domingo, 19 de julho de 2026

Nunes abandona crianças em situação de rua

Charge: Reprodução/Mídia Ninja
Por Altamiro Borges


O prefeito da capital paulista, o camaleônico Ricardo Nunes (MDB), virou mesmo um bolsonarista cruel, convertendo-se à versão nativa do neofascismo. Na semana passada, a coluna de Mônica Bergamo na Folha revelou que “a Prefeitura de São Paulo encerrou as atividades do Centro de Referência dos Direitos da Criança e do Adolescente (CRDCA), programa municipal especializado no atendimento de crianças e adolescentes em situação de rua”.

Criado em 2022 e renovado em 2024, o CRDCA era sustentado pela gestão municipal e oferecia atendimento psicossocial, orientação jurídica, busca ativa, articulação com a rede de proteção e ações voltadas a vítimas de violência e violações de direitos. Entre julho de 2024 e junho de 2026, o programa realizou 3.600 atendimentos a 607 crianças e adolescentes, 32 ações de busca ativa e mais de mil horas de atividades socioeducativas.

O fim do projeto trará enormes danos às crianças em situação de rua. Segundo Paula Rodrigues, coordenadora do CRDCA, a expectativa era de que o serviço fosse incorporado de forma permanente ou tivesse sua execução renovada pela prefeitura. “O último semestre foi dedicado à tentativa de diálogo com a Secretaria Municipal de Direitos Humanos. Apresentamos resultados, metodologias e o monitoramento do projeto, mas não houve diálogo”, lamenta.

Prefeitura insensível e desumana

De acordo com a Folha, o Conselho Municipal dos Direitos da Criança e do Adolescente também recomendou que a iniciativa fosse transformada em política pública permanente, mas a proposta não foi acolhida pela prefeitura insensível e desumana. Diante desse desfecho, uma representação foi protocolada na terça-feira passada (14) no Ministério Público de São Paulo pela vereadora Amanda Paschoal (PSOL) pedindo providências para evitar a descontinuidade do atendimento.

Segundo a solicitação, a prefeitura não apresentou um plano público de transição para o serviço. “É inadmissível que a prefeitura feche as portas do único centro especializado para crianças e adolescentes em situação de rua no auge do inverno paulistano”, protesta a parlamentar. O documento também aponta que o orçamento do CRDCA foi reduzido na renovação da parceria, em 2024. O valor global caiu de R$ 7,35 milhões para R$ 4,15 milhões – redução de 43,6%. Haja crueldade!

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