segunda-feira, 19 de outubro de 2026

Imagens católicas são destruídas na Bahia

Por Altamiro Borges

A intolerância religiosa, estimulada pelas milícias digitais bolsonaristas, está tomando proporções preocupantes no Brasil. Neste domingo (18), o jornal A Tarde, da Bahia, deu a manchete: “Quando a fé vira alvo”. Na chamada de capa, o alerta: “Ataques a imagens católicas se multiplicam no país, chegam a Salvador e levam o STF a determinar investigação policial”.

A reportagem informa que até agosto passado, o Ministério dos Direitos Humanos e da Cidadania registrou 1.865 denúncias relacionadas à liberdade de crença, que resultaram em 3.330 violações de direito no país – alta de 4,8% nas denúncias e de 16,1% nas violações em comparação ao mesmo período de 2025. Na Bahia, foram contabilizadas 124 denúncias e 257 violações entre janeiro e agosto.

PF abre inquérito para investigar ataques

Diante do aumento dos casos, o ministro Flávio Dino, do Supremo Tribunal Federal (STF), determinou que a Polícia Federal abrisse inquérito para investigar ao menos 11 episódios de intolerância e violência contra símbolos religiosos no país. Entre eles: a destruição por chamas da imagem de Nossa Senhora Aparecida em Novo Progresso (PA); a decapitação de uma imagem de Nossa Senhora em Cuiabá (MT); os danos à imagem de Nossa Senhora Aparecida em Londrina (PR); a imagem de Nossa Senhora vandalizada em Maceió (AL); duas imagens sacras destruídas em Rio Grande (RS); várias imagens sacras destruídas em Monte Alegre (SE) e os ataques a lojas de artigos religiosos católicos em Fortaleza (CE).

“Um dos casos mais recentes foi em Salvador, no dia 22 de setembro, na Paróquia Jesus Cristo Ressuscitado (Plataforma): um homem invadiu a igreja, retirou a imagem de Santa Dulce dos Pobres do altar lateral e a quebrou diante do sacrário. Câmeras registraram sua entrada”, relata o jornal baiano.

“A intolerância parece ser o ponto mais evidente, porque o ataque foi dirigido exclusivamente à imagem de Santa Dulce. Se fosse apenas vandalismo, outras peças poderiam ter sido destruídas, como os candelabros, vitrais e bancos. Mas a violência foi contra o sagrado”, lamenta Marcos Venicius Studart Farias, pároco da Paróquia Jesus Cristo Ressuscitado. Além de comunicar o ocorrido à Arquidiocese e registrar boletim de ocorrência, a paróquia divulgou em suas redes a violência.

Atos de violência contra a liberdade de culto

O jornal A Tarde lembra que “dias antes do vandalismo na Paróquia de Plataforma, foi a vez dos fiéis da Paróquia Senhor Bom Jesus dos Milagres (Matatu) ter uma infeliz surpresa: na manhã de 11 de setembro, a comunidade encontrou quebrada a imagem de Nossa Senhora das Graças. A ocorrência foi comunicada às autoridades, que enviaram equipes da Polícia Militar, Civil e Técnica ao local”.

Para o padre Valson Santos Sandes, pároco da igreja, estes atos de violência ferem a fé dos católicos e a liberdade de culto, “que deve ser respeitada em um país livre”. No caso da imagem de Nossa Senhora das Graças, alguns detalhes chamaram atenção da comunidade: ela foi quebrada no rosto e nas mãos, e no local não havia objetos de metal ou cobre, que costumam ser alvo de furtos.

“A forma como a imagem foi violada e as partes atingidas nos levam a considerar com mais preocupação a hipótese de intolerância religiosa do que a de um simples vandalismo. Essa é uma impressão suscitada pelas circunstâncias, não uma conclusão definitiva. A motivação precisa ser apurada pelas autoridades”, explica o padre.

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