nem mesmo para ser gerado para as emissoras. É apenas para registro". Apesar disso, a Folha dá a entender, sem qualquer prova, que elas poderiam estar sendo "encaminhadas ao comitê de Dilma ou utilizadas na propaganda eleitoral". Trata-se de uma insinuação leviana.

3. Não houve qualquer utilização da máquina pública em favor desse ou daquele candidato. As gravações não foram cedidas a nenhuma campanha. O material é de uso da Presidência da República. Lamentamos que atividades institucionais regulares da Secom sejam tratadas de forma suspeita, em tom escandaloso.

4. Cabe registrar que a Folha errou ainda na identificação da foto da primeira página do caderno Eleições que vem acompanhada da legenda "Eleitoral – À noite, o cinegrafista filma comício com Dilma e Lula". A foto publicada não é de nenhum comício, mas de um evento realizado à tarde, na Universidade Federal de Juiz de Fora, numa programação oficial do Presidente da República.

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Blogueiros do Rio protestam contra mídia



Reproduzo matéria de Brizola Neto, publicado no blog Tijolaço:

A blogosfera progressista do Rio de Janeiro vai se manifestar amanhã pela democracia e contra o golpismo da velha mídia, que tenta interferir na vontade popular de eleger Dilma Rousseff no próximo dia 3 de outubro.

O Centro Cultural Banco do Brasil vai promover o debate “Blogosfera: A imprensa alternativa do século 21?”, Mauro Santayana, colunista do Jornal do Brasil, e Luiz Carlos Azenha, do blog Vi o Mundo,vão discutir o papel da internet nas comunicações, a partir das 18 horas. Vou ver se consigo me desvencilhar de alguns compromissos de campanha e dar uma passada lá.

Mas temos de chegar antes, porque a galera está combinando de se encontrar a partir das 17 horas na fila de senhas para o debate, porque às, 17h45 será feito um ato na calçada em frente ao CCBB contra a mídia golpista e em defesa da democracia.

Quem puder ir, além de ver dois craques da comunicação, vai poder ajudar a defender a liberdade de informação no país.

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