sábado, 9 de outubro de 2010

A máquina conservadora e a retranca do PT

Reproduzo artigo de Rodrigo Vianna, publicado no blog Escrevinhador:

Há quem acredite, ainda, que eleger Dilma ou Serra não faz tanta diferença assim.

Serra já deu todas as demonstrações de que vai bater da “medalhinha pra cima” – como se dizia na época em que eu jogava de lateral-direito (e batia da medalhinha pra cima, aliás). Com Serra estão a extrema-direita militar, as igrejas evangélicas mais conservadores, a Opus Dei, a TFP, a ala mais nefasta do novo catolicismo e os interesses econômicos de quem quer interromper a política de independência econômica e diplomática do Brasil.

Essa turma não brinca em serviço. Acabo de receber a seguinte mensagem, de uma pessoa muito bem informada sobre os bastidores da CNBB:

“Rodrigo

Informação quente e urgente… Um bispo de direita tentou aprovar no conselho-geral da CNBB um manifesto ultra conservador, mas a plenária não apoiou.

Dai, os bispos da Regional Sul da CNBB resolveram por conta própria fazer um folheto igual. O Dom Demétrio escreveu um texto denunciando esse novo panfleto feito pela regional.

Por causa dessa reação do Dom Demétrio, a CNBB soltou a nota oficial de ontem, você deve ter visto.

O PSDB soube do panfleto da regional sul, e mandou imprimir 2 milhões de cópias do mesmo para distribuir nas escolas católicas!

Acho que isso deveria ser difundido… Já foram distribuídos, pelo que soube.

A fonte é de um diretor de escola católica das mais tradicionais.”


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Imaginem se Serra ganhar graças a essa onda. O que será o governo dele? Um vale-tudo em que a Globo, a Veja, os ruralistas, a direita católica, os mercadistas mais reacionários, os demo-tucanos derrotados nas urnas (e loucos para uma vingança contra “essa raça” de lulistas) vão dominar o Estado.

Diante disso, a pergunta: o PT vai continuar jogando feito seleção do Parreira? Vai tocar a bola de lado, esperando o tempo passar?

O programa da Dilma, na reestréia do horário eleitoral, foi muito bem feito. O de Serra também, diga-se (apesar de lamentável, pela exploração do tema do aborto). Tecnicamente, Dilma levou alguma vantagem porque o programa dela foi mais bem acabado, com um toque mais autoral da turma de João Santana. Ok. Tudo ótimo.

Acontece que a eleição não será decidida no horário eleitoral. Lula e o PT acostumaram-se a avançar sem politização. Tudo feito sem choque, dissolvendo os conflitos, aparando as arestas, chamando um ou outro empresário de comunicação pra pedir: “vocês estão pegando muito pesado, vamos maneirar…”.

Pois bem. Isso não vai da certo. O que Dilma e Lula precisam fazer é partir para o ataque. Até porque o tempo de TV no horário político é o mesmo para Serra e Dima. Serra tem todo o resto: “Veja”, “Folha”, Globo e as Igrejas a pautar o Brasil com a pauta que interessa a Serra.

Como equilibrar esse jogo?

Não é com marquetagem, mas com povo na rua.

Acabo de ler, no Azenha, que Jacques Wagner (governador eleito da Bahia) já percebeu que o caminho é esse.

Lula quer a comparação entre dois polos: FHC/Serra X Lula/Dilma. Serra, que não é burro, pautou Brasil pra outro debate. E, convenhamos, a pauta virou pro lado que interessa a Serra.

Enquanto Dilma aposta na TV, de forma leve, Serra joga tudo na máquina conservadora: panfletos, missas, manchetes, boatos…

Aliás, leio na “CartaCapital” que a campanha petista reconheceu que “demorou a reagir aos boatos no primeiro turno”. Demorou porque só consulta marqueteiros e pesquisas qualitativas.

Aqui nese blobg em meados de setembro, eu postei o primeiro alerta sobre a boataria religiosa, que me chegou de um militante de esquerda do Rio Grande do Sul. Passei dias e dias falando sobre isso. Vários amigos blogueiros, confiando no comando da campanha petista e nos marqueteiros, diziam: você é pessimista demais, alarmista, essa eleição está ganha.

