segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Afiliada da Globo promove assédio eleitoral

Por Altamiro Borges

A Rede Paranaense de Comunicação (RPC), que é afiliada da Rede Globo, acaba de ser denunciada junto ao Ministério Público do Trabalho (MPT) por pressionar os funcionários a votarem em Flávio Bolsonaro (PL) no segundo turno. O gravíssimo caso de assédio eleitoral e moral foi revelado pelo Sindicato dos Jornalistas do Paraná (Sindijor-PR). Segundo a entidade, chefias da empresa associaram cortes salariais e perdas de direitos ao fim da desumana escala 6x1 e ao resultado das eleições presidenciais em reuniões realizadas na sexta-feira passada (16).

“De acordo com os relatos anexados ao ofício encaminhado ao MPT, a empresa teria supostamente utilizado o debate sobre o fim da escala 6×1 para instaurar um clima de medo e coação nas redações. Diante da gravidade da situação, o sindicato solicita apuração rigorosa dos fatos, adoção de medidas inibitórias imediatas e o encaminhamento do caso ao Ministério Público Eleitoral para a devida reparação coletiva”, informa o site da entidade.

Já o Diário do Centro do Mundo (DCM) revela, com base em informações da TV Pop, que os encontros internos ocorreram simultaneamente nas oito unidades da RPC de Curitiba e do interior. “Alguns gestores disseram a subordinados que os cortes poderiam ser evitados dependendo do resultado das urnas. Entre as medidas anunciadas estariam a redução do vale-alimentação, a suspensão de pedidos de férias e o cancelamento de recessos já marcados... Funcionários foram vistos chorando e alguns comunicaram a intenção de deixar a emissora caso as mudanças fossem concretizadas”, descreve a matéria.

As históricas manipulações da Globo

Como registra o DCM, o episódio de assédio eleitoral envolvendo a RPC mancha ainda mais a história do império global com sua rede de afiliados pelos estados. “Em 1989, a edição do último debate entre Lula e Fernando Collor exibida pelo Jornal Nacional privilegiou o adversário tanto na seleção dos trechos quanto no tempo de exposição. O próprio Memória Globo registra o desequilíbrio, incluindo um minuto e meio a mais para Collor. A emissora passou a adotar como norma a não edição de debates políticos após a repercussão do caso”.

“Nesta sexta-feira (16), a direção da Globo voltou a ser questionada por receber Flávio Bolsonaro para um almoço horas antes de sua sabatina. Participaram João Roberto Marinho, presidente do grupo, e Paulo Tonet, vice-presidente de Relações Institucionais. Segundo auxiliares de Lula, o presidente não recebeu convite semelhante quando foi entrevistado na véspera. Em ato em Ipatinga, em Minas Gerais, Lula afirmou que a emissora estava ‘sob suspeição’ de sua candidatura: ‘Não merece confiança, não merece’”.

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