Por Olímpio Cruz Neto
Charge: Laerte
Há uma cena que não rende foto e, por isso mesmo, passa batida. Ela não acontece no palanque, nem no plenário. Acontece numa sala com ar condicionado e café morno, diante de uma tela onde não há eleitores - há números. Não se fala “povo”. Fala-se “público”. Não se diz “convencer”. Diz-se “otimizar”. Não se debate “verdade”. Debate-se “performance”.
Em 2026, com a inteligência artificial barateando produção e acelerando distribuição, a política descobre um atalho perigoso: comprar presença constante sem parecer propaganda. O que era campanha vira ambiente. O que era peça vira conversa. O que era slogan vira meme. E o que era persuasão vira saturação - aquela sensação de que “está em todo lugar”, antes mesmo de alguém provar de onde veio.





