quarta-feira, 20 de abril de 2016

Nova etapa da batalha contra o golpe

Por Valter Pomar, em seu blog:

Acabou há pouco a votação, na Câmara dos Deputados, da primeira etapa do processo de impeachment contra a presidenta Dilma Roussef.

Perdemos uma batalha. Mas não perdemos a guerra. A luta contra o golpe continua. E a luta contra o golpismo é parte da luta mais geral que travamos pela transformação do Brasil.

O processo de impeachment segue agora para análise do Senado.

Caso os prazos legais sejam respeitados, por volta de 11 de maio o Senado decidirá se instala ou não o processo contra a presidenta Dilma. Para isto bastará maioria simples dos senadores. Mas para condenar será necessário o voto de 2/3 do Senado, onde em tese a correlação de forças é melhor do que na Câmara.

As duas faces da resistência ao golpe

Por Antonio Martins, no site Outras Palavras:

Lá dentro, havia terminado, poucos antes, o espetáculo deprimente oferecido pelos homens brancos, cínicos e toscos. Diante do Congresso Nacional, Guilherme Boulos empulhou o microfone e se dirigiu às milhares de pessoas que – tanto em Brasília, quanto em dezenas de cidades – acreditaram que poderiam, com seus corpos, frear o golpe urdido pela TV Globo, pelos maiores empresários e pela mídia.

Não foi possível, por enquanto. Mas Boulos acredita que ainda estão rolando os dados. “O Brasil todo sabe: o que acabamos de assistir foi uma farsa golpista, conduzida por um sindicato de ladrões”, frisou ele. E tirou as consequências: “Os golpistas não têm condições de governar este país. Nós não reconhecemos sua legitimidade. Este recado tem que ecoar país afora. Perdemos a batalha do carpete, mas vamos ganhar a batalha do asfalto. Não tem um minuto de trégua. Vai ter ocupação. Vai ter luta. Tomaremos este país, incendiaremos as ruas até derrotar os golpistas.”

Por Deus, pela família, por Cunha

Por Leonardo Sakamoto, em seu blog:

Você pode ser a favor ou contra o impeachment de Dilma Rousseff, não importa.

Mas se tem, pelo menos, dois neurônios funcionais irá concordar que grande parte da Câmara dos Deputados é composta de semoventes incapazes de demonstrar empatia, quiçá exercerem aquela que deveria ser a mais nobre das atividades, que é a política. Pelo contrário, consideram-se a si mesmos o centro do universo e seus interesses como os interesses do Estado. Se multiplicassem o seu bom senso pelo número de conchinhas do mar e elevasse o resultado ao número de estrelinhas do céu, eles ainda não veriam problema algum em agradecer ao seu poodle querido no microfone de votação.

EUA agem nas sombras pelo golpe

Por Jeferson Miola

É intrigante a política silenciosa e leniente do Barack Obama em relação à tentativa de golpe de Estado no Brasil. Os Estados Unidos jamais são indiferentes à realidade interna da mais minúscula nação do mundo; menos indiferentes ainda seriam em relação ao Brasil.

Ao contrário desta aparente indiferença, os EUA são mega-interessados no Brasil: uma grande potência agrícola, natural, industrial, energética, mineral; grande potência petroleira, financeira e, além disso, uma potencial potência bélica do planeta que exerce importante influência geopolítica em toda a região.

Quando a informação está lá fora

Por Laurindo Lalo Leal Filho, na Revista do Brasil:

Quem diria que um dia ainda voltaríamos a recorrer à mídia internacional para saber o que acontece no Brasil. Era assim, durante a última ditadura, especialmente depois da promulgação do AI-5, em 1968. Diante da censura do Estado sobre os meios de comunicação só restavam aos brasileiros, para se informar, os veículos produzidos no exterior: jornais, revistas e principalmente o rádio em ondas curtas. Faziam sucesso a BBC de Londres, a Voz da América e a Rádio Central de Moscou.

Os isentões e o verniz democrático do golpe

Por Renato Rovai, em seu blog:

Um golpe não é. Ele vai sendo. Exatamente por isso que a disputa deste momento é tão ou mais importante do que a corrida pelos votos da semana passada cujo ápice foi a noite de domingo. O que está em jogo agora é a narrativa dos acontecimentos, o que vai ficar para a história.

