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| Charge: Kamensky/Cartoon Movement |
O site Actualidad RT confirmou no final da tarde deste domingo (6) que o partido neonazista AfD (Alternativa para Alemanha) venceu as eleições parlamentares no estado da Saxônia-Anhalt. Aproximadamente 1,7 milhão de eleitores votaram em um dos 15 partidos representados na cédula. Pelas sondagens preliminares, a AfD obteve 44,5% votos – um crescimento de 23,2% em relação ao pleito anterior. Dependendo das alianças no parlamento estadual, o xenófobo Ulrich Siegmund poderá se tornar o primeiro neonazista no poder após o fim da II Guerra Mundial.
Entre as outras siglas que disputaram a eleição, a tradicional União Democrata-Cristã (CDU) do atual primeiro-ministro Friedrich Merz, obteve apenas 18,5% – uma queda de 18,6%. A coligação de esquerda Die Linke ficou com 9% dos votos – menos 2%. Outra força tradicional, o social-democrata SDP, também obteve 9% – crescimento de 0,6% – e os Verdes ficaram com 8,5% – mais 2,6%. Como aponta a reportagem, “as eleições podem causar um terremoto político na Alemanha”:
“Embora apenas cerca de 3% da população alemã viva neste estado, as eleições regionais raramente despertaram tanta expectativa. A imprensa local apresenta a votação como uma espécie de ensaio para as mudanças políticas que poderão ocorrer em breve em todo o país. Se a AfD conseguir consolidar sua liderança, a Alemanha poderá enfrentar, pela primeira vez, uma situação em que um partido considerado marginalizado pelas forças tradicionais tenha uma chance real de aspirar ao poder executivo em um dos estados federados... As eleições na Saxônia-Anhalt serão apenas o ponto de partida de uma intensa campanha que continuará com as eleições em Berlim em 20 de setembro”.
"O homem mais perigoso da Alemanha"
O neonazista Ulrich Siegmund, que foi rotulado pela revista Der Spiegel, a mais importante do país, como “o homem mais perigoso da Alemanha”, projetou-se na política através das redes digitais, “com vídeos de ataques à imigração, de defesa de uma identidade nacional e de críticas à imprensa. Na campanha, ele apostou na popularidade e em uma imagem mais informal, tirando selfies, autografando camisetas e até servindo cerveja em eventos ao ar livre. E a estratégia unindo redes sociais e corrida eleitoral na rua deram resultado”, descreve o site g1.
A reportagem ainda lembra que “a Saxônia-Anhalt, que fazia parte da antiga Alemanha Oriental, tem cerca de 2,1 milhões de habitantes e um dos menores PIBs per capita do país. Após a reunificação alemã, em 1990, a região enfrentou fechamento de empresas, êxodo da população e desigualdades em relação ao oeste alemão – cenário que persiste até hoje. O sentimento de abandono e a desconfiança dos partidos tradicionais ajudaram a abrir espaço para a AfD”.
AfD é uma organização extremista e violenta
O programa da AfD propõe, entre outros absurdos, deportações em massa de imigrantes, serviços de saúde vetados aos estrangeiros, formar turmas separadas nas escolas para imigrantes e crianças com necessidades especiais, intervenções severas nas áreas de cultura e educação. Além disso, a legenda da extrema-direita quer cancelar as concessões de emissoras públicas alemãs e retirar verbas de projetos considerados “não alemães”. Desde 2023, o braço da AfD na Saxônia-Anhalt é classificado pelo serviço de inteligência como uma organização extremista e violenta.
Já um artigo da Folha relembra que a AfD nasceu em 2013, “na esteira da crise do euro e se notabiliza por ganhar tração com temas controversos e por não ter nenhum pudor de repetir o passado. Surfou na onda anti-imigração, detonada a partir da política de portas abertas de Angela Merkel, de 2015, assim como na contestação de bandeiras associadas à esquerda, como ambientalismo, transição energética e direitos de minorias... Ulrich Siegmund é um dos produtos dessa lógica oportunista. Sua presença no partido cresceu durante a pandemia, quando viralizou com críticas às restrições impostas pelo governo. A AfD replica padrões do populismo europeu, mas destaca-se de seus pares por abdicar, pelo menos até aqui, de qualquer tipo de amenização na prática política ou no discurso... Na Alemanha, pelo contrário, a AfD vai dobrando a aposta no radicalismo".
“Entre as propostas estão não apenas a deportação em massa, mas também a proibição de professores de expressar opinião em sala de aula, a demissão de profissionais de saúde estrangeiros, o fim do imposto de radiodifusão, que sustenta as TVs públicas, e a saída do euro e da União Europeia. Só os dois últimos itens custariam € 690 bilhões (R$ 4,06 trilhões) ao país nos primeiros cinco anos de uma eventual separação, segundo o Instituto de Economia Alemã. Ou 2,5 milhões de postos de trabalho. Expulsar imigrantes deixaria o país sem um quarto dos motoristas de caminhão e dos chefes de cozinha. Sem metade dos médicos”.

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