domingo, 19 de julho de 2026

PF investiga elo entre filme Dark Horse e PCC

Charge: Toni
Por Altamiro Borges


O filme “Dark Horse”, produzido para bajular o “capetão” Jair Messias Bolsonaro e que já foi apelidado de “Pangaré das Trevas”, ainda pode dar mais dor de cabeça ao presidenciável do clã fascista. Na semana passada, a Polícia Federal abriu uma linha de investigação para apurar o elo entre a obra milionária e o Primeiro Comando da Capital, o temido PCC. O objetivo é investigar a ligação da produtora da cinebiografia, a Entre Investimentos, com a empresa ACX ITC Tecnologia, apontada como integrante da rede de lavagem de dinheiro usada pela organização criminosa.

Segundo matéria do site Metrópoles, a suspeita se baseia no pagamento de R$ 28 milhões feito à empresa do PCC pela produtora usada pelo mafioso Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, para financiar a produção cinematográfica. “Os pagamentos da Entre para a ACX ITC Tecnologia foram feitos entre fevereiro e abril de 2025 – período coincide com o financiamento do filme, estrelado pelo ator norte americano Jim Caviezel. Os depósitos foram revelados por um inquérito do Departamento de Repressão ao Narcotráfico (Denarc) da Polícia Civil de São Paulo (PCSP)”.

Fortes indícios de recursos oriundos do tráfico

Segundo as apurações, a ACX ITC está em nome de um vendedor de pipa, Ericsson Azevedo, que confessou ser “laranja”. A empresa fazia parte de um pool de firmas usado “para a movimentação espúria de valores, com cifras absurdas, e à margem do sistema financeiro nacional, sem nenhum tipo de controle ou fiscalização”, afirma o relatório do Denarc. O texto acrescenta que a ACX ITC, “que possui fortes indícios de envolvimento com recursos oriundos do tráfico, movimentou R$ 918.378.510,00, tendo figurado como remetentes dessas comunicações a... Entre Investimentos”.

O inquérito teve origem na chamada Operação Saturno da Polícia Civil paulista, deflagrada em setembro passado. “Agora na PF, as informações passaram a integrar a Compliance Zero, sobre o banco Master. A Compliance Zero inclui uma investigação já autorizada pelo Supremo Tribunal Federal (STF) sobre o acordo de R$ 134 milhões firmado pelo banqueiro Daniel Vorcaro e o pré-candidato Flávio Bolsonaro (PL), supostamente para o financiamento de Dark Horse”.

Fundo sediado no Texas em nome de Dudu Bananinha

Ainda segundo a matéria, “com as novas informações em mãos, um ponto de interesse da PF é analisar a quebra de sigilos, como o bancário e fiscal, da Entre Investimentos, já obtida pela Polícia Civil. A empresa era usada por Vorcaro para fazer negócios e compras sem que ele aparecesse, apurou o Metrópoles. Mas ela serviria também a outros empresários. O inquérito busca entender se os R$ 134 milhões de Vorcaro foram integralmente destinados ao financiamento de Dark Horse ou se parte do dinheiro foi para outras finalidades ligadas ao grupo do senador Flávio Bolsonaro”.

Os investigadores avaliam que o esquema tenha usado a mesma estrutura de lavagem de dinheiro, que prestaria serviços a diferentes “clientes”, sem que necessariamente eles façam negócios entre si. Os valores do filme acertados entre Vorcaro e Flávio Bolsonaro foram feitos em dólares. Em valores corrigidos, seriam R$ 134 milhões, em parcelas a serem pagas de janeiro de 2025 a janeiro de 2026. Mas as parcelas só foram quitadas de fevereiro a maio de 2025, somando R$ 61 milhões. O dinheiro saía da Entre Participações e seguia para um fundo sediado no Texas (EUA), o Havengate, ligado ao deputado cassado Eduardo Bolsonaro, vulgo Dudu Bananinha.

Diante das várias ações suspeitas e da atuação da PF, o deputado federal Lindbergh Farias (PT-RJ) pediu ao Supremo Tribunal Federal (STF) para investigar a relação entre a produtora do filme a e empresa usada pelo PCC. Ele ainda solicitou que o Conselho de Controle de Atividades Financeiras (Coaf), o Banco Central e a Receita Federal levantem as informações financeiras e fiscais da ACX ITC, da Entre Investimentos e das “empresas ligadas ao projeto Dark Horse”. Se as investigações avançarem, a candidatura de Flávio Bolsonaro, vulgo Flávio Rachadinha, pode definhar de vez!

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