Uma parte do jornalismo está escandalizada com o fato de Dilma Rousseff ter denunciado que o Brasil vive um golpe de Estado. E que a atitude de seu vice foi de conspiração e traição.

Mídia internacional denuncia o golpe

Por Dandara Lima, no site da UJS:

Enquanto nossa mídia hegemônica local vibrava com a votação da admissibilidade do impeachment da presidenta Dilma Rousseff, a mídia internacional acompanhava estarrecida nossos parlamentares “orientados por Deus”, homenageando torturadores, dedicando seus votos às suas famílias (modelo tradicional, claro), deixando de lado em suas justificativas a questão central, as pedaladas fiscais. Só faltou o clássico “e um beijo para a Xuxa”.

terça-feira, 19 de abril de 2016

Câmara em dia inglório e a luta no Senado

http://pataxocartoons.blogspot.com.br/
Por Haroldo Lima, no blog de Renato Rabelo:

Foi um espetáculo grotesco o da sessão da Câmara dos Deputados do dia 17 de abril passado. Durante horas, deputados votaram pela continuidade do processo de impeachment da presidenta Dilma no Congresso Nacional. A cena revelou aspectos inusitados.

Ficou claro que muitos votantes pareciam desconhecer, ou desconsideravam inteiramente , o tema em questão, declarando seus votos por razões que não estão em questão. Uma legião de deputados alteou sua voz para homenagear mãe, pai, filhos e netos, às vezes nominado-os individualmente. Houve um que foi ao microfone com seu filho de 18 anos a tiracolo e queria que o rapaz votasse em seu lugar. Outro, depois de votar, voltou correndo para dizer que se esquecera de anunciar à Nação o nome de um seu parente, que precisava ser homenageado. Uma mulher fez o elogio de seu marido, prefeito de Montes Claros, cujos méritos eram tais que demonstravam que o “Brasil tinha jeito”, sem imaginar que o dito marido seria preso no dia seguinte pela manhã.

O 'golpe à paraguaia' chega ao Brasil

Por Juan Manuel Karg, no site Vermelho:

A presidenta Dilma Rousseff alertou, em outubro de 2015, sobre uma tentativa de “golpe à paraguaia” que começava a ser planejado no Brasil. A advertência foi feita apenas um ano depois de seu triunfo eleitoral, quando 54 milhões de brasileiros optaram pelo PT, derrotando uma vez mais o PSDB.

À época, a direita começou a falar em “terceiro turno” eleitoral nas ruas, pedindo a renúncia da presidenta durante os meses seguintes à eleição. Tudo estava pavimentado pelo tripé midiático (concentrado na Globo, Folha de SP e Estadão), que centralizava todas as atenções na Operação Lava Jato, investigação onde paradoxalmente Dilma não aparece.

Webtv: O papel da mídia na democracia

Do site do Sindicato dos Bancários de São Paulo:

A cobertura dos grandes veículos de comunicação e o papel da mídia alternativa para a democracia serão destaques do MB com a Presidenta desta terça-feira 19. O programa de webtv fará também um alerta sobre os riscos de projetos em tramitação no Congresso sobre controle da internet, considerado uma ameaça ao Marco Civil, justamente nos aspectos que protegem os internautas contra vigilância e censura.

Alckmin depena sem dó “tucano histórico”

Por Altamiro Borges

Em pleno turbilhão do criminoso processo de impeachment de Dilma, os tucanos continuam se bicando de forma sangrenta. Mas a mídia oposicionista – que torce pela volta do PSDB ao Palácio do Planalto num pretenso governo de Michel Temer, o Judas, e Eduardo Cunha, o correntista suíço – evita dar destaque à degenerescência no ninho. Na semana passada, o governador Geraldo Alckmin simplesmente deu um pontapé no traseiro do “histórico tucano” Alberto Goldman, ex-governador de São Paulo. O fato curioso virou uma notinha na Folha de quinta-feira (14), que vale conferir:

Impeachment foi fabricado pela mídia

Por Mônica Mourão e Helena Martins, na revista CartaCapital:

A ausência de discussões profundas sobre a situação do país e o excesso de discursos reacionários que vimos no domingo 17 não se restringiram às falas de parlamentares na Câmara dos Deputados. Nos últimos meses, foram recorrentes também nos meios de comunicação brasileiros.