O resultado está ai. Há quem diga: faltaram apenas 3 milhões de votos. É fato. O problema é que Serra pode sangrar Dilma com a máquina conservadora que está a seu serviço. Máquina que, nada me tira da cabeça, tem entre seus operadores gente de fora do Brasil.

Nos anos 60, achavam que era paranóia dizer que a CIA queria derrubar Jango. A turma mais à esquerda dizia: “Jango é moderado, não precisa de CIA pra derrubar o Jango, os Estados Unidos não iam se meter nisso”. O professor Moniz Bandeira provou, na reedição de seu livro sobre o Governo João Goulart, que os EUA enviaram pra cá centenas e agentes nos dois anos que antecederam a queda de Jango.

A articulação pra derrubar Lula/Dilma também é grandiosa. Também ouço muita gente- de esquerda – a dizer: Lula é moderado, fez um governo morno, pra que iam querer derrubar o lulismo?

Bem, o fato é que esse operação em curso envolve interesses econômicos gigantescos (o pré-sal), envolve reduzir Brasil ao papel de Colônia como no governo de FHC, envolve calar os movimentos sociais, e envolve por fim – ao reconquistar o Brasil - asfixiar outros governos progressistas da América do Sul.

Esse é o jogo – pesado!

Dilma, Lula e seus aliados acham que vão ganhar só tocando a bola de lado?

É hora de povo na rua. Marketing é bom. Internet e blogs têm o seu papel. Mas eleição (ainda mais numa guerra como essa) ganha-se na rua.

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Centrais sindicais reafirmam apoio a Dilma




Reproduzo reportagem publicada no sitio da Agencia Sindical:

Um grande ato pró-Dilma, realizado no início da noite desta sexta-feira (8), no auditório do Sindicato dos Metalúrgicos de São Paulo, no Centro, reuniu as seis Centrais Sindicais (CUT, Força Sindical, CTB, UGT, CGTB e Nova Central), centenas de Sindicatos, Federações, Confederações e mais de dois mil manifestantes.

O ato registrou grande presença de lideranças políticas, entre elas o ex-ministro Ciro Gomes, o ministro da coordenação política do PT, Alexandre Padilha; o ministro da Previdência Social, Carlos Eduardo Gabas; o senador Aloizio Mercadante, a deputada Luiza Erundina e cerca de 30 parlamentares de vários partidos como PT, PC do B, PDT, PTB, PR, PRTB, PTC, PSC, PPS, Democratas e PMDB.

Também ouve grande presença de líderes religiosos (católicos e evangélicos), com camisetas e cartazes afirmando seu apoio à candidata petista.

Unidade

A palavra de ordem foi eleição de Dilma para garantir avanços, ampliar conquistas e evitar o retrocesso. As lideranças sindicais, políticas e religiosas destacaram as conquistas do governo Lula e reafirmaram que o melhor para o Brasil e, principalmente, para os trabalhadores é a continuidade.

Durante seu discurso, Dilma disse que o projeto defendido pela sua candidatura é, verdadeiramente, o projeto da vida. Ainda, a candidata foi categórica enfatizando que o seu projeto olha primeiro para o ser humano, cujas políticas públicas implantadas pelo presidente Lula, ajudaram a tirar 28 milhões da pobreza e colocar outros 25 milhões na classe média.

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Bispos rejeitam "uso indevido" da CNBB

Reproduzo documento assinado pelo presidente da Conferência Nacional dos Bispos dos Brasil (CNBB):

A Conferência Nacional dos Bispos do Brasil, por meio de sua Presidência, congratula-se com o Povo Brasileiro pelo exercício da cidadania na realização do primeiro turno das eleições gerais, quando foram eleitos os representantes para o Poder Legislativo e definidos os Governadores de diversas unidades da Federação, bem como o nome daqueles que serão submetidos a novo escrutínio em 2º turno, para a Presidência da República e alguns governos estaduais e distrital.

A CNBB congratula-se também pelos frutos benéficos decorrentes da aprovação da Lei da Ficha Limpa, que está oferecendo um novo paradigma para o processo eleitoral, mesmo se ainda tantos obstáculos a essa Lei tenham de ser superados.

