Por Altamiro Borges
O Ministério da Saúde divulgou na semana passada dados alvissareiros sobre a situação dos povos da Terra Indígena Yanomami, entre Roraima e Amazonas. Segundo o levantamento, as mortes por desnutrição na vasta área caíram 75,7% no primeiro semestre deste ano na comparação com o mesmo período de 2023, quando foi declarado pelo governo Lula o estado de emergência no território.
Ainda segundo os dados da pasta, foram zeradas as mortes por malária, enquanto os óbitos por infecção respiratória caíram 40,8%. Considerando todas as causas de morte, houve queda de 29,5%, passando de 224 em 2022 para 158 neste ano. Outro avanço importante se deu na vacinação dos indígenas. O número de doses passou de 11.273, em 2023, para 20.267 em 2026, um crescimento de 79,8%.
O Ministério da Saúde informa ainda que desde o início do governo Lula o número de profissionais da área no território mais que triplicou, pulando de 690 para 2.100 em 2025. Atualmente, 37 polos-base e 40 Unidades Básicas de Saúde estão em funcionamento na Terra Indígena Yanomami, além do Centro de Referência de Surucucu, dedicado aos casos mais graves.
A barbárie no desgoverno Bolsonaro
Esses sensíveis avanços civilizatórios, porém, não foram manchete nos jornalões ou destaque nas emissoras de TV – que agora estão empenhados em desgastar o presidente Lula. Parece que todos os veículos da mídia venal já se esqueceram da barbárie promovida pelo governo de Jair Bolsonaro. Entre 2019 e 2022, cenas da crise humanitária rodaram o mundo, com explosão do garimpo ilegal, desmonte de órgãos de proteção, desnutrição severa e mortes de crianças indígenas.
Uma ótima reportagem da BBC News, postada em fevereiro de 2023, revelou que “o número de mortes por desnutrição de indígenas da etnia yanomami aumentou 331% nos quatro anos do governo do ex-presidente Jair Bolsonaro em comparação com os quatro anos anteriores... Nas últimas semanas, o governo federal decretou estado de emergência por conta do agravamento das condições de saúde dos yanomami. A decisão foi tomada em meio à forte repercussão nacional e internacional gerada por imagens de indígenas da etnia visivelmente desnutridos”.
“Membros do governo Lula da Silva (PT) classificaram a situação dos yanomami como um ‘genocídio’ e acusaram a gestão anterior de não agir para evitar a crise humanitária... No final de janeiro, o governo federal deu início a uma operação que envolve a transferência de indígenas em piores situações de saúde para hospitais de Boa Vista, capital de Roraima, Estado onde fica a maior parte da Terra Indígena Yanomami. Além disso, o governo também deu início a uma operação para retirar aproximadamente 20 mil garimpeiros da área”.
Mídia esquece "crime de genocídio" no território
Conforme registrou na ocasião a BBC News, a Terra Indígena Yanomami tem 9,6 milhões de hectares e abriga pouco mais de 28 mil indígenas. A área é conhecida por suas grandes reservas de metais preciosos como ouro e outros minerais de interesse industrial como a cassiterita, matéria-prima do estanho. Dados do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (Inpe) mostram que o aumento no número de mortes por desnutrição entre os yanomami aconteceu ao mesmo tempo em que foi registrado um crescimento no desmatamento da terra indígena.
Para Dinamam Tuxá, coordenador executivo da Articulação dos Povos Indígenas do Brasil (Apib), o aumento nas mortes por desnutrição no território yanomami reflete “um desmonte nas políticas indigenistas no governo Bolsonaro... O governo tinha ciência das coisas que estavam acontecendo lá, não dar assistência e apoio ao povo yanomami foi uma decisão política”. Para ele, as ações do governo Bolsonaro frente à situação dos yanomami configuram “crime de genocídio”.
Flávio Bolsonaro, vulgo Flávio Rachadinha, pretende retomar a política genocida do paizão condenado e preso. Mas a mídia hegemônica parece não se importar e evita destacar os avanços civilizatórios que ocorreram no governo Lula.
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