Desde o ano passado, toda uma construção de sentidos veio legitimando a aprovação da admissibilidade do pedido de impedimento da Presidenta Dilma Rousseff. Assim, a “opinião pública” - em essência, a “opinião publicada” pelos órgãos de comunicação hegemônicos –, um elemento essencial deste processo, se mostrou garantida neste jogo.

Por que a mídia festeja o golpe?

Por Paulo Nogueira, no blog Diário do Centro do Mundo:

O que fez a imprensa lutar tão brutalmente pelo golpe?

Muito mais importante que questões ideológicas, a grande bandeira das companhias jornalísticas se resume em três sílabas: di-nhei-ro.

Nenhuma empresa jornalística brasileira sobrevive sem dinheiro público. Remover o PT é uma garantia de que não haverá risco nenhum de interrupção no abjeto fluxo de recursos do contribuinte.

Miriam, as sementes do teu ódio brotaram

Por Fernando Brito, no blog Tijolaço:

Muitas vezes critiquei aqui Miriam Leitão.

Como quase todos que transitam da esquerda para a direita, ela tornou-se não apenas uma propagandista feroz do neoliberalismo como a mais simbólica ave de agouro de toda alternativa a ele.

Hoje, porém, não posso senão ter piedade da pessoa e da profissional.

É que Míriam “caiu na besteira” de escrever, ontem à tarde, um post criticando Jair Bolsonaro e sua defesa da ditadura e da tortura.

Golpe ganha primeira batalha. O que fazer?

Por Miguel do Rosário, no blog O Cafezinho:

Por incrível que pareça, não estou triste com a derrota. Não gostei dela, claro. Acho que a democracia sofreu um revés. Mas não carrego em meu coração, neste momento, nenhum sentimento de tristeza ou ressentimento.

Ao contrário, sinto-me alegre, sereno e disposto a continuar lutando, porque entendo que a luta é o que dá sentido à nossa vida.

Permitam-me algumas frases de darwinista de botequim.

Jean Wyllys cuspiu no golpe e no fascismo

Por Eduardo Guimarães, no Blog da Cidadania:

“Je suis Jean Wyllys” e não abro. Muitos foram os votos emocionados e indignados contra a farsa encenada no último domingo na Casa dos Representantes do povo, mas o dele foi o que mais me representou.

Houve, por exemplo, o voto da deputada federal Professora Marcivânia, do PCdoB do Amapá:

Golpista tucano presta contas nos EUA

Do blog Viomundo:

A degradante atuação do Congresso brasileiro ao aplicar um golpe em nome da República dos Corruptos, liderada por Eduardo Cunha, teve grande repercussão internacional.

Segundo The Intercept, o site mantido pelo jornalista Glen Greenwald a partir do Rio de Janeiro, a oposição despachou para os Estados Unidos o senador Aloysio Nunes, que se encontrará com integrantes do poderoso Comitê das Relações Exteriores do Senado, com o subsecretário de Estado Thomas Shannon e com um grupo de lobistas ligados à ex-secretária de Estado Madeleine Albright, diplomata influente desde o governo Reagan e que representa dinheiro grosso nos Estados Unidos.

Golpe: Agora o pau vai quebrar

Foto: Jornalistas Livres
Por Bepe Damasco, em seu blog:                   

Nem na República Velha, ou Primeira República como preferem alguns historiadores, o parlamento brasileiro desceu a um nível tão baixo.

Cobrar um mínimo de vergonha na cara e decência a deputados que ao votarem pela deposição de uma presidenta eleita com 54 milhões de voto invocam a Deus e suas famílias seria perda de tempo.

Afinal, o que esperar de uma safra de deputados formada por um grande número de corruptos e e criminosos de todos os matizes? Essa gente é e será sempre incapaz de entender o que significa soberania popular. Por isso, não hesitam em fraudar a vontade do povo expressa nas urnas.

A tormenta indica por onde recomeçar

Foto: Jornalistas Livres
Por Saul Leblon, no site Carta Maior:

Um golpe não começa na véspera; tampouco tem desdobramentos plenamente identificáveis na manhã seguinte.

Uma derrota progressista pode ser devastadora para o destino de uma nação, a sorte do seu povo e a qualidade do seu desenvolvimento.

Mas a resistência que engendra pode inaugurar um novo marco de consciência política.

