Editorial do site Vermelho:
A reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva é, antes de tudo, uma vitória do povo brasileiro, com o papel destacado da juventude, sobre as forças de extrema-direita que tentaram sufocar suas esperanças, restringir os seus direitos e subordinar o país à ganância do imperialismo estadunidense. É a afirmação de um Brasil que caminha para o desenvolvimento nacional, com inclusão social, soberania, liberdades democráticas e direitos para o povo.
Esse grande feito do povo brasileiro transcende as fronteiras do país. No contexto do avanço internacional da extrema-direita, a vitória de Lula é comemorada pelas forças democráticas, populares e avançadas do Ocidente ao Oriente. Tem importância especial para os povos e países da América Latina e Caribe diante da ofensiva neocolonial dos Estados Unidos na região. O governo neofascista de Donald Trump, que apoiou descaradamente Flávio Bolsonaro, sofreu dura derrota.
A virada começou com a resposta da juventude ao resultado adverso do primeiro turno. A União Nacional dos Estudantes (UNE) elaborou um calendário nacional de mobilização, a campanha Estudantes com Lula nas ruas e redes. A União da Juventude Socialista (UJS) cumpriu papel de esteio da concretização dessa agenda, ao lado da Juventude Pátria Livre (JPL). Foi a centelha que desencadeou, país afora, uma das maiores mobilizações do povo desde a redemocratização. A jornada se agigantou com o engajamento entusiástico de milhões de pessoas do povo e com a participação das centrais sindicais e do conjunto dos movimentos sociais, artistas e intelectuais.
A guerra digital também foi decisiva. O deputado federal André Janones criou o canal Exército do Lula no WhatsApp, que ultrapassou dez milhões de seguidores, transformando-se numa central de distribuição de vídeos, áudios e orientações para a mobilização. Outros potentes influenciadores se engajaram e outros milhões, antes sem ativismo digital, entraram na arena da internet. A campanha enfrentou atos ilegais e criminosos da Meta — controladora do WhatsApp, do Instagram e do Facebook — que restringiu conteúdos de Lula e favoreceu o candidato da extrema-direita.
O presidente Lula, aos 80 anos de idade, foi o grande líder e o fator decisivo desta vitória da nação, do povo, da juventude e da classe trabalhadora. Por um conjunto de qualidades: a estatura de estadista, o fato de ter a confiança do povo, a coragem política mais uma vez demonstrada no enfrentamento ao fascismo, o elevado patriotismo no rechaço às investidas de Trump, a capacidade de unir amplas forças, o vigor de realizar uma agenda diversa e arrojada em todo o país, a capacidade de responder às novas exigências da luta de classes, como demonstrou no segundo turno, disseminando mensagens nas redes sociais. E, concretamente, quando percebeu que a ampla maioria das classes dominantes havia se alinhado à extrema-direita, rompeu o cerco radicalizando seu compromisso com a defesa dos direitos do povo brasileiro, com a soberania do país e a democracia.
Essa vitória contabiliza também o papel do vice-presidente Geraldo Alckmin. Coube a ele ampliar o diálogo para além das forças que já integravam a base de Lula, mobilizando lideranças políticas, prefeitos, empresários, representantes religiosos e personalidades identificadas com outras orientações partidárias, de centro, centro-direita e mesmo de direita.
Em conjunto, as duas frentes, ruas e redes, conjugadas e articuladas com milhões de ativistas e apoiadores, tendo como alicerce a militância dos partidos progressistas e as direções dessas legendas, confrontaram o poderio do consórcio da extrema-direita e de grande parte da direita e a parcialidade vergonhosa da grande mídia monopolista. Desmascararam Flávio Bolsonaro e realizaram o que parecia impossível: viraram a eleição e reelegeram o presidente Lula.
O Partido Comunista do Brasil (PCdoB), seu coletivo militante e lideranças estiveram na linha de frente deste confronto definidor do presente e do futuro imediato do país.
O quarto mandato presidencial de Lula terá significado histórico. Nasce como filho de um dos maiores confrontos políticos da história da República. Sai das urnas compromissado com um programa avançado: imprimir uma arrancada de desenvolvimento soberano, com uma reindustrialização em novas bases tecnológicas que gere melhores empregos e cuja riqueza produzida seja canalizada para promover uma nova geração de direitos ao povo e valorizar o trabalho. Aprofundar a democracia e garantir a soberania nacional.
Para avançar nessa agenda, Lula precisará construir uma ampla aliança de apoio ao governo e manter-se apoiado na mobilização do povo nas ruas e nas redes. A tarefa será ainda mais desafiadora diante do avanço da direita e da extrema-direita, refletido na nova composição do Congresso Nacional e na eleição de governadores desse campo político em estados representativos.
A vitória abre, assim, uma nova fase de desafios, na qual será preciso transformar a força conquistada nas urnas em avanços concretos para o país e para o povo brasileiro.
Uma poderosa onda de extrema-direita, impulsionada por Trump, vinha avassaladora, arrogando-se imbatível, desde o Caribe à América do Sul, e já festejavam na Casa Branca que Brasil seria a conquista da vez.
Mas, o povo brasileiro tendo a juventude como força motriz, bradou alto: aqui, não! Ninguém hasteará uma bandeira estrangeira no lugar da nossa verde e amarela, ninguém roubará nossas riquezas, ninguém roubará nossos direitos duramente conquistados, ninguém soterrará a democracia que nos custou muita luta e muitas vidas, não aceitaremos retornar ao passado de horror e tragédia do fascismo, dos Bolsonaros, não aceitaremos que matem nossos projetos e sonhos de vida melhor!
E, assim, por um futuro promissor e pujante ao Brasil e ao povo, a jornada heroica e épica do segundo turno conquistou o quarto mandato do presidente Lula.
Por tudo, a hora agora é de celebrar e comemorar esse feito histórico do povo brasileiro!
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