quinta-feira, 12 de abril de 2018

O que o futuro reserva para Sergio Moro

Por Renato Rovai, em seu blog:

Quando milhões de brasileiros cantavam o hino nacional e desfilavam com seus patos pelas ruas do país, Sérgio Moro era um herói.

Era aplaudido por onde passasse, ganhava prêmios, gravava vídeos defendendo projetos de lei, sambava na cara dos investigados.

Era o Super Moro.

Ontem, o juiz das camisas pretas, como costuma defini-lo meu amigo Rodrigo Vianna, começou a ver como a mão da história é pesada.

Ele foi vaiado e filmado por um grupo de estudantes que o esperavam na PUC-RS.

O mais curioso de tudo isso é que quando viu o grupo, achando que seria aplaudido, esboçou um sorriso. Que teve de ser engolido para que as pernas acelerassem o passo e o tirassem dali o quanto antes.

Moro sentiu apenas o aperitivo do que virá. Não há como ser diferente. A popularidade de Lula, preso, só irá aumentar. Ele será “a ideia” de justiça social, de emprego, de melhor qualidade de vida. E Moro a perseguição, a vingança, o ódio.

Moro parece não ter percebido o quanto isso é perigoso, porque continua a tratar os processos contra Lula como se não bastasse a condenação. Nos seus despachos faz chacota, por exemplo, ao chamar de Estado Maior, uma sala de 3×5 metros na qual Lula está isolado. Na qual não pode se relacionar com ninguém, como numa solitária.

Ao mesmo tempo, tenta vender isso como se fosse um privilégio que lhe deu, em função do cargo que teve.

Moro não tem chance de se livrar disso no futuro.

Os intelectuais, a classe artística, os professores, quase todos os jornalistas que não estão no topo das pirâmides das organizações de mídia, os bons advogados e mesmo referências internacionais já se deram conta do que se passa.

São esses que vão escrever os livros de história, as grandes reportagens que serão guardadas, que vão analisar os autos, que vão fazer os bons filmes (não, Moro, o Mecanismo e o A Lei é para Todos não são bons e nem ficarão para a história).

E Moro será apresentado como é. Como o juiz vingador, vingativo, sem moral e ética pública recomendadas pelo cargo. Uma pessoa que buscava destruir um campo político e que tirava fotos com os que eram denunciados do outro lado político.

Sim, a foto de Moro com Aécio, Alckmin e Temer aos cochichos já é um ícone, uma marca que lhe traduz.

O inescapável julgamento da história, mesmo que ainda sem o trem ter andado muito, já coloca Lula como alguém mais popular que Moro. O condenado, nas palavras do juiz, é mesmo da cadeia mais popular e respeitado que o seu juízo.

A história não perdoa. E Moro ainda terá tempo para assisti-la de um quarto, de um canto, de um lugar sem brilho. Porque foi assim com outros tantos. E não será diferente com ele.

Dizem os que movem por vingança que ela é um prato frio. Que deve ser comida depois de algum tempo. Moro talvez se mova assim, a partir dessa máxima. E está se esbaldando ao aprisionar Lula, buscando humilhá-lo de todas as formas.

Mas a vingança não é nada perto do julgamento da história. Ela vive gerações. E Moro já desenhou seu destino.

8 comentários:

DARCY BRASIL RODRIGUES DA SILVA disse...

Ameaçar o Sergio Moro com o veredicto da História me parece ser uma infantilidade (sem querer ofender o Rovai). Homens como Sergio Moro não têm nenhuma pretensão de serem os mocinhos da História, e se regozijam em saber que são previstos figurando nela, embora como vilões. A bem pouco tempo, pensavam apenas nos ganhos econômicos que poderiam auferir prestando serviços espúrios para a plutocracia financeira e, quiçá, para a CIA; viviam conformados sabendo que morreriam um dia como todos nós, homens comuns, que não se citam na História, o objetivo deles era desfrutar a vida luxuosa que receberiam em troca de seus serviços escusos. Agora, aparece alguém dizendo que, além dos referidos ganhos financeiros, terá também o nome lido nas páginas da História, pretendendo,com isso, intimidá-lo, como aqueles que intimidam os pecadores com o fogo do inferno? S essa possibilidade de se eternizar na História for realmente algo plausível, Sergio Moro, em vez de se intimidar, se sentirá mais empolgado ainda na atividade fascista. Ele e sua vaidade de mal caráter desequilibrado pela ideologia fascista não teriam dúvidas em responder cinicamente "falem mal, mas falem de mim, agora, e nos seus livros de História". PS: Espero que Sergio Moro seja punido em vida, pela Justiça, com Ç, dos homens, em decorrência de uma grande vitória dos trabalhadores e do povo brasileiro sobre o fascismo. DARCY BRASIL RODRIGUES DA SILVA

Ralph Panzutti disse...

De fato. Que seja punido em vida Estou torcendo para que haja um tribunal a semelhança de Nuremberg. Os nazistas não se arrependeram Lembremos Hannah Arent. Banalidade do mau. Tem que ser julgado em vida.

airoldi lacroix bonetti junior disse...

O tiro já saiu pela culatra,..

Anônimo disse...

o moro tera o mesmo fim do golpista "NATO"Carlos Lacerda.Completamente no ostracismo da Historia.

Anônimo disse...

Quanto mais dias passam com Lula preso, mais a farsa da lava jato começa a ser desmontada. Por isto toda atenção a segurança do agente da CIA Moro deve ser reforçada, pois ele, aos poucos, está comprometendo a imagem da justiça. E pode virar carta fora do baralho e ser um candidato a mártir do coxo-fascismo nacional. Então como a história mostra os aparatos de espionagem do império não perdoam as falhas de seus empregados. Moro corre perigo se ser alvo de uma operação de falsa bandeira e seu sacrifício servir de válvula para a radicalização militar do golpe dos corruptos. A ver.

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