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| Charge: Izanio |
Deflagrada em 28 de agosto de 2025, a Operação Carbono Oculto da Polícia Federal revelou as relações criminosas entre abutres financeiros da Faria Lima e o Primeiro Comando da Capital, o temido PCC. A importante investigação, que completa um ano, infelizmente sumiu das páginas dos jornalões e do noticiário da rádio e televisão. O sumiço talvez se justifique em função das ligações dos barões da mídia com os poderosos banqueiros, hoje associados, e também da milionária publicidade dos bancos e fintechs nos veículos de comunicação.
A operação, que reuniu cerca de 1.400 agentes, cumpriu mandados de busca e apreensão e de prisão em São Paulo, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, Paraná, Rio de Janeiro e Santa Catarina. A força-tarefa contou com a participação de membros do Ministério Público Federal, Receita Federal, Agência Nacional de Petróleo, Polícia Civil e Polícia Militar de São Paulo, Procuradoria-Geral do Estado e Secretaria de Estado da Fazenda, além de diferentes unidades do Gaeco (Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organizado).
Rede movimentou R$ 52 bilhões
Ao todo, 16 criminosos foram denunciados por envolvimento em um esquema de adulteração de combustíveis, falsidade documental, fraudes contra o consumidor, crimes fiscais e lavagem de dinheiro. Segundo o Ministério Público, os denunciados teriam integrado e financiado uma organização criminosa voltada ao desvio de metanol, à adulteração de combustíveis e à lavagem dos valores obtidos com as atividades ilícitas. Ainda de acordo com as investigações, o grupo atuava em diferentes etapas da cadeia de produção e distribuição de combustíveis.
Na ocasião, a Receita Federal apurou que uma rede de 1.200 postos movimentou mais de R$ 52 bilhões entre 2020 e 2024, mas pagou apenas R$ 90 milhões (0,17%) em impostos. Para lavar dinheiro do esquema, o grupo usou 40 fundos com patrimônio de R$ 30 bilhões, geridos por operadores da Faria Lima. O nome da operação policial, Carbono Oculto, foi escolhido para traduzir, de maneira metafórica, a ideia de dinheiro escondido dentro da cadeia de combustível, em alusão tanto ao elemento químico presente na gasolina e no diesel quanto ao ato de esconder recursos ilícitos nas instituições de pagamento e nos fundos de investimentos.
Fintechs controladas pelo crime organizado
A força-tarefa identificou a atuação de chefões do PCC e conexões com outras organizações criminosas. “Conforme o Ministério Público, os grupos mantinham vínculos permanentes ou eventuais para viabilizar atividades econômicas ilícitas e inserir recursos de origem criminosa na economia formal. A estratégia, segundo os investigadores, permitia que o dinheiro obtido com as atividades ilegais circulasse por empresas e setores da economia regular, incluindo o mercado de combustíveis e o sistema financeiro”, descreve reportagem da CNN-Brasil.
“As investigações apontaram ainda que parte das movimentações financeiras atribuídas ao grupo passava por fintechs controladas pelo crime organizado. Segundo os responsáveis pela apuração, essas instituições tinham entre seus principais clientes empresas do setor de combustíveis. A preferência pelas instituições de pagamento, em vez de bancos tradicionais, teria como objetivo dificultar o rastreamento dos recursos. De acordo com o Ministério Público, as fintechs mantinham uma espécie de contabilidade paralela, que possibilitava transferências entre empresas e pessoas físicas sem a identificação dos beneficiários finais. O mecanismo teria sido utilizado para ocultar a origem e o destino dos valores movimentados pelo grupo e dificultar a atuação dos órgãos de fiscalização e investigação”.
O processo contra os 16 denunciados segue na Justiça, mas a mídia infelizmente esqueceu do caso. Os abutres financeiros da Faria Lima são gratos!

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