Caso se confirme a derrota dos candidatos e candidatas do Partido Republicano à Câmara, ao Senado, e a 36 governos estaduais dos Estados Unidos (EUA), nas eleições de 3 de novembro, Trump deverá ser impedido pelo novo Congresso de continuar: a) atacando a população imigrante; b) impondo tarifas e sanções contra parceiros comerciais históricos, como o Canadá e o Brasil; c) a guerra contra o Irã; d) financiando os crimes de Israel – o genocídio em Gaza e a destruição no Líbano; e) o assalto ao petróleo da Venezuela; e f) o estrangulamento de Cuba.
Essa possibilidade de Trump ser derrotado é real. Pesquisa da Ipsos (https://www.ipsos.com/en-us/president-trump-approval-rating-august) realizada nos EUA entre os dias 24 e 26 de agosto, revela que Trump está mal na foto: apenas 33% dos entrevistados aprovam o seu trabalho, contra 65% que desaprovam. Quando tomou posse, em 20 de janeiro de 2025, a aprovação média de Trump, medida também pela Ipsos, era de 47%. Desde então, Trump perdeu 14 pontos percentuais de aprovação na média geral. Por segmentos específicos, a aprovação caiu de 91% para 82% entre os republicanos; de 44% para 20% entre os independentes; e de 9% para 5% entre os democratas.
Para 69% dos entrevistados, os EUA estão no rumo errado. Essa é a avaliação de 91% dos democratas, 72% dos independentes, e 40% dos republicanos – praticamente empatados com os 42% que acreditam estar no caminho certo. E apenas 16% do total acreditam estar na direção certa.
Além da avaliação do presidente e do rumo do país, a Ipsos perguntou também qual é o problema mais importante hoje nos EUA. Para 22% dos entrevistados, a economia, desemprego e empregos. Destaque quase igual nos três grupos (23% democratas, 22% independentes e 21% republicanos). Em segundo lugar (13%), normas e valores democráticos ameaçados. Encostada, com 11%, a corrupção. Empatadas com 7%, a imigração e a violência política e o extremismo. Com 5% cada um, o sistema de saúde e a guerra e os conflitos externos. Valores morais 4%. Racismo e discriminação 3%. E empatados em 2%, o terrorismo e extremismo; o crime; a questão ambiental e o clima; e a educação. Doenças e saúde pública 1%. Outros, 7%. Não sei, 6%.
Republicanos consideram a imigração (18%) problema tão importante quanto a economia. Para 21% dos democratas, as normas e valores democráticos são tão importantes quanto a economia (23%). Normas e valores democráticos preocupam 10% dos republicanos; valores morais (7%) e o terrorismo e extremismo (6%).
Vai longe a resposta famosa (“É a economia, estúpido!”) do marqueteiro para Clinton, e novamente a situação econômica nos EUA é muito grave e deverá pesar contra Trump, levando a maioria dos votantes para os Democratas. Além da inflação no combustível e alimentos, graças às tarifas de Trump, as dívidas do governo, população e empresas, somadas, passaram dos US$40 trilhões, total 33% superior ao PIB do país em 2025. Com isso, o Banco Central do país terá que aumentar a taxa de juros – talvez para absurdos 4,0%.
Agente laranja (dioxicina) ainda causa sofrimento
Toda devastação produzida por Trump lembra a que os EUA fizeram quando invadiram o Vietnã, jogando o herbicida “agente laranja” para acabar com as florestas e plantações de arroz e assim forçar a derrota dos vietnamitas. Jogados de avião e helicóptero, 80 milhões de litros do “laranja” e de outros tipos de herbicidas, em 19 mil viagens no período, afetaram quatro milhões de pessoas, das quais 400 mil morreram ou ficam incapacitadas e três milhões tiveram doenças, principalmente por causa da dioxicina – que até hoje contamina águas, solos e pessoas no país.
As autoridades de saúde do Vietnã estimam que 500 mil bebês nasceram com defeitos congênitos, por causa dos produtos químicos jogados pelos EUA durante a invasão, e a dioxicina contida no “laranja” é considerada a principal responsável, por suas características – ela dura muito tempo no ambiente. Por isso, até hoje netos(as) de pessoas contaminadas do período 1962/1971 continuam nascendo com defeitos.
Verdade seja dita: o “laranja” foi utilizado primeiro pelos colonizadores britânicos para combater a guerrilha de libertação na Malásia (1948/1960). Lá a devastação produzida foi tão grande, que animou os EUA a utilizá-lo no Vietnã – e no Laos e Camboja, países que não estavam em guerra, mas que foram igualmente atacados também com bombas tradicionais, por ordem expressa dos presidentes Johnson e Nixon, no período 1964/1973. Bombardeios em quantidades inacreditáveis: 2,8 milhões de toneladas, total superior ao utilizado pelos EUA em toda a II Guerra Mundial. Ainda que os números de bombas e missões aéreas (580 mil) sejam absurdos, eles estão contabilizados. O que não se sabe é o resultado de tantos milhões de toneladas de bombas no Laos e Camboja – quantas centenas de milhares de mortes causaram.
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