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| Foto: Lula Marques/Agência Brasil |
Em sessão conjunta do Congresso Nacional nesta quinta-feira (21), o presidente do Senado, Davi Alcolumbre (União Brasil-AP), enterrou o quinto pedido de criação de uma Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) para apurar a roubalheira do Banco Master e as ligações criminosas do seu dono, o mafioso Daniel Vorcaro. Na maior caradura, o líder do Centrão simplesmente alegou que tinha as prerrogativas para rejeitar a solicitação e negou as questões de ordem apresentadas no plenário. Perguntado pela imprensa sobre os motivos da sabotagem, ainda provocou: “Não posso responder”.
A atitude truculenta do senador do Amapá gerou protestos. “Não cabe à presidência o juízo de conveniência ou oportunidade, mas sim o dever de formalizar a criação do colegiado”, reagiu o líder do PT na Câmara dos Deputados, Pedro Uczai (SC). Já o senador Randolfe Rodrigues (PT-AP), líder do governo no Congresso Nacional, enfatizou que “o escândalo do Banco Master tem digitais do bolsonarismo do começo ao fim. Nós defendemos a CPI para investigar e chegar em todos os envolvidos”.
O jogo de cena do mentiroso Flávio Bolsonaro
Também houve muito jogo de cena no pedido da criação da CPMI. Um dos mais descarados foi o presidenciável Flávio Bolsonaro (PL-RJ). “Mais que nunca é necessária a instalação da CPI do Master. Quero Daniel Vorcaro e Augusto Lima sentados na CPI falando da relação que tinham com Flávio, Lula e Moraes. Não tenho nada a temer ou a esconder”, afirmou o mentiroso contumaz, o “irmãozão” do banqueiro bandido. O farsante ainda esbravejou que assinou todos os pedidos de instalação do colegiado para apurar as denúncias, o que rapidamente foi desmentido.
Conforme lembrou matéria do site UOL, Flávio Bolsonaro “não assinou três dos cinco requerimentos de criação de comissão parlamentar de inquérito para investigar o Banco Master disponíveis para os integrantes do Senado. Flávio deixou de apoiar requerimentos de uma CPI de autoria até mesmo de um aliado dele, o senador Eduardo Girão (Novo-CE), e outras duas iniciativas governistas – uma do senador Rogério Carvalho (PT-SE) outra das deputadas Heloísa Helena (Rede-RJ) e Fernanda Melchionna (PSOL-RS)”. Ele só assinou os requerimentos enviesados dos bolsonaristas Carlos Jordy (PL-RJ) e Carlos Viana (PSD-MG).
A aplicação sinistra da Amapá Previdência
A decisão monocrática do presidente do Senado de enterrar o quinto pedido de criação da CPMI serve principalmente aos interesses de Flávio Bolsonaro, vulgo Flávio Rachadinha, que afundou nas pesquisas após o site Intercept divulgar áudios e documentos sobre a sua relação “amorosa” com o mafioso Daniel Vorcaro. Mas ela também alivia a barra de vários outros parlamentares, inclusive do próprio senador amapaense. Como lembra a Folha, “as investigações sobre o Master têm como um dos alvos Jocildo Silva Lemos, que dirigiu a Amprev (Amapá Previdência) e foi indicado por Davi Alcolumbre, de quem foi tesoureiro na campanha das eleições de 2022”.
No início de fevereiro passado, a Polícia Federal realizou uma operação de busca e apreensão contra o dirigente da instituição. “A PF apura investimentos realizados pela autarquia estadual em letras financeiras emitidas pelo Master, com acusações de gestão temerária. Documentos mostram que, em menos de 20 dias, foram aprovadas e executadas três aplicações sucessivas, que totalizam quase R$ 400 milhões”, registrou na ocasião o site UOL, que ainda lembrou que o apadrinhado de Davi Alcolumbre “integra a executiva do União Brasil no Amapá e concilia as funções com a presidência da Liesap (Liga Independente das Escolas de Samba do Amapá)”.

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