Pode redefinir a correlação de forças, as formas de luta e de organização e coloca-las num patamar mais avançado, mas não menos abrangente.

O 'strip-tease' da Câmara e o Senado

http://pataxocartoons.blogspot.com.br/
Por Tereza Cruvinel, em seu blog:

As seis horas de votação do pedido de impeachment na Câmara foram um espetáculo vergonhoso para o Brasil, revelando a hipocrisia e o desfaçatez da maioria dos que dizem representar nosso povo. A imprensa internacional registrou com perplexidade o clima de orgia em que foi aprovada medida tão grave para o futuro imediato da sétima economia do mundo e de uma população de mais de 200 milhões de almas. A mídia grande, que tanto trabalhou pela encenação do espetáculo, passou de raspão pelo “strip-tease”. O que todos assistiram ao vivo devia ter liquidado com as ilusões do governo sobre uma virada do jogo no Senado, ilusões que frequentaram as primeiras conversas da presidente com parlamentares nesta manhã de ressaca. E de quebra, liquidar com as ilusões parlamentaristas. Aquela maioria de políticos bufões teria o poder de eleger e derrubar primeiro-ministros segundo as conveniências e interesses do momento. Dilma e o PT não podem se iludir com o segundo tempo apenas porque os senadores são mais sóbrios. Deviam estar tratando da saída pelo voto popular, através de um acordo nacional, e não esperando pelo TSE, como quer Marina.

Os 119 golpistas com processos na Justiça

Por Altamiro Borges

No show de horrores da aprovação do impeachment de Dilma na Câmara Federal, no domingo (17), o cinismo dos moralistas sem moral ficou patente. Até alguns "midiotas" que apoiaram o golpe devem ter sentido ânsia de vômito - talvez se arrependendo, no íntimo, da besteira que fizeram. Houve casos grotescos de cafajestice, como o da deputada Raquel Muniz (PSD-MG), que dedicou seu voto "contra a corrupção" ao marido Ruy Muniz, que é prefeito de Montes Claros. Um dia depois da cena patética, nesta segunda-feira, o cônjuge foi preso pela Polícia Federal acusado de desviar recursos do hospital público da cidade mineira para favorecer a sua clínica particular. Ele foi denunciado por "falsidade ideológica, dispensa indevida de licitação pública, estelionato, prevaricação e peculato". Haja ética!

segunda-feira, 18 de abril de 2016

Até o taxista está desconfiado

Por Altamiro Borges

Atrasado para mais uma reunião, pego um táxi na República, região central da capital paulista. Como de costume, uso o banco da frente - não gosto da imagem do chofer. Também costumo sempre puxar conversa para sentir os humores das ruas. Mas nesta segunda-feira (18), após a aviltante aprovação do impeachment de Dilma, prefiro ficar calado. Afinal, os motoristas de táxi de São Paulo são famosos por suas opiniões reacionárias. Deve haver motivos sociológicos, mas prefiro acreditar na culpa das emissoras de rádio. Nos longos congestionamentos, eles consomem incontáveis horas de veneno de Reinaldo Azevedo, Marco Antonio Villa e de várias outras excrescências da mídia nativa.


O mundo denuncia o golpe. Obama silencia!

Por Jeferson Miola

Vários governos nacionais, círculos acadêmicos e intelectuais, setores menos fanatizados da imprensa, organizações populares, partidos políticos, juristas e organismos regionais e internacionais manifestam solidariedade com o povo e com o governo brasileiro, e denunciam a tentativa de golpe de Estado em curso no Brasil.

Semana passada, o New York Times alertou na capa do jornal que “a Presidente Dilma não roubou nada, mas está sendo julgada por uma quadrilha de ladrões”.

Aqui tudo dá, menos democracia

Por Celso Vicenzi, em seu blog:

Em nome do pai, do filho – só faltou o Espírito Santo –, amém!

Não, não estamos em uma igreja, mas no Congresso Nacional, no dia histórico de 17 de abril de 2016. Mais precisamente numa votação em que se deveria decidir se houve ou não crime de responsabilidade fiscal e se seria motivo para o impeachment de uma presidenta eleita com 54 milhões de votos.

