quinta-feira, 5 de novembro de 2026

BC sacaneia Lula e mantém taxa de juros

Por Altamiro Borges

Submetendo-se ao terrorismo dos abutres financeiros, que foram derrotados nas eleições presidenciais da semana passada, o Banco Central decidiu nesta quarta-feira (4) interromper a sequência de cinco cortes na taxa de juros e manter a Selic em 13,75% ao ano. A decisão do Comitê de Política Monetária (Copom) é um duro golpe contra a economia e uma típica sacanagem do “deus-mercado” contra Lula. Ela visa enquadrar o presidente reeleito, forçando a adotar o “tesouraço” fiscal de Flávio Bolsonaro, o candidato dos banqueiros da Faria Lima derrotado nas urnas.

No comunicado oficial, os rentistas do Copom alegaram que houve uma piora do quadro econômico na fase recente. “Tal cenário exige cautela por parte de países emergentes em ambiente marcado por elevação da volatilidade de preços de ativos e commodities”, afirmaram, referindo-se à situação mundial. Já sobre o cenário interno, os diretores do BC culparam a queda do desemprego, o “mercado de trabalho resiliente”, pela piora nas projeções para a inflação. Bem ao gosto do “deus-mercado”, o Copom também fustigou a política fiscal do governo Lula, “reforçando a postura de cautela em cenário de maior incerteza”.

Líder no ranking mundial dos juros reais

Com a manutenção da Selic em 13,75%, o Brasil segue líder no ranking mundial dos juros reais, com uma taxa de 9,49% ao ano e amplia a vantagem em relação à Turquia, a segunda colocada, que registra 7,77%. Na comparação com o balanço de setembro da MoneYou, que analisa a evolução das taxas em 40 economias, o Brasil aumentou a distância para o segundo no ranking de 1,66 para 1,72%. No levantamento anterior, a Rússia ocupava o segundo lugar; agora está em quarto, com juros reais de 6,57%. Já a Argentina subiu para a terceira posição, com 6,80%.

Os juros praticados no Brasil só têm efeitos nocivos. Eles contraem a economia, inibindo o crédito, emperrando a produção e o comércio, gerando menos emprego e renda – além de elevar a dívida pública. Nesta quarta-feira (4), o Ministério do Trabalho divulgou os dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged) que mostra queda de 43% na geração de novas vagas. O resultado é o pior para o mês de setembro desde 2020. Foram criados 121.305 empregos formais. No mesmo mês de 2025, foram gerados 214,6 mil novos postos de trabalho.

Efeitos nocivos na renda dos trabalhadores

No acumulado de janeiro a setembro deste ano, houve a geração de 1.248.914 empregos ante 1.731.398 no mesmo período do 2025. A diferença representa uma queda de 27,9%. Para o ministro Luiz Marinho, a razão principal desta queda é a alta taxa de juros. “Desde o ano passado a gente vem falando disso, os juros vêm machucando a economia”. O rendimento do trabalho também sofre. Segundo o Caged, o salário médio real de admissão em setembro foi de R$ 2.429,41, o que representa redução de R$ 1,10 (-0,05%) em relação a agosto deste ano.

Outro indicador dos efeitos deletérios dos juros pornográficos no país está na busca por crédito. Ela cresceu 49,56% em setembro, em comparação com o mesmo período do ano passado, segundo estudo da Confederação Nacional de Dirigentes Lojistas (CNDL) divulgado também nesta quarta-feira (4). Para José César Costa, dirigente da entidade, o aumento da procura por crédito está relacionado às dificuldades financeiras enfrentadas pelas famílias.

“Em um ambiente de juros elevados, renda comprometida e dificuldades para manter as contas em dia, o crédito deixa de ser procurado apenas para financiar novos projetos ou estimular o consumo e passa a funcionar, em muitos casos, como alternativa para cobrir despesas do mês, quitar compromissos atrasados e reorganizar as finanças”, afirma.

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