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| Charge: Aroeira/247 |
Após intensa pressão da sociedade, com uma petição popular que ultrapassou 1 milhão de assinaturas em apenas três dias, o Grupo Globo anunciou nesta quinta-feira (22) que fará a checagem das respostas de Lula e Flávio Bolsonaro no debate que será transmitido nesta sexta-feira. A checagem, porém, não se dará em tempo real, durante a transmissão ao vivo da emissora, o que prejudica a verificação das mentiras obradas pelo fascista Flávio Bolsonaro (PL), o candidato das mentiras.
Em nota oficial, o império global informou que o portal g1, que pertence ao grupo, fará, “ainda durante o encontro, a checagem das declarações dos candidatos”. A divulgação das verificações, porém, não ocorrerá na TV, e sim na página “Fato ou Fake” do portal. O canal acrescentou que “o trabalho seguirá pela madrugada, em conjunto com os sites dos jornais O Globo, Extra e Valor Econômico e Rádio CBN”.
"Fact checking" será parcial
A decisão não atende plenamente ao pedido formulado na petição encaminhada ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ao presidente do Grupo Globo, João Roberto Marinho, ao diretor-geral de Jornalismo, Ricardo Villela, e ao apresentador César Tralli, que mediará o debate. A petição solicitava a participação de profissionais especializados na checagem de informações para barrar de imediato as mentiras. Ela se baseava em experiências internacionais de verificação simultânea durante debates eleitorais. Mesmo assim, a decisão representa um recuo do Grupo Globo.
O abaixo-assinado foi elaborado após o desastroso debate promovido pela Band no domingo passado (18). Conforme apontou, o evento foi palco para “momentos de desinformação e propagação de fake news”. A petição enfatizou a necessidade do “fact checking” e de uma postura ativa dos veículos de comunicação: “Nesse contexto, a imprensa não pode se limitar a oferecer microfones. Precisa assumir sua responsabilidade com a verdade. Com as tecnologias disponíveis atualmente, é possível oferecer uma forma mais transparente e confiável de conduzir debates”.
O lamentável "debate" da Band
Ainda sobre o lamentável “debate” na Band, a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) divulgou uma nota bastante dura. Entre outras críticas, ela afirma que “o jornalismo não pode ser refém da lógica do espetáculo, da audiência a qualquer preço ou das estratégias de candidatos que desprezam o diálogo democrático. Quando perguntas não são respondidas, afirmações falsas deixam de ser confrontadas e argumentos são substituídos por encenações, quem perde é a população brasileira”.
“Não basta oferecer tempo igual aos candidatos. É indispensável garantir informações relevantes, fundamentadas e passíveis de verificação... É grave quando um debate favorece slogans e ataques pessoais, relegando a segundo plano temas fundamentais como saúde, educação, emprego, renda, desigualdade, segurança, soberania nacional, meio ambiente e direitos sociais. O futuro do país exige propostas concretas, não encenações destinadas à produção de cortes para as redes sociais”.
“O Brasil conhece as consequências da normalização da mentira, da violência verbal e dos ataques às instituições democráticas. O jornalismo não pode ignorar essa experiência nem repetir práticas que transformaram a agressividade e a desinformação em instrumentos de disputa política... Debate eleitoral não é entretenimento. Jornalismo não é espetáculo. Democracia não se constrói com mentiras. A sociedade brasileira merece debates à altura de seus desafios. E o jornalismo tem o dever de estar à altura de sua responsabilidade”, conclui o documento da Fenaj.

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