terça-feira, 20 de outubro de 2026

Crise histórica e aparecimento dos 'monstros'

Por Roberto Amaral

“Com a ‘marcha sobre Roma’ [1922], que pressiona a monarquia, os fascistas chegam ao governo, com a nomeação de Mussolini para a chefia do gabinete. Começa para o PCI [Partido Comunista Italiano] um período de ilegalidade de fato. No Partido, como Trotski recordará em 1932, ninguém admitia a possibilidade de uma ditadura fascista ‘salvo Gramsci’.” (“Cronologia da vida de A. Gramsci”. In: Cadernos do Cárcere, vol. 1.Civilização Brasileira, 2004).

Em texto com data provável de 1930, Antonio Gramsci observa o fenômeno crise histórica para afirmar que seu caráter está, precisamente, no fato de que o “velho morre e o novo não consegue nascer: nesse interregno verificam-se os mais variados fenômenos mórbidos”. Ou, na versão mais conhecida (retirada da tradução francesa), “o velho mundo está morrendo, o novo tarda a aparecer e, nesse claro-escuro, surgem os monstros”.

O debate, a eleição e a mídia estrangeira

Por Olímpio Cruz Neto

Na reta final da corrida presidencial brasileira, o país continua ocupando um espaço privilegiado nas páginas dos jornais estrangeiros. A disputa entre o presidente Luiz Inácio Lula da Silva e o filho do líder da ultradireita mobiliza jornais e agências de notícias das Américas, da Europa e da Ásia, que acompanham não apenas o acirramento da campanha, mas também as consequências de uma possível guinada na maior economia da América Latina.

O interesse estrangeiro não se restringe ao resultado das urnas no próximo domingo, 25 de outubro. O que está em jogo, na avaliação da mídia internacional, é a orientação política, econômica, diplomática e ambiental de um país que ocupa uma posição estratégica na disputa de influência entre Estados Unidos e China, abriga a maior parte da floresta amazônica e tem buscado ampliar sua presença no comércio mundial.

O que vai dar no segundo turno das eleições?