sábado, 6 de outubro de 2018

Quem financia a campanha de Bolsonaro


O debate moral ganhou as ruas e as redes sociais nas eleições de 2018. A exploração de aspectos morais do candidato à Presidência da República Jair Bolsonaro (PSL) para atacá-lo ou defende-lo tornou-se mais intensa a partir do movimento #EleNão, que levou milhares de pessoas às ruas no último sábado em várias cidades do Brasil e do Exterior.

Esses aspectos, que pela primeira vez dão o ritmo à campanha eleitoral, estão longe de ser os mais importantes e ofuscam o que realmente interessa: quem financia Bolsonaro, que mantém uma máquina milionária de cooptação de adeptos através de um exército incomensurável atuante nas redes sociais tendo como principal matéria prima as mentira - tanto sobre ele próprio quanto sobre o principal adversário?

Se Bolsonaro "critica" tanto a mídia, sobretudo a Globo, por que essa mesma mídia – movida a interesses empresariais – o adota como preferido e oferece a ele um noticiário tão favorável a poucos dias da eleição, quanto desfavorável a Fernando Haddad?
De acordo com dados do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), a maior parte dos recursos da campanha vem de uma vaquinha virtual feita entre seus fãs e apoiadores, que arrecadou R$ 904.558,00, valor quase três vezes maior que os R$ 334.750,24 repassado pelo seu partido.

Mas segundo o filósofo, professor e escritor Paulo Ghiraldelli, em vídeo divulgado em seu perfil no Facebook (confira abaixo), não é o financiamento coletivo de eleitores que está pagando a campanha do candidato.

“O Brasil não é como os Estados Unidos, onde a população coloca dinheiro no chapéu de candidatos. Aqui é gente rica que troca favores com os políticos claramente”.

Para Ghiraldelli, a disputa está entre grupos que aceitam o Brasil capitalista moderno e os que querem um Brasil predatório, arcaico, que precisa conviver com leis escravistas. “O minério, a indústria da bala e os parlamentares que os representam, associados aos ruralistas, mais a indústria da fé, simbolizam o Brasil arcaico, que não pensa, do analfabetismo, que pertence ao campo. Reparem como aumentou o tamanho da bancada da bala, do boi e da Bíblia. Não há possibilidade de campanha nacional sem dinheiro”.

Segundo o filósofo, o dinheiro está vindo exatamente desses setores. “Se Bolsonaro for eleito, ele vai levar esse país para um grau de violência no campo e deterioração ecológica que vamos levar muitas gerações para recuperar, se é que vamos recuperar”, adverte.

Fim do 13º

A preocupação de Bolsonaro com a repercussão da fala de seu vice General Hamilton Mourão (PRTB) a empresários, defendendo o fim do 13º salário, reforça a opinião do filósofo.

Mourão se dirigia a patrões de diversos setores, como a mineração, a indústria de armamentos, agronegócio e as igrejas, segundo ele. "A mineração é um grupo forte, grande, com vínculos internacionais. O que se quer é pegar terra indígena para mineração. O grupo da bala, dos armamentistas, associados aos ruralistas, que querem afrouxar a legislação ambientalista, deixar armar a população de patrões do campo. E o terceiro grupo econômico é formado pelos pastores. Igreja é local de lavagem de dinheiro, com associação ao tráfico e aos políticos, outro lobby de muita gente com grana que está apostando no Bolsonaro".

Para Ghiraldelli, esses três grupos representam a parte mais atrasada, que trabalha pela exploração, sem perspectiva de futuro e que querem o comando do país por meio da exploração da fé, da terra e da vida.

"Nunca forças tao retrógradas conseguiram fazer um candidato. Elas sempre foram na rabeira, como a Fiesp, os banqueiros. Agora se desprenderam das forças urbanas e estão com o próprio candidato. Deram sorte de esse candidato se envolver em uma discussão moral – o #EleNão – que esconde uma discussão trabalhista, no campo, sobre o minério, como a indústria armamentista cresceu assustadoramente, que quer o controle do governo que tem exérito e polícia para fazer compra estatal."

Financiadores oficiais

Segundo os dados do TSE, há doações de R$ 30 mil do empresário do agronegócio Takashi Nishimori. A reportagem não conseguiu apurar se há parentesco com o deputado ruralista Luiz Nishimori (PR-PR), relator do Pacote do Veneno na comissão especial da Câmara.

Há outros R$ 10 mil do advogado Gustavo Bebbiano Rocha, sócio da também advogada Marianna Fux, filha do ministro do Supremo Tribunal Federal Luiz Fux, R$ 25 mil de Meyer Joseph Nigri, da Tecnisa Engenharia, R$ 20 mil de Afrânio Barreira Filho, dono da rede de restaurantes Coco Bambu, e R$ 20 mil do sócio de Afrânio, Eugênio Veras Vieira.

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