A luta contra o golpe só começou

Por Jandira Feghali

A dantesca sessão que autorizou o prosseguimento do processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff na Câmara dos Deputados entra para os anais da História como uma farsa. Muitos parlamentares envolvidos até o pescoço em denúncias de corrupção, como o presidente Eduardo Cunha, julgaram uma mulher honesta num verdadeiro tribunal de inquisição. A hipocrisia jamais chegou tão fundo no poço.

A lata de lixo da história

Por Marcelo Zero

O dia 17 de abril de 2016 ficará registrado como um dos mais tristes da nossa História.

Ante a incredulidade do mundo, conduzida por um personagem que é a epítome do que há de pior na política nacional, a Câmara dos Deputados decidiu autorizar o processo de afastamento da presidenta honesta, contra a qual não há acusação jurídica que se sustente.

Deu-se o que o Secretário-Geral da OEA e a comunidade internacional estão chamando muito apropriadamente de “o mundo ao contrário”. Políticos ficha-suja, movidos por vingança política, deram o pontapé inicial no processo do golpe contra a presidenta ficha-limpa.

A volta reacionária de Deus e da família

Por Leonardo Boff, em seu blog:

Observando o comportamento dos parlamentares nos três dias em que discutiram a admissibilidade do impedimento da presidenta Dilma Rousseff parecia-nos ver criançolas se divertindo num jardim da infância. Gritarias por todo canto. Coros recitando seus mantras contra ou a favor do impedimento. Alguns vinham fantasiados com os símbolos de suas causas. Pessoas vestidas com a bandeira nacional como se estivessem num dia de carnaval. Placas com seus slogans repetitivos. Enfim, um espetáculo indigno de pessoas decentes de quem se esperaria um mínimo de seriedade. Chegou-se a fazer até um bolão de apostas como se fora um jogo do bicho ou de futebol.

Cunha, o Berlusconi brasileiro

Por Paulo Moreira Leite, em seu blog:

Ao assegurar a aprovação do pedido de impeachment da presidente Dilma Rousseff, o deputado Eduardo Cunha consolidou-se como o Sílvio Berlusconi do atual momento político brasileiro.

Não se pode cogitar por um único minuto a hipótese de encerramento de um mandato obtido nas urnas sem os votos que Eduardo Cunha organizou e garantiu na noite de ontem.

Cunha já havia demonstrado seu poder de controle em diversas votações das chamadas pautas-bomba e toda agenda conservadora que dominou os debates do Congresso a partir de 2015. Ontem, os discursos em tom religioso, cobertura para um conservadorismo extremo e reacionário, que garantiram 36 votos decisivos contra Dilma, não escondiam certificado de origem. A fidelidade é tamanha que os aliados sequer se preocupavam em manter aparências.

São 367 picaretas com anel de doutor

Por Cynara Menezes, no blog Socialista Morena:

O Brasil e o mundo inteiro viram, transmitido ao vivo, o show de horrores que foi a aprovação do impeachment da presidenta Dilma Rousseff pelo plenário da Câmara. Parlamentares votando em nome das próprias famílias, parlamentares falando em nome de Deus, parlamentares assumindo que o real interesse é o estatuto do desarmamento, parlamentares falando em democracia enquanto passavam por cima da Constituição e aplicavam um golpe “constitucional” numa presidente democraticamente eleita. Teve até parlamentar saudando torturador da ditadura militar. A “razão jurídica” para o impeachment da presidenta Dilma foi absolutamente esquecida, desnudando que ela pouco importa, nunca importou. O julgamento foi político.

PF prende marido da deputada "ética"

Por Renato Rovai, em seu blog:

A deputada federal Raque Muniz chamou a atenção em seu discurso na hora do voto de ontem a favor da abertura do processo de impeachment da presidente Dilma Rousseff pela forma incisiva com que se posicionou.

Entre outras coisas, Raquel Muniz disse que em na sua cidade natal, Montes Claros, o prefeito Ruy Muniz, seu marido, havia criado uma secretaria contra a corrupção e que estava lutando para dar mais qualidade de vida aos montes-clarenses.

O golpe dos corruptos leva Brasil ao caos

Por Rodrigo Vianna, no blog Escrevinhador:

Depois de assistir à sessão do golpe, em Brasília, entendi porque a TFP (Tradição, Família e Propriedade – velha instituição católica de ultra-direita, que defendeu a ditadura em 64) entrou em decadência.

