Por Altamiro Borges
Apesar do descarado apoio da mídia lavajatista e da horda bolsonarista, o ministro André Mendonça não está com essa bola toda após a sua tentativa de incendiar o Supremo Tribunal Federal (STF) e as instituições democráticas do país. A reação às suas estrepolias cresce na sociedade. Nesta quarta-feira (9), o ministro Flávio Dino determinou a imediata reintegração de Andrei Rodrigues ao cargo de diretor-geral da Polícia Federal, anulando a decisão autoritária do “terrivelmente evangélico” – o “ungido de Deus”, segundo a charlatã Micheque Bolsonaro.
Em seu despacho, Flávio Dino argumentou que o afastamento do diretor-geral e também do chefe da Diretoria de Inteligência da PF, Leandro Almada, causaria prejuízos a inúmeras investigações em curso. O ministro citou casos como o do assassinato da vereadora Marielle Franco (Psol-RJ) e a própria apuração sobre o desvio de recursos para o filme Dark Horse, sob sua relatoria. Flávio Dino também apontou que o partido Novo, que havia solicitado os afastamentos, não possui legitimidade legal para pedir medidas cautelares.
Reintegração imediata dos dois delegados
Na decisão dirigida ao presidente da República – que é a autoridade competente para a nomeação do comando da PF –, Flávio Dino orientou o restabelecimento integral das funções dos delegados. Ele determinou ainda que os dois fiquem protegidos contra novas medidas cautelares. Em um trecho mais apimentado do seu despacho, o ministro fustigou o nomeado ao STF pelo fascista Jair Bolsonaro.
Ele classificou o afastamento como uma medida inédita na história da PF, ressaltando que eventuais divergências pessoais não justificam a interrupção dos trabalhos da corporação. “Compreende-se que o digno ministro André Mendonça tenha suas divergências funcionais ou pessoais com a Polícia Federal e possa defender seus direitos perante a instância própria. Mas tais direitos não podem converter-se em fundamento para a prolação de decisão em causa própria, com o efeito de paralisar investigações e os trabalhos policiais”.
Flávio Dino lembrou que o próprio André Mendonça foi alvo de notícias recentes sobre uma reunião secreta com o mafioso Daniel Vorcaro, dono do Banco Master, em dependências de sua empresa privada – o Instituto Iter. “Indaga-se: uma parte pode ser juiz de si mesma e antecipar juízos de valor sobre relatórios da Polícia Federal que expressamente a mencionam?”, questionou em trecho da decisão. Para Flávio Dino, esse contexto exigiria ainda mais parcimônia, moderação e equilíbrio da magistratura, reforçando que um juiz não pode proferir decisões que aparentem interesse pessoal em desfavor de investigações.
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