Entretanto, lamentamos profundamente que o nome da CNBB - e da própria Igreja Católica - tenha sido usado indevidamente ao longo da campanha, sendo objeto de manipulação. Certamente, é direito - e, mesmo, dever - de cada Bispo, em sua Diocese, orientar seus próprios diocesanos, sobretudo em assuntos que dizem respeito à fé e à moral cristã. A CNBB é um organismo a serviço da comunhão e do diálogo entre os Bispos, de planejamento orgânico da pastoral da Igreja no Brasil, e busca colaborar na edificação de uma sociedade justa, fraterna e solidária.

Neste sentido, queremos reafirmar os termos da Nota de 16.09.2010, na qual esclarecemos que "falam em nome da CNBB somente a Assembléia Geral, o Conselho Permanente e a Presidência". Recordamos novamente que, da parte da CNBB, permanece como orientação, neste momento de expressão do exercício da cidadania em nosso País, a Declaração sobre o Momento Político Nacional, aprovada este ano em sua 48ª Assembléia Geral.

Reafirmamos, ainda, que a CNBB não indica nenhum candidato, e recordamos que a escolha é um ato livre e consciente de cada cidadão. Diante de tão grande responsabilidade, exortamos os fiéis católicos a terem presentes critérios éticos, entre os quais se incluem especialmente o respeito incondicional à vida, à família, à liberdade religiosa e à dignidade humana.

Confiando na intercessão de Nossa Senhora Aparecida, invocamos as bênçãos de Deus para todo o Povo Brasileiro.

Brasília, 08 de outubro de 2010

Dom Geraldo Lyrio Rocha Dom Luiz Soares Vieira
Arcebispo de Mariana Arcebispo de Manaus
Presidente da CNBB Vice-Presidente da CNBB
Dom Dimas Lara Barbosa
Bispo Auxiliar do Rio de Janeiro
Secretário Geral da CNBB

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Atingidos por barragens votam em Dilma

Reproduzo documento oficial do Movimento dos Atingidos por Barragens (MAB):

Frente ao processo eleitoral e a disputa pela presidência da republica neste segundo turno, manifestamos nossa posição política frente às eleições.

Desde o primeiro turno nossa posição e nosso envolvimento orientaram-se para derrotar os setores que se configuravam como inimigos da classe trabalhadora, pois, não admitimos recuar em avanços que o povo brasileiro obteve nos últimos anos.

A candidatura Serra representa o projeto e todo conjunto de políticas do governo Fernando Henrique Cardoso (FHC), que causou grande estrago aos trabalhadores a ao povo brasileiro. Por trás de seu projeto neoliberal está o interesse de retomar as privatizações, entregar o patrimônio público, as riquezas naturais às grandes corporações internacionais, promover uma ofensiva sobre os direitos trabalhistas e a criminalização sobre os mais pobres e os setores organizados da sociedade.

A candidatura Serra representa a aliança e subordinação às políticas dos Estados Unidos e à política de golpismo, que as forças ultraconservadoras permanentemente tentam implementar sobre os trabalhadores de vários países. Seu verdadeiro interesse está em colocar o Estado brasileiro a serviço dos setores que sua candidatura representa.

Enquanto MAB entendemos que os avanços tidos nestes últimos anos foram insuficientes e mantemos nossa posição crítica sobre questões estruturais. No entanto, neste momento não podemos retroceder, é hora de eleger Dilma presidenta do Brasil. Mas desde já é necessário construir unidade entre o campo e cidade para criar força social e fazer as lutas que serão necessárias para enfrentar e derrotar a direita e seus planos de ataque aos trabalhadores que tendem ser permanentes, mesmo após o processo eleitoral.

Portanto, conclamamos todos lutadores e lutadoras do povo brasileiro, militantes sociais, lideranças e organizações de todas as partes do Brasil, do campo e da cidade, para sair às ruas, bairro por bairro, comunidade por comunidade, conversando com as pessoas, trabalhar de forma permanente para derrotar Serra/FHC e elegermos Dilma Presidenta do Brasil.

Água e energia, não são mercadorias!

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"Votou no PSDB e tomou no pedágio"





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