A TFP tornou-se desnecessária. O discurso da “família acima de tudo” ganhou a parada.

“Pela minha família, pelos meus filhos, pela minha mulher”, gritou um deputado/delegado de Goiás.

“Voto em nome do povo de Jesus”, dizia uma moça com jeito de santinha.

O que pesa contra Temer na Lava-Jato

Da revista CartaCapital:

Neste domingo 17 a Câmara aprovou a abertura do processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff. Por 367 votos a 137, os deputados entenderam que as acusações de crime de responsabilidade procedem e impedem Dilma de continuar a governar.

O vice-presidente Michel Temer, que deve assumir a presidência da República caso o Senado confirme a decisão da Câmara, não deve ter vida fácil, entretanto. Ao contrário de Dilma, ele é citado como beneficiário nos escândalos de corrupção investigados na Lava Jato.

"Alô, mamãe, demos o golpe..."

Por Fernando Brito, no blog Tijolaço:

Nada, nenhum argumento político ou jurídico será mais desmoralizante, aqui ou lá fora, para o golpe no Brasil que o comprometimento e o comportamento de seus agentes executores.

Um bando de escolares em excursão não produziria sequer a metade do que aqueles senhores, bem cevados de verbas públicas, expuseram para a vergonha do nosso país.

Conseguiram, em algumas horas, revelar mais da natureza do atraso, da mediocridade, do indecoroso deste episódio que horas e horas de qualquer discurso que os denunciasse.

Direita comemora cedo o golpe!

Editorial do site Vermelho:

O dia 17 de abril entrará para a história como um dos mais tristes capítulos da história do parlamento brasileiro. Uma maioria de deputados, mobilizados pelo espírito revanchista de um presidente atolado em denúncias, deu admissibilidade a um processo de impedimento contra o mandato popular exercido pela presidenta Dilma Rousseff.

Esse golpe não aconteceu apenas contra a vontade das urnas, mas também desconsiderando uma enorme mobilização democrática, que há tempos não se via no Brasil. Há alguns meses o país assiste a uma verdadeira comoção que fez virem à tona os melhores sentimentos de nosso povo: a tolerância, o espírito democrático, a solidariedade com os mais humildes, o patriotismo e a vontade de lutar por um país melhor. Artistas, intelectuais, trabalhadores e trabalhadoras, jovens, movimentos populares.... Tudo isso foi desconsiderado pela maioria dos deputados.

CUT: A luta contra o golpe continua!

Do site da CUT:

O dia 17 de abril de 2016 foi um dia histórico de mobilizações pelo Brasil em defesa da democracia. Mesmo com a admissão do pedido de abertura de impeachment da presidenta Dilma na Câmara dos Deputados, para a classe trabalhadora, a luta continua.

Agora a ação segue para o Senado, que é quem vai dizer se o processo deve ou não ser instaurado. Antes disso, é montada uma comissão com 42 senadores, sendo 21 titulares e 21 suplentes, que terá dez dias para elaborar um parecer. A presidenta só será intimada e afastada caso o Plenário decida que o processo deve ser instaurado.

MST: "Não tem porque desanimar"

Por José Eduardo Bernardes e Rute Pina, no jornal Brasil de Fato:

"Esse resultado da votação [do impeachment na Câmara] vai trazer mais gasolina para essa crise que está colocada no país. A direita não precisa ter dúvida. Os trabalhadores vão às ruas". A declaração é de João Paulo Rodrigues, da direção nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST), após a vitória do "sim" ao processo de impeachment contra a presidenta Dilma Rousseff na Câmara dos Deputados neste domingo (17). Ele acrescentou: "Nós mobilizamos o país inteiro como não se fazia há mais de 20 anos. Não tem porque desanimar. Temos que nos preparar para as batalhas políticas, e eu acho que serão batalhas maravilhosas. Nossa geração vai viver um período rico que até então não conheciamos nesse país".

CTB: A batalha apenas começou!

Por Adilson Araújo, no site da CTB:

Hoje a classe trabalhadora testemunhou um grande golpe à democracia, mas também vimos o povo se levantar pelo Brasil e afirmar que haverá luta contra esse golpe parlamentar orquestrado pelo gângster Eduardo Cunha.

