sexta-feira, 29 de janeiro de 2021

Saída da Ford do Brasil não é caso isolado

Da Rede Brasil Atual:


De acordo com Valter Sanches, secretário-geral da IndustriALL Global Union, o encerramento das atividades da Ford no Brasil é resultado da ausência de uma política industrial. Além disso, o enfraquecimento do mercado interno e o desastroso combate à pandemia também colaboram para o agravamento do cenário econômico.

“Infelizmente é uma porteira que está se abrindo. A saída da Ford não é um fato isolado. O Brasil está sofrendo um processo de desindustrialização já há algum tempo”, disse ele em entrevista ao Jornal Brasil Atual nesta sexta-feira (29).

Atingindo a marca de mais de 14 milhões de desempregados, “a situação tende a se agravar”, segundo Sanchez, já que o governo Bolsonaro reluta em prorrogar o auxílio emergencial.

“Além de todo o Brasil é uma tragédia do ponto de vista das relações exteriores”, disse o representante da IndustriALL. Enquanto países asiáticos e africanos firmaram acordos importantes de cooperação internacional recentemente, o Brasil está cada vez mais isolado.

“Não existe política macroeconômica, não existe política industrial. Pelo jeito, a indústria automobilística vai seguir o mesmo caminho da indústria da construção pesada, que foi destruída pela Lava Jato”, lamentou Sanches. Sem políticas articuladas para o setor, a consequência será uma recuperação econômica muito lenta.

Ele citou que o programa Inovar Auto, que previa o aumento da nacionalização do setor automobilístico, responsável por cerca de R$ 20 bilhões em investimentos no início da década, foi “simplesmente destruído”.

“Às vezes parece que tanto faz um governo ou outro, uma política ou outra, ou a ausência de uma política industrial. Mas não. A indústria só veio por conta disso. Na medida em que a situação global, as condições macroeconômicas e a ausência de política industrial não avançam, a indústria toma a decisão de fechar”, explicou Sanches.

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