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| Desenho feito por Chatgpt |
No domingo passado (23), a cantora Ana Castela viralizou nas redes digitais ao posar ao lado do deputado fascistinha Nikolas Ferreira (PL), durante a Festa do Peão de Boiadeiro em Barretos (SP), com cada um fazendo o número dois com as mãos, em clara referência ao número 22, do PL. Pelo jeito, a música sertaneja ama de paixão a sigla de Flávio Bolsonaro, o Flávio Rachadinha. E não é para menos.
Segundo postagem do site Metrópoles, o posicionamento político da artista “vem antes de um show inteiramente bancado por uma emenda de uma deputada do partido, contratado por uma prefeitura administrada pelo PL, em que ela terá cachê de R$ 850 mil pagos com verbas federais. O próximo show de Ana Castela, na quinta-feira (27), será na Expo São Fidélis, no Norte Fluminense”.
Ainda de acordo com a matéria, “a apresentação é bancada por uma emenda de R$ 1 milhão destinada pela Comissão de Turismo da Câmara dos Deputados, a partir de solicitação da deputada Dani Cunha (PL). Ela é filha de Eduardo Cunha, ex-presidente da Câmara, que tenta voltar ao Congresso pelo Republicanos em Minas Gerais”. Tudo gente boa! Ana Castela, Dani Cunha e Eduardo Cunha!
R$ 73 milhões em contratos com prefeituras
A própria reportagem cita o excelente estudo feito pelo site De Olho nos Ruralistas sobre a fortuna recebida por artistas sertanejos – já apelidados de “sertanojos” por suas posições reacionárias – em shows pelo interior do país. De acordo com o levantamento, entre janeiro de 2024 e março de 2026, a bolsonarista Ana Castela recebeu R$ 73 milhões em contratos de shows pagos por prefeituras e governos estaduais, distribuídos em 93 apresentações.
“Só desde o início de junho, ela também já foi contratada pelas prefeituras de São João Del Rei (MG, por R$ 820 mil), Cruz das Almas (BA, por R$ 900 mil), Itanhaém (SP, por R$ 830 mil), Bauru (SP, por R$ 850 mil), Maceió (AL, por R$ 900 mil), Vespasiano (MG, por R$ 950 mil), Salto de Pirapora (SP, por R$ 800 mil), Pouso Alegre (MG, por R$ 900 mil), Barbacena (MG, por R$ 1,3 milhão), Bataguassu (MS, por R$ 840 mil), São Mateus (ES, por R$ 900 mil), Nova Belém (MG, por R$ 900 mil) e Dores do Rio Preto (ES, por R$ 890 mil)”, detalha a matéria do site Metrópoles.
Contratos sem licitação e superfaturados
Em outra excelente reportagem postada nesta terça-feira (25), a revista Fórum revela que “Ana Castela, que posou com Nikolas, embolsou R$ 12,2 milhões de prefeituras do Centrão e da direita sem licitação”. Vale conferir trechos da matéria:
“Colecionando novos seguidores da ultradireita após posar para foto com Nikolas Ferreira (PL) fazendo o 22, número de Flávio Bolsonaro (PL), a cantora sertaneja embolsou R$ 12.265.000,00 por 17 shows pagos com dinheiro público via prefeituras administradas por políticos do Centrão e da direita bolsonarista que usaram de um artifício jurídico para permitir a contratação direta, com a dispensa de licitação. As informações constam no levantamento exclusivo feito pelo Fórum Investiga, núcleo de jornalismo investigativo da Fórum”.
“Segundo o levantamento feito pelo Fórum Investiga, Ana Castela ocupa a 12º posição do ranking dos artistas sertanejos que mais receberam por shows pagos por prefeituras administradas por políticos do Centrão e da Direita com dispensa de licitação em 2024. A contratação não passa por licitação. As prefeituras recorrem à Lei 14.133/2021 (art. 74, inciso II), que permite a contratação direta, chamada de ‘inexigibilidade’, de ‘profissional do setor artístico, diretamente ou por empresário exclusivo, consagrado pela crítica ou pela opinião pública”.
O ranking dos sertanejos contemplados
“Na prática, a prefeitura contrata a empresa do próprio artista, que apresenta uma carta de exclusividade, uma produtora intermediária que o ‘representa’, ou é feito por uma organizadora de festival que subcontrata os artistas. A grande questão é a ‘justificativa de preço’: quem atesta o valor de mercado do cachê é a própria produtora. Por isso a comparação entre cidades – mesmo artista, preços diferentes – levanta suspeitas sobre superfaturamento”.
Além da bolsonarista Ana Castela, a revista Fórum aponta outros artistas contemplados com poupudas verbas públicas:
Gusttavo Lima: O cantor abocanhou R$ 5,5 milhões no total em 5 contratos firmados com 5 cidades, alcançando o cachê máximo individual de R$ 1,1 milhão por apresentação.
Leonardo: Acumulou R$ 4,08 milhões através de 7 contratos em 7 municípios, com cachê máximo atingindo R$ 750 mil.
Ícaro e Gilmar: A dupla fechou 10 contratos em 10 cidades, totalizando R$ 3,35 milhões (máximo de R$ 580 mil por show).
Ana Castela: Faturou R$ 2,24 milhões em 3 contratos (3 cidades), alcançando R$ 800 mil em uma única apresentação.
Zé Neto e Cristiano: Somaram R$ 2,05 milhões em 3 contratos, com topo de R$ 754 mil por evento.
Maiara e Maraisa: Arrecadaram R$ 1,95 milhão em 3 cidades (máximo de R$ 694 mil por show).
Eduardo Costa: Registrou R$ 1,82 milhão em 5 contratos (5 cidades), com cachê de até R$ 576 mil.

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