A unidade, luta e resistência da classe trabalhadora serão fundamentais para as próximas batalhas. Só assim derrotaremos os sabotadores da Democracia e da Constituição Federal.

UNE: "Mobilização total contra o golpe"

Do site da UNE:

A União Nacional dos Estudantes repudia o resultado da sessão plenária da Câmara dos Deputados que, na data de hoje, aprovou de forma viciada o pedido de impeachment da presidenta da República Dilma Rousseff. O resultado da votação dá sequência ao processo ilegítimo capitaneado pelo presidente da Câmara Eduardo Cunha de apunhalar o estado democrático de direito com a condução do impedimento presidencial sem as bases legais requeridas pela lei federal 1079/50, constituindo dessa forma um sério golpe às instituições brasileiras.

Cunha e Globo consumam o golpe de Estado

Por Miguel do Rosário, no blog O Cafezinho:

Os derrotados nas urnas enfim conseguiram: deram o golpe.

Mas a luta continua.

O capítulo final do impeachment acontece apenas daqui a 6 meses, quando houver o julgamento por dois terços do Senado.

Quanto à autorização pelo Senado, que precisa de maioria simples, é provável que passe nos próximos dias.

Barrar o golpe no Senado!

Por Luciana Santos, no blog de Renato Rabelo:

A Câmara dos Deputados, por maioria dos seus votos, desferiu um golpe na democracia ao aprovar a admissibilidade do impeachment fraudulento contra a presidenta Dilma Rousseff. Os debates na Comissão Especial e no Plenário daquela Casa demonstraram cabalmente que a presidenta não cometeu crime de responsabilidade. A presidenta Dilma sequer é investigada. Teve a vida vasculhada e nada absolutamente nada foi encontrado contra ela. É honesta, proba.

"Vamos derrotar o golpe nas ruas"

Por Rodrigo Gomes, na Rede Brasil Atual:

As frentes Brasil Popular e Povo Sem Medo afirmaram em seguida ao resultado da votação na Câmara sacramentar a continuidade do processo de impeachment contra o mandato de Dilma Rousseff, que não vão aceitar "o golpe contra a democracia e nossos direitos". Lembrando o massacre de Eldorado dos Carajás, que em 17 de abril de 1996 vitimou 23 sem-terra e segue sem que ninguém ainda tenha sido punido, os movimentos dizem que o dia de hoje "entrará para a história como dia da vergonha". "Vamos derrotar o golpe nas ruas", completam.

A luta apenas começou!

Por Paulo Nogueira, no blog Diário do Centro do Mundo:

A plutocracia venceu.

Quer dizer: por ora, venceu.

Uma Câmara eleita pelo dinheiro das grandes empresas decidiu cassar 54 milhões de votos.

A pior Câmara que o dinheiro pôde comprar decidiu por sabotar a democracia.

Corruptos abraçados a bandeiras brasileiras juraram em nome de Deus combater a corrupção, num espetáculo de cinismo brutal.

O golpe e a justiça das serpentes

Por Jeferson Miola

“A justiça é como as serpentes. Só morde os pés descalços” - Eduardo Galeano, um humanista que eles jamais terão dentre um dos seus.

O julgamento de exceção da Dilma na Câmara dos Deputados é um golpe de Estado que jamais seria cometido contra um Presidente conservador. É um golpe perpetrado contra um governo popular, dos de baixo, um golpe contra um governo passível de ser picado pela serpente da [in]justiça, porque é um governo dos “descalços”.

domingo, 17 de abril de 2016

#ForaCunha, o chefe da máfia golpista!

Por Altamiro Borges

Com a aprovação do impeachment de Dilma, o correntista suíço Eduardo Cunha, o chefão da máfia golpista, tentará agora um novo lance de ousadia: escapar da sua própria cassação. Neste esforço, ele tem a ajuda das putrefatas bancadas do PSDB, DEM, PPS e SD, entre outras legendas compostas de moralistas sem moral, e da mídia “privada” – nos dois sentidos da palavra. Nas últimas horas, cresceu a boataria de que este pacto mafioso já orquestra uma saída “honrosa” para o lobista. Após ter obrado todo o trabalho sujo, ele renunciaria ao seu cargo de presidente da Câmara Federal e, como compensação, teria seu mandato de deputado federal preservado. Os midiotas que festejam o “Fora Dilma” terão que se olhar no espelho, como já advertiu o escritor Luis Fernando Veríssimo.

