quarta-feira, 23 de setembro de 2026

Jorge Canella, mais um bolsonarista preso no RJ

Por Altamiro Borges

Não falha nunca! Mais um político bolsonarista vai para cadeia no Rio de Janeiro. Nesta terça-feira (22), o vereador carioca Jorge Canella (União Brasil) foi preso por posse irregular de armas de fogo de uso restrito durante uma operação da Polícia Federal. Segundo matéria do site fluminense Agenda do Poder, “a ação investiga a origem de um fuzil apreendido com o ex-prefeito de Belford Roxo e candidato a deputado estadual Márcio Canella (União Brasil). Os agentes fizeram buscas na Câmara Municipal do Rio e em endereços ligados ao alvo na Barra da Tijuca”.

Jorge Eduardo Barreto de Andrade Filho, vulgo Jorge Canella, é coronel da Polícia Militar. “Durante as diligências na Barra da Tijuca, foi identificada a posse de arma de fogo de uso restrito – dois fuzis e uma submetralhadora – em desacordo com a previsão legal, fato que levou à prisão em flagrante do alvo da ação”, relatou a PF. Em julho passado, no bojo da Operação Unha e Carne, a polícia havia apreendido um fuzil de calibre .556 no porta-malas do veículo do pai do vereador. Na ocasião, Márcio Canella acabou sendo preso em flagrante por causa da arma.

R$ 7,6 bilhões em lavagem de dinheiro

“A Operação Unha e Carne investiga um esquema envolvendo uma rede de postos de combustíveis que, segundo a Polícia Federal, teria movimentado R$ 7,6 bilhões em operações de lavagem de dinheiro. Na investigação, Márcio Canella era apontado pela PF como possível integrante da estrutura política ligada ao grupo. O ex-prefeito permaneceu quatro dias preso em Bangu 8 e deixou a unidade em 11 de julho por determinação de Alexandre de Moraes. Inicialmente, ele precisou cumprir medidas cautelares, entre elas o uso de tornozeleira eletrônica e o recolhimento domiciliar à noite. Em 24 de julho, o ministro retirou as restrições”, relata o site. Agora é o filhote que vai para o xilindró.

A mais nova prisão mostra a relação entre o bolsonarismo e a criminalidade no Rio de Janeiro. O vereador Jorge Canella sempre fez questão de registrar nas redes sociais seus encontros com o condenado Jair Bolsonaro. Seu pai, Márcio Canella, inclusive era o candidato ao Senado no estado na chapa de Flávio Bolsonaro, tendo como suplente Rogéria Bolsonaro, a mãezona do fascista. A chapa só gorou após sua prisão em julho e às denúncias da Operação Unha na Carne.

Amnésia geral e a culpa da mídia

Em artigo publicado na Folha nesta segunda-feira (21), Alvaro Costa e Silva refletiu sobre essa relação entre o bolsonarismo e o crime organizado no Rio de Janeiro ao tratar do “sumiço” do ex-governador Cláudio Castro (PL):

“Desvincular-se ou esconder antigos aliados e chefes políticos é um truque das campanhas eleitorais que apostam na omissão do passado. No Rio de Janeiro, a amnésia é geral. Candidato bolsonarista ao Palácio Guanabara, Douglas Ruas praticamente apagou do currículo os dois anos à frente da Secretaria de Cidades, investigada pelo aumento de R$ 45 milhões no valor de um contrato, o dobro do limite legal. Ruas dá a impressão de sequer ter conhecido Cláudio Castro, que renunciou para não ser cassado e enfrenta acusações de corrupção e desvio de dinheiro, com a Polícia Federal batendo à sua porta quase toda semana”.

A mídia falsamente moralista tem muita responsabilidade nessa “amnésia geral”, que leva ao esquecimento figuras repulsivas como Cláudio Castro, Rodrigo Bacellar, o ex-presidente da Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro preso por liderar o “núcleo político” do Comando Vermelho, ou Márcio e Jorge Canella. Ela normaliza as relações criminosas da extrema-direita com o crime organizado.

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