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A campanha presidenciável de Flávio Bolsonaro (PL), vulgo Flávio Rachadinha, sofreu uma baixa em Minas Gerais nesta semana. O Tribunal Regional Eleitoral (TRE-MG) rejeitou, por unanimidade, os embargos apresentados pela defesa do ex-deputado Eduardo Cunha (Republicanos), ex-presidente da Câmara Federal, e manteve a inelegibilidade do velhaco até fevereiro de 2027. O golpista já anunciou que pretende recorrer ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) para tentar reverter a decisão e viabilizar sua candidatura a deputado federal por Minas Gerais.
O relator do processo, desembargador Sálvio Chaves, considerou que não foram identificadas omissões, contradições, obscuridades ou erros materiais na decisão questionada pela defesa. No início do mês, o TRE-MG havia acolhido pedidos de impugnação da candidatura apresentados pelo Ministério Público Eleitoral (MPE) e pela vereadora Roberta Lopes, de Juiz de Fora. O tribunal considerou a cassação do mandato de Eduardo Cunha em 2016 por quebra de decoro parlamentar.
R$ 6,1 milhões em emendas parlamentares
Além da questão da inelegibilidade, o Ministério Público Eleitoral citou ainda uma apuração conduzida pela Polícia Federal no âmbito da Operação Transparência. O ex-deputado é investigado sob suspeita de exercer papel de liderança em um esquema de direcionamento irregular de emendas parlamentares, mesmo sem ocupar mandato na Câmara Federal. Segundo as investigações, recursos teriam sido destinados a municípios mineiros com o objetivo de fortalecer politicamente a sua candidatura. Ao menos 29 prefeituras receberam recursos, principalmente para a área da saúde. A PF identificou, até o momento, R$ 6,15 milhões em repasses.
“Os investigadores sustentam que Cunha teria criado uma estrutura paralela para influenciar a distribuição das verbas por meio de servidores da Câmara. Entre os principais nomes investigados está a servidora Mariângela Fialek, conhecida como Tuca, apontada como responsável por operacionalizar as indicações nos sistemas internos da Casa. A suspeita é de que parlamentares emprestassem os seus nomes para formalizar pedidos de recursos que, na prática, teriam sido definidos por Eduardo Cunha”, descreve matéria da Folha.
Vídeo com troca de apoios entre os dois golpistas
A decisão do TRE-MG deve ter frustrado Flávio Bolsonaro. No final de agosto, ele gravou um vídeo em apoio à candidatura de Eduardo Cunha. O fascista relembrou o papel do golpista na presidência da Câmara Federal na condução do processo de impeachment da presidenta Dilma Rousseff, em 2015. “Foi aquele que abriu os olhos da população e derrubou a Dilma, talvez a pior presidente que esse país tenha tido na sua história e que, graças a Deus, o Brasil reagiu e reagiu a tempo”.
No mesmo vídeo, Eduardo Cunha retribui o apoio. “Aqui a gente tá nesse propósito, esse propósito que a gente já enfrentou o PT. Eu estou apoiando Flávio Bolsonaro. Meu partido, Republicanos, está neutro, mas eu estou apoiando Flávio Bolsonaro”. A história é cruel e agora o bandido está banido das eleições em Minas Gerais!
Só para relembrar, Eduardo Cunha teve seu mandato cassado por quebra de decoro em 2016. Foram 450 votos favoráveis e apenas 10 contra. O então deputado foi acusado de mentir à CPI da Petrobras em maio de 2015, ao negar possuir contas bancárias no exterior. O Ministério Público da Suíça entregou às autoridades brasileiras documentos que provaram que ele e familiares tinham contas naquele país. Ainda em 2016, Eduardo Cunha foi preso no âmbito da Operação Lava Jato, acusado de receber propina em contratos da Petrobras. Ele foi condenado a quase 16 anos de prisão, mas teve as condenações anuladas em 2021. Em 2022, ele foi candidato a deputado estadual por São Paulo pelo PTB, mas não foi eleito.

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