Empresários apresentam 'pacote do golpe'

Por Altamiro Borges

Em suas mansões ou restaurantes luxuosos, a elite empresarial brasileira deve estar em êxtase com a aprovação do impeachment de Dilma. Afinal, ela é a grande vitoriosa deste vergonhoso golpe na democracia. Os deputados são apenas os seus serviçais e os “midiotas” da chamada classe média são somente a sua massa de manobra. Caso a farsa seja confirmada pelo Senado Federal, em votação prevista para 11 de maio, a burguesia internacional e colonizada dará um passo importante para impor o seu plano regressivo e destrutivo ao Brasil. Será a revanche neoliberal! O “pacote de maldades” inclusive já está no forno, conforme divulgou neste sábado (16) a Folha tucana.

Greve geral contra o golpe. Já!

Por Altamiro Borges

Numa sessão deprimente, que entrará para a história como um dos momentos mais tristes da frágil democracia brasileira, a Câmara dos Deputados aprovou o impeachment da presidenta Dilma Rousseff. Um “consórcio de bandidos”, liderado pelo correntista suíço Eduardo Cunha – com muitos deles falando de forma leviana “em nome de Deus” –, assaltou 54,5 milhões de votos e deu o primeiro passo para a formação do ilegítimo governo de Michel Temer, o Judas que não conta com 1% de credibilidade na sociedade. O golpe, porém, teve o seu contraponto. Neste domingo (17), milhares de pessoas saíram às ruas em defesa da democracia e dos direitos sociais. Os protestos revelam que estão sendo criadas as condições para a decretação de uma greve geral no Brasil.

A hora da escolha: Dilma ou Temer/Cunha

Por Paulo Moreira Leite, em seu blog:

Hoje, no final da votação do pedido de impeachment, o Brasil estará diante de um novo destino - cujo traçado final será resolvido pelos 513 deputados federais. Não será um desenho definitivo, até porque a história é um movimento perpétuo, que admite avanços e retrocessos, que refletem as insondáveis motivações da luta política e da alma humana.

Se, como acredito, a tentativa de encerrar o mandato de Dilma for derrotada, a principal instituição de uma democracia - o respeito pelo voto popular - terá sido preservada.

Merval Pereira, enfim, a confissão

Por Marcelo Auler, em seu blog:

Na coluna deste domingo (17/04) a confissão de Merval Pereira. O impeachment é o terceiro turno para empossar quem não recebeu voto nas urnas.

Para quem ainda tinha dúvidas de que toda esta campanha de impeachment contra a presidente Dilma Rousseff, sem que lhe apontassem um real crime de responsabilidade, nada mais é do que a longa luta da oposição pelo terceiro turno, a coluna de Merval Pereira neste domingo (17/04) coloca os pingos nos iiii.

Golpistas já articulam anistia para Cunha

Da revista Fórum:

Deputados federais já articulam uma anistia ao presidente da Câmara, Eduardo Cunha (PMDB-RJ), caso o impeachment da presidenta Dilma Rousseff (PT) seja aprovado neste domingo. Cunha responde a processo no Conselho de Ética da Casa por ter mentido à CPI da Petrobras em março de 2015, quando afirmou que não tinha contas em paraísos fiscais.

Os articuladores da anistia argumentam que o papel de Cunha como condutor dentro da Câmara do processo de cassação do mandato presidencial justifica que ele seja poupado por seus pares. “Eduardo Cunha exerceu um papel fundamental para aprovarmos o impeachment da presidente. Merece ser anistiado”, defende Osmar Serraglio (PMDB-PR). “Outro deputado qualquer não teria resistido às pressões do Palácio do Planalto. Vamos salvá-lo”, explica o deputado Dirceu Sperafico (PP-PR).

A decisão será por margem estreita

Por Rodrigo Vianna, no blog Escrevinhador:

As última 48 horas foram de intensas mudanças e articulações no cenário político. Até o meio da tarde de sexta-feira (dia 15), a contabilidade dos votos mostrava que o pêndulo se inclinava decididamente em favor do golpe de Temer/Cunha.

Mas àquela altura, os governadores do Nordeste já trabalhavam freneticamente nos bastidores, para virar votos em favor da democracia. E isso deu resultados.